quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A administrar como mordomos

Quantas vezes, ao participarmos em alguma ajuda a uma instituição de caridade, não teremos agido como se estivéssemos a dar alguma coisa nossa cultivando todas as expectativas de sermos considerados abnegados e generosos? Isso aconteceu quando estávamos apenas a administrar, como mordomos, parte daquilo que o verdadeiro Dono nos confiou para os propósitos que tem em mente. A prova de que não é desta forma que nos vemos a nós próprios é o sentimento que nos invade quando alguém se esquece de nos agradecer, agradecendo só (!) a Deus.

Editora: Dikaion
página 128

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Eles não respeitam as máscaras, mas julgam os seus segredos

Um dia, li uma frase de Karl Barth que compara os métodos do livro de Génesis com os romances de Dostoievski. Barth diz que ambos arrogantemente ignoram as apreciações e honras convencionais e aproximam-se das vidas de homens e mulheres cavando as profundezas de Deus nas suas supostas vidas convencionais. Dostoievski e Génesis não respeitam as máscaras de homens e mulheres, mas julgam seus segredos. Eles vêem além do que homens e mulheres aparentam ser e entendem o que eles são e o que eles não são. Eles vêem, nos termos de Paulo, sua justiça reconhecida como o divino "todavia", e não como o divino "portanto"; como perdão, e não como um permissão para o que eles acreditam ser.

Original: Under the Unpredictable Plant
Editora: United Press
página 67

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O personagem que haveria de criar para conseguir ser o artista que desejava ser

Nunca se viam de um modo definido as suas feições. Os seus olhos azuis, profundos, vivos e inquisitivos só apareciam fora do espaço público. David pensava agora que o amigo sempre parecera querer esconder-se. Tinha visto algumas fotografias suas de miúdo em que era possível prever no olhar esquivo, e no modo reservado do corpo, a pré-história do personagem que haveria de criar para conseguir ser o artista que desejava ser.

Editora: Quetzal
página 171

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

I believe


Hallelujah! I just found Jesus
Swimming at the bottom of the bottle 
I keep crawling out of
He said You look familiar but I can't place your face
I said You look like hell 
and that we used to hang at my mother's request
Hallelujah! I just found Jesus 
Trying to save the world through the wet hands 
and mouth of a girl
She's convinced me to stay in for as long as 
we both shall live
(Or until one of us gets bored)
Have I been saved?
'Cause I feel the same
Dirty and tired
Can I be saved without having shame or remorse 
for what I don't believe?
I offer up my humbled soul and my broken spirit 
All those things that I can't control
The intangible bullshit to you, my Lord
I believe there is no white light
Somebody's mistaken or somebody lied
I believe there is only one truth 
It resonates different in me and you 
so don't try to sell me yours

Sobretudo a total ausência de magia

A criança que fui seguiu-me de desapontamento em desapontamento nesta primeira semana de trabalho. Pedra, lixo, silvedo e, sobretudo, a total ausência de magia. Nada remotamente relacionado com passagens secretas ou entradas para grutas ou divisões escondidas com a possibilidade de algum achado extraordinário. Sabia, evidentemente, que as lendas acerca da serra não podiam ser reais, mas sou incapaz de evitar sentir-me decepcionado.

Editora: Quetzal
página 13