domingo, 26 de agosto de 2012

E peço isto: que o vosso amor abunde mais e mais, em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum, até ao dia em Cristo, cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.

Filipenses 1:9-11

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Israeli archaeologists recently discovered a coin, dating from the 11th century before Christ. It depicted "a man with long hair fighting a large animal with a feline tail." Ring any Old Testament bells?The coin was found near the Sorek River, which was the border between the ancient Israelite and Philistine territories 3,100 years ago. Sound vaguely familiar? The archaeologists thought so, too. While Shlomo Bunimovitz and Zvi Lederman of Tel Aviv University don't claim that the figure depicted on the coin is proof that Samson actually existed, they do see the coin as proof that stories about a Samson-like man existed independently of the Bible.


Stated differently, the story of Samson was not the literary invention of a sixth-century B.C. scribe living in Babylon, as has commonly been assumed by mainstream biblical scholarship.Bunimovitz and Lederman made another interesting discovery: the Philistine side of the river was littered with pig bones, while there were none on the Israelite side. Bunimovitz told the Israeli newspaper Haaretz that "these details add a legendary air to the social process in which the two hostile groups honed their separate identities . . ."

I suppose that's one way to put it. Another would be to see it as evidence of the Israelites' sense of being set apart from their pagan neighbors.
 
The findings at Sorek are only the latest in a series of archaeological discoveries that are changing the way modern historians look at biblical narratives. It's becoming more difficult for them to maintain that the narratives are pious fictions invented long after the era being depicted. The most famous of these discoveries is the 1994 discovery of a stele in Tel Dan bearing an inscription that contained the words "House of David." It was the first extra-biblical evidence of the Davidic dynasty. Prior to the discovery, many scholars doubted that David ever existed, much less founded a dynasty. The discovery was so out-of-line with expectations that more than a few insisted it must be a forgery. 
 
Today, it is clear to even the most skeptical scholar that-surprise!-there really was a David who founded a ruling dynasty. That dynasty included his son, Solomon, and evidence of Solomon's building projects described in Second Samuel have been found by archaeologists as well. 
 
 The Christian Post
20 de Agosto de 2012

Arqueólogos israelitas descobriram recentemente uma moeda, datada do século 11 antes de Cristo. Esta moeda tem representado "um homem com cabelo comprido a lutar com um animal com uma cauda felina". Faz lembrar qualquer coisa do Velho Testamento? A moeda foi encontrada perto do Rio Sorek, que constituía a fronteira entre os antigos territórios Israelitas e Filisteus, 3.100 ano atrás. Soa a algo vagamente familiar? Os arqueólogos também pensaram o mesmo. Embora Shlomo Bunimovitz e Zvi Lederman da Universidade de Tel Aviv não defendam que a figura refresentada na moeda seja uma prova de que Sansão tenha realmente exisitdo, eles vêem a moeda como uma prova de que as histórias sobre um homem parecido com Sansão circulavam independentemente da Bíblia.

Ou dito de outra forma, a história de Sansão não foi uma invenção literária de um escriba exilado na Babilónia no século 6 antes de Cristo, como habitualmente é assumido pelas principais correntes de académicos bíblicos. Bunimovitz e Lederman fizeram outra descoberta interessante: o lado Filisteu do rio estava cheio de ossos de porco, mas não havia nenhum do lado Israelita. Bunimovitz disse ao jornal Israelita Haaretz que "estes detalhes dão um ar lendário ao processo social no qual dois grupos hostis agudizavam as suas identidades separadas..."

Suponho que essa seja uma forma de por a coisas. Outra forma será ver isto como uma evidência do sentido dos Israelitas de povo separado dos seus vizinhos pagãos.

As descobertas no Sorek são apenas as mais recentes numa série de achados arqueológicos que estão a mudar a maneira como os historiadores modernos olham para as narrativas bíblicas. Está a tornar-se-lhes mais difícil manter que as narrativas são ficções religiosas inventadas muito depois do tempo em que se passavam. O mais famoso destes achados é a descoberta, em 1994, de uma laje em Tel Dan, onde constava uma inscrição com as palavras "Casa de David". Foi a primeira evidência extra-bíblica da dinastia Davídica. Antes desta descoberta, muitos académicos duvidavam que David tivesse sequer existido, quanto mais fundado uma dinastia. A descoberta foi tão inesperada que uma boa parte deles insistiu que devia ser uma fraude.

