domingo, 24 de outubro de 2010

Una elocuente ilustración del lugar que desempeña la teología en la resistencia de la Iglesia al condicionamento social la provee el ejemplo de la iglesia confessante en su lucha contra el Nacional-socialismo en la Alemanha de Hitler. En palabras de E.H. Robertson, la resistencia cristiana a Hitler 'requeria una comprensión de la fe cristiana, una cuidadosa discriminación entre lo importante y lo trivial. Los que se resistían tenían que saber por quê valía la pena morir'.


Uma ilustração eloquente do papel que a teologia desempenha na resistência da Igreja ao condicionamento social vem do exemplo da igreja confessional na sua luta contra o Nacional Socialismo na Alemanha de Hitler. Nas palavra de E.H. Robertson, a resistência cristã a Hitler "requeria uma compreensão da fé cristã, uma cuidadosa discriminção entre o que é importante e o que é trivial. Os que resistiam tinham de saber as coisas pelas quais valia a pena morrer".

sábado, 23 de outubro de 2010

Nesse local comeram e dormiram, ambas as coisas de forma considerável. Os feijões com bacon, que estas indiscritíveis figuras cozinhavam bem, e o espantoso aparecimento do vinho da Borgonha, proveniente das suas caves, coroaram em Syme a sensação de uma nova camaradagem e conforto. Durante todo este tormento, o seu medo mais profundo tinha sido o isolamente e não existiam palavras capazes de expressar o abismo entre o isolamento e a existência de um aliado. Pode conceder-se aos matemáticos que quatro sejam duas vezes dois. Mas dois não são duas vezes um; dois são duas mil vezes um. É por isso que, apesar das suas centenas de desvantagens, o mundo regressará sempre à monogamia.

domingo, 17 de outubro de 2010

"Os elefantes lutam entre si; o almiscareiro, no meio deles, morre esmagado."
"Quando o gato e os ratos vivem em paz, a despensa ressente-se."

sábado, 16 de outubro de 2010

Foi descrita, com alguma justeza, como uma colónia artística, embora nunca tenha produzido, de maneira definida, qualquer tipo de arte. Muito embora as suas pretensões a centro intelectual fossem um pouco vagas, as suas pretensões a local agradável eram indiscutíveis. O visitante que olhasse pela primeira vez para as bizarras casas vermelhas não poderia deixar de se interrogar sobre a estranha forma que deveriam ter as pessoas para que nelas pudessem viver – e quando as conhece, não ficaria desapontado nesse aspecto. O local não seria apenas agradável, mas perfeito, se ao menos por uma vez ele pudesse olhá-lo não como uma ilusão mas antes como um sonho. Mesmo que os seus habitantes não fossem 'artistas' o conjunto não deixava de ser artístico. Aquele jovem de longos cabelos ruivos e expressão descarada – esse jovem não era um poeta, mas certamente era um poema. Aquele velho cavalheiro de selvagens barbas brancas e de louco chapéu branco – esse venerável impostor, não era realmente um filósofo; mas pelo menos levava outros a filosofar. Aquele cavalheiro das ciências, com a cabeça careca e em forma de ovo e o pelado pescoço de passarinho – não tinha realmente direito a apresentar aqueles ares de cientista. Não fizera nenhuma nova descoberta na área da biologia; mas que criatura biológica poderia descobrir que fosse mais singular do que ele próprio? Por isso, e apenas por isso, todo o local tinha que ser devidamente respeitado; tinha que ser considerado não tanto como uma oficina de artistas, mas como uma frágil, embora acabada, obra de arte. Um homem que penetrasse na sua atmosfera social sentir-se-ia como se tivesse entrado numa obra cómica.

