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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta *Autor - Henri Nouwen

Faremos tudo para evitar a experiência de estar sós

It is this most basic human loneliness that threatens us and is so hard to face. Too often we will do everything possible to avoid the confrontation with the experience of being alone, and sometimes we are able to create the most ingenious devices to prevent ourselves from being reminded of this condition. Our culture has become most sophisticated in the avoidance of pain, not only our physical pain but our emotional and mental pain as well. We not only bury our dead as if they were still alive, but we also bury our pains as if they were not really there. We have become so used to this state of anesthesia, that we panic when there is nothing or nobody left to distract us. When we have no project to finish, no friend to visit, no book to read, no television to watch or no record to play, and when we are left all alone by ourselves we are brought so close to the revelation of our basic human aloneness and are so afraid of experiencing an all-pervasive sense of loneliness that we will do ...

Uma defesa da solidão

Vivemos numa sociedade em que a solidão se tornou numa das feridas mais dolorosas. A competição e a rivalidade que impregnam as nossas vidas, desde o nascimento, criaram em nós uma percepção muito acentuada do nosso isolamento. Esta percepção deixou, por sua vez, muitas pessoas com uma ansiedade exacerbada e um desejo imenso de experimentar a unidade e a comunhão. Levou também as pessoas a inquirir de novo como é que o amor, a amizade e a irmandade as pode libertar do isolamento e proporcionar-lhes um sentido de intimidade e de pertença. Tudo à nossa volta nos fala de como os habitantes do mundo ocidental tentam escapar a essa solidão. A psicoterapia, os diversos institutos que proporcionam experiências de grupo com técnicas de comunicação verbais e não-verbais, cursos de Verão e conferências patrocinadas por intelectuais, educadores e «curiosos» onde as pessoas podem partilhar problemas comuns, inúmeras experiências que procuram criar liturgias íntimas, onde a paz não é apenas anuncia...