Hoje, é razoável mesmo para o académico mais céptico que, surpresa!, existiu realmente um David, que fundou uma dinastia real. Esta dinastia incluiu o seu filho, Salomão, e também já foram descobertos por arqueólogos indícios dos seus projectos de construção conforme descritos em Segunda de Samuel.

Algumas das descobertas vão para além da história e mostram o sentido de Israel do que significava ser o povo escolhido por Deus. Sítios datados antes do Exílio estão cheios de ídolos cananeus, evidência da apostasia que os profetas denunciavam e avisavam que levaria à desgraça. No entanto, não foi encontrado um único ídolo em sítios datados depois do Exílio. Claramente, os Judeus que regressaram do Exílio finalmente aprenderam verdadeiramente que "o Senhor nosso Deus é o único". Estas descobertas são entusiasmantes não apenas porque "provem" que o Cristianismo seja verdadeiro - há uma razão e chama-se "fé" - mas porque o Cristianismo, bem como o seu parente Judaísmo, fazem reivindicações históricas.

domingo, 19 de agosto de 2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

- Em segundo lugar - disse Caspian -, quero saber porque haveis permitido que se desenvolvesse esse abominável e desnaturado tráfico de escravos, contrário aos antigos usos e costumes destes domínios.
- É necessários e inevitável. Asseguro-vos que constitui uma parte essencial do desenvolvimento económico das ilhas. A nossa prosperidade actual depende dele.
- Que necessidade tendes de escravos?
- Para exportar, Majestade. São quase todos para vender aos Calormenitas; e temos outros mercados. Somos um grande entreposto comercial.
- Por outras palavras - prosseguiu Caspian -, não precisais deles. Dizei-me para que servem, a não ser para encher de dinheiro os bolsos de indivíduos da laia de Pug?
- A juventude de Vossa Majestade - disse Gumpas com um sorriso paternal - impede que possais compreender o problema económico em questão. Tenho estatísticas, tenho gráficos, tenho...
- Por muito jovem que seja, creio perceber tanto de tráfico de escravos como Vossa Senhoria. E não vejo que traga para as ilhas carne, pão, cerveja, vinho, madeira, couves, livros, instrumentos musicais, cavalos, armaduras, nem seja o que for de valioso. Mas, seja como for, tem de acabar.
- Mas isso era fazer os ponteiros do relógio andarem para trás - disse o governador sobressaltado. - Tendes alguma ideia do que é o progresso, o desenvolvimento?
- Já os vi em embrião. Em Nárnia chamamos-lhe corrupção. Esse tráfico tem de acabar.
- Não posso tomar as responsabilidade de uma medida dessas - retorquiu Gumpas.
- Muito bem. Então demito-vos do vosso cargo. Aproximai-vos, Sr. Bern. - E antes que Gumpas percebesse o que se passava, Bern estava ajoelhado com as mãos entre as mãos do rei, a prestar juramento de que iria governar as Ilhas Solitárias de acordo com os antigos usos e costumes, direitos e leis de Nárnia. - Acho que já tivémos suficientes governadores - prosseguiu Caspian, que nomeou Bern duque das Ilhas Solítárias. - Quanto a vós, senhor - disse a Gumpas -, perdoo-vos a vossa dívida do tributo. Porém, antes do meio-dia de amanhã, vós e os vossos companheiros deveis estar fora do castelo, que é agora a residência do duque.
- Isso está tudo muito bem - disse um dos secretários de Gumpas -, mas agora é melhor deixarmo-nos de conversas e passarmos aos aspectos práticos. A questão que se põe é que...
- A questão - disse o duque - é saber se não serão precisas umas boas chicotadas para partirdes.
Quando tudo ficou resolvido, Caspian mandou buscar cavalos.

O Caminheiro da Alvorada
Editora Gradiva
páginas 54-55

domingo, 12 de agosto de 2012

(...) muitos há, dos quais muitas vezes voz disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar, também, a si todas as coisas.

Filipenses 3:18-21

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

In sum, there is no hard evidence to support the received wisdom that a wide range of behaviours that we associate with particular genders are actually biologically predetermined. The implication of this is that we need to look very hard indeed at how we reinforce stereotypes that diminish the potential of the boys and girls and the men and women around us.

