sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A principal tarefa de nós, pastores, não é a comunicação, mas a comunhão. Existe no mundo uma enorme indústria de comunicações que produz palavras sem parar. Palavras são transmitidas pelo telefone e por telégrafo, pelo rádio e pela televisão, por satélite e por cabo, por jornais e revistas. Mas as palavras não são pessoais. Por trás dessa enorme indústria de comunicações está uma enorme mentira – que, se melhorarmos as comunicações, melhoraremos a vida. Isso ainda não aconteceu, nem acontecerá. Muitas vezes, quando descobrimos o que alguém "tem a dizer", gostamos menos delas, não mais. Comunicação melhor não melhorou as relações internacionais: mais do que nunca na História, sabemos mais uns sobre os outros como nações e religiões, e gostamos menos uns dos outros. Conselheiros sabem que quando os conjuges aprendem a comunicar com mais clareza, acontecem tantos divórcios quanto reconciliações. Palavras usadas como mera comunicação são palavras inferiores. O dom das palavras é para comunhão: uma parte do meu eu entrar numa parte do seu eu. Isso requer o risco da revelação, a coragem do envolvimento. No centro da comunhão há sacrifício. Agindo no centro, não usamos palavras para dar algo, mas para dar uma parte de nós.

Original: Under the Unpredictable Plant
Editora United Press
página 184

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Por vezes, Senhor, somos tentados a dizer que se queríeis que nos comportássemos como os lírios do campo poderíeis ter-nos conferido uma organição mais semelhante à deles. Mas essa é, suponho, a vossa grande experiência. Ou não. Não uma experiência, posto que não necessitais de descobrir como as coisas são. Antes a vossa grande empresa. Criar um organismo que é também espírito. Criar esse terrível oxímoro, um 'animal espiritual'. Tomar um pobre primata, um bruto todo ele cheio de terminações nervosas, uma criatura com um estômago que exige que o encham, um animal reprodutor que anseia por acasalar, e dizer-lhe 'Vá, anda com isso. Torna-te um deus.'

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 130

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

De um lado a união mística. Do outro lado, a ressurreição da carne. Não consigo atingir um fantasma de imagem, uma fórmula ou mesmo um sentimento que as combine. Mas a realidade, como nos é dado compreender, consegue. A realidade, uma vez mais a iconoclasta. O Paraíso resolverá os nossos problemas mas não, penso eu, apresentando-nos subtis reconciliações entre todas as nossas noções aparentemente contraditórias. As noções ser-nos-ão todas violentamente retiradas debaixo dos pés. E veremos que afinal nunca houve qualquer problema. E, mais que uma vez, essa impressão que eu não sei descrever senão como o som de um riso no escuro. A sensação de que algo de esmagadora simplicidade é a verdadeira resposta.

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 128

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Quando coloco estas questões perante Deus, fico sem resposta. Mas um tipo muito particular de 'sem resposta'. Não é a porta fechada. É antes como um olhar fixo sobre mim, silencioso, mas de modo algum desapiedado. Como se Ele abanasse a cabeça, não para recusar mas para ponderar a questão. Como 'Acalma-te, criança, tu não entendes'.

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 125

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estarei eu, por exemplo, a desviar-me sub-repticiamente para o lado de Deus por saber que, se existe uma estrada que conduza a H., tem de passar por Ele? Mas, claro, sei perfeitamente que ele não pode ser usado como estrada nenhuma. Se nos aproximamos d'Ele não como o destino mas como a estrada, não como o fim mas como os meios, não estamos realmente a aproximar-nos d'Ele de maneira nenhuma.

