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A mostrar mensagens com a etiqueta *Autor - São João da Cruz

Um grande conhecimento nos mistérios evangélicos

(...)  Fiel - Dizei agora qual é o segundo ponto com que demonstrais a existência da obra da graça no coração.  Eloquente - Um grande conhecimento dos mistérios evangélicos.  Fiel - Deveis pôr esse em primeiro lugar, mas, seja em primeiro ou em segundo, é sempre falso, porque podemos facilmente ter muitos conhecimentos evangélicos e não termos a obra da graça nas nossas almas. Mais, pode um homem possuir toda a ciência, e, apesar disso, não ser coisa alguma, e, portanto, não ser um filho de Deus . Quando Cristo disse: «Sabeis todas estas coisas?», e os discípulos responderam: «Sim», ele acrescentou: «Bem-aventurados sois se as fizerdes» . Ele não bendisse o mero conhecimento mas a sua colocação em acção. Pois não é um conhecimento que é atendido com a realização de «Aquele que conhece a vontade do seu mestre, e não o faz» . Um homem pode ter o conhecimento de um anjo, e não ser sequer cristão. É o fazer que agrada a Deus. Não que o coração possa ser bom sem conhecimento....

Declaram que não são compreendidos

Também às vezes, quando o mestre espiritual, isto é, o confessor ou superior, não aprova o seu espírito e a sua maneira de agir, porque querem que se estime e se louve as suas obras, declaram que não são compreendidos. Segundo eles esse director não é um homem espiritual, dado que não aprova a sua conduta e não se presta a aceitar a sua maneira de ver. É por isso que logo concebem o desejo de ter um outro guia; tentam encontrar um que se acomode ao seu gosto; de facto, encontram normalmente aquele que eles julgam disposto a louvaminhar e estimar as suas obras. Fogem como da morte de quem, querendo repô-los no bom caminho, se oponha a tais obras: e acontece mesmo que, às vezes, lhe ganham a versão. Como são muito presumidos, fazem normalmente muitos projetos e agem pouco. Desejam algumas vezes que os outros conheçam o seu género de espiritualidade e a sua devoção, e movimentam-se muito para o efeito, soltam suspiros, tomam atitudes estranhas. Têm o hábito de expressar de vez em quando a...

Gula na oração

Aqueles de que falamos agem do mesmo modo na oração. Imaginam que ela consiste inteiramente no prazer e na devoção sensível que aí possam encontrar. Tentam achar esse prazer, como se costuma dizer, à força de braços; cansam-se e escondem a cabeça inutilmente. Quando verificam que nada conseguiram, ficam totalmente abatidos; imaginam que nada fizeram. A sua pretensão levou-os a perderem a verdadeira devoção e o espírito e oração sobrenatural que consiste em perseverar na paciência e na humildade, na desconfiança de si mesmo e no desejo único de agradar a Deus. Também acontece que, quando não encontram prazer neste ou naquele exercício de piedade, sentem um desgosto extremo; sentem repugnância em se entregarem de novo a esse exercício e, às vezes, chegam ao ponto de o abandonar. São, como já dissemos, parecidos com crianças pequenas; não se movem nem actuam de acordo com a razão, mas de acordo com a sensualidade. Passam todo o tempo à procura e alegria e das consolações espirituais. Nunc...

Gula nos exercícios espirituais

Por outro lado o Demónio seduz tão bem um grande número que os leva à gula, excitando os seus prazeres e os seus apetites. Esses iniciantes são incapazes de lhe resistir. Alteram a ordem que lhes é dada; aumentam -na, ou modificam-na porque a obediência neste ponto se lhes torna um jugo muito duro e demasiado estreito; alguns chegam mesmo a um tal extremo que, pelo simples facto de irem por obediência a certos exercícios de piedade, perdem o gosto e a devoção de os cumprir. Não tem outro gosto e outro desejo que o de seguir a sua própria inclinação. Por isso seria talvez melhor para eles se não cumprissem tais exercícios de piedade.  Vereis muitos deles insistindo junto dos seus mestres espirituais para obterem o que lhes agrada e, em parte à força, arrancam o seu consentimento. Quando não o conseguem, deixam-se cair na tristeza como crianças, ficam de mau humor e imaginam que não servem Deus quando não os deixam seguir os seus caprichos. Como estão apegados aos seus gostos e à sua...

Não encontram qualquer gosto ou consolação sensível

Quando vão comungar, pensam muito mais num qualquer prazer sensível do que em adorar e louvar com toda a humildade esse grande Deus que acabam de receber. Essa é de tal modo a sua ideia que, se não encontram no acto qualquer gosto ou consolação sensível, pensam que nada fizeram. É uma maneira muito baixa de julgar Deus. Não compreendem que a menor das vantagens que o Santo Sacramento procura é a deleitação sensível, enquanto a maior, aquela que não se vê, é a graça; é essa razão porque Deus lhes retira muitas vezes esses prazeres e esses favores sensíveis, para que os considerem com os olhos da fé. Querem sentir Deus e fruí-lo como se ele fosse compreensível e acessível aos nossos sentidos, não só quando se trata da questão que nos ocupa, mas também quando se trata dos outros exercícios espirituais. Tudo isto denota uma mui grande imperfeição e uma total oposição à natureza de Deus; porque a fé não é pura. A Noite Obscura [Noche oscura del alma] Página 58  1579 dC São João da Cr...