quinta-feira, 30 de abril de 2009

A amizade e o amor não se podem desenvolver na forma de um ansioso apego; pedem espaço, sem temor, no qual possamos mover-nos do outro e para o outro. Na medida que a nossa solidão nos une na esperança de que unidos não sejamos mais sozinhos, castigamo-nos uns aos outros com os nossos desejos inalcançáveis e irreais de unidade, tranquilidade interior e comunhão ininterrupta.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Isso não se deveria em grande parte à nossa incapacidade de encarar a dor da nossa solidão? Fugindo da solidão, tentando nos distrair com pessoas e experiências especiais, não lidamos de forma realista com nossos predicados humanos. Estamos sob o risco de nos tornarmos pessoas infelizes, sofrendo com anseios insatisfeitos e torturadas por desejos e expectativas que nunca poderão ser satisfeitas. Não é verdade que toda a criatividade pede por um encontro com a nossa solidão, e que o medo desse encontro limita severamente a nossa possibilidade de auto-expressão?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Com seis dedos nos seus pés,
e três olhos na sua face,
duas antenas na sua cabeça,
mas mesmo assim gostam de nós.
São os homenzinhos verdes,
são nossos amigos,
os homenzinhos verdes.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Os Olhos

Arrancavam-lhe as unhas, davam-lhe murros na cabeça, batiam-lhe com barras de ferro nas pernas, queimavam-lhe os testículos com cigarros, não o deixavam dormir há anos e então ele gritou "Pai, porque me abandonaste?", mas ele não era divino nem homem, por isso, sendo eterno, sofreu e deu urros até ao fim, até que um homem pegou na sua cabeça e, agarrando-lhe na nuca, esmagou a sua cara contra as paredes de pedras aguçadas, uma, duas, trinta vezes. A seguir já não gritou mais pela boca, tendo passado a gritar com os olhos, agora, para sempre, muito abertos como os de um cavalo enquanto é chicoteado até à morte.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

É um homem de fé?
Essa é uma pergunta a que nunca respondo.

"As pessoas sem memória são como navegadores sem bússola. É uma das piores maldições que existe." Esta citação tremenda é da sua autoria.
A memória é um músculo que precisa de ser musculado. É um instrumento fundamental para tudo: para a nossa vida cognitiva, para o nosso relacionamento social, para o nosso desempenho profissional, para os estabelecimento de laços afectivos…A memória é uma espécie de circulação sanguínea da nossa vida, que nos dá uma coisa fundamental: o sentido de continuidade. Vemos doentes sem memória, nas suas formas mais variadas, que ficam completamente incapazes.

Mas relacionam-se afectivamente?
Mal, mal. Fica tudo destemperado. É um boneco desarticulado. Uma marioneta que não tem os fios puxados.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

The reason we get restless with where we are and want, as we say, "more of a challenge" or "a larger field of opportunity" has nothing to do with prophetic zeal or priestly devotion; it is the product of spiritual sin. The sin is generated by the virus of gnosticism. Gnosticism is the ancient but persistently contemporary perversion of the gospel that is contemptuous of place and matter. It holds for that salvation consists in having the right ideas, and the fancier the better. It is impatient with restrictions of place and time and embarrassed by the garbage and disorder of everyday living. It constructs a gospel that majors in fine feelings embellished by the sayings of Jesus. Gnosticism is also impatient with slow-witted people and plodding companions and so always ends up being highly selective, appealing to an elite group of people who are “spiritually deep,” attuned to each other and quoting a cabal of experts.
The gospel, on the other hand, is local intelligence, locally applied, and plunges with a great deal of zest into the flesh, into matter, into place - and accepts whoever happens to be on the premises as the people of God. One of the pastor's continuous tasks is to make sure that these conditions are honoured: this place just as it is, these people in their everyday clothes, "a particularizing love for local things, rising out of local knowledge and local allegiance."




quarta-feira, 22 de abril de 2009

(…) percebia agora por que motivo a odiava. Odiava-a por ser jovem e bonita e assexuada, porque queria ir para a cama com ela e nunca o faria, porque à volta da cintura graciosa e flexível, que parecia convidar um homem a enlaçá-la, havia apenas a odiosa faixa encarnada, símbolo agressivo da castidade.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a plateia, uma assembleia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da actual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Velho Amado

