O humanismo dos nossos dias tenta ensinar-nos que as ofensas dos outros não são realmente muito importantes e que devemos perdoar a todos com facilidade: se, se acredita em Deus, é num 'deus' que faz 'vista grossa' quando o homem age com maldade, ou mesmo tolera-a com toda a facilidade. O cristianismo ensina que o pecado é tão grave que foi preciso o Filho de Deus morrer numa cruz para que pudesse ser perdoado.
quarta-feira, 23 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
É interessante verificar que também no primeiro século os opositores e carrascos de Jesus não se satisfizeram com a hipótese da loucura (de Jesus). Bem pelo contrário. Levaram muito a sério a ameaça que Jesus repreentava, decidindo resolver o assunto de forma mais clara possível: a morte. O historiador Josefo relata nas suas crónicas das guerras judaicas que um tal Jesus, filho de Ananias, foi preso e interrogado por ter irrompido a festa dos Tabernáculos com previsões de destruição para todo o povo judeu, "Uma voz do leste, uma voz do oeste, uma voz dos quatro ventos, uma voz contra Jerusalém e o santuário, uma voz contra o noivo a noiva, uma voz contra todo o povo."
Mas ao contrário do Jesus nosso conhecido, este foi libertado, tendo continuado a lançar as suas invectivas e previsões de desgraça durante mais de sete anos por entre as principais festas judaicas. Porque razão os responsáveis judeus o permitiram? Por o considerarem louco. Por este não valia a pena solicitar ao procurador uma condenação. Como louco, era totalmente inofensivo, e bem se podia suportar a voz de um tresloucado de vez em quando por entre as ruas de Jerusalém. A Jesus, esse, não. Esse era diferente, e não se poderia agir com tamanha leviandade. Contudo, este homem que demonstrava uma saúde mental incomum (mesmo tomando como termo de comparação a nossa sociedade actual) por outro lado afirmava que exisitia desde antes da fundação do cosmos:
"Dá-me, pois, ó Pai, a glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo ser mundo."
segunda-feira, 21 de março de 2011
Jesus, filho de Ananias, foi um santo homem do campo, que se meteu em problemas com a autoridade durante a Festa dos Tabernáculos, em 62 d.C. Josefo regista que este Jesus, andando rua acima, rua abaixo, dia após dia, declarava publicamente, e em voz alta, que Jerusalém e o santuário estavam amaldiçoados: "Uma voz vinda de leste, uma voz vinda de oeste, uma voz que vem com os quatro ventos; uma voz contra Jerusalém e o santuário, uma voz contra o noivo e a noiva, uma voz contra o povo! Estas agoirentas palavras proféticas, que fazem lembrar Jeremias, capítulo 7, deram origem a distúrbios, pelo que os magistrados judeu prenderam Jesus e deram-lhe uma valente sova para o pôr na linha. Não fez qualquer diferença; Jesus continuou com a gritaria. Temendo que pudesse ser um inspirado de Deus – Josefo acreditava que sim -, os magistrados, em vez de recorrerem a mais atitudes drásticas para o calarem, entregaram-no ao governador romano Albino. Este ordenou que lhe dessem outro açoitamento, pior do que o primeiro, antes de interrogarem o acusado. Então, quando Jesus, filho de Ananias, se recusou responder às perguntas que ele lhe fez, concluiu que o homem era lunático e libertou-o. Jesus prosseguiu com as suas lamúrias diárias, até ao estalar da primeira guerra contra Roma, em 66 d.C. Durante sete anos e cinco meses, ele teimou nos seus queixumes, e só parou quando uma pedra catapultada por uma máquina de guerra romana o matou em 69 d.C.
A história de Jesus, filho de Ananias, faz lembrar a de Jesus de Nazaré. Os Evangelhos não dão qualquer ideia de que Caifás e os seus companheiros imaginassem sequer que Jesus fosse inspirado pelo divino, mas é concebível que uma mistura de medo supersticioso e uma relutância natural em ordenar que um judeu fosse efectivamente executado tivesse relevância a nível do sub-consciente, levando-os a entregar Jesus a Pôncio Pilatos.
A história de Jesus, filho de Ananias, faz lembrar a de Jesus de Nazaré. Os Evangelhos não dão qualquer ideia de que Caifás e os seus companheiros imaginassem sequer que Jesus fosse inspirado pelo divino, mas é concebível que uma mistura de medo supersticioso e uma relutância natural em ordenar que um judeu fosse efectivamente executado tivesse relevância a nível do sub-consciente, levando-os a entregar Jesus a Pôncio Pilatos.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Foi uma época gloriosa [os Descobrimentos] para Portugal, que conseguiu estabelecer várias colónias em África, mantendo boas relações com os soberanos das regiões submetidas. Assim, o pequeno reino português, com o seu domínio dos oceanos, teve acesso directo à Ásia e à África ocidental, obtendo riquezas incalculáveis ao longo de várias décadas.
