sexta-feira, 18 de junho de 2010

Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria o entendimento dos entendidos. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem. Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens. Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos. nem muitos os nobres que são chamados. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

sexta-feira, 21 de maio de 2010



You will not be able to stay home, brother.
You will not be able to plug in, turn on and cop out.
You will not be able to lose yourself on skag and skip,
Skip out for beer during commercials,
Because the revolution will not be televised.

The revolution will not be televised.
The revolution will not be brought to you by Xerox
In 4 parts without commercial interruptions.
The revolution will not show you pictures of Nixon
blowing a bugle and leading a charge by John
Mitchell, General Abrams and Spiro Agnew to eat
hog maws confiscated from a Harlem sanctuary.
The revolution will not be televised.

The revolution will not be brought to you by the
Schaefer Award Theatre and will not star Natalie
Woods and Steve McQueen or Bullwinkle and Julia.
The revolution will not give your mouth sex appeal.
The revolution will not get rid of the nubs.
The revolution will not make you look five pounds
thinner, because the revolution will not be televised, Brother.

There will be no pictures of you and Willie May
pushing that shopping cart down the block on the dead run,
or trying to slide that color television into a stolen ambulance.
NBC will not be able predict the winner at 8:32
or report from 29 districts.
The revolution will not be televised.

There will be no pictures of pigs shooting down
brothers in the instant replay.
There will be no pictures of pigs shooting down
brothers in the instant replay.
There will be no pictures of Whitney Young being
run out of Harlem on a rail with a brand new process.
There will be no slow motion or still life of Roy
Wilkens strolling through Watts in a Red, Black and
Green liberation jumpsuit that he had been saving
For just the proper occasion.

Green Acres, The Beverly Hillbillies, and Hooterville
Junction will no longer be so damned relevant, and
women will not care if Dick finally gets down with
Jane on Search for Tomorrow because Black people
will be in the street looking for a brighter day.
The revolution will not be televised.

There will be no highlights on the eleven o'clock
news and no pictures of hairy armed women
liberationists and Jackie Onassis blowing her nose.
The theme song will not be written by Jim Webb,
Francis Scott Key, nor sung by Glen Campbell, Tom
Jones, Johnny Cash, Englebert Humperdink, or the Rare Earth.
The revolution will not be televised.

The revolution will not be right back after a message
bbout a white tornado, white lightning, or white people.
You will not have to worry about a dove in your
bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl.
The revolution will not go better with Coke.
The revolution will not fight the germs that may cause bad breath.
The revolution will put you in the driver's seat.

The revolution will not be televised, will not be televised,
will not be televised, will not be televised.
The revolution will be no re-run brothers;
The revolution will be live.

sábado, 15 de maio de 2010

As a community of believers in Jesus Christ, the church performs various functions. It bears testimony just by being the church; the company of believers have fellowship and feel a sense of belonging; they express joyful gratitude to God in worship; they receive teaching on the Christian life; they provide service in meeting the need of people both within and outside the church; and are prophetic in the denunciation of evil when God’s kingdom is proclaimed. All of these activities are part of the answer to questions such as ‘What is the church’s mission in the world?’ or ‘What does the church exist for?’. Sharing the good news, going to ‘the other’ with the message of Jesus Christ, inviting others to Jesus’ great banquet, gives focus and direction to all the other functions. Thus one can say that the church exists for mission and that a church which is only inward looking is not truly the church.


