terça-feira, 10 de março de 2009

Nosso medo de ficar sozinhos impulsiona-nos para o barulho e para as multidões. Conservamos uma constante torrente de palavras mesmo que sejam ocas. Compramos rádios que prendemos ao nosso pulso ou ajustamos aos nossos ouvidos de sorte que, se não houver ninguém por perto, pelo menos não estamos condenados ao sliêncio. T.S. Eliot analisou muito bem a nossa cultura quando disse: ‘Onde deve ser encontrado o mundo em que ressoará a palavra? Aqui não, pois não há silêncio suficiente.’

2 comentários:

JDC disse...

Sabes, Tiago, nunca gostei de barulho e multidões. Sempre preferi o silêncio e o isolamento (no bom sentido da expressão). Talvez por isso sempre preferi a montanha à praia, o contacto com a natureza na sua forma mais diversa, onde cada árvore e cada pedra contam uma história. Sempre preferi escutar o mundo e, sinceramente, o barulho do mar e das multidões sempre me pareceu repressivo. Lá em cima, quase que sinto o mundo a meus pés, consigo ver o horizonte longe, longe..., consigo ver as pessoas e o intocado. Acho que a montanha me devolve às minhas origens e tudo parece simples outra vez. Por outro lado, a montanha não revela logo os seus segredos, à o ímpeto da descoberta, do novo. As praias, depois de visitadas uma vez, parecem-me sempre mais do mesmo...

Tiago Franco disse...

Para já, já sabes que para mim, a praia é que é. É o meu cenário natural de eleição.

Mas à parte disso, não percas esse gosto pela montanha. Nas doses apropriadas, suponho que Deus partilhe esse gosto contigo.

PS: a testar no 25 de Abril, que o ruído da praia pode ser muito especial, e mais ainda a comer pastéis de feijão em São Pedro. Arranja meio de vires no dia 24 à tarde!