Não obstante as boas relações com as suas colónias, chegou uma altura em que as exigências destas ultrapassaram a quantidade de rendimentos resultantes da comercialização de especiarias, particularmente a pimenta a favorita dos mercadores europeus – e a extracção de minerais. Esse facto obrigou o reino a contrair avultados empréstimos junto dos grandes banqueiros de Itália, Países Baixos, Alemanha, endividando-se pesadamente, enfraquecendo o seu poder e esgotando o tesouro público. (Este fenómeno é hoje muito bem entendido, atendendo ao exemplo dos países do Terceiro Mundo ou me vias de desenvolvimento. As dívidas ou compromissos contraídos com a Banca estrangeira atingem proporções tais que, com os rendimentos dos seus próprios recursos, não conseguem sequer pagar os juros que, anos após ano, resultam dos ditos empréstimos).
segunda-feira, 7 de março de 2011
O cepticismo típico de um judeu daquele tempo, comparando com os restantes povos da antiguidade, foi ali pressionado de uma forma tão violenta que acabaria por eclodir na divulgação da mensagem cristã, tal como acontece quando retiramos a rolha de uma garrafa de espumante. Por muito que isto possa surpreender o leitor, temos de admitir que os discípulos directos de Jesus não tinham fé alguma. Chamar 'fé' ao que os levou a ultrapassar tudo e todos para anunciarem que Jesus estava afinal vivo é tão adequado como dizer que é preciso ter 'fé' para acreditar na existência da nossa mãe ou do mundo ao nosso redor. Eles não tinham 'fé' em algo que viram e viveram: eles sabiam! De igual modo, também não podiam ter fé sobre aquilo que nunca lhes passaria pela cabeça e os seus comportamentos posteriores foram reflexo disso. A 'fé cristã' de que falavam era, para eles, a do retorno de Jesus e a confiança de que estariam a ser ainda orientados pelo mestre através do 'Consolador' ou Espírito Santo. Mas para 'acreditarem' na sua ressurreição eles não precisavam de fé: eles tinham estado com ele!
Por aqui se percebe que a interpretação espiritual que muitos hoje dão a estes acontecimentos carece de substrato histórico. Não é possível aceitar as teses que, seguindo uma moda já com algumas décadas preferem interpretar as afirmações do apóstolos como querendo referir-se à ressurreição de Jesus 'nos seus corações', como se eles 'sentissem' que os ensinos do mestre teriam voltado a viver 'dentro deles' e que esta 'experiência' podia agora ser 'reproduzida' em todos os que ouvissem a sua mensagem. Por esta altura já é possível compreender o quanto estas sugestões surgem descontextualizadas e que dão até a sensação de que falam de outra coisa qualquer menos da cultura judaica do século I. Aqueles que mais apontam para supostas 'projecções' da comunidade cristã primitiva nas fontes, são os que mais facilmente projectam as categorias espiritualizadas da religiosidade actual, num povo que de modo algum se pode entender dessa forma.
domingo, 6 de março de 2011
Para os discípulos, que tinham perdido toda a coragem e desaparecido após a detenção do seu Mestre a prova prática de que Jesus não continuava morto e enterrado, mas sim entre eles e intervindo através deles, era a persistência do carisma na Igreja primitiva. Reapareceu primeiramente com a manifestação do Espírito no Pentecostes e, mais tarde, na restauração da cura e do exorcismo efectivo feita, em nome de Jesus, pelos apóstolos. O Jesus que os dotara de tais poderes taumatúrgicos não estava morto. Ele estava vivo e activo nos, e através dos, discípulos da Igreja. Foi com a ajuda do assim ressuscitado Jesus que prosseguiram a sua missão carismática.
