(...)
Não devemos ficar atrapalhados quando descrentes dizem que esta promessa de recompensa torna a vida cristã numa vida mercenária. Existem diferentes tipos de recompensa. Há a recompensa que não tem nenhuma ligação natural com as coisas que fazes para a ganhar, e é bastante distinta dos desejos que deviam acompanhar essas coisas que fizeste. Dinheiro não é a recompensa natural do amor; é por isso que chamamos a um homem "mercenário" se ele casar com uma mulher apenas tendo em vista o seu dinheiro. Mas o casamento é a recompensa própria para um verdadeiro amante ("lover", "amador", pessoa que ama), e ele não é mercenário por o desejar. Um general que combata bem para conseguir um título nobiliárquico é mercenário; um general que combata pela vitória não é, sendo a victória a recompensa apropriada para o combate, tal como o casamento é a recompensa adequada para o amor. As recompensas apropriadas não estão meramente anexadas à actividade pela qual são conseguidas, mas são a própria actvidade em consumação.
Há ainda um terceiro caso, que é mais complicado. Desfrutar de poesia Grega é certamente uma recompensa adequada, e não mercenária, para a aprendizagem do Grego; mas apenas aqueles que alcançaram o nível de desfrutar de poesia Grega podem dizer, a partir da sua experiência, que assim é. O miúdo da escola principiante em gramática Grega não pode antecipar o seu apreço amadurecido por Sófocles, da mesma maneira que um amante antecipa o casamento, ou que um general antecipa a victória. Ele tem de começar por trabalhar para tentar ter boas notas nos testes, ou para evitar castigos, ou para agradar aos pais ou, quando muito, na esperança de um bem futuro que no momento presente, ele não consegue imaginar ou desejar. A sua atitude, como tal, tem uma certa semelhança com a do mercenário; a recompensa que ele vai receber será, de facto, uma recompensa apropriada, mas ele não saberá disso até a receber. Claro, ele vai recebê-la gradualmente; o gozo surgirá por entre o mero frete, e ninguém conseguirá identificar o dia ou a hora em que um cessou e o outro se iniciou. Mas será apenas à medida que se aproxima da recompensa que se tornará capaz de a desejar por seu próprio interesse; de facto, a capacidade de a desejar é em si mesma uma recompensa preliminar.
(...)
The Weight of Glory
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
The Weight of Glory - 1
Se perguntássemos a vinte bons homens dos dias de hoje qual é que eles pensavam ser a mais elevada das virtudes, dezanove responderiam "altruísmo/abnegação" (em inglês, "unselfinshness", que se poderia traduzir directamente por "desegoísmo"). Mas se perguntássemos à maioria dos grandes cristãos de antigamente, responderiam "amor". Repararam no que aconteceu? Um termo negativo foi substituído por um positivo, e isto é de uma importância maior do que meramente filológica. O ideal negativo do "altruísmo" ("desegoísmo") transporta consigo a sugestão não de conseguir primariamente coisas boas para os outros, mas de prescindirmos delas para nós próprios, como se o importante fosse a nossa abstinência, e não a felicidade dos outros. Não penso que isto seja a virtude cristã do "amor". O Novo Testamento tem muito a dizer sobre auto-negação, mas não auto-negação como um fim em si mesmo. É-nos dito para negarmos a nós mesmos e que tomemos as nossas cruzes de modo a que possamos seguir Cristo; e quase todas as descrições do que iremos finalmente encontrar se o fizermos contêm um apelo ao desejo. Se espreitar na maioria das mentes modernas a noção de que desejar o nosso próprio bem e esperar sinceramente pelo seu usufruto é uma coisa má, deixem-me esclarecer-vos que esta noção infiltrou-se a partir de Kant e dos estóicos, e não faz parte da fé cristã. De facto, se considerarmos as promessas de recompensa descaradas e a natureza surpreendente das recompensas prometidas nos Evangelhos, pareceria que o Nosso Senhor acha que os nossos desejos são, não demasiado fortes, mas sim demasiado fracos. Somos criaturas desgovernadas/indecisas/irresolutas ("half-hearted", com coração assim-assim), entretidas com bebida, sexo e ambição quando nos é oferecida infinita alegria, como uma criança ignorante que prefere continuar a fazer tartes de lama num lamaçal, porque não consegue imaginar o que significa a possibilidade de um dia à beira-mar. Somos demasiado fáceis de satisfazer.
