segunda-feira, 7 de março de 2011

O cepticismo típico de um judeu daquele tempo, comparando com os restantes povos da antiguidade, foi ali pressionado de uma forma tão violenta que acabaria por eclodir na divulgação da mensagem cristã, tal como acontece quando retiramos a rolha de uma garrafa de espumante. Por muito que isto possa surpreender o leitor, temos de admitir que os discípulos directos de Jesus não tinham fé alguma. Chamar 'fé' ao que os levou a ultrapassar tudo e todos para anunciarem que Jesus estava afinal vivo é tão adequado como dizer que é preciso ter 'fé' para acreditar na existência da nossa mãe ou do mundo ao nosso redor. Eles não tinham 'fé' em algo que viram e viveram: eles sabiam! De igual modo, também não podiam ter fé sobre aquilo que nunca lhes passaria pela cabeça e os seus comportamentos posteriores foram reflexo disso. A 'fé cristã' de que falavam era, para eles, a do retorno de Jesus e a confiança de que estariam a ser ainda orientados pelo mestre através do 'Consolador' ou Espírito Santo. Mas para 'acreditarem' na sua ressurreição eles não precisavam de fé: eles tinham estado com ele!
Por aqui se percebe que a interpretação espiritual que muitos hoje dão a estes acontecimentos carece de substrato histórico. Não é possível aceitar as teses que, seguindo uma moda já com algumas décadas preferem interpretar as afirmações do apóstolos como querendo referir-se à ressurreição de Jesus 'nos seus corações', como se eles 'sentissem' que os ensinos do mestre teriam voltado a viver 'dentro deles' e que esta 'experiência' podia agora ser 'reproduzida' em todos os que ouvissem a sua mensagem. Por esta altura já é possível compreender o quanto estas sugestões surgem descontextualizadas e que dão até a sensação de que falam de outra coisa qualquer menos da cultura judaica do século I. Aqueles que mais apontam para supostas 'projecções' da comunidade cristã primitiva nas fontes, são os que mais facilmente projectam as categorias espiritualizadas da religiosidade actual, num povo que de modo algum se pode entender dessa forma.

domingo, 6 de março de 2011

Para os discípulos, que tinham perdido toda a coragem e desaparecido após a detenção do seu Mestre a prova prática de que Jesus não continuava morto e enterrado, mas sim entre eles e intervindo através deles, era a persistência do carisma na Igreja primitiva. Reapareceu primeiramente com a manifestação do Espírito no Pentecostes e, mais tarde, na restauração da cura e do exorcismo efectivo feita, em nome de Jesus, pelos apóstolos. O Jesus que os dotara de tais poderes taumatúrgicos não estava morto. Ele estava vivo e activo nos, e através dos, discípulos da Igreja. Foi com a ajuda do assim ressuscitado Jesus que prosseguiram a sua missão carismática.