You may not think this is relevant in the church but ask yourself this: when a girl between the age of 5 and 12 comes up to you in the coffee lounge after the service, what are most adults, whether male or female, likely to say to them after a general greeting and inquiry as to how they are? Let me tell you, because I've watched myself, and I've watched scores of people talk to my daughter and I've asked lots of adults. The answer almost always relates to something she's wearing or some aspect of her appearance. 'That's a pretty top.' Or, 'I like the way you've done your hair.' Well, in an appearance-obsessed world, it is important to affirm a girl's beauty but if the first comments that most of our young girls receive from virtually every Christian adult they meet is about their appearance, what message are they getting? Answer: exactly the same one they get from the world - what matters is what you wear and what you look like. How conformed to the world we may be. We need some new questions.


Ou seja, não há prova sólidas a apoiar o senso comum de que uma grande variedade de comportamentos que associamos a um género particular sejam determinados biologicamente. A implicação disto é que precisamos de ver muito cuidadosamente como é que temos reforçado estereótipos que diminuem o potencial de rapazes e raparigas, e de homens e mulheres.
Podes pensar que isto não é relevante na tua igreja, mas pergunta a ti mesmo: quando uma rapariga com idade entre 5 e 12 anos cruza-se contigo a seguir ao culto, o que é que é mais provável que a maior parte dos adultos, quer sejam homens ou mulheres, perguntem depois de perguntar "como é que estás"? Deixa-me dizer, porque já o observei, e vi montes de pessoas a falar com a minha filha, e já perguntei a muitos adultos. A resposta é que quase sempre é alguma coisa relacionada com o que ela tem vestido, ou algum pormenor da sua aparência. 'Tens um top muito giro', ou, 'Gosto desse penteado'. Num mundo obcecado com a aparência, é importante afirmar a beleza de uma rapariga, mas se os primeiros comentários que a maior parte das nossas jovens recebe de praticamente todos os cristãos adultos com quem se cruzam é sobre a aparência, que messagem estarão elas a receber? Resposta: exactamente a mesma que estão a receber do mundo - que o que importa é o que usas e o que pareces. Quão conformados com o mundo poderemos nós estar. Precisamos de arranjar perguntas novas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


No fim de contas, mais tarde ou mais cedo, quase todas religiões americanas transformam-se num Evangelho da Prosperidade. A manhã de Natal é o Sábado Americano, e idealmente, duraria o ano todo. O surpreendente é que este evangelho da prosperidade é a única crença americana que nunca vai morrer, mesmo quando as suas promessas parecem ter sido frustradas. Em quase todas as outras democracias ocidentais, o último rebentamento da bolha levantou dúvidas sobre o sistema que as faz inchar. Aqui, as pessoas que se encontram em posições de poder são as que querem encher bolhas ainda maiores, que continuam a acreditar nelas mesmo depois de rebentar, e que fazem da sua perfeição uma crença tão reluzente, segura e infalível, que poderia ter sido escrita por anjos em tábuas de ouro maciço.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

É comum ouvirmos crentes a mostrarem a sua preocupação em conhecer a vontade do Senhor. Querem saber que curso devem estudar, que casa devem comprar, com quem devem casar... dentro da vontade de Deus.

Tudo isto está certo. Mas algumas vezes, esquecemo-nos que a 'vontade de Deus', no sentido que esta frase tem na Bíblia, tem mais a ver com as nossas qualidades morais do que com as decisões concretas, sobre projectos de vida. Tem mais a ver com a pureza, a sobriedade e a integridade que nos devem caracterizar (ver, por exemplo, o Salmo 24:3-5) do que com o curso, a casa ou o casamento. Quando tratamos prioritariamente destas questões qualitativas, o Senhor encarrega-se de nos orientar nos outros aspectos também. Faz isto quando é realmente preciso, mesmo que nós às vezes achemos que o faz um pouco mais tarde do que gostaríamos! 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Oh thank you for your love
Thank you for your love
When all is falling in the seizure of pain
Oh thank you for your love

Thank you for your love
Thank you for your love
When I was lost in the darkness
Oh thank you for your love

I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh

Thank you

Thank you for your love
Thank you for your love
When my mind was broken into a thousand pieces
Oh thank you for your love

I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh

Thank you
I thank you

sexta-feira, 20 de julho de 2012


His embrace, a fortress
It fuels me
And places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone

If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over

He demands a closeness
We all have earned a lightness
Carry my joy on the left
Carry my pain on the right


O seu abraço, uma fortaleza
que me dá energia
e estabelece
um esqueleto de confiança
sob nós
osso por osso
pedra por pedra