(...)
The Weight of Glory
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Vendo no falso o verdadeiro e exigindo dos outros a mesma mentira
Comecei então a falar em voz alta e sem medo, apesar dos risos do mundo, porque, fosse como fosse, aqueles risos eram bondosos e não maldosos. Todas as minhas conversas decorriam nos serões, principalmente na companhia das senhoras, que gostavam muito de me ouvir e obrigavam também os homens a ouvir-me. Toda a gente se ria na minha cara: «Mas como é possível eu ser culpado por todos? Eu posso ser culpado, por exemplo, por si?» Eu respondia-lhes: «Como podem os senhores compreender isso se todo o mundo, desde há muito, tomou por outro caminho, vendo no falso o verdadeiro e exigindo dos outros a mesma mentira? Como vêem, eu procedi uma vez na vida com sinceridade e logo me tornei para todos uma espécie de maluquinho religioso: embora simpatizem comigo, não deixam de se rir de mim».
dados biográficos de Zóssima
Volume I
página 363
Editorial Presença
dados biográficos de Zóssima
Volume I
página 363
Editorial Presença
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Prontos a derramar o nosso sangue pela honra sem nada saber sobre a honra
Passei muito tempo em São Petersburgo, na escola de cadetes, quase oito anos, e aquela nova educação adormeceu em mim muitas das sensações infantis, embora não me esquecesse de nada. Ganhei hábitos e mesmo opiniões novos que me transformaram numa criatura quase selvagem, cruel e absurda. Adquiri o brilho da cortesia e das maneiras mundanas, juntamente com a língua francesa, mas todos nós, incluindo eu, considerávamos os soldados que nos serviam na escola como animais. Aliás, eu era a este respeito o pior de todos, porque era o mais susceptível de todos os meus colegas. Quando acabámos o curso e nos tornámos oficiais estávamos prontos a derramar o nosso sangue pela honra do nosso regimento, mas nenhum de nós sabia nada sobre a verdadeira honra, nenhum de nós sabia o que isso significava e, se soubesse, rir-se-ia da honra. Quase nos orgulhávamos das nossas bebedeiras, fanfarronices e comportamentos desordeiros. Não diria que não prestávamos: toda aquela juventude era gente boa, mas que se portava mal, e eu em primeiro lugar.
dados biográficos de Zóssima
Volume I
página 357
Editorial Presença
dados biográficos de Zóssima
Volume I
página 357
Editorial Presença
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Mentir a si próprio
O principal é o senhor não mentir a si próprio. Quem mente a si mesmo e ouve as suas próprias mentiras chega a um ponto tal que já não distingue qualquer verdade em si nem à sua volta, deixando por isso de respeitar a si mesmo e aos outros. Ora, sem respeito por todos, o senhor deixa de amar e, para se divertir e distrair, sem amor, entrega-se às paixões e às volúpias grosseiras, atinge um estádio animalesco nos seus vícios, e tudo isso provém de estar a mentir permanentemente a si próprio e aos outros. Quem mente a si mesmo também será o primeiro a ofender-se. É que, às vezes, é muito agradável ficar ofendido, não é verdade? A pessoa sabe bem que ninguém a ofendeu, que inventou a sua ofensa e que mentiu para enfeitá-la, que exagerou para criar todo o cenário, que se agarrou a uma palavrinha e fez de uma ervilha uma montanha... a própria pessoa sabe isso e, mesmo assim, apressa-se a ficar ofendida, a ficar ofendida até ao prazer, até sentir um grande deleite e, a partir daqui, chega até à verdadeira hostilidade... Levante-se do chão e sente-se, por favor, porque isso tudo são também gestos falsos.
disse Zóssima a Fiódor Pávlovitch
Volume I
página 62
Editorial Presença
disse Zóssima a Fiódor Pávlovitch
Volume I
página 62
Editorial Presença
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Change your heart
Look around you
Change your heart
It will astound you
I need your lovin'
Like the sunshine
Everybody's gotta learn sometime
Muda o teu coração
Olha à tua volta
Muda o teu coração
Vai surpreender-te
Eu preciso do teu amor
Como do brilho do sol
Toda a gente acaba por ter de aprender.
