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A mostrar mensagens com a etiqueta *Assunto - Millennials

Gula na oração

Aqueles de que falamos agem do mesmo modo na oração. Imaginam que ela consiste inteiramente no prazer e na devoção sensível que aí possam encontrar. Tentam achar esse prazer, como se costuma dizer, à força de braços; cansam-se e escondem a cabeça inutilmente. Quando verificam que nada conseguiram, ficam totalmente abatidos; imaginam que nada fizeram. A sua pretensão levou-os a perderem a verdadeira devoção e o espírito e oração sobrenatural que consiste em perseverar na paciência e na humildade, na desconfiança de si mesmo e no desejo único de agradar a Deus. Também acontece que, quando não encontram prazer neste ou naquele exercício de piedade, sentem um desgosto extremo; sentem repugnância em se entregarem de novo a esse exercício e, às vezes, chegam ao ponto de o abandonar. São, como já dissemos, parecidos com crianças pequenas; não se movem nem actuam de acordo com a razão, mas de acordo com a sensualidade. Passam todo o tempo à procura e alegria e das consolações espirituais. Nunc...

Gula nos exercícios espirituais

Por outro lado o Demónio seduz tão bem um grande número que os leva à gula, excitando os seus prazeres e os seus apetites. Esses iniciantes são incapazes de lhe resistir. Alteram a ordem que lhes é dada; aumentam -na, ou modificam-na porque a obediência neste ponto se lhes torna um jugo muito duro e demasiado estreito; alguns chegam mesmo a um tal extremo que, pelo simples facto de irem por obediência a certos exercícios de piedade, perdem o gosto e a devoção de os cumprir. Não tem outro gosto e outro desejo que o de seguir a sua própria inclinação. Por isso seria talvez melhor para eles se não cumprissem tais exercícios de piedade.  Vereis muitos deles insistindo junto dos seus mestres espirituais para obterem o que lhes agrada e, em parte à força, arrancam o seu consentimento. Quando não o conseguem, deixam-se cair na tristeza como crianças, ficam de mau humor e imaginam que não servem Deus quando não os deixam seguir os seus caprichos. Como estão apegados aos seus gostos e à sua...

Não encontram qualquer gosto ou consolação sensível

Quando vão comungar, pensam muito mais num qualquer prazer sensível do que em adorar e louvar com toda a humildade esse grande Deus que acabam de receber. Essa é de tal modo a sua ideia que, se não encontram no acto qualquer gosto ou consolação sensível, pensam que nada fizeram. É uma maneira muito baixa de julgar Deus. Não compreendem que a menor das vantagens que o Santo Sacramento procura é a deleitação sensível, enquanto a maior, aquela que não se vê, é a graça; é essa razão porque Deus lhes retira muitas vezes esses prazeres e esses favores sensíveis, para que os considerem com os olhos da fé. Querem sentir Deus e fruí-lo como se ele fosse compreensível e acessível aos nossos sentidos, não só quando se trata da questão que nos ocupa, mas também quando se trata dos outros exercícios espirituais. Tudo isto denota uma mui grande imperfeição e uma total oposição à natureza de Deus; porque a fé não é pura. A Noite Obscura [Noche oscura del alma] Página 58  1579 dC São João da Cr...