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A mostrar mensagens com a etiqueta *Autor - Alan Pallister

A administrar como mordomos

Quantas vezes, ao participarmos em alguma ajuda a uma instituição de caridade, não teremos agido como se estivéssemos a dar alguma coisa nossa cultivando todas as expectativas de sermos considerados abnegados e generosos? Isso aconteceu quando estávamos apenas a administrar, como mordomos, parte daquilo que o verdadeiro Dono nos confiou para os propósitos que tem em mente. A prova de que não é desta forma que nos vemos a nós próprios é o sentimento que nos invade quando alguém se esquece de nos agradecer, agradecendo só (!) a Deus. Lucros da Fé página 128 Alan Pallister 2016 dC Editora: Dikaion
Partilhei com um colega nestes dias o facto de me ter irado com uma pessoa por quem sentia, e sinto, muito amor. Considerava que o descontrole das minhas emoções era de certa maneira um fracasso que não podia ajudar a pessoa nem abonava ao meu favor. O colega disse-me que em tempos a sua irmã se afastou da fé, envolvendo-se em situações de imoralidade sexual. Ele ficou revoltado. Certo dia agarrou a sua irmã pel o braço e falou-lhe com indignação. Ele sentiu que tinha «ultrapassado os limites» com ela e considerou, como eu, que a conversa tinha fracassado.Depois, quando a sua irmã voltou à fé, o meu colega citou as suas palavras que a sua irmã lhe disse: «Lembras-te do momento em que me agarraste o braço assim? Foi nesse momento que eu senti que me amavas de verdade. E isso ajudou-me a voltar».Deus queira que os meus «fracassos» também possam refletir um amor genuíno – que por vezes se tem que manifestar pela ira. Nestas situações o «silêncio diplomático» de certeza não vai servir de m...
O humanismo dos nossos dias tenta ensinar-nos que as ofensas dos outros não são realmente muito importantes e que devemos perdoar a todos com facilidade: se, se acredita em Deus, é num 'deus' que faz 'vista grossa' quando o homem age com maldade, ou mesmo tolera-a com toda a facilidade. O cristianismo ensina que o pecado é tão grave que foi preciso o Filho de Deus morrer numa cruz para que pudesse ser perdoado.
Há um sentido em que podemos dizer que, como cristãos, todos temos uma posição alta e uma posição baixa. Paulo diz que Cristo “nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efés. 2:6), mas também diz que “temos chegado a ser como lixo deste mundo, e como escória de todos” (I Cor. 4:13). É muito importante que cada um de nós se lembre destes dois factos e aprenda a considerar-se como lixo quando é tentado à auto-satisfação e como uma pessoa já sentada no céu quando é tentado ao auto-desprezo. Mas não deixemos de ver as coisas duma maneira humana e material também. Há ricos e pobres na sociedade humana e não deixamos de os ver. Em muitos contextos, por força da opinião que pesa sobre eles, os pobres ainda tendem a desprezar-se e os ricos quase invariavelmente a sentir-se satisfeitos consigo próprios. Só por conhecer o evangelho é que podemos ter uma perspectiva correcta e ver o que somos de facto. Lembramo-nos do “lixo” que todos somos em termos de qualquer possibilidade de ...
Há um sentido em que podemos dizer que, como cristãos, todos temos uma posição alta e uma posição baixa. Paulo diz que Cristo «nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus», mas também diz que «temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos». É muito importante que cada um de nós se lembre destes dois factos e aprenda a considerar-se como lixo quando é tentado à auto-satisfação e como uma pessoa já sentada no céu quando é tentado ao auto-desprezo. Mas não deixemos de ver as coisas duma maneira humana e material também. Há ricos e pobres na sociedade humana e não deixamos de os ver. Em muitos contextos, por força da opinião que pesa sobre eles, os pobres ainda tendem a desprezar-se e os ricos quase invariavelmente a sentir-se satisfeitos consigo próprios. Só por conhecer o evangelho é que podemos ter uma perspectiva correcta e ver o que somos de facto. Lembramo-nos do «lixo» que todos somos em termos de qualquer possibilidade de confiar em vantagens m...
