quarta-feira, 25 de novembro de 2009

É compreensível que as pessoas que tiveram uma forte dos de religião manipuladora, controladora, opressiva, ou entediante procurem uma espiritualidade "pura". Mas jamais vão encontrá-la. Houve muitos empreendimentos, em nossa longa história cristã, de pessoas que tentaram criar o que imaginavam ser uma espiritualidade não contaminada. Sempre acabavam criando algo pior que aquilo que rejeitavam. Sempre acabavam como mais uma variação da velha espiritualidade-faça-a-sua-própria - muito de ego, pouquíssimo de Deus. Espiritualidade do ego. Estamos sendo atacados por essa epidemia atualmente.
(...)
Na verdade, agradou-me mais o modo com que você lidou com isso nos dois últimos anos: um envolvimento de boa vontade, mas discreto, nos assuntos religiosos da congregação, contudo manteve o entusiasmo e um apetite insaciável pela Palavra de Deus e pelo Espírito em meio a um amplo espectro de circunstâncias e experiências, e com uma variedade surpreendente de pessoas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

“- Para trás! Deixem o princípe ganhar prestígio.
(…)
A princípio Peter pensou que se tratava de um urso, mas depois viu que se assemelhava mais a um lobo-d’alsácia, embora fosse demasiado grande para ser um cão. Foi então que compreendeu que se tratava de um lobo –um lobo de pé nas patas traseiras, com as patas da frente apoiadas ao tronco da árvore, a rosnar de dentes arreganhados e com o pêlo do dorso todo eriçado. Susan não conseguira subir mais do que o segundo ramo e tinha uma das pernas penduradas, de modo que um pé se encontrava apenas a uns centímetros dos dentes arreganhados. Peter perguntou-se porque não subiria ela mais, ou, pelo menos, porque não se agarraria melhor, até perceber que a irmã estava prestes a desmaiar e que, se desmaiasse, caía.
Peter não era muito corajoso e, na verdade, estava a ficar agoniado. Mas isso não interferia no que tinha de fazer.”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009



Dizem que não há mulher feia.
Também não há má poesia,
que a Natureza tudo premeia.
Não há menina que nasça gentia
nem palavra que nasça alheia.
De quem critica está a vida cheia
e criticar é que é vida vazia

Mas cá para mim
isso são só desculpas
de quem mal se depila,
o buço e o soneto,
o alexandrino e a axila.

Mas cá para mim
isso são só desculpas
para quem tão mal se andraja
com calças largas de homem
a escrever coisas de gaja.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Há um sentido em que podemos dizer que, como cristãos, todos temos uma posição alta e uma posição baixa. Paulo diz que Cristo «nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus», mas também diz que «temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos». É muito importante que cada um de nós se lembre destes dois factos e aprenda a considerar-se como lixo quando é tentado à auto-satisfação e como uma pessoa já sentada no céu quando é tentado ao auto-desprezo.
Mas não deixemos de ver as coisas duma maneira humana e material também. Há ricos e pobres na sociedade humana e não deixamos de os ver. Em muitos contextos, por força da opinião que pesa sobre eles, os pobres ainda tendem a desprezar-se e os ricos quase invariavelmente a sentir-se satisfeitos consigo próprios. Só por conhecer o evangelho é que podemos ter uma perspectiva correcta e ver o que somos de facto. Lembramo-nos do «lixo» que todos somos em termos de qualquer possibilidade de confiar em vantagens materiais ou sociais para a salvação. Lembramo-nos também da nossa posição no céu que para os crentes é a suprema realidade. E então a perspectiva materialista já perde o seu valor. E estamos a meditar sobre a realidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quando Robert Kalley chegou à Madeira, em 1839, nessa ilha secularmente católica, com 140 sacerdotes da Igreja de Roma, havia apenas oitenta Bíblias. Três anos depois, havia mais de três mil livros religiosos em português, editados em Londres – entre Bíblias, evangelhos e alguns dos livros do Antigo Testamento.
Nesta história feita como se fosse de pedrinhas encaixadas, não é menor essa outra coincidência de terem nascido, em 1809, e no Reino Unido, duas crianças com destinos notáveis, inicialmente paralelos e tão divergentes depois. Robert Kalley e Charles Darwin: ambos estudaram Medicina, tornaram-se embarcadiços como cirurgiões de navio, andaram pelo mundo e regressaram à Grã-Bretanha.
Entretanto, aconteceu-lhes uma revolução nas crenças. Charles, que se tornara clérigo, apaixonou-se pela ciência e o seu principal livro, Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural, iria desacreditar, como nenhum outro, a verdade da Bíblia. Robert, que se afastou da religião da infância para voltar a ela com ganas de ovelha que reencontra o redil, seria o difusor da Bíblia por um mundo vasto e inexplorado, o da língua portuguesa.
A sua acção na Madeira foi classificada, por contemporâneos e correligionários, como “o facto maior das Missões Protestantes Modernas”. Talvez um exagero mas, em todo o caso, Kalley foi protagonista da primeira grande evangelização protestante em Portugal. Além disso, viria a ser também o primeiro missionário protestante do Brasil, onde é considerado o fundador de duas importantes igrejas, a Evangélica Congregacional e a Cristã Evangélica.
O Império Britânico homenageia só os que directamente o serviram, pela conquista ou pela glória nas Artes, Letras ou Ciências. Por isso, tanto David Livingstone como Charles Darwin repousam no panteão imperial, na Abadia de Westminster. Respeitadora, a Grã-Bretanha não se mete por searas alheias, deixa a Deus o que é exclusivamente de Deus e, em 1888, Robert Reid Kalley, foi discretamente enterrado no Dean Cemetery, em Edimburgo.


