terça-feira, 12 de janeiro de 2010

“No fim dos tempos, milhares de milhões de pessoas estavam espalhados numa grande planície perante o trono de Deus.
A maioria fugia da luz brilhante que lhes apresentava pela frente. Mas alguns grupos falavam animadamente – não com vergonha abjecta, mas com beligerância.
‘Pode Deus julgar-nos? Como pode ele saber acerca do sofrimento?’ perguntou uma impertinente jovem de cabelos negros. Ela rasgou a manga da blusa e mostrou um número que lhe fora tatuado num campo de concentração nazi. ‘Nós suportámos o terror… espancamentos… tortura… morte!’
Em outro grupo um rapaz negro abaixou o colarinho. ‘E que dizer disto?’, exigiu ele, mostrando uma horrível queimadura de corda. ‘Linchado… pelo único crime de ser preto!’
Noutra multidão, uma estudante grávida, de olhos malcriados. ‘Porque devo sofrer?’, murmurou ela. ‘Não foi culpa minha.’
Por toda a planície havia centenas de grupos como esses. Cada um deles tinha uma reclamação contra Deus por causa do mal e do sofrimento que ele havia permitido no seu mundo. Quão feliz era Deus por viver no céu onde tudo era doçura e luz, onde não havia choro nem medo, nem fome nem ódio. O que sabia Deus acerca de tudo o que o homem fora forçado a suportar neste mundo? Pois Deus leva uma via muito protegida, diziam.
De modo que cada um desses grupos enviou o seu líder, escolhido por ter sido o que mais sofreu. Um judeu, um negro, uma pessoa de Hiroshima, um artrítico horrivelmente deformado, uma criança talidomídica. No centro da planície tomaram conselho uns com os outros. Finalmente, estavam prontos para apresentar o seu caso.
Antes que pudesse qualificar-se para ser juiz deles, Deus deve suportar o que suportaram. A decisão deles foi que Deus devia ser condenado a viver na terra – como homem!
‘Que ele nasça judeu. Que haja dúvida acerca da legitimidade do seu nascimento. Dê-se-lhe um trabalho tão difícil que, ao tentar realizá-lo, até mesmo a sua família pensará que ele está louco. Que ele seja traído por seu amigos mais íntimos. Que ele enfrente acusações falsas, seja julgado por um juiz preconceituoso, e condenado por um juiz covarde. Que ele seja torturado. Finalmente, que ele conheça o terrível sentimento de estar sozinho. Então que ele morra. Que ele morra de tal forma que não haja dúvida de que morreu. Que haja uma grande multidão de testemunhas que o comprove.’
E quando o último acabou de pronunciar a sentença, houve um longo silêncio. Ninguém proferiu palavras. Ninguém se moveu. Pois, de súbito, todos sabiam que Deus já havia cumprido a sua sentença.”
Many people seem to think that the sole theme of the Bible is that of our personal relationship to God. Of course that is one of the central themes, and we thank God for the salvation provided without which we would be left in hopeless despair. But that is not the only theme of the Bible. Indeed, we can go so far as to say that the Bible puts the question of personal salvation into a larger context. Ultimately the main message of the Bible concerns the condition of the entire world and its destiny; and you and I, as individuals, are a part of that larger whole. That is why it starts with the creation of the world rather than with us. The trouble is that we are inclined to be exclusively concerned with our own personal problem, whereas the Bible starts further back: it puts every problem in the context of this world view.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eu mesmo jamais poderia crer em Deus, se não fosse pela cruz. O único Deus em que creio é que Nietzsche ridicularizou como o ‘Deus da cruz’. No mundo real da dor, como se pode adorar um Deus que seja imune a ela? Já entrei em muitos templos budistas em diferentes países da Ásia e parei respeitosamente ante a estátua de Buda, as pernas e os braços cruzados, os olhos fechados, o fantasma de um sorriso a brincar em torno dos lábios, um olhar distante, isolado das agonias do mundo. Mas de cada vez, depois de algum tempo, tive de virar-me. E, na imaginação, voltei-me para aquela figura solitária, retorcida e torturada na cruz, os cravos atravessando as mãos e os pés, as costas laceradas, os membros deslocados, a fronte sangrando por causa dos espinhos, a boca intoleravelmente sedenta, lançada nas trevas do abandono de Deus. É esse o Deus para mim! Ele deixou de lado a sua imunidade à dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e sangue, lágrimas e morte. Ele sofreu por nós. Nossos sofrimentos tornam-se mais manejáveis à luz dos seus. Ainda há um ponto de interrogação contra o sofrimento humano, mas em cima dele podemos estampar outra marca, a cruz, que simboliza o sofrimento divino. ‘A cruz de Cristo… é a única autojustificação de Deus em um mundo como o nosso’.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



