quinta-feira, 12 de abril de 2012

A chamada teologia da prosperidade impregnou os sectores da Igreja em vários países. Isto gerou uma enorme reacção negativa da sociedade à Igreja e desvirtuou profundamente a mensagem do Evangelho. De que modo devem os sectores mais ortodoxos da Igreja reagir a isso?
Parece-me que uma das testemunhas mais claras contra o “evangelho” herético da prosperidade é uma Igreja humilde, pronta a sacrificar-se e a sofrer pela causa do verdadeiro Evangelho. E, com essa finalidade, precisamos de uma teologia bíblica robusta que fale de sofrimento e da soberania de Deus. Então, creio que os pastores deveriam abordar nas suas pregações o tema do sofrimento, através de uma abordagem saudável da verdade de que Deus é mais glorificado em nós quando nos contentamos Nele. E a grandeza do Seu valor brilha mais reluzentemente quando esse contentamento é sustentado por meio do sofrimento e não da prosperidade. Isso leva a que a glória de Cristo seja o nosso maior tesouro – e não a riqueza, a saúde, a família ou mesmo a nossa própria vida. Logo, a pregação deve continuamente mostrar não que Jesus é o caminho para a prosperidade, mas que Ele é melhor do que a prosperidade.

O tráfego de informações e influências por meio da internet tem feito as paredes denominacionais, doutrinárias e teológicas caírem de modo inédito na história do Cristianismo. Isso ocorre pela acção dos blogues, redes sociais, site de transmissão de vídeo e similares, essencialmente. Consegue ver, a médio e longo prazo, que efeitos trará para a Igreja este fenómeno, em especial no processo de formação de conceitos na mente de cada cristão?
Não, não consigo. É muito cedo para dizer que efeitos advirão disso tudo. É fácil tornar-se profeta do apocalipse e predizer os efeitos que a informação e o entretenimento desenfreados terão sobre nós. Certo é que actualmente andamos mais distraídos. Dedicamo-nos mais a buscar futilidades na internet. Também estamos mais em contacto com material que pode corromper-nos, como pornografia ou imbecilidades que anestesiam a nossa alma. Porém, nada disso é irreversível. E a possibilidade de colocar à disposição materiais positivos para uma quantidade cada vez maior de pessoas deve superar os problemas. É por isso que devemos orar – e é nesse sentido que devemos trabalhar.

Entrevista de John Piper, Revista Novas de Alegria nº831