Se te perguntares cuidadosa e pacientemente:
Quem é ele?
Quem é ele, que nunca de deixa ficar mal?
Quem é ele, que devolveu a tua coroa?
E os ornamentos andam por aí
agora vão ser distribuídos
vão ser distribuídos

Ele exige uma proximidade
Todos nós adquirimos uma ligeireza
Leva a minha alegria na mão esquerda
Leva a minha dor na mão direita

sexta-feira, 13 de julho de 2012



 I'm not afraid
Of anything in this world
There's nothing you can throw at me
That I haven't already heard
I'm just trying to find
A decent melody
A song that I can sing
In my own company

I never thought you were a fool
But darling, look at you. Ooh.
You gotta stand up straight, carry your own weight
'Cause tears are going nowhere baby

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And now you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it


I will not forsake
The colors that you bring
The nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted
By the light you brought to me
I listen through your ears
Through your eyes I can see

You are such a fool
To worry like you do.. Oh
I know it's tough
And you can never get enough
Of what you don't really need now
My, oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh love, look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh lord look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you cant get out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm 'til you discover how deep
I wasn't jumping, for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along this stony pass

It's just a moment
This time will pass

sexta-feira, 6 de julho de 2012


As I went down in the river to pray
Studying about that good old way
And who shall wear the starry crown
Good Lord, show me the way !

O sisters let's go down,
Let's go down, come on down,
O sisters let's go down,
Down in the river to pray.

O brothers let's go down,
Let's go down, come on down,
Come on brothers let's go down,
Down in the river to pray.

O fathers let's go down,
Let's go down, come on down,
O fathers let's go down,
Down in the river to pray.

O mothers let's go down,
Let's go down, don't you want to go down,
Come on mothers let's go down,
Down in the river to pray.

O sinners let's go down,
Let's go down, come on down,
O sinners let's go down,
Down in the river to pray.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Idade Média, conhecida como Idade das Trevas


terça-feira, 3 de julho de 2012



(...) a criação de arte verdadeiramente boa requer um grau de concentração, compromisso, dedicação e preocupação - de egoísmo, numa palavra - que mantém o artista distante, e que faz dele não exactamente um fora-da-lei, mas torna o próprio numa lei.
(...)

Dickens era um reformador social, um defensor dos pobres, um homem que usou do próprio dinheiro para contruir uma escola e um abrigo para prostitutas (mesmo que, como sugere a nova biografia escrita por Claire Tomalin, ele próprio fosse um cliente entusiasta das meninas da rua). A sua popularidade era tal que em meados do século XIX, era provavelmente a figura mais amada de Inglaterra, talvez até mais popular do que a Rainha.
Dickens teve uma infância infeliz e estava determinado a fazer melhor com os seus próprios filhos. E no entanto ele era, quando muito, um pai indiferente, desorientado e frequentemente negligente, e um marido ainda pior. O seu casamento com Catherine Hogarth foi provavelmente um erro desde o começo, e à medida que ela foi engordando e adoecendo (dez gravidezes não devem ter ajudado muito), ele foi ficando cada vez mais aborrecido e ressentido. O divórcio não era uma opção e por isso, baniu  sua mulher de casa e literalmente "escreveu-a" para fora da sua vida, anunciando falsamente na sua revista, Household Words (Palavras Domésticas), que ela era uma mãe negligente e que os filhos não a suportavam. Ao descrever este período das suas vidas, a sua filha Katie escreveu: "Nada pode superar a miséria e a infelicidade do nosso lar".
Simultaneamente, Dickens escrevia romances incomparáveis, fazia digressões como palestrante, encenava peças de teatro amador. Ele era um homem de uma energia tão prodigiosa que ao fim do dia, incapaz de adormecer, era capaz de caminhar mais de 30 km. Esta é a figura que viémos a adorar - o Dickens de um coração imenso, infinitamente criativo - e se não tivéssemos tido Great Expectations ou Little Dorrit, teríamos sentido as nossas vidas tristemente diminuídas.
Mas e se um dos seus filhos - digamos, o Edward, de 16 anos, que Dickens enviou para a Austrália e nunca mais o viu, por ele ser complicado e parecer pouco adequado para uma carreira em Londres - perguntasse a pergunta do filho de Hemingway: o que é que pensas ser mais importante, as histórias ou as pessoas? Por um pai mais compreensivo, provavelmente Edward abdicaria de Great Expectations, Little Dorrit e mais uns quantos. Valeria a pena? Edward gostaria de saber.
No entanto, para Dickens, essa não é uma pergunta que possa ser respondida. Ele não poderia não escrever, da mesma forma que não poderia não respirar. Ele estava sob o domínio da arte, e a crueldade da arte - da boa arte, pelo menos - é que requer dos seus praticantes que se mantenham embrulhados em si mesmos de uma forma que acaba por ser um pouco inumana.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Most drone strikes take place within conventional warfare. Hundreds of armed US UAVs – and a handful of British ones – now patrol the skies above Afghanistan. Satellite control direct from the US is near-instant, as the pilot and navigator sit in air-conditioned comfort at an ever-expanding network of air force bases. More US pilots are now being trained to fly drones than for conventional fighter and bomber jets. Little wonder that the sequel to Tony Scott’s Top Gun is likely to be set on a drone base, a world where “kids play war games” by day “and then they party all night”.