sexta-feira, 4 de março de 2011
A todos os bancários com 58 anos que estão há dez anos na reforma. A todos os jornalistas com dentaduras como teclados de piano pagas quase de borla antes que lhes tirassem essa trafulhice. A todos os maus professores que subiram na carreira só porque passaram tantos anos no ensino quanto os passados pelos bons professores. A todos os mestrandos com idade para saber que nunca exercerão o que estudam, mas que vão aproveitando porque entretanto sempre vai pingando a bolsa obtida graças à influência de um familiar. A todos os condutores de Mercedes que o têm porque o seu nível de patamar do emprego diz "direito a carro de classe X", quando a qualidade com que exercem o trabalho seria mais para andar de burro. A todos os autarcas que fizeram obras em casa e não precisaram de pagar por elas. A todos, pobres e ricos, donos de jantes de liga leve e filhos com educação ainda mais leve. A todos os que lá em casa bebem vinho vulgar mas durante a semana, com factura metida na tesouraria da empresa, hesitam entre o Pera Manca e um Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa. A todos os empresários que declaram às Finanças prejuízo e aos amigos declaram que este ano vai ser Maldivas. A todos: obrigado. Ontem, vendo os meus feitores, humildes e com a boina enrodilhada nas mãos, prestando contas à dona alemã da quinta, senti a minha parte da vergonha. Mas a todos, obrigado: graças a vocês sei que há maiores culpados.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Mais cedo ou mais tarde, entre o berço e o túmulo, aquele que deseja ser salvo terá que ser vivificado. As palavras que o velho Berridge mandou gravar no seu túmulo são fiéis e verdadeiras: “Leitor, nasceste de novo? Lembra-te! Não há salvação sem novo nascimento.”
Repara no abismo que há entre o homem que é cristão apenas de nome e aquele que o é de facto. Não é a diferença de um ser um pouquinho melhor e o outro ser um pouco pior; é a diferença entre um estado de vida e um estado de morte. (…) O membro mais fraco da família de Cristo é muito mais valioso e precioso, aos olhos de Deus, do que o homem mais brilhante do mundo. Um vive para Deus, e viverá eternamente; o outro, com todo o seu intelecto, permanece morto nos seus pecados.
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*assunto - vida,
*Autor - J. C. Ryle,
*Obra - Vivo ou Morto
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Intérprete – Paixão é a imagem dos homens deste mundo, e Paciência a dos homens do século futuro. Paixão quer possuir e gozar tudo agora, neste mesmo ano, isto é, neste mundo, à semelhança dos homens que querem gozar aqui tudo quanto se lhes afigura melhor, e nada desejam para o mundo futuro, ou para a outra vida. O provérbio “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar” vale para eles muito mais do que todos os testemunhos divinos acerca da felicidade futura. E que lhes acontece? Assim como Paixão ficou apenas com uns andrajos depois de gasto o dinheiro, assim a eles sucederá.
Cristão – Compreendo perfeitamente que Paciência é muito mais sensato: primeiro, porque aspira a coisas mais excelentes, e, segundo, porque há-de gozá-las e ter nelas a sua glória, quando aos outros só restarem andrajos.
Intérprete – E, ao que disseste, deves acrescentar que a glória do século futuro será eterna, enquanto que os bens deste século se dissipam como fumo. Quem tem razão para rir de Paixão é Paciência; porque terá finalmente a sua felicidade, ao passo que Paixão a tem agora. O que agora vai à frente terá que ceder o lugar a quem vem atrás, enquanto que este a ninguém terá que ceder, porque ninguém se lhe segue. O que recebe o seu quinhão no presente gasta-o no tempo, até que nada lhe reste, e o que recebe no final conservá-lo-à para sempre, porque não haverá mais tempo em que gastá-lo.
Cristão – Compreendo perfeitamente que Paciência é muito mais sensato: primeiro, porque aspira a coisas mais excelentes, e, segundo, porque há-de gozá-las e ter nelas a sua glória, quando aos outros só restarem andrajos.
Intérprete – E, ao que disseste, deves acrescentar que a glória do século futuro será eterna, enquanto que os bens deste século se dissipam como fumo. Quem tem razão para rir de Paixão é Paciência; porque terá finalmente a sua felicidade, ao passo que Paixão a tem agora. O que agora vai à frente terá que ceder o lugar a quem vem atrás, enquanto que este a ninguém terá que ceder, porque ninguém se lhe segue. O que recebe o seu quinhão no presente gasta-o no tempo, até que nada lhe reste, e o que recebe no final conservá-lo-à para sempre, porque não haverá mais tempo em que gastá-lo.