Etiquetas:
*Artista - Beck,
*Artista - Korgis,
2004 dC,
Música
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Bons dias
Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também
Esse bom dia que dás
é outro dia que nasce
É acordar mais bonita
Trabalhar com vontade
É estar no dia com pica
É passar com a vida
e desejar-te um bom dia também
Um bom dia para ti
Não que apenas passa não que pesa e castiga
Não que esqueças mais tarde
Mas o dia em que me digas
Ao ouvido baixinho
ai tu fizeste o meu dia também tão bom também
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também
Um bom dia para ti
E para o estranho que passa
Para aquele que se esquiva
Para quem se embaraça
e se cala na vida
Mesmo que não o diga
Ai tu fizeste o meu dia também tão bom também
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Etiquetas:
*Artista - Deolinda,
*Assunto - Educação,
*Assunto - Indiferença,
2016 dC
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Medo de mim
Quando me queres incluir
e me pões a dormir
num bairro qualquer por aí
E a lição de bem-estar
é não incomodar
quem veja incómodo em mim
Por mais passos que eu dê
mesmo sem querer
irei sempre bater
ou esbarrar contra ti
É teu o meu espaço
e p´lo teu embaraço
pelas portas d´aço
eu já percebi:
Tens medo de mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim
Quando me vens revistar
só porque dou ar
de não ser daqui nem dali
E para me proteger
impões um poder
que não olha a meios pró fim
Todo o gesto que eu faça
é vil ameaça
que anulas e esmagas
e vejo assim
que a força que empregas
é injusta e cega
não vê em quem acerta
e acertas em mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim
Quando me culpas e prendes
tudo porque entendes
que isso é melhor para mim
Eu, mesmo inocente,
sou sempre diferente
porque não sou igual a ti
Agora, não entendo,
porquê este medo
brutal e tão extremo
que a ninguém faz crer
que estou na cadeia
porque a tua carteira
caiu, apanhei-a,
e quis devolver.
Tens medo de mim
Tens medo de mim
e eu medo de ti
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
A administrar como mordomos
Quantas vezes, ao participarmos em alguma ajuda a uma instituição de caridade, não teremos agido como se estivéssemos a dar alguma coisa nossa cultivando todas as expectativas de sermos considerados abnegados e generosos? Isso aconteceu quando estávamos apenas a administrar, como mordomos, parte daquilo que o verdadeiro Dono nos confiou para os propósitos que tem em mente.
A prova de que não é desta forma que nos vemos a nós próprios é o sentimento que nos invade quando alguém se esquece de nos agradecer, agradecendo só (!) a Deus.
Editora: Dikaion
página 128
Editora: Dikaion
página 128
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Eles não respeitam as máscaras, mas julgam os seus segredos
Um dia, li uma frase de Karl Barth que compara os métodos do livro de Génesis com os romances de Dostoievski. Barth diz que ambos arrogantemente ignoram as apreciações e honras convencionais e aproximam-se das vidas de homens e mulheres cavando as profundezas de Deus nas suas supostas vidas convencionais. Dostoievski e Génesis não respeitam as máscaras de homens e mulheres, mas julgam seus segredos. Eles vêem além do que homens e mulheres aparentam ser e entendem o que eles são e o que eles não são. Eles vêem, nos termos de Paulo, sua justiça reconhecida como o divino "todavia", e não como o divino "portanto"; como perdão, e não como um permissão para o que eles acreditam ser.
Original: Under the Unpredictable Plant
Editora: United Press
página 67
Original: Under the Unpredictable Plant
Editora: United Press
página 67
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
O personagem que haveria de criar para conseguir ser o artista que desejava ser
Nunca se viam de um modo definido as suas feições. Os seus olhos azuis, profundos, vivos e inquisitivos só apareciam fora do espaço público. David pensava agora que o amigo sempre parecera querer esconder-se. Tinha visto algumas fotografias suas de miúdo em que era possível prever no olhar esquivo, e no modo reservado do corpo, a pré-história do personagem que haveria de criar para conseguir ser o artista que desejava ser.
Editora: Quetzal
página 171
Editora: Quetzal
página 171
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
I believe
Hallelujah! I just found Jesus
Swimming at the bottom of the bottle
I keep crawling out of
He said You look familiar but I can't place your face
I said You look like hell
and that we used to hang at my mother's request
Hallelujah! I just found Jesus
Trying to save the world through the wet hands
and mouth of a girl
She's convinced me to stay in for as long as
we both shall live
(Or until one of us gets bored)
Have I been saved?