O homem nuclear

O homem nuclear é aquele que compreende que os seus poderes criativos contêm o potencial da autodestruição. Ele apercebe-se de que, nesta era nuclear, vastos e novos complexos industriais permitem ao homem produzir numa hora o que outrora levava anos a produzir, mas compreende igualmente que estas mesma indústrias perturbaram o equilíbrio ecológico e, através da poluição atmosférica e sonora, contaminaram o seu próprio ambiente. O homem nuclear conduz automóveis, ouve telefonia e vê televisão, mas perdeu a capacidade de compreender o funcionamento dos instrumentos de que se serve. Vê à sua volta uma tal variedade e abundância de objectos úteis que a escassez já não lhe motiva a vida, mas ele anda simultâneamente às apalpadelas à procura de uma direcção e em busca de sentido e de objectivo. Durante este processo, ele sofre do conhecimento inevitável de que o seu tempo é o tempo em que se tornou possível ao Homem destruir não só a vida mas também a possibilidade de renascimento, não só...
There is no such thing as the right place, the right job, the right calling or ministry. I can be happy or unhappy in all situations. I am sure of it, because I have been … deciding to do this, that, or the other for the next five, ten, or twenty years is no great decision. Turning fully, unconditionally, and without fear to God is. Yet this awareness sets me free.
While the subwaytrain runs from one dark tunnel into the other and I am nervously aware where I keep my moeny, the words and images decorating my fearful world speak about love, gentleness, tenderness and about a joyful togetherness of spontaneous people.
(…) quando nós lemos as Escrituras, a maior parte das vezes apenas as lemos para nos informarmos ou instruirmos, para nos sentirmos edificados ou inspirados, ou – o que não é raro – tentando encontrar uma citação que apoie as nossas próprias ideias. O Livro Sagrado torna-se assim um livro entre outros livros, sendo muitas vezes utilizado só dessa forma, assim como Jesus se tornou um ser humano entre outros seres humanos, sendo muitas vezes tratado apenas como tal.
A disciplina da vida espiritual, porém, não tem nada a ver com a disciplina do atletismo, do estudo académico ou da formação profissional, em que se alcança uma boa forma física, se adquirem novos conhecimentos ou se aprende a dominar uma nova aptidão. A disciplina do discípulo cristão não consiste em dominar nada, mas antes em deixar-se dominar pelo Espírito. A verdadeira disciplina cristã é o esforço humano de criar o espaço em que o Espírito de Cristo nos pode inserir na sua linhagem.
  Nós não somos chamados a tocar os pontos fortes das pessoas, mas na sua consciência da própria dor, não daquilo que elas têm sob controlo, mas ali onde se sentem amedrontadas e inseguras, não na sua autoconfiança e assertividade, mas naquilo em que se atrevem a duvidar e a levantar questões difíceis; em suma, não onde elas vivem na ilusão da imortalidade, mas naquilo em que estão dispostas a confrontar-se com a sua humanidade decaída, frágil e mortal. Como seguidores de Cristo, somos enviados ao mundo nus, vulneráveis e fracos, podendo assim alcançar os outros homens, nossos irmãos, na sua dor e agonia, e revelar-lhes o poder do amor de Deus, transmitindo-lhes o poder do Espírito de Deus.
No centro da nossa fé cristã encontra-se o mistério que Deus escolheu para revelar o mistério divino mediante a submissão sem reservas ao impulso descendente. Deus não só escolheu um povo insignificante para transmitir a Palavra da salvação ao longo dos séculos, não só escolheu um pequeno resto desse povo para cumprir as promessas divinas, não só escolheu uma humilde jovem de uma cidade desconhecida da Galileia para a tornar o templo da Palavra, mas também decidiu manifestar a plenitude do amor divino num homem cuja vida desembocou numa morte humilhante fora das muralhas da cidade.
Nós nunca chegaremos a conhecer a nossa verdadeira vocação na vida, a menos que estejamos dispostos a aceitar o apelo radical que o Evangelho nos faz. Ao longo dos últimos vinte séculos, muitos cristãos ouviram este apelo e responderam-lhe num espírito de verdadeira obediência. Uns tornaram-se eremitas do deserto, ao passo que outros se tornaram servos na cidade. Uns partiram para terras distantes como pregadores, professores e médicos, ao passo que outros ficaram onde estavam e formaram a sua família, trabalhando fielmente. Uns tornaram-se famosos, enquanto que outros continuaram a ser desconhecidos. Embora as suas respostas revelem uma diversidade extraordinária, todos estes cristãos aceitaram o apelo de seguir a Cristo sem condescendências.
Se se pode fazer uma crítica à década de sessenta, não é a de que o protesto não tivesse sentido, mas a de que não era suficientemente profundo, no sentido de que não estava enraizado na solidão do coração. Quando apenas a cabeça e as mãos trabalham juntas, logo ficamos dependentes dos resultados da nossa acção e tendemos a desistir quando ele não se materializa. Na solidão do coração, podemos ouvir verdadeiramente as dores do mundo, pois ali podemos reconhecê-las não como dores estranhas, mas como nossas. Ali podemos ver aquilo que é mais universal é mais pessoal, e que nada que é humano nos é estranho. Ali podemos sentir que a cruel realidade da história sem dúvida é a realidade do coração humano, inclusive o nosso, e que o protesto exige primeiramente uma confissão da nossa participação na condição humana. Ali podemos responder.
Viver junto com nossos amigos é uma alegria excepcional, mas nossas vidas serão tristes se isso se tornar o objectivo de nossos esforços. Uma equipa harmoniosa, que trabalha em unidade de coração e mente, é um dom dos céus, mas se nosso senso de valor depender dessa situação, seremos pessoas tristes. É com receber cartas de amigos, mas devemos saber viver felizes sem elas. Uma visita é um presente valioso, mas não devemos cair na tentação do mau humor se não houver nenhuma. Telefonemas, “só para dizer olá”, enchem-nos de gratidão, mas quando os esperamos, como uma naeira necessária de sedar nosso medo de sermos deixados de lado, tornamo-nos vítimas fáceis de nossas auto-recriminações. Estamos sempre procurando uma comunidade à qual nos sintamos integrados, mas é importante compreender que estar junto num lugar, numa casa, numa cidade ou num país é apenas secundário para a satisfação de nosso desejo legítimo.