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 123

sábado, 10 de novembro de 2012

Eu nem sequer gosto de escrever. Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Went out on a limb
Gone too far
I broke down at the side of the road
Stranded at the outskirts and sun's creepin' up

Baby's in the backseat
Still fast asleep
Dreamin' of better days
I don't want to call you but you're all I have to turn to

What do you say
When it's all gone away
Baby I didn't mean to hurt you
The truth spoke in whispers will tear you apart
No matter how hard you resist it
It never rains when you want it to

You humble me lord
Humble me lord
I'm on my knees empty
You humble me lord
You humble me lord
So please please please forgive me

Baby teresa, she's got your eyes
I see you all the time
When she asks about her daddy
I never know what to say

 Heard you kicked the bottle
And helped to build the church
You carry an honest wage
Is it true you have someone keeping you company

sexta-feira, 26 de outubro de 2012


A maior prova da nossa fraqueza nos dias de hoje é que não há nada de espantoso ou misterioso acerca de nós. A Igreja foi desvendada – a evidência segura da sua derrocada. Temos pouco que não possa ser explanado pela psicologia ou pelas estatísticas. Na Igreja primitiva eles juntavam-se no pórtico de Salomão, e era tão imensa a sensação da presença de Deus que “nenhum homem ousava juntar-se a eles”. O mundo via fogo naquela sarça e retirava-se com temor; mas ninguém tem medo de cinzas. Hoje ousam achegar-se tanto quanto desejam. Até dão uma palmada amigável nas costas da noiva de Cristo e têm atitudes duma familiaridade grosseira. Se queremos mais uma vez impressionar os descrentes com o temor saudável do sobrenatural, precisamos de recuperar a dignidade do Espírito Santo; precisamos de conhecer de novo algo do mistério que inspira um deslumbramento que envolve as pessoas e as Igrejas quando estão cheias do poder de Deus.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Crombie disse que os teístas acreditam num mistério que excede a experiência, apesar de ele próprio detectar traços deste mistério na mesma. Além do mais, disse, os teístas defendem que a expressão da sua crença exige o uso de uma linguagem governada por regras paradoxais. Crombie observou que só podemos compreender enunciados religiosos se compreendermos as três proposições seguintes: os teístas acreditam que Deus é um ser transcendente e que as afirmações acercam de Deus se aplicam a Deus e não ao mundo; os teístas acreditam que Deus é transcendente e que, portanto, é algo que está para além da nossa compreensão; os teístas acreditam que sendo Deus um mistério, e posto que para atrair a atenção dos outros temos de falar de modo inteligível, apenas podemos falar Dele através de imagens. Os enunciados teológicos são imagens humanas de verdade divinas que podem unicamente ser expressas em parábolas.

Original: There Is a God
Deus Não Existe
Editora Alêtheia
página 52

sexta-feira, 19 de outubro de 2012



Se te mostras,
eu também me mostro a ti
Não tenho a beleza
que vejo em ti

Se me encantas
eu também te encanto a ti
não tens a tristeza
que se vê em mim

se te mostras,
eu também me mostro a ti
eu também me mostro a ti
Baby, vamos ter de nos juntar
vamos ter de nos casar para sempre

