sexta-feira, 24 de julho de 2009

No cruel lenho pregado
grande exemplo a todos deu:
“Pai, nas Tuas mãos entrego
o meu espírito”. E morreu.

Houve trevas sobre a terra.
houve susto e confusão,
mas para todos que crerem
há gloriosa salvação.

O dito de Simeão
cumpriu-se em alegoria:
uma espada atravessou
o coração de Maria.

Pede José de Arimateia
o corpo do seu amigo.
Da cruz, a forca romana,
desceu para o jazigo.

Domingo, ao fim de três dias,
o Senhor ressuscitou:
foi Madalena a primeira
pessoa que lhe falou.

Quando O veio conhecer
esqueceu a sua pena;
mas Jesus lhe disse então:
“Não me bulas, Madalena.”

O Senhor, vencida a morte,
não podia ali ficar.
O anjo mandou Maria
a seus irmãos avisar.

Tal desespero sentiu
Judas, quando considerou
ter entregado o Messias
que a si mesmo enforcou.

Os Apóstolos, um dia
estavam orando a sós
quando Jesus apareceu
e diz: “Paz a todos vós.”

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dir-se-ia que esta concepção do Cristo “manso e meigo” poderia ser facilmente localizada; contudo, a experiência mostra que ela opera no subconsciente de muitas mentes cristãs, particularmente naqueles indivíduos cuja infância foi marcada por uma atitude sentimental em relação ao “Senhor Jesus”. As acções, e até os pensamentos, de tais pessoas são inibidos por uma concepção falsa de amor que as impede de usarem as suas faculdades críticas, de dizerem a verdade pura e simples e de encararem o próximo “naturalmente”, com receio de pecarem contra um deus de mansidão e brandura. Para os não cristãos, tais pessoas apresentam-se insinceras ou mesmo hipócritas, ao passo que o amor que elas tentam exibir pelos outros não passa, muitas vezes, de um patético arremedo do sentimento autêntico; porque, tal como outros sentimentalistas, o deus manso e meigo é, na realidade, cruel; e aqueles cujas vidas foram governadas por ele desde a infância nunca puderam desenvolver as suas verdadeiras personalidades. Forçados a serem “amorosos”, nunca puderam estar livres para amar.

terça-feira, 7 de julho de 2009


De noite, eu rondo a cidade,
a te procurar, sem encontrar.
No meio de olhares, espio
por todos os bares, você não está.
Volto prá casa abatida,
desencantada da vida,
o sonho alegria me dá,
nele você está.
Ah, se eu tivesse
quem bem me quisesse,
esse alguém me diria:
Desiste, esta busca é inútil,
eu não desistia.
Porém, com perfeita paciência,
volto a te buscar, sem encontrar,
bebendo com outras mulheres,
rolando um dadinho, jogando bilhar.
E nesse dia, então,
vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar
da Avenida São João.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Para as pessoas habituadas a viver no domínio do subjectivo, as diferenças de doutrina não importam. O fim deles é formar a síntese. Só assim, para mim, se explica que Karl Barth pudesse, como fez no Concílio Ecuménico, em Amesterdão, dizer certas verdades fortes sobre ritos católico-romanos, sem cessar, no entanto, de falar da Igreja romana como sendo uma Igreja autêntica. (…) Uma vez que se penetra do mundo subjectivo, sem princípio objectivo de autoridade, e sobretudo com a tal concepção de síntese, não se pode considerar as diferenças de ordem teológica de outra forma senão como um “patamar” permitindo atingir uma verdade superior. Assim temos direito de afirmar que na realidade estes homens montaram a mais hábil das contrafacções do Cristianismo verdadeiro. Eles encontram-se, certamente, ainda mais afastados de nós que a Igreja católica-romana e mesmo que os modernistas.