It's not a habit, it's cool
I feel alive
If you don't have it your onthe other side
I'm not an addict (maybe that's a lie).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009



No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one’s laughing at God
When they’re starving or freezing or so very poor

No one laughs at God
When the doctor calls after some routine tests
No one’s laughing at God
When it’s gotten real late
And their kid’s not back from the party yet

No one laughs at God
When their airplane start to uncontrollably shake
No one’s laughing at God
When they see the one they love, hand in hand with someone else
And they hope that they’re mistaken

No one laughs at God
When the cops knock on their door
And they say we got some bad news, sir
No one’s laughing at God
When there’s a famine or fire or flood

But God can be funny
At a cocktail party when listening to a good God-themed joke, or
Or when the crazies say He hates us
And they get so red in the head you think they’re ‘bout to choke
God can be funny,
When told he’ll give you money if you just pray the right way
And when presented like a genie who does magic like Houdini
Or grants wishes like Jiminy Cricket and Santa Claus
God can be so hilarious

No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one’s laughing at God
When they’ve lost all they’ve got
And they don’t know what for

No one’s laughing at God
We’re all laughing with God

Ninguém se ri de Deus num hospital
Ninguém se ri de Deus numa guerra
Ninguém está a rir-se de Deus
enquanto está esfomeada, enregelada ou muito pobre

Ninguém se ri de Deus
Quando o médico nos chama depois de fazer análises de rotina
Ninguém está a rir-se de Deus
Quando já é muito tarde
E os filhos ainda não voltaram da festa

Ninguém se ri de Deus
Quando o avião começa a tremer descontroladamente
Ninguém está a rir-se de Deus
Quando vê a pessoa que ama de mão dada com outra pessoa
e espera que esteja enganado

Ninguém se ri de Deus
Quando um polícia bate à porta
E diz que temos más notícias, senhor
Ninguém está a rir-se de Deus
Quando há fome, incêndios ou cheias

Mas Deus pode ser engraçado
Numa festa a ouvir piadas sobre Deus bem humoradas
ou quando os maluquinhos dizem Ele nos detesta
e ficam com a cara tão vermelha que pensamos que estão prestes a sufocar
Deus pode ser engraçado
Quando nos dizem que Ele dá dinheiro se orarmos da maneira certa
e se for apresentado como um génio qua faz magia como o Houdini
ou que concede desejos como o Jiminy Cricket ou o Pai Natal
Deus pode ser hilariante

Ninguém se ri de Deus num hospital
Ninguém se ri de Deus numa guerra
Ninguém está a rir-se de Deus
quando perde tudo o que tem
e não sabe em nome de quê