Enquanto comunidade de crentes em Jesus Cristo, a igreja desempenha várias funções. Testemunha simplesmente por ser igreja; a companhia de crentes tem irmandade e sentimento de pertença; eles expressam gratidão alegre a Deus em louvor; recebem ensino sobre a vida Cristã; eles providenciam serviço às pessoas que têm necessidade, tanto dentro como fora da igreja; e são proféticos na denúncia do mal quando o reino de Deus é proclamado. Todas estas actividades são parte da resposta a perguntas tais como "Qual é a missão da igreja no mundo?" ou "Para que é que a igreja existe?". Partilhar as boas novas, ir ter com 'o outro' com a mensagem de Jesus Cristo, convidar os outros para o grande banquete de Jesus, dá atenção e direcção a todas as outras funções. Como tal podemos dizer que a igreja existe para a missão e que uma igreja que que só olha para dentro não é verdadeiramente a igreja.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Devemos aceitar o facto de que as Escrituras descrevem actos pecaminosos que são revoltantes para a nossa sensibilidade. O relato do bem e do mal indica dois lados da revelação de Deus para nós da sua verdadeira, boa e santa vontade. Isso não equivale a dizer que o próprio Deus tem uma personalidade dualista, um lado claro e um lado escuro da sua natureza, ou mesmo que o bem não possa existir longe do mal, mas sim que Deus escolheu incluir descrições tanto do bem quando do mal em sua revelação da verdade para nós. Por isso, apontar o errado faz parte da nossa defesa do que é certo; expor as mentiras faz parte da nossa insistência na verdade; revelar a covardia faz parte da nossa pregação do que é honroso; e mostrar corrupção faz parte da nossa percepção do que é puro.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Semelhantemente ao que acontecia na Idade Média, muitas pessoas ainda hoje são analfabetos bíblicos bastante acomodados às imagens, como já mencionámos. A nossa sociedade valoriza mais a emoção do que o conhecimento ou a acção. Confunde sentimento com envolvimento. Muitos supõem, erroneamente, que ir a um concerto de rcok em prol da caridade é o mesmo que ajudar os pobres. São iludidas por acreditar que chorar diante de imagens de crianças famintas na TV é o mesmo que dar comida aos que têm fome. Assim, também muitas pessoas concluem, equivocadamente, que ‘acreditar em Deus’ as livrará do inferno, desconhecendo que até mesmo os demónios crêem – e tremem (Tiago 2:19). (…) É nossa obrigação comunicar às pessoas que forem ver A Paixão de Cristo que sentir pena de Jesus e vê-lo como uma vítima não é o mesmo que ser discípulo dele.

sábado, 8 de maio de 2010

Mas há coisas que convém situar no tempo. O «neofrugalismo» é, realmente, o modo como vivem os povos do Norte da Europa, muito longe dos padrões de consumo norte-americano — e, convenhamos, português nas últimas décadas. Ir ao restaurante uma vez por semana, ou menos; pensar bem antes de entrar numa loja de electrodomésticos, fazer contas antes de imaginar o novo computador, não acumular objectos desnecessários, jantar em casa — aquilo que o «neofrugalismo» propõe é, antes de mais, um modo de vida de país desenvolvido. Quantos dos meus amigos suecos ou noruegueses vão jantar fora por mês? Muito, muito menos do que os portugueses. Quantas vezes trocam de carro ao longo da vida? Muito menos do que tem sido o padrão de consumo português e infinitamente menos do que é a norma norte-americana. Ao ler as estatísticas queixosas da indústria automóvel, por exemplo, não é possível evitar um encolher de ombros quando se lê que «este ano se venderam menos xxx carros do que no ano passado»; a doutrina do crescimento infinito, boa para excel e para gestores saídos da Procter & Gamble, tinha de ser posta em causa algum dia. Não só por causa da crise demográfica e porque os recursos do planeta são moderadamente finitos —mas porque não é sensato imaginar um mundo em que o destino de todas as economias é a delapidação contínua do património familiar em bens de consumo insensatos. A chamada mediocridade nórdica (que não é apenas assunto de poesia — mas, já agora, está lá, desde o Havámal) tem a ver com isto: consumir menos, sujar pouco, contentar-se com a modéstia, produzir melhor. É um modo de vida que não pode ser confundido apenas com o «neofrugalismo», ou seja, como uma tendência irremediável de consumo. Menos iPods por ano, menos carros, menos desperdício, saber cozinhar, aproveitar o tempo para ler, menos idas ao cinema, etc.; ou seja, estar menos dependente, viver de acordo com as possibilidades.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Expect great things from God. Attempt great things for God.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

While the subwaytrain runs from one dark tunnel into the other and I am nervously aware where I keep my moeny, the words and images decorating my fearful world speak about love, gentleness, tenderness and about a joyful togetherness of spontaneous people.

sexta-feira, 30 de abril de 2010



Desarmem
os campos minados da ignorância
onde se infiltra friamente
o preconceito, esse sim, fatal, letal, brutal
e não há senso que lhe valha
o preconceito desempalha
animais incongruentes
atacando pela trilha
de uma ilha outrora virgem
Aparência da virtude
O preconceito nunca falha
flecha certeira
na esteira
da inocência
aparência de virtude
E por mais que se escude
na justificação pseudo-ética
cosmética, caquética
do seu valor de guardião das morais
vitais pra lá do ano 2000
o preconceito não tem estado civil
é casado com a morte
divorciado da vida
é viúvo de si mesmo
é solteiro e por junto separado
suicida

Desarmem o preconceito!

