quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Felizmente, o excesso do gozo tanto debilita a imaginação como a faculdade de julgar. O sofrimento dorme então com a virilidade e tão longamente como ela. Pelas mesmas razões, os adolescentes perdem com a primeira amante a inquietação metafísica, e certos casamentos, que são deboches burocratizados, tornam-se, ao mesmo tempo, os monótonos carros mortuários da audácia e da inventiva. Sim, caro amigo, o casamento burguês pôs o nosso país em pantufas e em breve o porá às portas da morte.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Diante de um espelho, detestava-se - as pernas ossudas, o peito estreito -, e vestia negligentemente como sinal de que não esperava despertar interesse em mulher nenhuma.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Compreendi então, à força de revolver a memória, que a modéstia me ajudava a brilhar, a humildade a vencer e a virtude a oprimir. Fazia a guerra por meios pacíficos e obtinha, enfim, por meio do desinteresse, tudo o que almejava.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Na realidade, aqueles que sabem usar a sua liberdade com sabedoria são aqueles que têm a consciência “forte”. Sendo forte, a sua consciência não os acusa sistematicamente de práticas que Deus não reprova. Sendo forte, acusa mais em áreas relacionadas com a motivação interior e menos em áreas relacionadas com práticas exteriores que variam de acordo com o contexto cultural.
Quem cresce no conhecimento de Deus e vem a ter uma consciência forte, será mais livre do que um cristão imatura, que ainda se prende a muitas práticas e preconceitos legalistas. Contudo, este também saberá prescindir da sua liberdade a favor do cristão mais fraco. Saberá não beber vinho, por exemplo, na presença de um cristão mais fraco que ainda não se sente livre para beber. Pois se o cristão mais forte beber vinho nessa situação, pode levar outro, pelo seu exemplo, a fazer o mesmo, e para o cristão imaturo, o facto de beber vinho pode ser ocasião de uma queda. Este é o sentido exacto do termo “escandalizar” usado várias vezes pelo apóstolo Paulo (Romanos 14:21).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Já lhe disse, trata-se de escapar ao julgamento. Como é difícil escapar e melindroso fazer, ao mesmo tempo, com que se admire e desculpe a própria natureza, todos procuram ser ricos. Porquê? Já o perguntou a si mesmo? Por causa do poder, certamente. Mas sobretudo porque a riqueza nos livra do julgamento imediato, nos retira da turba do metropolitano para nos fechar numa carroçaria niquelada, nos isola em vastos parques guardados, em carruagens-camas, em camarotes de luxo. A riqueza, caro amigo, não é ainda a absolvição, mas a pena suspensa, sempre fácil de conseguir…