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Um dos bons exemplos desta situação é Zeitgeist, documentário-filme de 2007 produzido por Peter Joseph. Divulgado livremente na internet conseguiu obter dessa forma um sucesso mundial. A estratégia do documentário é transparente: atrair o público com uma série contínua de teorias altamente conspirativas. A que nos interessa neste momento é a primeira de todas, onde novamente as antigas teses mitológicas são apresentadas como uma novidade, de modo a concluir que a invenção da personagem de Cristo foi a primeira grande conspiração da nossa sociedade. Contudo, os erros e as falácias apresentadas são constantes, tal como é costume neste tipo de abordagens. Referências mitológicas misturam-se com fantasias do autor e relações impensáveis são defendidas com a maior naturalidade Após apresentar o astro Sol como o mais venerado pelas culturas e religiões antigas o autor comete o erro de chamar a Hórus o 'Messias solar', afirmação que deverá ter deixado estarrecido qualquer historiador ...

Apenas podemos falar Dele através de imagens

Crombie disse que os teístas acreditam num mistério que excede a experiência, apesar de ele próprio detectar traços deste mistério na mesma. Além do mais, disse, os teístas defendem que a expressão da sua crença exige o uso de uma linguagem governada por regras paradoxais. Crombie observou que só podemos compreender enunciados religiosos se compreendermos as três proposições seguintes: os teístas acreditam que Deus é um ser transcendente e que as afirmações acercam de Deus se aplicam a Deus e não ao mundo; os teístas acreditam que Deus é transcendente e que, portanto, é algo que está para além da nossa compreensão; os teístas acreditam que sendo Deus um mistério, e posto que para atrair a atenção dos outros temos de falar de modo inteligível, apenas podemos falar Dele através de imagens. Os enunciados teológicos são imagens humanas de verdade divinas que podem unicamente ser expressas em parábolas. Original: There Is a God Deus Não Existe Editora Alêtheia página 52
In sum, there is no hard evidence to support the received wisdom that a wide range of behaviours that we associate with particular genders are actually biologically predetermined. The implication of this is that we need to look very hard indeed at how we reinforce stereotypes that diminish the potential of the boys and girls and the men and women around us. You may not think this is relevant in the church but ask yourself this: when a girl between the age of 5 and 12 comes up to you in the coffee lounge after the service, what are most adults, whether male or female, likely to say to them after a general greeting and inquiry as to how they are? Let me tell you, because I've watched myself, and I've watched scores of people talk to my daughter and I've asked lots of adults. The answer almost always relates to something she's wearing or some aspect of her appearance. 'That's a pretty top.' Or, 'I like the way you've done your hair.' Well, in an a...
É interessante verificar que também no primeiro século os opositores e carrascos de Jesus não se satisfizeram com a hipótese da loucura (de Jesus). Bem pelo contrário. Levaram muito a sério a ameaça que Jesus repreentava, decidindo resolver o assunto de forma mais clara possível: a morte. O historiador Josefo relata nas suas crónicas das guerras judaicas que um tal Jesus, filho de Ananias, foi preso e interrogado por ter irrompido a festa dos Tabernáculos com previsões de destruição para todo o povo judeu, "Uma voz do leste, uma voz do oeste, uma voz dos quatro ventos, uma voz contra Jerusalém e o santuário, uma voz contra o noivo a noiva, uma voz contra todo o povo." Mas ao contrário do Jesus nosso conhecido, este foi libertado, tendo continuado a lançar as suas invectivas e previsões de desgraça durante mais de sete anos por entre as principais festas judaicas. Porque razão os responsáveis judeus o permitiram? Por o considerarem louco. Por este não valia a pena solicitar a...
O cepticismo típico de um judeu daquele tempo, comparando com os restantes povos da antiguidade, foi ali pressionado de uma forma tão violenta que acabaria por eclodir na divulgação da mensagem cristã, tal como acontece quando retiramos a rolha de uma garrafa de espumante. Por muito que isto possa surpreender o leitor, temos de admitir que os discípulos directos de Jesus não tinham fé alguma. Chamar 'fé' ao que os levou a ultrapassar tudo e todos para anunciarem que Jesus estava afinal vivo é tão adequado como dizer que é preciso ter 'fé' para acreditar na existência da nossa mãe ou do mundo ao nosso redor. Eles não tinham 'fé' em algo que viram e viveram: eles sabiam! De igual modo, também não podiam ter fé sobre aquilo que nunca lhes passaria pela cabeça e os seus comportamentos posteriores foram reflexo disso. A 'fé cristã' de que falavam era, para eles, a do retorno de Jesus e a confiança de que estariam a ser ainda orientados pelo mestre através do ...
O que é o amor, em concreto? Não perguntes o que é sem este «em concreto», acabarás com arbitrariedades verbais, piedades, coisas vãs. O que é o amor em concreto, concreto como cimento, como betão, concreto como uma pedra, imagem tão diferente do complicado e impudico coração? O verbete «amor» fala em emoção, estética, ideologia, doença, e nada disso interessa agora mas apenas o amor em concreto, corpos, cortinas, cheiros, cães, o amor que com ou sem aspas mostramos aos outros para que acreditemos também, vejam a minha felicidade, a minha normalidade, a minha desistência. Com o teu amor concreto o mundo encontra uma base estável no meio dos vendavais. E agora suportas todas as decepções. O amor é um vício, uma gangrena, faz mais falta um amor concreto, hábitos, fotos, impostos, torneiras, é contra o amor que o amor concreto triunfa, onde estavas, amor, quando foste preciso, quando ela precisava, ao passo que eu estive sempre aqui ao seu lado? Que importam as tuas escaladas, os teus me...
you think your great big husband will protect you, you are wrong you think your little wife will protect you, you are wrong you think your children will protect you, you are wrong you think your government will protect you, you are wrong
«O que é do mar se os rios se recusam?». Reencontro esta frase espantosa, que não lia há anos, embora tenha todas as edições portuguesas (cinco) de A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer (Antígona) É um brevíssimo texto póstumo de Stig Dagerman, escritor sueco que se suicidou em 1954. Lembro-me bem de ter comprado a primeira edição, em 1995, tinha eu 22 anos, era então um romântico radical. Dagerman fazia as duas perguntas essenciais: o que podemos exigir da vida e qual é a libertação em caso de fracasso. As questões importantes aos 22: a felicidade e o suicídio. Escrito em estado de depressão, o texto é porém bem menos depressivo do que eu recordava, ainda indeciso se a noite é uma treva entre dois dias ou se o dia é uma treva entre duas noites. A ideia que consola é o suicídio, a ideia do suicídio, essa opção. Creio que o texto é escrito naquela fase optimista da depressão, em que imaginamos que o suicídio consola. Dagerman tem porém consciência de que o consolo é...