“Ainda que uma determinada linha de pensamento possa ser desviada de modo a terminar em nosso favor”, verás que estiveste a fortalecer no teu paciente o hábito fatal de prestar atenção a questões universais, ao mesmo tempo que o desvias da corrente das experiências sensoriais imediatas. Mas a tua tarefa consiste em fixar-lhe a atenção nessa corrente. Ensina-o a chamar-lhe «vida real» e não lhe dês azo a que se pergunte o que pretende significar com o termo “real”.”
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Quando consideramos a vastidão do continente de África; quando reflectimos nos progressos em felicidade e civilização que todos os outros países têm feito durante estes últimos séculos; quando pensamos na maneira como neste mesmo período todo o progresso de África foi prejudicado pela relação deste continente com a Grã-Bretanha; quando reflectimos que somos nós que os temos degradado até àquela miserável brutalidade e barbarismo pelos quais agora justificamos a nossa culpa; como o negócio de escravos escravizou as suas mentes, enegreceu o seu carácter, e os afundou tão baixo na escala de seres animais, que alguns pensam mesmo que os macacos são de uma classe superior e imaginam que são ultrapassados pelos orangotangos. Que mortificação devemos sentir ao haver negligenciado tanto tempo o pensar na nossa culpa, ou tentar qualquer reparação.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Tive mesmo, nessa altura, a impressão de que me estavam a pregar rasteiras. Com efeito, tropecei duas ou três vezes, ao entrar em lugares públicos. Uma vez mesmo, estatelei-me no chão. O francês cartesiano que eu sou fez logo por se recompor e atribuir estes acidentes à única divindade razoável, isto é, ao acaso.
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*Autor - Albert Camus,
*Obra - A Queda,
1956 dC
terça-feira, 25 de novembro de 2008
“O problema com a argumentação é que transpõe toda a luta para o terreno do próprio Inimigo. Também Ele pode argumentar. Ao passo que, com o tipo de propaganda realmente prática que sugiro, há já séculos que se vem a provar que Ele é grandemente inferior ao Nosso Pai que está nos Infernos. Pelo simples facto de argumentares, despertas a razão do paciente. E, uma vez desperta, quem poderá prever os resultados?”
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A nossa crença no Céu – prosseguiu o pastor – não é modificada pela nossa descrença no velho inferno medieval. Nós cremos – disse ele, lançando um rápido olhar ao longo do liso e polido plano inclinado, em direcção à porta de estilo Arte Nova, através da qual o esquife seria lançado às chamas –, nós cremos que este nosso irmão já está unificado com o Uno. – Martelava as palavras, como pequenos paralelepípedos de manteiga, com a sua marca particular. – Alcançou a unidade. Ignoramos o que seja esse Uno com quem (ou com que) ele está agora unificado. Não conservamos as velhas crenças medievais em mares refulgentes e coroas de ouro. A verdade é beleza, e para nós, geração amante da verdade, há uma beleza maior na certeza de que o nosso irmão se acha neste momento reabsorvido no espírito universal.
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*Autor - Graham Greene,
*Obra - A Inocência e o Pecado,
1938 dC
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Tira a mão do queixo não penses mais nisso
o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas p´ra dar
E enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem à batota
chega a onde tu quiseres
mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada p´ra andar
a gente não vai parar
enquanto houver estrada p´ra andar
enquanto houver ventos e mar
a gente vai continuar
enquanto houver ventos e mar
todos náo pagamos por tudo o que usamos
o sistema é antigo e não poupa ninguém
somos todos escravos do que precisamos
reduz as necessidades se queres passar bem
que a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo
o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas p´ra dar
E enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem à batota
chega a onde tu quiseres
mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada p´ra andar
a gente não vai parar
enquanto houver estrada p´ra andar
enquanto houver ventos e mar
a gente vai continuar
enquanto houver ventos e mar
todos náo pagamos por tudo o que usamos
o sistema é antigo e não poupa ninguém
somos todos escravos do que precisamos
reduz as necessidades se queres passar bem
que a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
“O teu homem foi habituado, desde rapazinho, a ter uma dúzia de filosofias incompatíveis entre si a dançarem-lhe dentro da cabeça. Ele não pensa em doutrina como essencialmente “verdadeiras” ou “falsas”, mas antes como “académicas” ou “práticas”, “ultrapassadas” ou “actuais”, “convencionais” ou “revolucionárias”. Frases feitas, não a discussão, são os teus melhores aliados para o manter avesso à Igreja.”