'Cause I feel the same
Dirty and tired
Can I be saved without having shame or remorse
for what I don't believe?
I offer up my humbled soul and my broken spirit
All those things that I can't control
The intangible bullshit to you, my Lord
I believe there is no white light
Somebody's mistaken or somebody lied
I believe there is only one truth
It resonates different in me and you
so don't try to sell me yours
Etiquetas:
*Artista - Owen,
*Assunto - Cansaço,
2016 dC,
Música
Sobretudo a total ausência de magia
A criança que fui seguiu-me de desapontamento em desapontamento nesta primeira semana de trabalho. Pedra, lixo, silvedo e, sobretudo, a total ausência de magia. Nada remotamente relacionado com passagens secretas ou entradas para grutas ou divisões escondidas com a possibilidade de algum achado extraordinário. Sabia, evidentemente, que as lendas acerca da serra não podiam ser reais, mas sou incapaz de evitar sentir-me decepcionado.
Editora: Quetzal
página 13
Editora: Quetzal
página 13
segunda-feira, 18 de julho de 2016
The Voice of Istanbul
I've had at least thirty names on your own to Istanbul.
Now they say I'm between the east and the west, an identity crises. I know there's enough for this nonsense. Take the labels off and just look at me.
You won't need a guidebook. Like all cities, I have my own sense of time. I'm a labyrinth of layers that only makes sense without a compass.
If you're hesitant, not sure which way to go as you walk about, follow one of my cats. They will lead you to places, introduce you to people, point out secrets they keep even from me. They, more than anyone, are the longest continuing residents of the city A challenge to those who see their future in my past, I'm an obstacle for those who see only the future. I see change with the patience of centuries. Look at my silhouette from the bridge on the Golden Horn. Time has not passed me by. It has protected me. I ask of you the same.
sábado, 23 de abril de 2016
Strange fruit
Southern trees bear strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees
Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolias, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh
Here is fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the trees to drop
Here is a strange and bitter crop
As árvores do Sul carregadas de fruta estranha
Sangue nas folhas e sangue na raiz
Corpos negros a balançar na brisa do Sul
Fruta estranha pendurada nos choupos
Cena pastoral do Sul galante
Os olhos esbugalhados e a boca torcida
O cheiro das magnolias, doce e fresco
E o cheiro súbito de carne queimada
Eis aqui fruta para os corvos debicarem
Para a chuva juntar, para o vento sugar
Para o sol apodrecer, para a árvores deixarem cair
Eis aqui uma estranha e amarga colheita
terça-feira, 12 de abril de 2016
Para encaixar neste narrativa Galileu foi representado como um herói solitário
Galileo’s rise to immortality starts at the end of the 18th century. In this period, scientific biography started to become popular, and Galileo became a favourite subject, largely because of his persecution by the Catholic Church. This effect was immensely magnified by the largely mythical war between science and religion in the late 19th century, waged by two US-based scientist-historians, John William Draper and Andrew Dickson White. They wrote passionately about religion as an obstacle to the forces of progress, and advanced a self-congratulatory thesis in which Western civilisation had steadily emerged from the ignorance of the Dark Ages to the modern age of Enlightenment. This was an outgrowth of the broader rejection of the dominance of religious thought, which had emerged in Europe during the Enlightenment and had been enthusiastically adopted by influential American intellectual figures including Thomas Jefferson and Benjamin Franklin.
To fit into this narrative, Galileo was presented as a solitary hero defending Copernicanism against the ignorance and prejudice of the Church. Draper and White also promoted the notion that mediaeval scholars, blinded by theology, had believed the world was flat – another myth that has wormed its way into generally accepted truth.
To fit into this narrative, Galileo was presented as a solitary hero defending Copernicanism against the ignorance and prejudice of the Church. Draper and White also promoted the notion that mediaeval scholars, blinded by theology, had believed the world was flat – another myth that has wormed its way into generally accepted truth.
