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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta *Assunto - Morte

A morte segundo um profissional do ramo

- Sr. Barlow, o senhor tem medo da morte. - Não, garanto-lhe. - É um instinto natural, Sr. Barlow, tremer perante o desconhecido. Mas, se discutir aberta e francamente o assunto, removerá as ideias mórbidas. É essa uma das coisas que os psicanalistas nos ensinaram. Expomos os tenebrosos medos à clara luz do dia vulgar do homem não menos vulgar, Sr. Barlow. Verifique que a morte não é uma sua tragédia particular, mas o que cabe a todos os homens. Como Hamlet tão bem escreveu: “Conhece que a morte é comum; tudo o que vive tem de morrer”. - Talvez acho que é mórbido e até perigoso pensar neste tema, Sr. Barlow; mas a investigação científica provou o contrário. Muitas pessoas são as que deixam a sua energia vital esmorecer prematuramente e diminuir a sua capacidade de ganhar a vida apenas por medo da morte. Removendo tal medo aumentam efectivamente as possibilidades de vida. Escolha agora, de boa saúde e serenamente, a forma de preparação final que deseja, pague-a enquanto pode pagá-la, li...

Morrer acautelado

 - Agora uma das nossas caracterizadoras está à sua espera para colher os seus Dados Essenciais, mas antes de nos separarmos não quererá interessar-se pelos nossos Contratos Antes de Tempo? - Tudo o que respeita aos Prados Sussurrantes me interessa, mas talvez esse aspecto menos do que os outros. - Os benefícios do plano são duplos - falava pelo livro, numa espécie de vingança -, financeiros e psicológicos. O senhor está agora a aproximar-se da sua fase óptima de rendimento. Sem dúvida que está tomando várias providências concernentes ao seu futuro: investimentos, seguros, etc. Espera passar em segurança os seus anos de declínio, mas já atentou nos trabalhos que pode acumular sobre os que lhe sobrevivem? No mês passado, Sr. Barlow, um casal veio consultar-nos acerca dos Contratos Antes de Tempo. Eram cidadãos de destaque, na força da vida, com duas filhas cuja feminilidade começava agora a brotar. Ouviram os pormenores todos, ficaram bem cientes, e disseram que voltariam dias depoi...

Mortos vivos como na força da vida

- Poderá ter estranhado um pouco, Sr. Barlow, ver-se tão inesperadamente em face de um Ente Querido.  - Confesso que sim.  - Mas no dia parecer-lhe-á inteiramente diferente. A despedida é uma muito, muito grande fonte de consolações. Muitas vezes os Entes Saudosos viram pela última vez o Ente Querido no leito de dor, rodeado por todos os chocantes e concomitantes adereços de um quarto de doente ou de um hospital. Aqui vêem-no como os conheceram na força da vida, transfigurados em paz e felicidade! Nos funerais apenas têm tempo de um último olhar quando desfilam. Aqui, na Sala da Sesta, podem demorar-se o tempo que quiserem para que o espírito fotografe uma derradeira memória bela.  Ela falava - observou - parte pelo livro, segundo os termos do Sonhador, parte na sua própria linguagem viva. Estavam na recepção; e falava vivamente: - Bem, parece-me que lhe tirei quanto precisava, Sr. Barlow, a não ser a sua assinatura no pedido, e um depósito.  Dennis viera preparado p...