If God had a name what would it be?
And would you call it to his face?
If you were faced with him
In all his glory
What would you ask if you had just one question?

*And yeah, yeah, God is great
Yeah, yeah, God is good
Yeah, yeah, yeah-yeah-yeah

What if God was one of us?
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make his way home

If God had a face what would it look like?
And would you want to see
If seeing meant that
you would have to believe
in things like heaven and in Jesus and the saints
and all the prophets (*)

Trying to make his way home
Back up to heaven all alone
Nobody calling on the phone
'cept for the Pope maybe in Rome(*)

Just trying to make his way home
Like a holy rolling stone
Back up to heaven all alone
Just trying to make his way home
Nobody calling on the phone
'cept for the Pope maybe in Rome

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Há um sentido em que podemos dizer que, como cristãos, todos temos uma posição alta e uma posição baixa. Paulo diz que Cristo “nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efés. 2:6), mas também diz que “temos chegado a ser como lixo deste mundo, e como escória de todos” (I Cor. 4:13). É muito importante que cada um de nós se lembre destes dois factos e aprenda a considerar-se como lixo quando é tentado à auto-satisfação e como uma pessoa já sentada no céu quando é tentado ao auto-desprezo.
Mas não deixemos de ver as coisas duma maneira humana e material também. Há ricos e pobres na sociedade humana e não deixamos de os ver. Em muitos contextos, por força da opinião que pesa sobre eles, os pobres ainda tendem a desprezar-se e os ricos quase invariavelmente a sentir-se satisfeitos consigo próprios. Só por conhecer o evangelho é que podemos ter uma perspectiva correcta e ver o que somos de facto. Lembramo-nos do “lixo” que todos somos em termos de qualquer possibilidade de confiar em vantagens materiais ou sociais para a salvação. Lembramo-nos também da nossa posição no céu que para os crentes é a suprema realidade. E então a perspectiva materialista já perde o seu valor. Estamos a meditar sobre a realidade.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Antes de mais nada, penso que a eleição é para o crente uma das doutrinas mais clarificadoras, porque o isenta de toda a confiança na carne, de toda a dependência em outro que não Jesus Cristo. Quão frequentemente nos revestimos da nossa própria rectidão, adornando-nos com as pérolas e as gemas falsas dos nosso próprios feitos e das nossas obras. E então começamos a dizer: “Agora serei salvo porque tenho esta ou aquela evidência da minha salvação!” Entretanto, bem ao invés disso, aquilo que salva um pecador é a fé pura, despida de qualquer outro factor. Esta fé singular une o crente ao Cordeiro, independentemente das obras, embora a fé venha a produzir obras.
Quão frequentemente nos apoiamos em alguma boa obra, ao invés de nos sustentarmos no Amado das nossas almas, ou confiamos em algum poder, ao invés de confiarmos somente naquele poder que vem do alto. Ora, se quisermos despir todo e qualquer poder que não seja o celestial, então, forçosamente, teremos de considerara eleição como factor imprescindível. Faz uma pausa, ò minha alma, e considera esta verdade: Deus amou-te antes mesmo de vires à existência. Ele amou-te quando ainda estavas morta em teus delitos e pecados; e Ele enviou Seu Filho para morrer em teu lugar. Ele resgatou-te com o Seu preciso sangue, antes que pudesses sussurrar o Seu nome. Perante estes factos, poderás sentir-te orgulhosa e auto-suficiente?
Novamente, afirmo que desconheço qualquer outra coisa que nos possa humilhar tão profundamente quanto a doutrina bíblica da eleição.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010