Armem por favor as armas do amor
amor no sentido primeiro e secular
armem o mar
armem o vento p'ro uso depois
vão e regressem depois
mas por quem sois
mas por quem sois
armem as armas do amor
armem as armas do amor
armem as armas do amor
armem por favor
as armas do amor

Desarmem
as metralhadoras côr-de-cinza
que defendem
a condescendência
cautelosa, lacrimosa
das decisões oficiais
carimbadas despachadas
e só por isso legais
mas que vão milhas atrás
das atrozes realidades
que o corpo grita
e a alma berra
A condescendência não desferra
No cofre forte onde se encerra
a planificação ponderada
de um problema complexo
há soluções de fachada
2 mil mortos perfilados na parada
há palestras sobre sexo
é um problema complexo
nosso dano se ninguém resolve nada
ano após ano
2 mil mortos perfilados na parada
1 por ano
nossa escada em caracol para o nirvana

Desarmem a condescendência!

Desarmem
a pose altiva
emproada gargalhada
que veste a incompetência
incipiência
disfarçada de suma
sabedoria
quem diria
quem diria que debaixo de uma
só alegoria
tanto exemplo existiria
Exemplos de incompetência
são aos montes, são às serras
impossíveis de escalar
passos vãos, inúteis guerras
A incompetência é incapaz de se olhar
o cadáver inocente
é olhado pelo soldado incontinente
pelo menos é um olhar
a incompetência, nem pensar
nem pensar
em juntar o resultado à vontade
o sonhado
à realidade
e do real
partir para a utopia
menos mal
assim seria
menos mal

Desarmem a incompetência!

Desarmem
a boa consciência arrogante
altissonante, complacente
da intolerância religiosa
da intolerância civil
da intolerância, tanto faz
desdenhosa e incapaz
de intuir na diferença
a trave-mestra desta vida
sal da vida
A intolerância é uma água envenenada
rota em jorros mas dos gritos
só sai água silenciosa
a mais perigosa
engrossa rios, traz detritos
traz a caixa das esmolas
flutuando já tombada
penetra casas e escolas
leva livros
ditos sagrados
mas levados
mais à letra
que a própria letra
das suas margens
e assim pondo-se à margem
dos próprios rios sagrados

Desarmem a intolerância!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Joyce woke me up to the infinity of meaning within the limitations of the ordinary person in the ordinary day. Leopold Bloom buying and selling, talking and listening, eating and defecating, praying and blaspheming is mythic in the grand manner. The twenty-year-long voyage from Troy to Ithaca is repeated every twenty-four hours in anyone's life if we only have eyes and ears for it.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Não deveria nos surpreender ou nos assustar que todas as culturas possuem mitos sobre a criação, lendas sobre o dilúvio e conceitos rituais similares. Deveríamos esperar isso. E não devemos tremer diante do erudito moderno que vê a invenção histórica em origens míticas. O facto de haver uma similaridade entre o mito no cristianismo e em outras religiões não significa que o cristianismo está em pé de igualdade com essas religiões ou subordinado a um monomito cristão mais genérico. O próprio cristianismo é a verdadeira encarnação do monomito na história, e as outras mitologias o reflectem e o distorcem, como se fossem espelhos sujos ou quebrados.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Segundo Campbell, todas as religiões e mitologias são apenas manifestações locais de uma verdade singular do que ele chama de ‘monomito’ do herói. O monomito, em sua forma mais básica, consiste de uma viagem de separação do herói desde a sua iniciação até ao retorno, e incorpora a redenção de uma maneira que iremos discutir no próximo capítulo, quando falarmos sobre a estrutura da história. Campbell procura provar a sua tese com uma recitação eclética de muitas das histórias do mundo, desde os mitos da criação até as lendas sobre o dilúvio e os heróis da fé.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

«O que é do mar se os rios se recusam?». Reencontro esta frase espantosa, que não lia há anos, embora tenha todas as edições portuguesas (cinco) de A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer (Antígona) É um brevíssimo texto póstumo de Stig Dagerman, escritor sueco que se suicidou em 1954. Lembro-me bem de ter comprado a primeira edição, em 1995, tinha eu 22 anos, era então um romântico radical. Dagerman fazia as duas perguntas essenciais: o que podemos exigir da vida e qual é a libertação em caso de fracasso. As questões importantes aos 22: a felicidade e o suicídio. Escrito em estado de depressão, o texto é porém bem menos depressivo do que eu recordava, ainda indeciso se a noite é uma treva entre dois dias ou se o dia é uma treva entre duas noites. A ideia que consola é o suicídio, a ideia do suicídio, essa opção. Creio que o texto é escrito naquela fase optimista da depressão, em que imaginamos que o suicídio consola. Dagerman tem porém consciência de que o consolo é pouco: «O que procuro para a vida não é uma desculpa, mas exactamente o seu contrário: é o perdão que busco. Descubro, afinal, que se não levar em conta a minha liberdade, todo o consolo é enganador, mera imagem reflectida do desespero». A liberdade é um consolo, mas só o perdão liberta. Creio que ainda não sabia isso, aos 22.

