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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta *Assunto - Atitude

Amor vivo? Exijo imediatamente o pagamento.

- Amor vivo? Esta é uma questão e que questão! Veja: amo tanto a humanidade que às vezes, imagine, sonho abandonar tudo, tudo o que tenho, abandonar a Lise e ir servir como enfermeira. Fecho os olhos, penso e sonho, e nesses instantes sinto em mim uma força invencível. Não haveria feridas, não haveria chagas purulentas que me assustassem. Faria as ligaduras e limparia as feridas com as minhas próprias mãos, seria a enfermeira de vela para todos esses sofredores, estou pronta a beijar essas chagas...  - Já não é mau que a sua mente sonhe com isso e não com outra coisa. Pode mesmo acontecer que a senhora venha realmente a fazer alguma boa acção.  - Sim, mas por quanto tempo aguentaria eu essa vida? - continuava a senhora com ardor, como em frenesi - É esta a questão principal! É a mais torturante das minhas questões. Fecho os olhos e pergunto a mim própria: aguentarias muito tempo nesse caminho? E se o doente a quem lavas as chagas não te responder logo com a gratidão mas, pelo ...

A primeira pedra do que és

Quase tudo o que vais sendo vem no impulso que te move. Não apenas quando a cólera é esse impulso, ou o disparate que se te adianta, ou um sentimento qualquer que é de mais. Mesmo a arte, o pensar, o escrever. Porque o todo que em ti resulta, vem da pedra fundamental que para ele escolheste ou te calhou para o início desse todo. Há um puzzle a organizar e que não sabes e está em ti. O resto vai sendo o que tu pensas ou vai pensando por si e o que te pertence não é bem o que supunhas que estava em ti, mas o que se revela desse estar. Depois só te resta o espanto ou a alegria ou o desapontamento de saberes o que não sabias que sabias ou não. Sê prudente e sem pressa. Vê se é possível escolheres a pedra sobre a qual erguerás o edifício. É por isso que há sempre uma cerimónia quando se põe a «primeira pedra», que é posta normalmente por uma «entidade», para que o seu prestígio contamine o edifício todo. E é por isso talvez também que essa «entidade» não está sempre à altura da cerimónia e ...

Coexistência com o inaceitável

Na opinião do crítico, estava efectivamente implícito! E voltou a elogiar a pujança criativa do realizador, a beleza das imagens, lentas, impregnadas de inquietação poética, misteriosas como os arpejos de uma harpa sem cordas; a rudeza da montagem que talvez se pudesse definir como neo-nouvelle vague ; e sobretudo a parcimónia do diálogo, admiravelmente reduzido ao essencial, atingindo o silêncio absoluto no violento clímax emocional que se despoletava na sequência da decapitação do sedutor, à porta do apartamente de Picadilly Circus: um choque inesperado e brutal de duas classes e duas culturas! - Mas eu não vi nada disso... - balbuciei, já um pouco aterrado com a minha eventual deficiência na observação de todas essas subtilezas... - É o que está im... im... implícito na sequência do u... u... urinol! - finalizou o crítico. Acatei com artificioso respeito a argumentação técnica do especialista, conquanto continuasse a achar, de mim para mim, que se tratava de um filme hediondo...

Aprender a lidar com as coisas

I know now about helplessness-of what to do when there is nothing to do. I have learned coping. We live in a time and place where, over and over, when confronted with something unpleasant we pursue not coping but overcoming. Often we succeed. Most of humanity has not enjoyed and does not enjoy such luxury. Death shatters our illusion that we can make do without coping. When we have overcome absence with phone calls, winglessness with airplanes, summer heat with airconditioning- when we have overcome all these and much more besides, then there will abide two things with which we must cope: the evil in our hearts and death. There are those who vainly think that some technology will even enable us to overcome the former. Everyone knows that there is no technology for overcoming death. Death is left for God’s overcoming.

Escolher um sofá

(...) O sofá é muito confortável, nem demasiado mole, nem demasiado duro. Além do mais, a almofada adapta-se na perfeição à minha cabeça. Habituado que estou a trabalhar em qualquer lugar, sei do que falo quando digo que nem sempre é fácil encontrar um sofá cómodo onde valha a pena repousar o corpinho quando chega a hora de passar pelas brasas. Os sofás, na sua maioria, são comprados ao acaso, sem qualquer critério, revelando-se, até mesmo no caso dos mais luxuosos, uma autêntica decepção assim que a pessoa experimenta deitar-se em cima deles. Isto para dizer que poucos são os que realmente valem a pena. Não compreendo como é que, na hora de comprar um sofá, as pessoas podem dar-se ao luxo de ser tão pouco exigentes. Defendo a teoria – ainda que tal possa não passar de um proconceito da minha parte – de que a escolha de um sofá diz muito acerca do seu proprietário. Um sofá constitui, à sua maneira, um mundo compacto e inviolável. Isso, porém, é uma coisa que só aqueles que cresceram c...
Se consegues manter a calma quando à tua volta todos a perdem e te culpam por isso. Se consegues ter confiança em ti quando todos duvidam de ti e aceitas as suas dúvidas Se consegues esperar sem te cansares por esperar ou caluniado não responderes com calúnias ou odiado não dares espaço ao ódio sem porém te fazeres demasiado bom ou falares cheio de conhecimentos Se consegues sonhar sem fazeres dos sonhos teus mestres Se consegues pensar sem fazeres dos pensamentos teus objetivos Se consegues encontrar-te com o Triunfo e a Derrota e tratares esses dois impostores do mesmo modo Se consegues suportar a escuta das verdades que dizes distorcidas pelos que te querem ver cair em armadilhas ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida ficar destruído e reconstruíres tudo de novo com instrumentos gastos pelo tempo Se consegues num único passo arriscar tudo o que conquistaste num lançamento de cara ou coroa, perderes e recomeçares de novo se...