sábado, 5 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

A todos os bancários com 58 anos que estão há dez anos na reforma. A todos os jornalistas com dentaduras como teclados de piano pagas quase de borla antes que lhes tirassem essa trafulhice. A todos os maus professores que subiram na carreira só porque passaram tantos anos no ensino quanto os passados pelos bons professores. A todos os mestrandos com idade para saber que nunca exercerão o que estudam, mas que vão aproveitando porque entretanto sempre vai pingando a bolsa obtida graças à influência de um familiar. A todos os condutores de Mercedes que o têm porque o seu nível de patamar do emprego diz "direito a carro de classe X", quando a qualidade com que exercem o trabalho seria mais para andar de burro. A todos os autarcas que fizeram obras em casa e não precisaram de pagar por elas. A todos, pobres e ricos, donos de jantes de liga leve e filhos com educação ainda mais leve. A todos os que lá em casa bebem vinho vulgar mas durante a semana, com factura metida na tesouraria da empresa, hesitam entre o Pera Manca e um Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa. A todos os empresários que declaram às Finanças prejuízo e aos amigos declaram que este ano vai ser Maldivas. A todos: obrigado. Ontem, vendo os meus feitores, humildes e com a boina enrodilhada nas mãos, prestando contas à dona alemã da quinta, senti a minha parte da vergonha. Mas a todos, obrigado: graças a vocês sei que há maiores culpados.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mais cedo ou mais tarde, entre o berço e o túmulo, aquele que deseja ser salvo terá que ser vivificado. As palavras que o velho Berridge mandou gravar no seu túmulo são fiéis e verdadeiras: “Leitor, nasceste de novo? Lembra-te! Não há salvação sem novo nascimento.”
Repara no abismo que há entre o homem que é cristão apenas de nome e aquele que o é de facto. Não é a diferença de um ser um pouquinho melhor e o outro ser um pouco pior; é a diferença entre um estado de vida e um estado de morte. (…) O membro mais fraco da família de Cristo é muito mais valioso e precioso, aos olhos de Deus, do que o homem mais brilhante do mundo. Um vive para Deus, e viverá eternamente; o outro, com todo o seu intelecto, permanece morto nos seus pecados.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Intérprete – Paixão é a imagem dos homens deste mundo, e Paciência a dos homens do século futuro. Paixão quer possuir e gozar tudo agora, neste mesmo ano, isto é, neste mundo, à semelhança dos homens que querem gozar aqui tudo quanto se lhes afigura melhor, e nada desejam para o mundo futuro, ou para a outra vida. O provérbio “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar” vale para eles muito mais do que todos os testemunhos divinos acerca da felicidade futura. E que lhes acontece? Assim como Paixão ficou apenas com uns andrajos depois de gasto o dinheiro, assim a eles sucederá.
Cristão – Compreendo perfeitamente que Paciência é muito mais sensato: primeiro, porque aspira a coisas mais excelentes, e, segundo, porque há-de gozá-las e ter nelas a sua glória, quando aos outros só restarem andrajos.
Intérprete – E, ao que disseste, deves acrescentar que a glória do século futuro será eterna, enquanto que os bens deste século se dissipam como fumo. Quem tem razão para rir de Paixão é Paciência; porque terá finalmente a sua felicidade, ao passo que Paixão a tem agora. O que agora vai à frente terá que ceder o lugar a quem vem atrás, enquanto que este a ninguém terá que ceder, porque ninguém se lhe segue. O que recebe o seu quinhão no presente gasta-o no tempo, até que nada lhe reste, e o que recebe no final conservá-lo-à para sempre, porque não haverá mais tempo em que gastá-lo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A especificidade desta última organização reside no facto de os seus militantes apelarem ao direito de aplicar o «esforço interpretativo» à palavra revelada e à tradição para poderem legitimar acções de terror. No fundo, são um desvio anárquico da hermenêutica viva que se traduz, no pensamento e nas acções da GIA (Grupos Islâmicos Armados), na vontade de alargar os limites teologicamente consentidos no exercício da jihad: a legitimidade do uso da violência contra mulheres e crianças, que a tradição jamais identificou como inimigos. Afirma-se, deste modo, uma praxis interpretativa demasiado desenvolta, criada pelos líderes do grupo radical, que frequentemente, força a letra e o espírito dos textos sagrados. Os motivos aduzidos pelos líderes da GIA para justificarem as acções de terror contra os inermes (como por exemplo, os sete monges trapistas assassinados em circunstâncias até hoje obscuras) baseiam-se, na realidade, não tanto numa interpretação que adere ao texto sagrado, mas em nome do «direito da necessidade» (fiqh al darura): é necessário fazer aquilo que fazemos porque a tal somos obrigados, porque estamos a lutar contra o mal e, portanto, é lícito recorrer a meios extremos. Deste modo, retomam a ideia qutbiana do fiqh dinâmico, de uma hermenêutica que se alarga ao ponto de inventar normas que não se encontram nem no Alcorão nem na lei corânica.
These inspiring events [in the Arab world] recall the universal truth that no people can be held in bondage for ever.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