sábado, 17 de abril de 2010

Listen carefully to what I am saying—and be wary of the shrewd advice that tells you how to get ahead in the world on your own. Giving, not getting, is the way. Generosity begets generosity. Stinginess impoverishes.

sexta-feira, 16 de abril de 2010



Is this one for the people? Is this one for the Lord?
Or do I simply serenade for things I must afford?
You can jumble them together, my conflict still remains
Holiness is calling, in the midst of courting fame
Cause I see the trust in their eyes
Though the sky is falling
They need Your love in their lives
Compromise is calling

What if I stumble, what if I fall?
What if I lose my step and I make fools of us all?
Will the love continue when my walk becomes a crawl?
What if I stumble, and what if I fall?

What if I stumble, what if I fall?
You never turn in the heat of it all
What if I stumble, what if I fall?

Father please forgive me for I can not compose
The fear that lives within me
Or the rate at which it grows
If struggle has a purpose on the narrow road you've carved
Why do I dread my trespasses will leave a deadly scar
Do they see the fear in my eyes? Are they so revealing?
This time I cannot disguise all the doubt I'm feeling

What if I stumble?
Everyone's got to crawl when you know that
You're up against a wall, it's about to fall
Everyone's got to crawl when you know that

I hear You whispering my name [You say]
"My love for You will never change" [never change]

What if I stumble, what if I fall?
You never turn in the heat of it all
What if I stumble, what if I fall?
You are my comfort, and my God

sexta-feira, 9 de abril de 2010



How many times have
You heard someone say
If I had his money
I could do things my way

But little they know
That it's so hard to find
One rich man in ten
With a satisfied mind

Once I was waitin'
In fortune and fame
Everything that I dreamed for
To get a start in life's game

Then suddenly it happened
I lost every dime
But I'm richer by far
With a satisfied mind

Money can't buy back
Your youth when you're old
Or a friend when you're lonely
Or a love that's grown cold

The wealthiest person
Is a pauper at times
Compared to the man
With a satisfied mind

When my life has ended
And my time has run out
My friends and my loved ones
I'll leave there's no doubt

But one thing's for certain
When it comes my time
I'll leave this old world
With a satisfied mind

Quantas vezes já aconteceu
Ouvires alguém dizer
Que se tivesse o dinheiro de fulano
Poderia fazer as coisas à minha maneira

Mas mal eles sabem
Que é tão difícil encontrar
Um homem rico em dez
com alma satisfeita

Houve uma altura em que esperava
por fortuna e fama
Era tudo o que sonhava para
entrar no jogo da vida

E então aconteceu subitamente
Fiquei sem tostão
Mas sou de longe mais rico
com a alma satisfeita

Dinheiro não pode comprar de volta
a juventude quando és velho
ou um amigo quando estás só
ou um amor que arrefeceu

A pessoa mais próspera
É por vezes a mais pobre
Quando comparada com um homem
Com a alma satisfeita

Quando a minha vida chegar ao fim
E o meu tempo acabar
Os meus amigos e as minhas amadas
Vou deixar, disso não há dúvida

Mas uma coisa é certa
Quando chegar o meu tempo
Vou deixar este mundo
Com uma alma satisfeita

