sexta-feira, 9 de dezembro de 2016



Quando me queres incluir
e me pões a dormir
num bairro qualquer por aí

E a lição de bem-estar
é não incomodar
quem veja incómodo em mim

Por mais passos que eu dê
mesmo sem querer
irei sempre bater
ou esbarrar contra ti

É teu o meu espaço
e p´lo teu embaraço
pelas portas d´aço
eu já percebi:

Tens medo de mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim

Quando me vens revistar
só porque dou ar
de não ser daqui nem dali

E para me proteger
impões um poder
que não olha a meios pró fim

Todo o gesto que eu faça
é vil ameaça
que anulas e esmagas
e vejo assim

que a força que empregas
é injusta e cega
não vê em quem acerta
e acertas em mim

Tens medo de mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim

Quando me culpas e prendes
tudo porque entendes
que isso é melhor para mim

Eu, mesmo inocente,
sou sempre diferente
porque não sou igual a ti

Agora, não entendo,
porquê este medo
brutal e tão extremo
que a ninguém faz crer

que estou na cadeia
porque a tua carteira
caiu, apanhei-a,
e quis devolver.

Tens medo de mim
Tens medo de mim
e eu medo de ti

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