Para mim, a incoerência do pacifista (humanista ou cristão) consiste no facto de ele viver numa sociedade que, para ser relativamente livre e justa, teve que se envolver em guerras, e imaginar que é possível resolver todas as futuras ameaças sem este recurso.
Estes autores não são cristãos e normalmente caracterizam-se por um forte anti-clericalismo. A sua reacção é de protesto contra uma instituição decadente, a Igreja Católica (normalmente parecem desconhecer o protestantismo), e a favor de um compromisso humano na sociedade.
Quando as pessoas dizem que devemos pensar mais na alma e menos no corpo, a minha resposta é que o mesmo Deus que fez a alma fez o corpo também… Considero que Deus é adorado não só pela criação espiritual mas também pela material. Os nossos corpos, templos do Espírito Santo, não devem ser corrompidos por qualquer doença que possa ser evitada, degradados pela sujidade nem incapacitados para o Seu serviço pelo sofrimento desnecessário.
Hoje não é tão difícil acreditar que alguém cure um doente pela fé como seria acreditar que um grupo de pessoas tivesse tudo em comum vendesse as suas propriedades e fazendas, e repartisse com todos, segundo a sua necessidade (Actos 2:44-5). É mais fácil uma pessoa falar em línguas do que um escravo «inútil» converter-se na prisão, tornar-se útil e, como resultado, passar a ser irmão em pé de igualdade com o seu antigo senhor (Filemon 8:16). É mais fácil alguém predizer o futuro correctamente do que um perseguidor feroz da igreja ser confrontado com Cristo ressuscitado, mudar toda a orientação de vida, considerar as suas ambições anteriores como «esterco», e tornar-se o grande apóstolo aos gentios (Actos 9:1-39, etc.).
O cristão está por definição em oposição, não no sentido actual de se identificar automaticamente com os grupos políticos que num determinado momento estão contra os que detêm o poder, mas sim no sentido de revelar e denunciar as raízes e a prática pecaminosa de toda a estrutura humana, incluindo aquele em que ele próprio, por força das circunstâncias fica inserido. Esta posição é dolorosa. Junta a uma visão global profundamente pessimista um compromisso de agir, no que for possível, para minimizar o sofrimento material e espiritual dos seus semelhantes.
No que diz respeito à doutrina do trabalho, ver-se-á que Calvino é inovador em relação aos seus predecessores. Eles, de acordo com as doutrinas cristãs medievais, faziam do trabalho um dever terrestre, sem relação imediata com a fé e a vida espirituais; este dever procedia duma moralidade e ordens naturais. Por outro lado, a escolástica tinha contribuído para despir de todo o prestígio e de todo o valor espiritual as actividades profissionais, pelo valor superior que atribuía a contemplação sobre a acção. Calvino, pelo contrário liga estreitamente o trabalho à vida cristã, sublinhando que o Evangelho o vê como uma participação na obra de Deus. Confere assim ao labor humano uma dignidade e um valor espirituais que nunca antes tinha tido. Tal facto terá repercussões consideráveis no desenvolvimento económico das sociedades calvinistas.
Na realidade, aqueles que sabem usar a sua liberdade com sabedoria são aqueles que têm a consciência “forte”. Sendo forte, a sua consciência não os acusa sistematicamente de práticas que Deus não reprova. Sendo forte, acusa mais em áreas relacionadas com a motivação interior e menos em áreas relacionadas com práticas exteriores que variam de acordo com o contexto cultural. Quem cresce no conhecimento de Deus e vem a ter uma consciência forte, será mais livre do que um cristão imatura, que ainda se prende a muitas práticas e preconceitos legalistas. Contudo, este também saberá prescindir da sua liberdade a favor do cristão mais fraco. Saberá não beber vinho, por exemplo, na presença de um cristão mais fraco que ainda não se sente livre para beber. Pois se o cristão mais forte beber vinho nessa situação, pode levar outro, pelo seu exemplo, a fazer o mesmo, e para o cristão imaturo, o facto de beber vinho pode ser ocasião de uma queda. Este é o sentido exacto do termo “escandalizar” usado...