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*assunto - eternidade,
*Autor - John Bunyan,
*Obra - O Peregrino
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
A especificidade desta última organização reside no facto de os seus militantes apelarem ao direito de aplicar o «esforço interpretativo» à palavra revelada e à tradição para poderem legitimar acções de terror. No fundo, são um desvio anárquico da hermenêutica viva que se traduz, no pensamento e nas acções da GIA (Grupos Islâmicos Armados), na vontade de alargar os limites teologicamente consentidos no exercício da jihad: a legitimidade do uso da violência contra mulheres e crianças, que a tradição jamais identificou como inimigos. Afirma-se, deste modo, uma praxis interpretativa demasiado desenvolta, criada pelos líderes do grupo radical, que frequentemente, força a letra e o espírito dos textos sagrados. Os motivos aduzidos pelos líderes da GIA para justificarem as acções de terror contra os inermes (como por exemplo, os sete monges trapistas assassinados em circunstâncias até hoje obscuras) baseiam-se, na realidade, não tanto numa interpretação que adere ao texto sagrado, mas em nome do «direito da necessidade» (fiqh al darura): é necessário fazer aquilo que fazemos porque a tal somos obrigados, porque estamos a lutar contra o mal e, portanto, é lícito recorrer a meios extremos. Deste modo, retomam a ideia qutbiana do fiqh dinâmico, de uma hermenêutica que se alarga ao ponto de inventar normas que não se encontram nem no Alcorão nem na lei corânica.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
The news outlets sell one thing above all else, and that is not so much the news as it is newness. What one buys when one buys a daily paper, what one purchases when one purchases a magazine, is the hypothesis that what is going on right now is amazing, unprecedented, stunning. Or at least worthy of intense concentration. What has happened in the past is of correspondingly less interest. In fact, it may be of barely any interest at all. Those who represented the claims of the past should never have imagined that the apostles of newness would give them a fair hearing, or a fair rendering, either.
(...)
Media no longer seek to shape taste. They do not try to educate the public. And this is so in part because no one seems to know what literary and cultural education would consist of. What does make a book great, anyway? And the media have another reason for not trying to shape taste: It pisses off the readers. They feel insulted, condescended to; they feel dumb.
(...)
Reading in pursuit of influence—that, I think, is the desired thing. It takes a strange mixture of humility and confidence to do as much.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados à fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e Ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. Mas, se Ele não nos livrar, sabe, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer.
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*assunto - perseverança,
*Bíblia - Daniel,
Bíblia
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
This is the basic consideration of the Christian life. First, Christ died in history. Second, Christ rose in history. Third, we died with Christ in history, when we accepted him as our Saviour. Fourth, we will be raised in history, when he comes again. Fifth, we are to live by faith now as though we were now dead, already have died. And sixth, we are to live now by faith as though we have now already been raised from the dead.
Now what does this mean in practice, so that it will not just be words going over our heads? First of all, it certainly means this: that in our thoughts and lives now we are to live as though we had already died, been to heaven, and come back again as risen.
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*Autor - Francis Schaeffer,
*Obra - True Spirituality
domingo, 23 de janeiro de 2011
| The Daily Show With Jon Stewart | Mon - Thurs 11p / 10c |
| Tom Wolfe | |
| www.thedailyshow.com | |
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
A autoridade das Escrituras não é tanto uma verdade a ser defendida, como a ser afirmada. Dirijo esta observação particularmente aos evangélicos conservadores. Lembro-me do que o grande Charles Haddon Spurgeon disse uma vez em relação com isto: “Não há necessidade de defender um leão que está a ser atacado. Tudo o que tens que fazer é abrir o portão e deixá-lo sair”. Temos de recordar frequentemente a nós mesmos que é a pregação e a exposição da Bíblia que realmente estabelecem a sua verdade e autoridade. Creio que isto é mais verdadeiro hoje do que nunca – certamente mais verdadeiro do que tem sido nos últimos dois séculos.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
“Es la Iglesia de Cristo un arca, o un faro? Después del siglo II la cristandad se dividió sobre esta cuestión vital. La mayoría, por influencia del paganismo , pensaba en la iglesia como el arca de Noé: el único requisito para ser salvo era entrar a ella. Hasta los infantes debían ser pasados por sus portales para asegurarles la salvacíon. Una vez adentro, uno podría confiar en que la monarquia sacramental de la iglesia lo capacitaría para recebir todas las bendiciones de Dios.
Outras personas, sin embargo, conceptuaban la iglesia como un faro; solamente a aquellos que ya poseían la luz de Dios debía permitírseles entrar. La gran diferencia entre estos dos conceptos, arca y faro, ha formado una historia dual del cristianismo. Un grupo sostiene que los sacramentos de la iglesia salvan; el outro grupo recalca la relacíon individual directamente com Dios. El concepto del arca, com todas las corrupciones paganas y la supersticíon, llegó a ser dominante.”
sábado, 25 de dezembro de 2010
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