Tenho estatísticas, tenho gráficos

- Em segundo lugar - disse Caspian -, quero saber porque haveis permitido que se desenvolvesse esse abominável e desnaturado tráfico de escravos, contrário aos antigos usos e costumes destes domínios. - É necessários e inevitável. Asseguro-vos que constitui uma parte essencial do desenvolvimento económico das ilhas. A nossa prosperidade actual depende dele. - Que necessidade tendes de escravos? - Para exportar, Majestade. São quase todos para vender aos Calormenitas; e temos outros mercados. Somos um grande entreposto comercial. - Por outras palavras - prosseguiu Caspian -, não precisais deles. Dizei-me para que servem, a não ser para encher de dinheiro os bolsos de indivíduos da laia de Pug? - A juventude de Vossa Majestade - disse Gumpas com um sorriso paternal - impede que possais compreender o problema económico em questão. Tenho estatísticas, tenho gráficos, tenho... - Por muito jovem que seja, creio perceber tanto de tráfico de escravos como Vossa Senhoria. E não vej...
 I'm not afraid Of anything in this world There's nothing you can throw at me That I haven't already heard I'm just trying to find A decent melody A song that I can sing In my own company I never thought you were a fool But darling, look at you. Ooh. You gotta stand up straight, carry your own weight 'Cause tears are going nowhere baby You've got to get yourself together You've got stuck in a moment And now you can't get out of it Don't say that later will be better Now you're stuck in a moment And you can't get out of it I will not forsake The colors that you bring The nights you filled with fireworks They left you with nothing I am still enchanted By the light you brought to me I listen through your ears Through your eyes I can see You are such a fool To worry like you do.. Oh I know it's tough And you can never get enough Of what you don't really need now My, oh my You've got to get you...

Sob o domínio da arte, da crueldade da boa arte

(...) the creation of truly great art requires a degree of concentration, commitment, dedication, and preoccupation — of selfishness, in a word — that sets that artist apart and makes him not an outlaw, exactly, but a law unto himself. (...) Dickens was a reformer, a social improver, a champion of the poor, a man who used his own money to set up a school and shelter for prostitutes (even as, Claire Tomalin’s new biography suggests, he was himself an enthusiastic customer of streetwalkers). His popularity was such that by the mid-19th century he was probably the most beloved figure in England, more popular even than the queen.        Dickens had a wretched childhood and was determined to do better by his own children. And yet he was at best an indifferent, misguided, and often neglectful parent, and an even worse husband. His marriage to Catherine Hogarth was probably a mistake to begin with, and as she grew fat and sickly (ten pregnancies can’t hav...