longe fica a rua onde te vi
e a vida pôde recomeçar
onde eu quis sentar-me ao pé de ti
cheio de assuntos para te impressionar

pronto para ir
ao fim do mundo atrás de ti
pronto para ver
perder-se a lembrança de mim
pronto para ir
ao fim do mundo atrás de ti

os teus olhos passaram por mim
eu que tinha a vida a desesperar
e num instante o futuro decidi
ao não decidir
ao congelar

eu pronto para ir
ao fim do mundo atrás de ti
pronto para ver
perder-se a lembrança de mim
pronto para ir
ao fim do mundo atrás de ti

é que os fracos não agarram
as hipóteses de mudar
pelo que agora só me resta recordar

pronto para ir
ao fim do mundo atrás de ti
pronto para ver
perder-se a lembrança de mim
pronto para ir
ao fim do mundo atrás de ti

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Durante toda a minha vida tive frequentemente oportunidade de me ocupar de problemas de educação. Aprendi muito sobretudo em contacto com crianças difíceis, provenientes na sua maioria de famílias onde reinava a violência. Nesses lares as mulheres eram quase sempre vítimas da brutalidade dos maridos; estes eram geralmente alcoólicos e o seu comportamento marcava toda a vida familiar. Era esse o esquema típico de confrontação das crianças com um ambiente violento. Hoje em dia a violência deslocou-se, apoderando-se dos ecrãs de televisão. É aí que as crianças contemplam a violência dia após dia, durante horas. Devido a minha experiência, parece-me que atingimos um ponto muito importante, mesmo crucial. A televisão produz violência e introdu-la nos lares que, antes, não a conheciam.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009



If i told you things i did before,
told you how i used to be,
would you go along with someone like me?
If you knew my story word for word,
handled all of my history,
would you go along with someone like me ?

I did before and had my share,
it didn't lead nowhere.
I would go along with someone like you.
It doesn't matter what you did,
who you were hanging with.
We could stick around and see this night through.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Se a culpa for nossa, haverá a humilhação do pedido de desculpas, a humilhação mais profunda de fazer restituições onde for possível, e a humilhação mais profunda de todas que é confessar que as feridas que causamos levarão tempo para sarar e não podem facilmente ser esquecidas. Se, por outro lado, não fomos nós quem causou o mal, então talvez tenhamos de suportar o embaraço se reprovar ou repreender a outra pessoa, arriscando, assim, perder a sua amizade. Embora os seguidores de Jesus jamais tenham o direito de recusar perdão, muito menos fazer vingança, não nos é permitido baratear o perdão, oferecendo-o prematuramente onde não houver perdão.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009




When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O princípio que se aplica à família, aplica-se também à família da igreja. Ambos os tipos de família precisam de disciplina, e pela mesma razão. Entretanto, hoje é rara a disciplina na igreja, e onde ela é exercida, muitas vezes é inabilmente administrada As igrejas têm a tendência de oscilar entre a severidade extrema, que excomunga os membros pelas ofensas mais triviais, e a frouxidão extrema, que jamais nem mesmo admoesta os ofensores. O Novo Testamento, porém, oferece instruções claras acerca da disciplina, por um lado sua necessidade por causa da santidade da igreja, e por outro, seu propósito construtivo, a saber, se possível, ganhar e restaurar o membro ofensor.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O amor genuíno também se enraivece, sendo hostil a tudo o que, nos filhos, se opõe ao seu bem maior. A justiça sem misericórdia é por demais severa, e a misericórdia sem a justiça é por demais leniente. Além do mais, os filhos sabem disso automaticamente. Possuem um sentido inato de ambas as coisas. Se fizerem algo que sabem ser errado, também sabem que merecem a punição, e tanto desejam quanto esperam recebê-la. Sabem também de imediato se o castigo está sendo oferecido sem amor ou contrariamente à justiça. Os dois clamores mais pungentes de um filho são ‘Ninguém me ama’ e: ‘Não é justo’. O sentido de amor e justiça dos filhos vem de Deus, que os fez à sua imagem, e que se revelou como amor santo na cruz.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado; e já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como a filhos: Filho meu, não desprezes a correcção do Senhor, nem te desanimes quando por ele és repreendido; pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além disto, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e os olhávamos com respeito; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e viveremos? Pois aqueles por pouco tempo nos corrigiam como bem lhes parecia, mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