domingo, 3 de abril de 2016
Tentação de ceder às exaltações da violência mais do que num frente-a-frente
Antes e depois de Sartre, foram numerosos os intelectuais, à esquerda ou à direita, que se enganaram com obstinação e enganaram o seu público! Mais uma vez, esqueceremos os impostores para não pensar senão nos espíritos sinceros. De onde vem uma tal propensão ao extremismo? Antes de abordar o essencial, há uma razão acessória que não se pode menosprezar: o intelectual exprime-se na maior parte das vezes por escrito, sem mais interlocutor que a página em branco. É então muito forte a tentação de ceder às exaltações da violência, muito mais do que num verdadeiro frente-a-frente.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Last year, I spearheaded a survey and interview research project on the experiences of scientists at field sites. Over sixty percent of the respondents had been sexually harassed, and twenty percent had been sexually assaulted. Sexual predation was only the beginning of what I and my colleagues uncovered: study respondents reported psychological and physical abuses, like being forced to work late into the day without being told when they could head back to camp, not being allowed to urinate, verbal threats and bullying, and being denied food. The majority of perpetrators are fellow scientists senior to the target of abuse, the target themselves usually a female graduate student. Since we started analyzing these data, I haven’t been able to read a single empirical science paper without wondering on whose backs, via whose exploitation, that research was conducted.
When the payoff is millions of dollars of research money, New York Times coverage, Nobel Prizes or even just tenure, we often seem willing to pay any price for scientific discovery and innovation. This is exactly the idea that needs to be retired—that science should be privileged over scientists.
When the payoff is millions of dollars of research money, New York Times coverage, Nobel Prizes or even just tenure, we often seem willing to pay any price for scientific discovery and innovation. This is exactly the idea that needs to be retired—that science should be privileged over scientists.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
A case in point: the popular Facebook page “I f*cking love science” posts quick-take variations on the “science of x” theme, mostly images and short descriptions of unfamiliar creatures like the pink fairy armadillo, or illustrated birthday wishes to famous scientists like Stephen Hawking. But as the science fiction writer John Skylar rightly insisted in a fiery takedown of the practice last year, most people don’t f*cking love science, they f*cking love photography—pretty images of fairy armadillos and renowned physicists. The pleasure derived from these pictures obviates the public’s need to understand how science actually gets done—slowly and methodically, with little acknowledgement and modest pay in unseen laboratories and research facilities.
The rhetoric of science has consequences. Things that have no particular relation to scientific practice must increasingly frame their work in scientific terms to earn any attention or support. The sociology of Internet use suddenly transformed into “web science.” Long accepted practices of statistical analysis have become “data science.” Thanks to shifting educational and research funding priorities, anything that can’t claim that it is a member of a STEM (science, technology, engineering, and math) field will be left out in the cold. Unfortunately, the rhetoric of science offers the most tactical response to such new challenges. Unless humanists reframe their work as “literary science,” they risk getting marginalized, defunded and forgotten.
When you’re selling ideas, you have to sell the ideas that will sell. But in a secular age in which the abstraction of “science” risks replacing all other abstractions, a watered-down, bland, homogeneous version of science is all that will remain if the rhetoric of science is allowed to prosper.
We need not choose between God and man, science and philosophy, interpretation and evidence. But ironically, in its quest to prove itself as the supreme form of secular knowledge, science has inadvertently elevated itself into a theology. Science is not a practice so much as it is an ideology. We don’t need to destroy science in order to bring it down to earth. But we do need to bring it down to earth again, and the first step in doing so is to abandon the rhetoric of science that has become its most popular devotional practice.
The rhetoric of science has consequences. Things that have no particular relation to scientific practice must increasingly frame their work in scientific terms to earn any attention or support. The sociology of Internet use suddenly transformed into “web science.” Long accepted practices of statistical analysis have become “data science.” Thanks to shifting educational and research funding priorities, anything that can’t claim that it is a member of a STEM (science, technology, engineering, and math) field will be left out in the cold. Unfortunately, the rhetoric of science offers the most tactical response to such new challenges. Unless humanists reframe their work as “literary science,” they risk getting marginalized, defunded and forgotten.
When you’re selling ideas, you have to sell the ideas that will sell. But in a secular age in which the abstraction of “science” risks replacing all other abstractions, a watered-down, bland, homogeneous version of science is all that will remain if the rhetoric of science is allowed to prosper.
We need not choose between God and man, science and philosophy, interpretation and evidence. But ironically, in its quest to prove itself as the supreme form of secular knowledge, science has inadvertently elevated itself into a theology. Science is not a practice so much as it is an ideology. We don’t need to destroy science in order to bring it down to earth. But we do need to bring it down to earth again, and the first step in doing so is to abandon the rhetoric of science that has become its most popular devotional practice.
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