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*Autor - Clive Staples Lewis,
*Obra - Vorazmente Teu,
1942 dC
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Einstein
How strange is the lot of us mortals! Each of us is here for a brief sojourn; for what purpose he knows not, though he sometimes thinks he senses it. But without deeper reflection one knows from daily life that one exists for other people -- first of all for those upon whose smiles and well-being our own happiness is wholly dependent, and then for the many, unknown to us, to whose destinies we are bound by the ties of sympathy. A hundred times every day I remind myself that my inner and outer life are based on the labors of other men, living and dead, and that I must exert myself in order to give in the same measure as I have received and am still receiving..
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
O cristão está por definição em oposição, não no sentido actual de se identificar automaticamente com os grupos políticos que num determinado momento estão contra os que detêm o poder, mas sim no sentido de revelar e denunciar as raízes e a prática pecaminosa de toda a estrutura humana, incluindo aquele em que ele próprio, por força das circunstâncias fica inserido. Esta posição é dolorosa. Junta a uma visão global profundamente pessimista um compromisso de agir, no que for possível, para minimizar o sofrimento material e espiritual dos seus semelhantes.
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*Autor - Alan Pallister,
*Obra - O Sabor do Sal,
1983 dC
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Sabes como deves fazer? – perguntou desajeitadamente. Pareceu pensar que ela esperava algum gesto de ternura da sua parte. Inclinou-se e beijou-a na face; tinha medo da boca: os pensamentos comunicam-se com tanta facilidade de um lado ao outro! – Não faz doer – assegurou ele, e deu alguns passos na direcção da estrada principal.
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*Autor - Graham Greene,
*Obra - A Inocência e o Pecado,
1938 dC
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Friedrich Nietzsche
To predict the behavior of ordinary people in advance, you only have to assume that they will always try to escape a disagreeable situation with the smallest possible expenditure of intelligence.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Poemas, são permitidos?
Quem disse à estrela o caminho Que ela há-de seguir no céu? A fabricar o seu ninho Como é que a ave aprendeu? Quem diz à planta "Floresce!" E ao mudo verme que tece Sua mortalha de seda Os fios quem lhos enreda? Ensinou alguém à abelha Que no prado anda a zumbir Se à flor branca ou à vermelha O seu mel há-de ir pedir? Que eras tu meu ser, querida, Teus olhos a minha vida, Teu amor todo o meu bem... Ai! não mo disse ninguém. Como a abelha corre ao prado, Como no céu gira a estrela, Como a todo o ente o seu fado Por instinto se revela, Eu no teu seio divino Vim cumprir o meu destino... Vim, que em ti só sei viver, Só por ti posso morrer. Almeida Garrett
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Julgam sempre que nos suicidamos por uma razão. Mas podemos muito bem suicidar-nos por duas razões.
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*Assunto - Pensar,
*Autor - Albert Camus,
*Obra - A Queda,
1956 dC
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Iniciando
I am a success today because I had a friend who believed in me and I didn't have the heart to let him down...
sábado, 1 de novembro de 2008
“Em 1974, quando o movimento de Billy Graham organizou o Congresso Internacional sobre a Evangelização Mundial, em Lausanne, o discurso de abertura, dado por Graham, segundo o que se relata, manteve a mesma ênfase. Declarou claramente que a questão fundamental era a salvação espiritual, ficando as outras questões em segundo lugar.