The one great insight about St. Thomas himself, which comes to us from the history of St. Thomas in Babylonia and Índia, is that he was a fearless evangelist and a great builder of churches. Those people in the modern world who would accept Christianity but would reject the church (i.e. assembly or local congregation) as the central human instrument in the strategy of God have divorced themselves from Apostolic tradition. Were the Apostles to return to earth today, they would have little time for those who imagine there can be a churchless Christanity. Such “Christianity”, if we even dare call it that, is incapable of survival.
If we would have Christianity survive, our first loyalty must be to the One whom St. Thomas called ”My Lord and my God”, and secondly to the only divinely ordained institution on earth, the local assembly or congragation oh His peolple.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009



When I was young, it seemed that life was so wonderful,
a miracle, oh it was beautiful, magical.
And all the birds in the trees, well they'd be singing so happily,
joyfully, playfully watching me.
But then they send me away to teach me how to be sensible,
logical, responsible, practical.
And they showed me a world where I could be so dependable,
clinical, intellectual, cynical.

There are times when all the world's asleep,
the questions run too deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.

Now watch what you say or they'll be calling you a radical,
liberal, fanatical, criminal.
Won't you sign up your name, we'd like to feel you're
acceptable, respectable, presentable, a vegetable!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Hoje fiz a barba com Colgate Triple Action. Não posso dizer que tenha desgostado: a pouca espuma que o pincel produziu e o consequente atrito acrescido da lâmina sobre a pele gordurosa e borbulhenta foi compensado pelo cheiro a Hálito Fresco que deito da cara e do pescoço (sim, também faço a barba no pescoço), o que sempre dá para disfarçar o ar carregado de aromas de peixe-espada-preto grelhado que desde ontem ventilo da boca. Faz lembrar aquela vez em que, estando atrasado para um jogo de futebol (no qual era peça essencial, mais ou menos como o João Alves é para o Sporting) confundi o Tatum-verde pelo Dystron da minha tia. Também não posso dizer que tenha desgostado: a higiene vaginal que se produziu na minha cavidade oral deu o golpe de misericordia no abcesso que me atacou o primeiro pré-molar esquerdo do maxilar superior depois de ter andado quase uma semana com uma espinha de sardinha enfiada entre a gengiva e o dente. Já lavei o chão com Florestal, já adubei uma planta com Benurons. Mas creio que ter substituido um vidro (que previamente apedrejara) utilizando massa de folar para o cimentar ao seu devido local terá sido o momento alto da minha carreira de desadaptado. Quando meia hora depois o vidro caiu e novamente se estilhaçou - depois de o cão da vizinha ter comido a massa açucarada que o segurava - iniciei uma investigação que culminou na sentença unânime por parte da familia de que eu precisava de tratamento, embora admitissem as minhas qualidades para detective. Não tenho uma vida fácil.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lembrem-se, portanto, os cristãos, de que se deixarmo-nos apanhar na armadilha contra a qual venho avisando, o que teremos feito é entre outras coisas, pormo-nos na posição em que, na realidade, estaremos enunciando em terminologia evangélica simplesmente o que o incrédulo está dizendo com os seus próprios termos. A fim de nos defrontarmos com o homem moderno em perspectiva correcta e em bases justas, forçoso nos é remover a dicotomia. Necessário se faz ouvir a Escritura a falar a real verdade tanto a respeito do próprio Deus como da área em que a Bíblia tange a história e o cosmos. É isto que os nossos predecessores na Reforma apreenderam de maneira tão cabal.