Ninguém está a rir-se de Deus
Estamos todos a rir com Deus

sábado, 24 de outubro de 2009

Shukhov continuou calmamente a fumar observando o seu excitado companheiro.
- Aliosha – disse ele, retirando o braço e soprando o fumo para a cara do baptista. – Não sou contra Deus, compreende bem isso. Acredito em Deus, não duvides. Porém, não creio no Paraíso nem no Inferno. Porque nos tomas tu por patetas e nos enches os ouvidos com essas histórias do Paraíso e do Inferno? É isso que não me agrada.
Voltou-se, deixando cair, com cuidado a cinza do cigarro entre a tarimba e a janela, a fim de não sujar o leito do capitão. Mergulhou nos seus pensamentos e deixou de ouvir os murmúrios de Aliosha.
- Bem – disse para concluir -, por muito que ores não conseguirás encurtar a tua pena. Tens que cumpri-la do princípio ao fim, de uma maneira ou outra.
- Oh, também não se deve orar por isso – retorquiu Aliosha, horrorizado. – Porque desejas a tua liberdade? Em liberdade, o teu último resíduo de fé será sufocado pelas cizânias. Deves regozijar-te por te encontrares na prisão. Aqui tens mais tempo para pensar na tua alma. Como escreve o apóstolo Paulo: “Porquê todos estas lágrimas? Porque estás a tentar enfraquecer o meu ânimo? Pela minha parte, estou pronto não só a devotar-me ao Senhor como a morrer em Seu nome.”
Shukhov fixou os olhos no tecto, silenciosamente. Agora já não sabia se queria ou não a liberdade. A princípio, desejara-a abertamente. Todas as noites contara os dias da sua pena – quantos tinham passado, quantos ainda faltavam vir. Mas, por fim, aborrecera-se de os contar. E então tornou-se-lhe claro que a homens como ele jamais seria permitido voltar a casa – esperava-o apenas o exílio. E não sabia se a sua vida seria melhor lá fora – onde? - que no campo.
Para si, a liberdade significava apenas uma coisa: o lar. Mas não permitiriam que a ele regressasse.
Aliosha não enganava. A sua voz e os seus olhos afirmavam, sem dúvida alguma, que ele se sentia feliz na prisão.
- Compreendes, Aliosha – explicou Shukhov -, para ti tudo está muito certo. Jesus Cristo desejou que fosses lançado numa prisão, e aqui estás – por amor a Ele. Mas porque motivo estou eu aqui? Por não estarmos preparados para a guerra de 1941? Por isso? Mas que culpa tenho eu?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009


If you wanna be my friend
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...
And what do you know
It happened again

A friend is not a means
You utilize to get somewhere
Somehow I didn't notice
friendship is an end
What do you know
It happened again

How come no-one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference
I guess it's up to me now
Should I take that risk or just smile?

What do you know
It happened again
What do you know


Se quiseres ser meu amigo
queres que nos demos bem
Por favor, não esperes que eu
Deixe sempre as coisas na mesma
Esta observação que estou a fazer
pode facilmente ser entendida
como uma atitude cínica
Mas um de nós percebeu mal
E quem diria
Aconteceu outra vez


Um amigo não é um meio
que se utiliza para chegar a algum lado
por alguma razão, não tinha reparado
a amizade é um fim
e quem diria
aconteceu outra vez


Como é que nunca ninguém me disse
que ao longo da história
as pessoas mais sozinhas
foram aquelas que disseram sempre a verdade
aquelas que fizeram a diferença
ao aguentar a indiferença
Agora é comigo
Devo tomar esse risco, ou simplesmente sorrir?