Amar o mundo para lhe sobreviver

A ideia de um adolescente revoltado que se costuma ter no meio das famílias de classe média é o puto que fuma umas ganzas, se veste de um modo estapafúrdio e faz uns disparates nas respostas que dá na escola e aos pais para chamar a atenção. O adolescente revoltado que eu fui, igual a todos os outro com que cresci, era outra coisa. Não estávamos em conflito com o mundo que nos rodeava: tentávamos sobreviver nele. Para isso, precisávamos de o amar, conhecer bem e era necessário que o seu sangue, o Mal, passeasse através de nós pelos corredores e camaratas do Convento. Alçapão João Leal 2005 dC Editora: Quetzal
None of this convinced the author of the article or other commenters. The general conviction was that Williams had not acted decisively for conservative causes, especially regarding sexuality, and therefore that anything he said or wrote that savored of theological orthodoxy amounted to protective coloration at best and outright deceit at worst. In their minds, he was the enemy of orthodoxy and therefore their enemy, and could be granted the benefit of no doubt. (Never mind that on liberal Anglican blogs he was simultaneously being condemned for having sold out to the forces of right-wing reaction. And never mind what Jesus said about loving your enemies, even assuming that Williams really is an “enemy.”) They believed that Williams was wrong and had to be resisted by all available means, tarred by any brush at hand. My response to this attitude is summed up perfectly in Archbishop Sentamu’s lament about a “general disregard for the truth.” The author and commenters bristled at ...
Mas há coisas que convém situar no tempo. O «neofrugalismo» é, realmente, o modo como vivem os povos do Norte da Europa, muito longe dos padrões de consumo norte-americano — e, convenhamos, português nas últimas décadas. Ir ao restaurante uma vez por semana, ou menos; pensar bem antes de entrar numa loja de electrodomésticos, fazer contas antes de imaginar o novo computador, não acumular objectos desnecessários, jantar em casa — aquilo que o «neofrugalismo» propõe é, antes de mais, um modo de vida de país desenvolvido. Quantos dos meus amigos suecos ou noruegueses vão jantar fora por mês? Muito, muito menos do que os portugueses. Quantas vezes trocam de carro ao longo da vida? Muito menos do que tem sido o padrão de consumo português e infinitamente menos do que é a norma norte-americana. Ao ler as estatísticas queixosas da indústria automóvel, por exemplo, não é possível evitar um encolher de ombros quando se lê que «este ano se venderam menos xxx carros do que no ano passado»; a dou...
"Viveu sempre sossegado cada amor em cada lado mas ele mesmo até morrer vá-se lá saber o que sentia todo o dia até anoitecer (e o que ele ouvia) viveu sempre em todo o lado com seus dons de namorado sempre sempre a envelhecer vá-se lá dizer o que fazia todo o dia até amanhecer (e o que ele ouvia) é bom ter má fama dá para ter vazia a cama e nesta solidão de Kant ser tido um grande amante é bom ter de fundo o que anda pelas bocas do mundo e quem quiser acreditar ao menos não vem cá espreitar sobra-me tempo para cantar Fez de tudo até calçado mas seu jeito de empregado só deixava perceber para quem queria ver de cada dia uma alegria para desaparecer (e o que ele ouvia) dez de tudo de empregado só não fez do seu passado um segredo para esconder já não vai vencer mas respondia para se defender (e o que ele ouvia) é bom ter má fama dá para ter a cama vazia e nesta solidão de Kant ser tido um grande amante é bom ter de fundo o que anda pelas bocas do mundo e quem quiser acreditar ao men...
“- Para trás! Deixem o princípe ganhar prestígio. (…) A princípio Peter pensou que se tratava de um urso, mas depois viu que se assemelhava mais a um lobo-d’alsácia, embora fosse demasiado grande para ser um cão. Foi então que compreendeu que se tratava de um lobo –um lobo de pé nas patas traseiras, com as patas da frente apoiadas ao tronco da árvore, a rosnar de dentes arreganhados e com o pêlo do dorso todo eriçado. Susan não conseguira subir mais do que o segundo ramo e tinha uma das pernas penduradas, de modo que um pé se encontrava apenas a uns centímetros dos dentes arreganhados. Peter perguntou-se porque não subiria ela mais, ou, pelo menos, porque não se agarraria melhor, até perceber que a irmã estava prestes a desmaiar e que, se desmaiasse, caía. Peter não era muito corajoso e, na verdade, estava a ficar agoniado. Mas isso não interferia no que tinha de fazer.”
Mas se razões sociais estão por detrás do que algumas pessoas crêem, então elas explicam tanto o ateísmo como outros credos. Paul Vitz, um conhecido psicólogo cristão, foi criado no meio cristão. Depois, aos 18 anos abandonou tudo e tornou-se ateu. Com 38 anos, já professor de psicologia, fez uma investigação séria do cristianismo, chegou à conclusão de que era verdadeiro e entregou a sua vida a Cristo. Agora declara que as suas razões para a adopção do atéismo eram «superficiais, irracionais e, em grande parte, sem integridade intelectual e moral.» Ele tinha feito essa opção para ganhar as boas graças dos amigos.
Não penseis que, frente ao oficial, eu tenha sido cobarde por cobardia; do fundo do coração, eu nunca fui cobarde, mesmo que, em flagrante, sempre o tenha sido, mas – nada de risotas por enquanto –, tenho uma explicação; eu tenho uma explicação para tudo, podeis ter a certeza. Ah, se ao menos esse oficial fosse daqueles que aceitam bater-se em duelo!
Não saberia explicar porquê, mas sentia-me novamente um homem forte, recuperado das minhas depressões, pronto a enfrentar a vida e os seus problemas com aquele vigor que sempre me caracterizou. Junto ao tronco de uma árvore, urinei sobre a neve: derreti-a toda!
A minha sobrinha Maria Luísa raramente nada no mar de Moledo. Mas aprecia bastante que os filhos esbracejem na crista das ondas, verificando por si próprios o que significa um "banho frio", que "faz bem à saúde". Ela justifica-se com os meus argumentos, mas escusa-se a adoptá-los para si própria. As jovens mães de hoje compreendem a necessidade da disciplina e da contrariedade – mas já vão atrasadas para tomarem o caminho da felicidade.