A maior parte dos ataques de drones ocorre no contexto da guerra convencional. Centenas de UAV's americanos armados - e uma mão cheia de britânicos - patrulham actualmente os céus do Afeganistão. O controlo directo por satélite a partir dos Estados Unidos é quase instantâneo, em que o piloto e o navegador estão sentados confortavelmente numa sala com ar condicionado, numa rede de bases da força aérea cada vez mais numerosa. Actualmente há mais pilotos americanos a serem treinados para pilotar drones do que para caças e bombardeiros convencionais. Não admira que a sequela de Top Gun, de Tony Scott, será desenrolada provavelmente numa base de drones, num mundo onde "miúdos jogam jogos de guerra" durante o dia "e fazem festa a noite toda".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
The Minnesota researchers tracked down every pair they could find—and measured traits related to almost every aspect of life: health, cognition, personality, happiness, career, creativity, politics, religion, sex and much more. The Minnesota study reveals genetic effects on virtually every trait. The breakdown between nature, nurture and everything else varies from trait to trait. But Ms. Segal emphasizes the uniformity of the results—the consistent power of genes, the limited influence of parenting.
The Minnesota study's IQ results hit a nerve years before their publication in 1990, overshadowing other controversies that might have been. Many of its findings are bipartisan shockers. Take religion, which almost everyone attributes to "socialization." Separated-twin data show that religiosity has a strong genetic component, especially in the long run: "Parents had less influence than they thought over their children's religious activities and interests as they approached adolescence and adulthood." The key caveat: While genes have a big effect on how religious you are, upbringing has a big effect on the brand of religion you accept. Identical separated sisters Debbie and Sharon "both liked the rituals and formality of religious services and holidays," even though Debbie was a Jew and Sharon was a Christian.

Os investigadores do Minnesota procuraram todos os pares de gémeos que conseguiram encontrar, e mediram características relacionadas com quase todos os aspectos da vida: saude, inteligência, personalidade, felicidade, carreira, creatividade, política, religião, sexo e muito mais. O estudo Minnesota revela a influência da genética em virtualmente todas as características. A diferença entre atributos naturais, educação e tudo o resto varia de característica para característica. Mas a Sra. Segal enfatiza a uniformidade dos resultados - o poder consistente dos genes, e a influência limitada da educação paternal.
Algumas descobertas são fáceis de aceitar: como todos estavam à espera, gémeos idênticos criados separadamente são virtualmente da mesma altura em adultos. Algumas descobertas parecem óbvias, afinal de contas: os genes, e não a educação, têm um efeito significativo em características da personalidade como ambição, optimismo, agressividade e tradicionalismo. Outras descobertas serão sempre motivo de indignação: o QI de gémeos idênticos separados são quase tão parecidos como as suas alturas. Críticos da investigação da inteligência frequentemente elevam a importância do treino em detrimento do talento natural, mas o teste de três dias dos gémeos Minnesota às capacidades motoras mostraram até que ponto o que beneficíamos do treino poderá ser já de si um talento natural.