E quem diria
Aconteceu outra vez
E quem diria

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vós ainda não considerastes a gravidade do pecado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

- Mas, Ivan Denisovich, tu não oras com fervor. E é por isso que as tuas súplicas ficam sem resposta. Não deves deixar de dizer outras orações. Se tens fé autêntica, diz a uma montanha que se mova. E ela mover-se-á…
Shukov sorriu e enrolou outro cigarro. Depois pediu lume ao estoniano.
- Deixa-te de conversas, Aliosha. Nunca vi uma montanha mover-se. Bem, para ser franco, afirmo-te que nunca na minha vida vi uma montanha. Mas tu que oraste no Cáucaso com todo essa seita de baptistas a que pertences, viste alguma vez uma única que fosse, uma montanha mover-se?
Os pobres… Tudo o que faziam era orar a Deus. E que lucravam com isso? Apanhavam vinte e cinco anos, pois essa era a pena reservada actualmente a todos. Vinte cinco anos!
- Oh, nós não oramos por isso, Ivan Denisovich – volveu Aliosha com veemência.
De Bíblia na mão, aproximou-se mais de Shukov, até ficarem face a face.
- A única coisa deste mundo pela qual Deus nos ordenou que orássemos, Ivan Denisovich, é o pão nosso de cada dia. “Dai-nos o pão nosso de cada dia.”
- A nossa ração, queres tu dizer? - perguntou Shukhov.
Mas Aliosha não cedeu. Falando agora mais com os olhos do que com a língua, colocou a mão sobre o braço de Shukhov e disse:
- Ivan Denisovich, não deves orar com o objectivo de receberes encomendas ou obter uma sopa suplementar. Não, meu irmão. As coisas a que o homem dá mais valor são vis aos olhos do Senhor. Devemos orar pelas coisas do espírito, de maneira a que o senhor Jesus arranque resíduos do mal do nosso coração…

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Wayfaring Stranger

Eu sou apenas uma estrangeira de passagem
A viajar por este mundo de mágoa;
E não há doença, sofrimento ou perigo
Na terra brilhante que é o meu destino.

Eu vou lá para ver o meu Pai,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.

Sei que se vão juntar nuvens escuras à minha volta,
Sei que o meu caminho é árduo e a pique;
E há campos belíssimos mesmo à minha frente,
Onde os redimidos de Deus guardam vigília.

Eu vou lá para ver o meu Pai,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.


Eu vou lá para ver a minha Mãe,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.

Quero pôr essa coroa de glória,
Quando chegar a casa nessa terra boa;
Quero proclamar a história da salvação,
Em coro com os que foram lavados pelo sangue,

Eu vou lá para ver o meu Salvador,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.

(texto original aqui; youtube aqui)

sábado, 10 de outubro de 2009

Vão ser bombardeados com esta pergunta: porquê "Declaration Of Dependence" para título do álbum?

[risos] Sim, essa é a pergunta que ouvimos mais vezes, independentemente do título ter ou não relevância. Parece que há uma série de perguntas que todos os jornalistas fazem e essa é uma delas.
Mas neste caso o título parece ter significado relevante. A ideia de "dependência" pode ter conotação negativa, mas também pode ser encarado como algo saudável. Por exemplo, como definidor de limites.

Sim, absolutamente, mas a maior parte das pessoas tem medo da dependência. Durante muitos anos, acontecia-me isso.

Como se fosse algo que lhe limitasse os movimentos?

Exacto. Quando muitas vezes é ao contrário. Podemos depender de uma série de coisas - de pessoas, por exemplo - e isso ser estruturador. No sentido em que sabemos que elas estão lá sempre, aconteça o que acontecer. É essa consciência que nos pode permitir, precisamente, ter espaço para sermos mais livres.
Como classificaria a sua relação com Eirik?

É como se fôssemos irmãos. Vivemos muitas coisas juntos e depois de muitos anos a discutir sobre as mais diversas coisas permitimo-nos ser autênticos um com o outro e isso é fantástico. Fomos pacientes um com o outro e agora compreendemo-nos muito bem. E isso acontece mesmo se nem sempre concordamos e temos visões muito diferentes sobre a realidade.

Desde o primeiro álbum que se criou a ideia que você era mais aventureiro e ele o mais estável. Revê-se no retrato?

Não é tão simples. Sou aventureiro, mas passo o tempo a sonhar com estabilidade. Ele tem essa estabilidade, uma mulher e um filho lindos, mas também deseja a aventura... [risos].

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Precisely because old selfish, wordly, unloving, fearful, proud selves have died with Christ, and a new trusting, loving, heaven-bent, hope-filled self has come into being – precisely because of his inner death and new life, we are able to take risks, and suffer the pain, and even die without despair but full of hope.