sábado, 9 de outubro de 2010

Gregory retomou o seu bom humor oratório e alto.
- Um artista é idêntico a um anarquista – gritou. - Pode mudar as palavras como quiser. Um anarquista é um artista. O homem que lança uma bomba é um artista, porque prefere um grande momento a qualquer outra coisa. Ele compreende como é mais valiosa uma explosão de intensa luz, o estrépito de um trovão perfeito, do que os corpos comuns de uns poucos polícia informes. Um artista ignora todos os governos, abole todas as convenções. O poeta regozija-se apenas na desordem. Se não fosse assim, a coisa mais poética do mundo seriam os Caminhos de Ferro Subterrâneos.
- E são – disse o Sr. Syme.
- Disparate! - afirmou Gregory, que se mostrava sempre muito racional quando outra pessoa tentava estabelecer um paradoxo. - Porque é que todos os escriturários e trabalhadores que viajam nos comboios têm um ar tão triste e cansado? É porque sabem que tudo está bem com o comboio. É porque sabem que,  seja qual for o destino para o qual compraram o bilhete, chegarão a esse destino. É porque sabem que, depois de terem passado Sloane Square, a estação seguinte será Victoria e nada mais do que Victoria. Oh, o seu êxtase selvagem! Oh, os seus olhos, brilhantes como estrelas, e as suas almas de novo no Eden, se a estação seguinte fosse, inxplicavelmente, Baker Street!
- Você é que não é poético – respondeu o poeta Syme. - Se o que diz dos escriturários é verdade, então eles devem ser tão prosaicos como a sua poesia. O raro e estranho é atingir o objectivo; o grosseiro e óbvio é falhá-lo. Achamos que é épico quando um homem com uma única seta selvagem atinge um pássaro distante. Não será igualmente épico quando um homem como uma única máquina solitária atinge a estação distante? O caos é aborrecido; porque nos caos o comboio poderia, de facto, ir para qualquer local, para Baker Street ou para Bagdad. Mas o homem é um mágico e toda a sua magia está nisso, no facto de ele dizer realmente Victoria e, pasmem! ser Victoria. Não, leve o seus livros de mera poesia e prosa, deixe-me ler um horário, com lágrimas de orgulho. Leve o seu Byron*, que celebra as derrotas dos homens; dê-me Bradshaw** que celebra as suas victórias. Dê-me Bradshaw, digo eu!
- Tem mesmo de continuar? - perguntou Gregory sarcasticamente.
- Digo-lhe – continuou Syme ardentemente -, de cada vez que chega um comboio sinto que atravessou baterias de sitiantes e que o homem venceu a batalha contra o caos. Diz com despeito que quando alguém parte de Sloane Square deve chegar a Victoria. Eu digo que se podem fazer outras mil coisas e que, quando realmente lá chego, me sinto como se tivesse conseguido escapar no último momento. E quando ouço o guarda-freio gritar a palavra 'Victoria', não é uma palavra sem sentido. Na realidade, para mim, é o grito de um arauto anunciando a conquista. Para mim é, de facto, 'Victoria'; é a vitória de Adão.
Gregory abanou a sua cabeça, pesada e ruiva, com um sorriso lento e triste.
- E mesmo aí - disse ele -, nós poetas perguntamos sempre 'E o que é Victoria agora que lá chegou?' Pensa que Victoria é como a Nova Jerusalém. Nós sabemos que a Nova Jerusalém será apenas como Victoria. Sim, o poeta será um descontente, mesmo nas estradas do céu. O poeta está sempre revoltado.
- Lá está você outra vez – disse Syme irritado -, o que há de poético em ser-se revoltado? Mais valia dizer que é poético estar-se enjoado. A indisposição é uma revolta. Tanto o estar maldisposto como o estar revoltado podem ser saudáveis em ocasiões desesperadas; mas diabos me levem se consigo perceber por que razão são poéticos. Em abstracto a revolta é... revoltante. É vomitado.
A rapariga encolheu-se momentâneamente, perante o termo desagradável, mas Syme estava demasiado entusiasmado para lhe prestar atenção.
- As coisas que correm bem – gritou – é que são poéticas! A nossa digestão, por exemplo, correndo sagrada e silenciosamente bem, essa é a fonte de toda a poesia. Sim, a coisa mais poética, mais poética do que as flores, mais poética do que as estrelas, a coisa mais poética do mundo é não estar maldisposto.
- Francamente – disse Gregory, arrogante -, os exemplos que escolhe...
- Peço desculpa – disse Syme sombriamente. - Pensei que tínhamos abolido todas as convenções.