Os resultados do QI do estudo Minnesota "atingiram um nervo" anos antes da sua publicação em 1990, abafando outras potenciais controvérsias. Muitos dos seus resultados chocam sensibilidades opostas. Veja-se o caso da religião, que quase toda a gente atribui à "socialização". Dados sobre gémeos separados mostram que a religiosidade tem uma forte componente genética, especialmente a longo prazo: "Os pais tiveram menos influência do que pensavam ter nas actividades e interesses religiosos dos filhos, à medida que atingiam a adolescência e a maioridade. A ideia chave: enquanto que os genes têm uma forte influência no quão religioso tu és, a educação tem um forte efeito no tipo de religião que aceitas. As gémeas idênticas separadas Debbie e Sharon "gostavam ambas dos rituais e da formalidade dos serviço religiosos e dos acampamentos", mesmo que Debbie se tenha tornado judia e Sharon se tenha tornado cristã.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Unlike most humans, however, individual animals generally cannot be classified as gay or straight: an animal that engages in a same-sex flirtation or partnership does not necessarily shun heterosexual encounters. Rather many species seem to have ingrained homosexual tendencies that are a regular part of their society. That is, there are probably no strictly gay critters, just bisexual ones. “Animals don’t do sexual identity. They just do sex,” says sociologist Eric Anderson of the University of Bath in England.


(artigo completo aqui)

Ao contrário da maior parte dos humanos, contudo, os indivíduos animais geralmente não podem ser classificados como gays ou heteros: um animal que se envolve em flirts ou em parcerias com indivíduos do mesmo sexo não evita necessariamente relacionamentos heterossexuais. Em vez disso, muitas espécies parecem ter enraízadas tendências homossexuais que são um elemento natural das suas sociedades. Ou seja, provavelmente não há criaturas estritamente gay, apenas há bissexuais. "Animais não têm identidade sexual. Eles simplesmente fazem sexo", diz o sociólogo Eric Anderson, da Universidade de Bath, na Inglaterra.
(...)
Estas observações sugerem a algumas pessoas que a bissexualidade é o estado natural entre os animais, talvez até mesmo o Homo sapiens, apesar das fronteiras de orientação sexual que a maioria das pessoas dão por garantidas. "[nos humanos] as categorias de gay e hetero são contruções socias", dis Anderson.
(...)
Ainda para mais, a homossexualidade entre as espécies, incluindo os pinguins, parece ser bem mais frequente em cativeiro do que no estado selvagem. O cativeiro, dizem os cientistas, poderá trazer ao de cima comportamentos gay, em parte por causa da escassez de parceiros do sexo oposto. Acrescente-se ainda que um ambiente limitado aumenta os níveis de stress dos animais, o que cria uma maior ansiedade para aliviar o stress. Algumas destas influências poderão encorajar aquilo a que alguns investigadores denominam "homossexualidade situacional" em humanos que se encontrem em ambientes predominantemente com indivíduos do mesmo sexo, tais como prisões ou equipas desportivas.
(...)
Investigadores esperam que certos melhoramentos [nas jaulas do zoológico] possam afectar o comportamento dos animais, tornando o ambiente mais parecido com o do estado selvagem. Um sinal possível das condições mais hospitaleiras poderá ser uma incidência de homossexualidade mais em linha com os valores dos animais da mesma espécie em estado selvagem. No entanto, algumas pessoas contestam a ideia de que os guardas do Zoo devam prevenir ou desencorajar o comportamento homossexual entre os animais à sua responsabilidade.

E se o cativeiro pode propiciar o que parece ser um nível anormalmente alto de actividade homossexual em algumas espécies animais, ambientes predominantemente de humanos do mesmo sexo poderão trazer ao de cima tendências normais que outros ambientes tendem a suprimir. Ou seja, alguns especialistas defendem que os humanos, como outros animais, são naturalmente bissexuais. "Devíamos denominar os humanos de bissexuais porque a ideia de homossexualidade exclusiva não descreve bem a condição das pessoas", diz Roughgarden. "A homossexualidade está misturada com heterossexualidade através das culturas e da história". 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eu sou filho, tanto como esses rapazes, de uma cultura imensamente marcada pela língua inglesa - e gosto muito. Mas é suposto haver uma certa distância entre aquilo que nos entra pelos ouvidos e aquilo que nos sai pela boca. É certo que há casos de portugueses a tocar com americanos, formando bandas transatlânticas, mas essas são excepções: o resto é mesmo pessoal da Brandoa a fingir que é de Bristol. E isso é bem mais grave, e mais sintomático da falência do português, do que o abate das consoantes mudas. Porque, das duas uma: ou se reduz uma canção à sua melodia, o que já por si diz muito da decadência das palavras, ou então não se percebe como é que um artista português, para se expressar publicamente, deixa de fora a língua que usa na rua, nas conversas de amigos, nas declarações de amor.