The news outlets sell one thing above all else, and that is not so much the news as it is newness. What one buys when one buys a daily paper, what one purchases when one purchases a magazine, is the hypothesis that what is going on right now is amazing, unprecedented, stunning. Or at least worthy of intense concentration. What has happened in the past is of correspondingly less interest. In fact, it may be of barely any interest at all. Those who represented the claims of the past should never have imagined that the apostles of newness would give them a fair hearing, or a fair rendering, either.
(...)
Media no longer seek to shape taste. They do not try to educate the public. And this is so in part because no one seems to know what literary and cultural education would consist of. What does make a book great, anyway? And the media have another reason for not trying to shape taste: It pisses off the readers. They feel insulted, condescended to; they feel dumb.
(...)
Reading in pursuit of influence—that, I think, is the desired thing. It takes a strange mixture of humility and confidence to do as much.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados à fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e Ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. Mas, se Ele não nos livrar, sabe, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

This is the basic consideration of the Christian life. First, Christ died in history. Second, Christ rose in history. Third, we died with Christ in history, when we accepted him as our Saviour. Fourth, we will be raised in history, when he comes again. Fifth, we are to live by faith now as though we were now dead, already have died. And sixth, we are to live now by faith as though we have now already been raised from the dead.
Now what does this mean in practice, so that it will not just be words going over our heads? First of all, it certainly means this: that in our thoughts and lives now we are to live as though we had already died, been to heaven, and come back again as risen.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A autoridade das Escrituras não é tanto uma verdade a ser defendida, como a ser afirmada. Dirijo esta observação particularmente aos evangélicos conservadores. Lembro-me do que o grande Charles Haddon Spurgeon disse uma vez em relação com isto: “Não há necessidade de defender um leão que está a ser atacado. Tudo o que tens que fazer é abrir o portão e deixá-lo sair”. Temos de recordar frequentemente a nós mesmos que é a pregação e a exposição da Bíblia que realmente estabelecem a sua verdade e autoridade. Creio que isto é mais verdadeiro hoje do que nunca – certamente mais verdadeiro do que tem sido nos últimos dois séculos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“Es la Iglesia de Cristo un arca, o un faro? Después del siglo II la cristandad se dividió sobre esta cuestión vital. La mayoría, por influencia del paganismo , pensaba en la iglesia como el arca de Noé: el único requisito para ser salvo era entrar a ella. Hasta los infantes debían ser pasados por sus portales para asegurarles la salvacíon. Una vez adentro, uno podría confiar en que la monarquia sacramental de la iglesia lo capacitaría para recebir todas las bendiciones de Dios.
Outras personas, sin embargo, conceptuaban la iglesia como un faro; solamente a aquellos que ya poseían la luz de Dios debía permitírseles entrar. La gran diferencia entre estos dos conceptos, arca y faro, ha formado una historia dual del cristianismo. Un grupo sostiene que los sacramentos de la iglesia salvan; el outro grupo recalca la relacíon individual directamente com Dios. El concepto del arca, com todas las corrupciones paganas y la supersticíon, llegó a ser dominante.”

sábado, 25 de dezembro de 2010

Tu deixaste Jesus, o Teu reino de luz,
E baixaste a este mundo tão vil,
Um presépio em Belém,
Tu Jesus, Sumo-Bem,
Escolheste por berço infantil.

Vem Jesus habitar comigo,
Em minha alma há lugar , ó vem já!
Vem Jesus habitar comigo,
Em minha alma há lugar , ó vem já!