Sentado na cadeira, olhando a Praça, ele lembra-se de quando era jovem. Nessa altura, o corpo ainda não o havia desprezado e calcorreava as montanhas em longas caminhadas de meditação. Como se sentia satisfeito com a sua força! Os seus braços eram capazes de erguer os troncos e de cavar a terra. Também o Inverno não lhe pesava como agora, em que tem de estar resguardado de tudo sob pena de que a morte lhe toque. Olha as pessoas que esperam que assome à janela, acenando. Sabe que um gesto e um sorriso seus são momentos inesquecíveis para aqueles que viajam tantos quilómetros só para o verem. Contarão aos filhos e aos netos e guardarão a sua imagem como uma esperança para depois da vida, como uma das coisas mais importantes que lhes aconteceu. Está sentado e a sua cabeça pende para cima do ombro. A baba cai-lhe do canto da boca, As suas mãos estão descontroladas e tremem além da sua vontade. Os pensamentos estão baralhados. É um prisioneiro de milhões de homens, do seu corpo e da deusa que ama acima de todas as coisas. A manhã está gloriosa e o velho já nem consegue sorrir. Está só, como quando nasceu.

domingo, 19 de abril de 2009

One who breaks an unjust law must do so openly, lovingly and with a willingness to accept the penalty.

sábado, 18 de abril de 2009

Submission is the first and last duty of man. That is exactly what I have been needing in my Christian life. Two years ago a profound dissatisfaction led me to begin trying to line up my actions with the will of God about every fifteen minutes or every half hour. Other people to whom I confessed this intention said it was impossible. I judge from what I have said that few people are trying even that. But this year I have started out trying to live all my waking moments in conscious listening to the inner voice, asking without ceasing, "What, father, do you desire said? What, Father, do you desire done this minute?"

sexta-feira, 17 de abril de 2009

This is true perfection: not to avoid a wicked life because like slaves we servilely fear punishment, nor to do good because we hope for rewards, as if cashing in on the virtuous life by some business-like arrangement. On the contrary, disregarding all those things for which we hope and which have been reserved by promise, we regard falling from God's friendship as the only thing dreadful and we consider becoming God's friend the only thing worthy of honor and desire. This, as I have said, is the perfection of life. As your understanding is lifted up to what is magnificent and divine, whatever you may find (and I know full well that you will find many things) will most certainly be for the common benefit in Christ Jesus. Amen.
The human person, once perceiving that the Revelation of the Word is a condemnation of the self, casts away all thoughts of his own merit . . . . The more he examines his life, the more he looks into himself with complete honesty, the more clearly he perceives that what he has is a gift. Suppose he was an upright man in the eyes of society, then he will now say to himself: “So you were an educated man, yes, but who paid for your education; so you were a good man and upright, yes, but who taught you your good manners and so provided you with good fortune that you did not need to steal; so you were a man of a loving disposition and not like the hardhearted, yes, but who raised you in a good family, who showed you care and affection when you were young so that you would grow up to appreciate kindness – must you not admit that what you have, you have received? Then be thankful and cease your boasting”.


O indivíduo humano, assim que perceba que a Revelação da Palavra é uma condenação do eu, afastará qualquer pensamento sobre o mérito próprio... Quanto mais examinar a sua vida, mas olhará para si mesmo com completa honestidade, e perceberá mais claramente que o que tem são dádivas. Supondo um homem que recebeu boa educação aos olhos da sociedade, ele dirá agora para si mesmo "então tu és um homem bem formado, sim, mas quem pagou os teus estudos; então tu és um bom homem e bem educado, ok, mas quem é que te ensinou as boas maneiras e providenciou-te a prosperidade para não teres de roubar; então tu és um homem propenso a amar, e não és como os de coração duro, mas quem é que te criou num boa família, quem é que te deu cuidado e afecto quando eras novo para que viesses a valorizar a bondade quando fosses grande - deves ou não deves amitir que o que tens, tens porque recebeste? Então sê grato, e chega de gabarolice.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Oferecer a outra face significa mostrar aos nossos inimigos que eles só podem sê-lo enquanto presumirem que nos agarramos ansiosamente à nossa propriedade privada, seja o nosso conhecimento, o nosso bom nome, a nossa terra, o nosso dinheiro ou os objectos que reunimos à nossa volta. Mas quem será um ladrão quando tudo o que quiser roubar for um presente nosso para ele? Quem nos mentirá, quando apenas a verdade servirá? Quem espreitará a porta dos fundos se a porta da frente estiver escancarada?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

We reject mysticism because it seeks a union which excludes all particularity, and wants to overcome all distinctions. Since the universe is in its essence communal and personal, mysticism cannot be accepted. The Christian dogma of the resurrection of the body shows considerable profundity on this point. The doctrine means that we shall be resurrected in our full personality and particularity, and that salvation is the full restoration of the whole person, not the wiping away of particularity. Salvation integrates personality into community, it does not destroy personality to dissolve it into some mysterious and meaningless "One".