e eu quero ser o teu super-herói
roubar um pedaço de céu para ti

Se me esperas
eu também espero por ti
não tenho onde ir
sem ser contigo

se me admiras
eu também te admiro a ti
por tudo aquilo
que tu significas

se me adoras,
eu também te adoro a ti
eu também te adoro a ti

Baby, eu já dependo de ti
tu és super especial para mim

e eu não vou esquecer-te nunca mais
tu deixaste os teus sinais
em mim

terça-feira, 16 de outubro de 2012

É que uma esposa perfeita contém tantas pessoas em si. O que não era H. para mim? Era minha filha e minha mãe minha pupila e minha mestra, minha súbdita e mina soberana. E sempre, reunindo todas essas numa, o meu fiel camarada, amigo, companheiro de bordo, irmão de armas. Minha amante, sim. Mas, ao mesmo tempo, tudo aquilo que qualquer amigo masculino (e tenho-os bons) alguma vez foi para mim. Talvez mais. Se nunca nos tivéssemos apaixonado nem por isso teríamos deixado de andar sempre juntos e dado origem a um escândalo. Era isso que eu pretendia significar quando, certa vez, a gabei pelas suas "virtudes masculinas". Mas ela logo pôs fim ao cumprimento, perguntando-me se me agradaria ser gabado pelas minhas virtudes femininas. Foi um bom contra-ataque, minha querida. (...) E a ti, tanto como a mim, agradava-te que existisse esse aspecto. E agradava-te que eu soubesse reconhecê-lo. 
Salomão chama à ua noite "Irmã". Poderia uma mulher ser plenamente uma esposa se, por um momento, numa particular disposição, um homem não se sentisse inclinado a chamar-lhe Irmão?

Original: A Grief Observed
Editora Grifo 
páginas 88-90

domingo, 7 de outubro de 2012

Verdadeiramente bom é Deus para com Israel,
para com os limpos de coração.

Quanto a mim, os meus pés quase se desviaram;
pouco faltou para que escorregassem os meus passos.
Pois eu tinha inveja dos soberbos,
ao ver a prosperidade dos ímpios.

Porque não há apertos na sua morte,
mas firme está a sua força.
Não se acham em trabalhos como outra gente,
nem são afligidos como outros homens.

Pelo que a soberba os cerca como um colar;
vestem-se de violência como de um adorno.
Os olhos deles estão inchados de gordura:
superabundam as imaginações do seu coração.

São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão;
falam arrogantemente.
Erguem a sua boca contra os céus,
e a sua língua percorre a terra.

Pelo que o seu povo volta aqui,
e águas de copo cheio se lhes espremem.
E dizem: Como o sabe Deus?
ou, há conhecimento no Altíssimo?

Eis que estes são ímpios; e todavia estão sempre em segurança,
e se lhes aumentam as riquezas.
Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração
e lavado as minhas mãos na inocência.
Pois todo o dia tenho tenho sido afligido,
e castigado a cada manhã.

Salmos 73:1-14

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Ó profundidade das riquezas,
tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!
Quão insondáveis são os seus juízos,
e quão inexcrutáveis os seus caminhos!

Porque, quem compreendeu o intento do Senhor?
Ou quem foi seu conselheiro?
Ou quem lhe deu primeiro a ele,
para que lhe seja recompensado?

Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas;
glória, pois, a ele, eternamente. Amén.

Romanos 11:33-36

sexta-feira, 28 de setembro de 2012



Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
Your mama's gone away and your daddy's gonna stay
Didn't leave nobody but the baby

Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
Everybody's gone in the cotton and the corn
Didn't leave nobody but the baby

You're sweet little babe
You're sweet little babe
Honey in the rock and the sugar don't stop
Gonna' bring a bottle to the baby

Don't you weep pretty babe
Don't you weep pretty babe
She's long gone with her red shoes on
Gonna' need another lovin' baby

Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
You and me and the Devil makes three
Don't need no other lovin' baby

Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
Come and lay your bones on the alabaster stones
And be my ever-lovin' baby

