Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta *Assunto - Coragem

A sós comigo sou capaz

O isolamento talhou-me à sua imagem e semelhança. A presença de outra pessoa - de uma só pessoa que seja - atrasa-me imediatamente o pensamento, e, ao passo que no homem normal o contacto com outrem é um estímulo para a expressão e para o dito, em mim esse contacto é um contra-estímulo, se é que esta palavra composta é viável perante a linguagem. Sou capaz, a sós comigo, de idear quantos ditos de espírito, respostas rápidas ao que ninguém disse, fulgurações de uma sociabilidade inteligente com pessoa nenhuma; mas tudo isso se me some es estou perante um outrem físico, perco a inteligência, deixo de poder dizer, e, no fim de uns quartos de hora, sinto apenas sono. Sim, falar com gente dá-me vontade de dormir. Só os meus amigos espectrais e imaginados, só as minhas conversas decorrente em sonho, têm uma verdadeira realidade e um justo relevo, e neles o espírito é presente como uma imagem num espelho. O Livro do Desassossego  49 Fernando Pessoa  1935 dC  Editora: Revista Vi...

Pressão de grupo na condenação de armas bacteriológicas

Entrado de fresco na redacção de The Economist , em Londres, vira-me encarregado de cobrir uma sessão pública nos cavernosos paços municipais de St. Pancras. A sessão era um comício de protesto contra a intervenção anglo-americana na Guerra da Coreia. O recinto estava a apinhado. O presidente da mesa, que era um conhecido publicista de esquerda e companheiro de jornada apresentou Joseph Needham . E levantou-se então uma figura de cabelos brancos, um tanto leonina. Apresentou-se como titular da cátedra William Dunn de Microbiologia na Universidade de Cambridge como testemunha directa do que estava a passar-se tanto na China como na Coreia do Norte. Insistiu no seu compromisso de certo modo sagrado de cientista de destaque internacional com a verificação empírica e experimental dos factos. A seguir mostrou ao auditório um cartucho de projéctil vazio. Declarou ao auditório que aquele objeto sinistro era uma prova irrefutável do uso de armas bacteriológicas pela artilharia americana. Os e...
Não penseis que, frente ao oficial, eu tenha sido cobarde por cobardia; do fundo do coração, eu nunca fui cobarde, mesmo que, em flagrante, sempre o tenha sido, mas – nada de risotas por enquanto –, tenho uma explicação; eu tenho uma explicação para tudo, podeis ter a certeza. Ah, se ao menos esse oficial fosse daqueles que aceitam bater-se em duelo!