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um caso eloquente na nossa época é do Nelson Mandela. Impelido por uma poderosa vaga, com a auréola do prestígio que lhe conferiam os seus longos anos de detenção, estava na posição do chefe da orquestra. Os olhos dos seus compatriotas estavam virados para ele, para as suas expressões, para os seus gestos. Se tivesse deixado falar a sua amargura, acertado contas com os seus carrascos, punido todos os que tinham apoiado ou tolerado o apartheid, ninguém poderia censurá-lo por isso. Se tivesse querido permanecer na presidência da República até ao seu último fôlego e governar como autocrata, ninguém poderia impedi-lo de o fazer. Mas ele teve o cuidado de dar, muito explicitamente, sinais muito diferentes. Não se contentou em perdoar aqueles que o tinham perseguido, quis mesmo visitar a viúva do antigo primeiro-ministro Verwoerd, um dos artífices da segregação, para lhe dizer que o passado era já o passado e que ela também tinha o seu lugar na nova África do Sul. A mensagem era clara: eu, Mandela, que sofri os tormentos que todos conhecem sob o regime racista, eu que fiz mais do que qualquer outro para pôr termo a esta abominação, quis ir como presidente que sou sentar-me sob o tecto do homem que me pôs na prisão para tomar chá com a sua viúva. Que ninguém de entre os meus se sinta autorizado, a partir de hoje, a exercer qualquer tipo de desforra militante ou manifestar um desejo de vingança!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Gosto da história do Filipe que tinha Síndroma de Down e era posto de parte pelos seus colegas. Um dia, durante a época da Páscoa, a professora para tentar ilustrar esta verdade tão bonita do renascer da natureza e da Ressurreição de Cristo, deu uma caixinha de cartão a todos os alunos da classe. Tinham uma missão: ir para o campo e trazer de volta um símbolo da Páscoa. Os garotos foram em alegre algazarra cumprir a tarefa. De volta, colocaram as caixinhas em cima da mesa da professora. Um a uma a professora foi abrindo as caixas. A primeira tinha lá dentro uma borboleta que saiu voando assarapantada. “Que lindo!” – exclamaram as crianças. A caixa seguinte continha um ramo singelo de flores silvestres. “É a natureza a voltar à vida” – dizia a professora, passando a outra caixa. A caixa seguinte estava ... vazia. Simplesmente vazia. “Assim não vale” – disse a miudagem – “alguém fez batota”. “É minha” – interveio o pequeno Filipe. “Pois é, nunca fazes nada de jeito” – gozaram os colegas. “Eu fiz bem! Está vazia porque o túmulo também estava vazio” – explicou o Filipe. O silêncio que caiu na sala foi espantoso e luminoso. Compreenderam.
Por vezes pergunto-me o que fazem os cépticos e os não-crentes durante a Páscoa? No natal sabemos. Comem peru engordado no aviário. E na Páscoa? Comem borrego!? Certamente que não! Não podem partilhar do símbolo máximo da morte e Ressurreição de Cristo. Seria, digamos, ... incoerente! Na Páscoa, quando a Igreja de Cristo celebra o Seu poder sobre a morte e a esperança da restauração futura da natureza, que fazem os ateus!? O humanismo poderá ajudar para o dia a dia desta existência bacoca, mas deixa qualquer céptico-ateu-descrente, vazio diante dum túmulo frio. Porque ninguém pode escapar à realidade da morte. Quer estejamos no outono da vida ou no seu clímax, todos seremos confrontados com a morte. Por exemplo, quando o leitor acabar de ler este post, 5 pessoas terão morrido à volta do mundo.
Mas, o céptico pede um sinal. Provas e documentação. Que provas? Que informação? Há mais evidências da Ressurreição de Cristo do que há sobre a existência de Júlio César. Há mais provas sobre a morte e Ressurreição de Cristo do que factos que provem que Alexandre o Grande morreu com 33 anos. Os cépticos são uns ingénuos aceitando milhões de factos minúsculos sobre uma miríade de coisas, sobre as quais existem apenas fios ténues de evidência. Cristo durante a Sua última semana de vida teve uma frase demolidora: “da boca dos pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor” (Mateus 21:16). Mas é claro que os cépticos e os ateus deste mundo, serão “crescidos” de mais para louvarem a Deus. Resta-lhes uma alternativa coerente com a sua descrença. Enfiem-se num túmulo frio e inóspito, enquanto os cristãos festejam. Olhem, o de Cristo está vazio. Ele não precisa dele. É que os vivos não têm necessidade de túmulos.

sexta-feira, 26 de março de 2010



Tanta gente sente medo de mudar
Temendo que a aparência perca o seu lugar
E ao tentar mexer com parecidos há em nós
É breve o silêncio até que se erga uma voz
O professor ou do senhor doutor

Nunca se chega a entender a totalidade
E o prazer de não saber vem só com a alta idade
Quem diz tudo saber não merece o benefício
Nem mesmo o homem que se ocupa de um só ofício
A consonância veste a ignorância

Vou andando
Sem dizer adeus
Bem-vinda próxima paragem
Ai Jesus que lá vou eu
Nunca mais me vão ver aqui
Se perguntarem diz que já morri

A pior raça é a de quem vive atrás da coerência
Vê na verdade matemática e no céu ciência
Ser tão pouco agora como já se era antes
É fruto da coerência em certos bons estudantes
Se é p'ra mentir, é p'ra mentir

E ter coragem de mudar é saber enfrentar
Que quando formos para outro lado não vamos voltar
Ter o sorriso pronto para a qualquer momento
Saber que faltámos ao tal grande acontecimento
Se é p'ra mudar, é p'ra perder

Vou andando
Sem dizer adeus
Bem-vinda próxima paragem
Ai Jesus que lá vou eu
Nunca mais me vão ver aqui
Se perguntarem diz que já morri

Vou a caminho do nada
Entrem comigo