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A mostrar mensagens com a etiqueta 1996 dC
A disciplina da vida espiritual, porém, não tem nada a ver com a disciplina do atletismo, do estudo académico ou da formação profissional, em que se alcança uma boa forma física, se adquirem novos conhecimentos ou se aprende a dominar uma nova aptidão. A disciplina do discípulo cristão não consiste em dominar nada, mas antes em deixar-se dominar pelo Espírito. A verdadeira disciplina cristã é o esforço humano de criar o espaço em que o Espírito de Cristo nos pode inserir na sua linhagem.
  Nós não somos chamados a tocar os pontos fortes das pessoas, mas na sua consciência da própria dor, não daquilo que elas têm sob controlo, mas ali onde se sentem amedrontadas e inseguras, não na sua autoconfiança e assertividade, mas naquilo em que se atrevem a duvidar e a levantar questões difíceis; em suma, não onde elas vivem na ilusão da imortalidade, mas naquilo em que estão dispostas a confrontar-se com a sua humanidade decaída, frágil e mortal. Como seguidores de Cristo, somos enviados ao mundo nus, vulneráveis e fracos, podendo assim alcançar os outros homens, nossos irmãos, na sua dor e agonia, e revelar-lhes o poder do amor de Deus, transmitindo-lhes o poder do Espírito de Deus.
Na realidade, aqueles que sabem usar a sua liberdade com sabedoria são aqueles que têm a consciência “forte”. Sendo forte, a sua consciência não os acusa sistematicamente de práticas que Deus não reprova. Sendo forte, acusa mais em áreas relacionadas com a motivação interior e menos em áreas relacionadas com práticas exteriores que variam de acordo com o contexto cultural. Quem cresce no conhecimento de Deus e vem a ter uma consciência forte, será mais livre do que um cristão imatura, que ainda se prende a muitas práticas e preconceitos legalistas. Contudo, este também saberá prescindir da sua liberdade a favor do cristão mais fraco. Saberá não beber vinho, por exemplo, na presença de um cristão mais fraco que ainda não se sente livre para beber. Pois se o cristão mais forte beber vinho nessa situação, pode levar outro, pelo seu exemplo, a fazer o mesmo, e para o cristão imaturo, o facto de beber vinho pode ser ocasião de uma queda. Este é o sentido exacto do termo “escandalizar” usado...