Rejeitamos o misticismo porque procura uma união que exclui toda a particularidade, e deseja ultrapassar todas as diferenças. Sendo o universo comunitário e pessoal na sua essência, o misticismo não pode ser aceite. O dogma Cristão da ressurreição do corpo mostra uma profunidade considerável neste ponto. Esta doutrina significa que vamos ressuscitar com toda a nossa personalidade e particularidade, e que a salvação é a restauração plena do nosso ser, e não a remoção da nossa particularidade. A salvação integra a personalidade numa comunidade, mas não destrói a personalidade de modo a dissolvê-la num misterioso "Um" sem significado.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Só podemos criar comunicações com o outro quando nossas escolhas de vida, atitudes e pontos de vista criam os limites que desafiam o estranho a perceber sua própria posição e a explorá-la criticamente.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Anão

Mancava. A perna esquerda era mais curta da direita. O cabelo amarelo escuro, desgrenhado e eriçado. O seu corpo ondulante, em permanente desequilíbrio. Assobiava o anão enquanto passava pelo beco mais escuro da cidade. Da jaqueta verde pendia um relógio e, num dos bolso do casaco demasiado largo a dar-lhe pelos joelhos , podia-se adivinhar o volume de um livro ou caderno. A noite já ia alta e ele disse para si próprio que tinha de se despachar. Bateu a uma porta no local mais escuro, por detrás de um amontoado de caixotes do lixo. Um anjo abriu a porta e chamou outro com um rosnido. Seguiram os três e entraram na avenida onde os carros e os néons traziam uma espécie de vida à madrugada. Os anjos enormes, com os olhos irradiando uma luz vermelha, rosnavam baixinho, inquietos ao passarem pelas prostitutas e pregadores de esquina pregando o apocalipse iminente. O anão seguia, mancando, sempre a assobiar. Entraram num prédio de aspecto miserável onde se podia ler 'Hotel Bossa Nova' em luzes azuis e verdes. Passaram pelo recepcionista, que dormia. Subiram dois lances de escadas lentamente, com o anão a amaldiçoar a sua má sorte e a dificuldade do seu lento avanço. No chão, junto à porta onde se detiveram, um homem andrajoso caído no chão, murmurava palavras numa língua estranha sobre revoluções feitas com cravos. O anão pegou no caderno e confirmou ser ali o local certo. Bateu à porta. Os dois anjos, atrás dele, na escuridão do corredor mal iluminado, eram dois vultos gigantes cujos olhos faiscavam e cujos grunhidos ecoavam pelas paredes dilaceradas por graffitis. A porta abriu-se e um velho de gabardina, segurando uma pesada mala cheia de autocolantes, disse que estava pronto. Os anjos começaram a piar e deitaram-se no chão, submissos aos pés do velho que os afagou e lhes chamou nomes ternos. O anão fez uma vénia e disse se o senhor seu deus se tinha divertido na sua breve fuga. O velho respondeu que iria fugir outra vez. O anão disse que sim, sorrindo. Os quatro saíram do hotel e o velho deus, subindo para as costas de um anjo, desapareceu no céu rosado em que o Sol começava a despontar. O anão espreguiçou-se e disse para si mesmo que esta tinha sido uma boa noite. O outro anjo desapareceu quando ele lhe disse que podia ir, que estava liberto. O anão seguiu pela rua, assobiando, enquanto fazia um visto com um lápis roído e mínimo no nome de deus no seu caderno.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Em vez de fugir do isolamento ou de tentar negá-lo ou esquecê-lo, devemos protegê-lo e transformá-lo numa solidão frutífera. Para viver uma vida espiritual, primeiro devemos ter coragem de entrar no deserto do nosso isolamento e transformá-lo, por meio de esforços subtis e persistentes, num jardim de solidão. Isso exige não só coragem, mas também uma fé sólida. Assim como é difícil acreditar que o árido e desolado deserto pode abrigar infinitas variedades de flores, custa a crer que o nosso isolamento esconde belezas desconhecidas. O movimento do isolamento à solidão, no entanto, é o início de qualquer vida espiritual, pois é o movimento dos sentidos inquietos até ao espírito de em repouso, dos anseios exteriores à busca interior, do apego temoroso ao jogo sem medo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Numa época de forte ênfase na sensibilidade interpessoal, na qual somos incentivados a explorar nossa capacidade comunicativa e a experimentar várias formas de contacto físico, mental e emocional, muitas vezes somos tentados a acreditar que o sentimento de solidão e tristeza é apenas um sinal de falta de abertura. Às vezes, isso é verdade, e muitos trabalhos de sensibilidade contribuem bastante para alargar a extensão das interacções humanas. Mas a verdadeira abertura para o outro significa também um verdadeiro fechamento, pois apenas quem mantém um segredo pode em segurança partilhar o seu conhecimento. Quando não protegemos com grandes cuidados o nosso mistério interior, não somos capazes de formar uma comunidade. É esse mistério interior que nos atrai uns para os outros e nos permite criar amizades e relações amorosas duradouras. Uma relação íntima não exige apenas abertura mútua, mas também atracção respeitosa e mútua da singularidade de cada um.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Acontece que a "sensibilidade" e o lado "emocional" da vida são coisas para consumo moderado, como os medicamentos, e que a sua prescrição deve ser consagrada para uso íntimo e estritamente pessoal. Ao ver as montanhas do meu Minho que espera o Inverno, ou a praia de Moledo que escurece com a visão da ínsua, eu não começo a cismar. Simplesmente, fico com frio. E agasalho-me.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Ainda que, depois de muitos anos de vida, muitas vezes nos sintamos mais sozinhos, hostis e iludidos do que quando tínhamos um curto passado sobre o qual reflectir, também sabemos melhor do que antes que todas essas dores aprofundaram e reforçaram a nossa necessidade de alcançar um modo de existência solitário, hospitaleiro e cheio de prece.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Meditatively pray through Philipians, chapter 2, which describes the kenosis, the self-emptying of Christ, who was in the form of God but who voluntarily took on the form of a servant and became obedient to the point of death. Bid the brooding Spirit of God to apply your prayer to the specifics of your day. Wait quietly. Listen carefully. Obey immediately.