Mas entre o conferencistas havia alguns que foram a Lausanne com ideias diferentes. Os hispano-americanos, especialmente René Padilla (obreiro da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos), levaram teses que contradiziam claramente esta declaração de prioridades feita por Graham. Padilla focou o problema da riqueza ocidental e a violência que esta ocasiona contra a maioria dos homens que vivem no chamado Terceiro Mundo. Focou os problemas de liberdade e igualdade racial. Chamou a atenção para a iniquidade do sistema capitalista. E recusou estabelecer qualquer prioridade entre a pregação da mensagem de salvação e a luta pela justiça humana, considerando as duas de igual importância.
Diz-se que Billy Graham, ao receber uma cópia desta apresentação, a levou para o seu quarto no hotel e leu-a cuidadosamente com a sua esposa. Oraram e chegaram à conclusão de que a mensagem de Padilla era a mensagem que Deus queria transmitir aos evangélicos de todo o mundo reunidos em Lausanne. Assim, em vez de manifestar uma discordância que levaria a uma divisão no pensamento evangélico, Graham expressou a sua plena aceitação. Não seria este um momento chave para a obra de Deus no meio do Seu povo do século XX? Não seria uma chamada de atenção para todos nós, para revermos a nossa teologia e as nossas prioridades e para voltarmos àquele sentido integral do Cristianismo que Calvino e outros pregaram e praticaram no seu tempo? Admiramos a humildade e a abertura de Billy Graham neste aspecto; a sua atitude é a dum autêntico servo de Deus disposto, ainda depois de vinte e cinco anos de ministério evangelístico, a admitir as lacunas que existiram na sua compreensão da Palavra de Deus.”
Mas entre o conferencistas havia alguns que foram a Lausanne com ideias diferentes. Os hispano-americanos, especialmente René Padilla (obreiro da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos), levaram teses que contradiziam claramente esta declaração de prioridades feita por Graham. Padilla focou o problema da riqueza ocidental e a violência que esta ocasiona contra a maioria dos homens que vivem no chamado Terceiro Mundo. Focou os problemas de liberdade e igualdade racial. Chamou a atenção para a iniquidade do sistema capitalista. E recusou estabelecer qualquer prioridade entre a pregação da mensagem de salvação e a luta pela justiça humana, considerando as duas de igual importância.
Diz-se que Billy Graham, ao receber uma cópia desta apresentação, a levou para o seu quarto no hotel e leu-a cuidadosamente com a sua esposa. Oraram e chegaram à conclusão de que a mensagem de Padilla era a mensagem que Deus queria transmitir aos evangélicos de todo o mundo reunidos em Lausanne. Assim, em vez de manifestar uma discordância que levaria a uma divisão no pensamento evangélico, Graham expressou a sua plena aceitação. Não seria este um momento chave para a obra de Deus no meio do Seu povo do século XX? Não seria uma chamada de atenção para todos nós, para revermos a nossa teologia e as nossas prioridades e para voltarmos àquele sentido integral do Cristianismo que Calvino e outros pregaram e praticaram no seu tempo? Admiramos a humildade e a abertura de Billy Graham neste aspecto; a sua atitude é a dum autêntico servo de Deus disposto, ainda depois de vinte e cinco anos de ministério evangelístico, a admitir as lacunas que existiram na sua compreensão da Palavra de Deus.”
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Não sorria, esta verdade não é tão primária como parece. Chamam-se verdades primárias as que descobrimos depois de todas as outras, eis tudo.
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*Autor - Albert Camus,
*Obra - A Queda,
1956 dC
No que diz respeito à doutrina do trabalho, ver-se-á que Calvino é inovador em relação aos seus predecessores. Eles, de acordo com as doutrinas cristãs medievais, faziam do trabalho um dever terrestre, sem relação imediata com a fé e a vida espirituais; este dever procedia duma moralidade e ordens naturais. Por outro lado, a escolástica tinha contribuído para despir de todo o prestígio e de todo o valor espiritual as actividades profissionais, pelo valor superior que atribuía a contemplação sobre a acção. Calvino, pelo contrário liga estreitamente o trabalho à vida cristã, sublinhando que o Evangelho o vê como uma participação na obra de Deus. Confere assim ao labor humano uma dignidade e um valor espirituais que nunca antes tinha tido. Tal facto terá repercussões consideráveis no desenvolvimento económico das sociedades calvinistas.
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