* Lord Byron, importante figura do romantismo, é considerado um dos maiores poetas europeus, sendo as suas obras lidas até hoje (N. da T.)
** George Bradshaw, cartógrafo, impressor e editor inglês do século XIX, foi o criador dos horários dos caminhos-de-ferro (N. da T.)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Por volta dos doze anos de idade, dei de caras com um livro que o meu pai guardava numa estante do seu escritório. Chamava-se “O Dinossauro Excelentíssimo”. Peguei no livro porque acreditava tratar-se de um livro sobre dinossauros. O meu pai nada fez para impedir que o lesse. Lembro-me vagamente de me ter dito qualquer coisa do género “lê e depois diz-me o que achaste”. Deve-o ter dito, certamente, com um sorriso. É claro que abandonei o livro passado pouco tempo. Tudo era difícil: as expressões, as palavras e, acima de tudo, o sentido do que estava escrito. Mais tarde, por volta de 90, voltei a pegar no "Dinossauro". Não posso afirmar, para benefício do argumento, que reli o livro. Em bom rigor, não o tinha lido. Assim como não posso afirmar que marquei na minha agenda, aos doze anos, que no dia x do mês y de 1990 voltaria a pegar no livro. Mas posso afirmar que o contacto com aquele livro despertou em mim a curiosidade de, mais tarde, o ler. Aquele passou a representar o mundo complexo mas, ao mesmo tempo, apelativamente misterioso. Conto este episódio porque sei que a forma despreocupada e livre como sempre me deixaram folhear qualquer livro que fosse em qualquer idade - produto, por sua vez, de uma orientação literária absolutamente desorientada/caótica por parte dos meus pais - despertou em mim a curiosidade de ler, mesmo quando estranhava o que ia lendo. O estranhar levou-me sempre a pensar que havia um difuso mas certamente admirável mundo ao qual eu não tinha acesso - mas, acreditava, um dia haveria de ter. É natural que uma parte do gosto, mas igualmente do esforço, em saber e conhecer mais, passou também pela ideia, ainda que mais ou menos inconsciente, de que portas outrora fechadas se abririam.
O exemplo do “Dinossauro Excelentíssimo” é, aliás, extremo. Pedir a uma criança de doze anos que «apanhe» as entrelinhas do que está escrito no livro de Cardoso Pires, é o mesmo que pedir a José Sócrates que perceba o peso ou o ónus de um “mutatis mutandis” na aplicação de uma política keynesiana aos dias de hoje. Moby Dick é bem mais pacífico porque, ainda que superficialmente, não deixa de ser um livro de aventuras perfeitamente cognoscível a uma criança de dez ou doze, ou a um adolescente de catorze ou dezasseis. Pensar-se que uma leitura de Moby Dick aos treze anos arruma em definitivo o livro (ou seja, queima-se ali a única oportunidade de leitura da obra), não tem o mais leve fundamento. Assim como é ridículo pensar-se que a leitura naquela idade «formata» para sempre a percepção ou o entendimento da «mensagem» da obra. Os “Maias” que li aos dezasseis eram bem diferentes dos "Maias" que li aos trinta (e não houve conflito de espécie alguma entre uma e outra experiência). A probabilidade de uma leitura aos doze, catorze ou dezasseis contribuir para a releitura aos trinta ou quarenta, é bem maior que a probabilidade da ausência de leitura aos doze, catorze ou dezasseis contribuir para a primeira das leituras numa idade maior. Por razões óbvias, retirei da equação a existência de intelectos que jamais perceberão esta ou aquela obra, seja aos dez, trinta ou oitenta.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

(...) o Deus vivo da Bíblia é o Deus tanto da criação quanto da redenção, e está preocupado com a totalidade do nosso bem-estar. Os teólogos mais antigos costumavam dizer que Deus escreveu dois livros, um chamado 'Natureza', e outro chamado 'Escrituras', através do quais se revelou. Além disso, ele nos deu-nos esses dois livros para os estudar. O estudo da ordem natural é chamado 'ciência', e o da revelação bíblica, 'teologia'. E ao nos envolvermos com estas disciplinas geminadas, nós estamos (nas palavras de Johann Kepler, astrónomo do século XVII) a pensar os pensamentos de Deus depois d'Ele.
Os cristãos certamente deveriam estar na vanguarda do movimento em prol da responsabilidade ambiental. Afinal, o que diz a nossa doutrina quanto à Criação e à administração da natureza? Deus fez o mundo? Ele o sustenta? Ele submeteu os recursos do mundo aos nossos cuidados? A sua preocupação pessoal pela sua própria criação deveria ser o suficiente para inspirar-nos a ter a mesma preocupação.

(Prefácio)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010