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Um dos atletas mais interessantes que entrevistei foi o Reverendo William Ashley (Billy) Sunday, o jogador de basebol de segunda divisão que se tornou no evangelista mais estrondoso da Cristandade. (…) Na tarde em que o vi, estava deitado no seu quarto no Salisbury Hotel a reunir forças para o sermão da pregação à antiga maneira que pensava fazer nessa noite na Igreja Baptista do Calvário
(…)
«É verdade», disse o Sr. Sunday. «Outra visita foi Mickey Welch, que há muitos anos foi lançador do New York Giants. Na verdade verdadinha, ele deixou de jogar em 1892. Joguei contra ele muitas vezes. Trouxe à baila a história de uma vez em que eu estava inscrito para uma corrida contra Arlie Latham, o homem mais rápido da equipa de St. Louis. Eu era o mais rápido da equipa de Chicago, claro. Bem, mas entretanto eu tinha-me convertido na Missão Pacific Garden, em Chicago. Por isso fiquei desanimadíssimo, como cristão praticante que sou, quando ouvi dizer que a corrida se ia fazer numa tarde de domingo. Fui ter com o meu empresário e disse-lhe: “Eu converti-me e não posso participar numa corrida ao domingo.” E diz ele: “Não podes, o tanas. Pus todo o meu dinheiro nessa corrida, e se tu não ganhas vou ter que comer bolas de neve ao pequeno-almoço o Inverno todo.” E então eu respondi: “O Senhor não ia gostar se eu corresse ao domingo.” Bem, o empresário olhou para mim e disse: “ Vais para diante e fazes a corrida e resolves as coisas com o Senhor mais tarde.»
O evangelista riu-se a bandeiras despregadas. Ria-se tanto que até a cama abanava. A Srª Sunday ria-se também.
«E então», disse o Sr. Sunday, «fiz a corrida e ganhei.»   

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O que é tremendo é que um Deus de perfeita bondade pouco menos terrível seria, neste contexto, que um Sádico Cósmico. Quanto mais acreditamos que Deus fere apenas para curar, menos podemos acreditar que sirva de alguma coisa rogar-Lhe brandura. Um homem cruel podia ser comprado, podia cansar-se de tão vil prazer, podia ter um ataque temporário de piedade, como os alcoólicos têm ataques de sobriedade. Mas suponhamos que estamos perante um cirurgião cujas intenções são as melhores possíveis. Quanto mais bondoso e consciencioso for, tanto mais inexoravelmente continuará a cortar. Se ele cedesse aos nossos rogos, se parasse antes de a operação estar acabada, toda a dor sofrida até esse ponto teria sido inútil. Mas será crível que tais extremos de tortura nos sejam necessários? Bem, a escolha é nossa. As torturas acontecem. Se são desnecessárias, então Deus não existe ou é um Deus cruel. Se existe um Deus de bondade, então essas torturas são necessárias. Porque nenhum Ser, ainda que moderadamente bom, poderia de modo algum infligi-las ou permiti-las se o não fossem. 
Seja como for, é o nosso quinhão. 
Que pretendem a pessoas dizer quando afirmam "Não tenho medo de Deus porque sei que Ele é bom?" Será que nunca foram sequer ao dentista?

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
páginas 79-81

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

No dia em que terminei de escrever a minha tese de doutorado, enviei o manuscrito para um colega. E pedi uma opinião sincera. Três dias volvidos, ele respondeu: "Você vai ser fuzilado pela banca". O problema estava na qualidade do texto. A tese estava bem escrita. Pior: bem escrita e totalmente compreensível. Eu tinha cometido uma heresia nas ciências sociais: escrever uma tese de doutorado com o propósito honesto de ser lido e compreendido. Sugestão dele para evitar o desastre: reescrever o texto e transformar cada parágrafo em paralelepípedo. Lembro essa história agora por dois motivos. Primeiro, porque Barton Swaim escreve na "Weekly Standard" sobre a qualidade da prosa acadêmica. Qualidade atroz, entenda-se. Por que motivo a fauna universitária faz um esforço tão tortuoso para ser tortuosa? Swaim arrisca três hipóteses. Para começar, as humanidades vivem o complexo de inferioridade que as atormenta desde o século 18, quando as ciências naturais deram o seu salto cosmológico. A impenetrabilidade dos textos humanísticos é uma forma de simular "profundidade". Depois, existe o problema das influências. Das más influências. O aluno escreve mal porque o supervisor e os seus pares escrevem pior. E porque as revistas da especialidade só publicam esses horrores. Por fim, a hipótese mais provável: a obscuridade obscurece. Quando nada temos de relevante para dizer, só há uma forma de esconder o vazio: com a babugem das palavras.