Cantor Cristão, hino 31

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O que é o amor, em concreto? Não perguntes o que é sem este «em concreto», acabarás com arbitrariedades verbais, piedades, coisas vãs. O que é o amor em concreto, concreto como cimento, como betão, concreto como uma pedra, imagem tão diferente do complicado e impudico coração? O verbete «amor» fala em emoção, estética, ideologia, doença, e nada disso interessa agora mas apenas o amor em concreto, corpos, cortinas, cheiros, cães, o amor que com ou sem aspas mostramos aos outros para que acreditemos também, vejam a minha felicidade, a minha normalidade, a minha desistência. Com o teu amor concreto o mundo encontra uma base estável no meio dos vendavais. E agora suportas todas as decepções. O amor é um vício, uma gangrena, faz mais falta um amor concreto, hábitos, fotos, impostos, torneiras, é contra o amor que o amor concreto triunfa, onde estavas, amor, quando foste preciso, quando ela precisava, ao passo que eu estive sempre aqui ao seu lado? Que importam as tuas escaladas, os teus mergulhos, que tristes acrobacias são essas, que escusado espectáculo, quando eu dou (diz o amor concreto) a desculpa, o descanso, os domingos? O amor perdeu porque é seu costume, saiu para a rua com a roupa errada, enquanto o amor concreto trouxe agasalho, é prudente e precavido, tem botões, chaves, ferramentas. O amor diz que ama mas desconhece o tempo e o tédio, é por ser banal que o amor concreto o humilha, não há amor mais forte que o amor em concreto, o amor que te toca, protege, exaspera, o que é o amor ao pé disso, simples hipótese rabiscada num guardanapo, devaneio de asténicos, vida alternativa. Vinhas com os teus exércitos, amor, mas foste dizimado, o amor em concreto é o único, escondo-me agora na vergonha dos indignos enquanto em concreto o amor concreto está onde sempre esteve, tranquilo no inverno com o teu amor nos braços.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Quando o Cristianismo é considerado como liberdade em Cristo (e é o que é), os cristãos não ficam em subserviência para com os mestres humanos, porque a sua ambição é alcançar a maturidade em Cristo. Mas quando o Cristianismo se transforma em servidão a regras e regulamentos, suas vítimas ficam inevitavelmente sujeitas, amarradas aos seus mestres, como na Idade Média.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

(...) la obra de Jesucristo tuvo una dimensión social y política. El individualismo del 'cristianismo-cultura' a que ha hecho referencia mira al Señor con un solo ojo y por lo tanto lo ve como un Jesús individualista que se ocupa de la salvación de individuos. Una lectura candorosa de los Evangelios nos permite ver un Jesús que, en medio de varias alternativas políticas (el fariseísmo, el saduceísmo, el celotismo y el esenismo), encarna y proclama una nueva alternativa: el Reino de Dios. Decir que Jesús es el Cristo es decribirlo én términos políticos, es afirmar que él es rey. Su reino no es de este mundo, no porque no tenga nada que ver con el mundo, sino porque no se conforma a la política de los hombres. Es un reino con su propia política, una política marcada por el sacrifício. Jesús es un rey que 'no vino para que le sirvan, sino para servir, y para dar su vida como precio para la salvación de muchos'.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Evangelizar, por lo tanto, no es ofrecer una experiencia de liberación de sentimientos de culpa, como si Cristo fuese un super-psiquiatra y su poder salvador pudiera separarse de su señorio. Evangelizar es proclamar a Jesucristo como Señor y Salvador, por cuya obra el hombre es liberado tanto de la culpa como del poder del pecado e integrado al propósito de Dios de colocar todas las cosas bajo el mando de Cristo. Como ha señalado Walter Kunneth, una cristología individualista – una cristología que contempla a Cristo únicamente en su relación con el indivíduo – deja la puerta abierta para una negación de la creación, puesto que según ella hay que entender el mundo como si existiese aparte de la Palabra de Dios que le da sentido. El Cristo proclamado por el Evangelio es el Señor de todos, en quien Dios ha actuado definitivamente en la historia a fin de formar una nueva humanidad.


Evangelizar, portanto, não é oferecer uma experiência de libertação dos sentimento de culpa, como se Cristo fosse um super-psiquiatra e o seu poder salvador pudesse ser separado da sua soberania. Evangelizar é proclamar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e por cuja obra o homem é libertado tanto da culpa como do poder do pecado, e integrado no propósito de Deus de colocar todas as coisas debaixo da autoridade de Cristo. Como foi assinalado por Walter Kunneth, uma cristologia individualista - uma cristologia que contempla Cristo unicamente na sua relação com o indivíduo - deixa a porta aberta para a negação da criação, já que segundo ela, temos de entender o mundo como se existisse à parte da Palavra de Deus que lhe dá sentido.  O Cristo proclamado pelo Evangelho é o Senhor de todos, em quem Deus actuou definitivamente na História a fim de formar uma nova humanidade.