The Prayer of Relinquishment
Se foi Deus que quis assim
Nem tu sabes nem eu sei
Mas tenho-te presa a mim
Por tudo o que não te dei

Se eu te desse o que tu queres
Quem sabe se nesse dia
Depois de tu me prenderes
Eu nunca mais te prendia

E se me queres como sou
Não me queiras prisioneiro
Não te daria o que dou
Se me desse por inteiro
Só posso dar-te o que dou
Porque não me dou por inteiro
Só espero que tu entendas
Que prefiro que me deixes
A deixar que tu me prendas

Bem sei que é contradição
Eu pedir-te liberdade
Sabendo que a condição
É ficar preso à saudade

sexta-feira, 3 de abril de 2009

 Expliquei-lhe, no entanto, que a minha natureza era feita de tal modo que as minhas necessidades físicas perturbavam frequentemente os meus sentimentos. No dia do enterro, estava muito cansado e com muito sono, de forma que não dei lá muito bem pelo que se passou. O que podia afirmar, com toda a certeza, era que preferia que a mãe não tivesse morrido. Mas o advogado não ficou contente. Disse: «Isso não chega».

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Depois quis saber se eu já escolhera advogado. Respondi que não, e perguntei-lhe se era absolutamente necessário ter advogado. «Porquê?», disse ele. Repliquei, afirmando que achava o meu caso simples. Sorriu, dizendo: «É uma opinião. No entanto, a lei é a lei. Se o senhor não quer quem o defenda, nós nomeamos automaticamente advogado.» Achei que era muito cómodo a justiça encarregar-se desses pormenores. Disse-lho. Concordou comigo, e concluiu que a lei estava bem feita.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

What matters in the study of words is actually not so much where an idea has come from, important though that is, as where it is going to. Confrontation is even more important than derivation.
Saímos, e Raimundo ofereceu-me um copo de aguardente. Depois quis jogar uma partida de bilhar e ganhou-me por pouco. A seguir, queria ir a um bordel, mas eu disse que não, porque não tinha vontade. Então voltámos lentamente para casa, e ele voltou a dizer até que ponto se sentia contente por ter conseguido castigar a amante. Achei-o muito simpático comigo, e pensei que era um momento bem agradável.