Dois lados da hospitalidade

(…) a receptividade é apenas um lado da hospitalidade. O outro lado igualmente importante é o confronto. Ser receptivo ao estranho não significa de maneira nenhuma que devamos ser “ninguéns” neutros. A verdadeira receptividade exige confronto, pois o espaço só pode ser acolhedor quando existem claras, e fronteiras são limites entre os quais definimos a nossa posição. O confronto é o resultado da presença articulada, a presença dentro dos limites, do anfitrião para o hóspede, pela qual esse oferece como ponto de orientação e quadro de referência. Não estamos sendo hospitaleiros quando deixamos os estranhos em nossa casa para que a usem como quiserem. Uma casa vazia não é hospitaleira. De facto, logo se torna uma casa assombrada, fazendo o estranho sentir-se desconfortável. Em vez de perder os medos, o hóspede fica ansioso, suspeita de qualquer ruído vindo do sótão ou do porão. Para sermos realmente hospitaleiros, devemos não apenas receber os estranhos, mas também confrontá-los com uma...
É necessário tempo e paciência para fazer o pequeno e estranho sentir-se em casa, e é realista dizer que os pais precisam de aprender a amar os seus filhos. Às vezes, um pai ou uma mãe é honesto e livre o suficiente para dizer que viu o novo bebé como um estranho, sem sentir qualquer afeição especial, não porque a criança não fosse desejada, mas porque o amor não é uma reacção automática; nasce de uma relação que precisa de crescer a aprofundar-se. Pode-se até dizer que o amor entre pais e filhos desenvolve-se e amadurece até ao ponto em que eles podem alcançar um ao outro e descobrir-se como semelhantes; que têm muito a compartilhar e cujas diferenças em relação a idade, talentos e comportamento são menos importantes do que sua humanidade comum.

Castigamo-nos uns aos outros com desejos inalcançáveis e irreais de unidade

A amizade e o amor não se podem desenvolver na forma de um ansioso apego; pedem espaço, sem temor, no qual possamos mover-nos do outro e para o outro. Na medida que a nossa solidão nos une na esperança de que unidos não sejamos mais sozinhos, castigamo-nos uns aos outros com os nossos desejos inalcançáveis e irreais de unidade, tranquilidade interior e comunhão ininterrupta.
Isso não se deveria em grande parte à nossa incapacidade de encarar a dor da nossa solidão? Fugindo da solidão, tentando nos distrair com pessoas e experiências especiais, não lidamos de forma realista com nossos predicados humanos. Estamos sob o risco de nos tornarmos pessoas infelizes, sofrendo com anseios insatisfeitos e torturadas por desejos e expectativas que nunca poderão ser satisfeitas. Não é verdade que toda a criatividade pede por um encontro com a nossa solidão, e que o medo desse encontro limita severamente a nossa possibilidade de auto-expressão?
Oferecer a outra face significa mostrar aos nossos inimigos que eles só podem sê-lo enquanto presumirem que nos agarramos ansiosamente à nossa propriedade privada, seja o nosso conhecimento, o nosso bom nome, a nossa terra, o nosso dinheiro ou os objectos que reunimos à nossa volta. Mas quem será um ladrão quando tudo o que quiser roubar for um presente nosso para ele? Quem nos mentirá, quando apenas a verdade servirá? Quem espreitará a porta dos fundos se a porta da frente estiver escancarada?
Só podemos criar comunicações com o outro quando nossas escolhas de vida, atitudes e pontos de vista criam os limites que desafiam o estranho a perceber sua própria posição e a explorá-la criticamente.
Em vez de fugir do isolamento ou de tentar negá-lo ou esquecê-lo, devemos protegê-lo e transformá-lo numa solidão frutífera. Para viver uma vida espiritual, primeiro devemos ter coragem de entrar no deserto do nosso isolamento e transformá-lo, por meio de esforços subtis e persistentes, num jardim de solidão. Isso exige não só coragem, mas também uma fé sólida. Assim como é difícil acreditar que o árido e desolado deserto pode abrigar infinitas variedades de flores, custa a crer que o nosso isolamento esconde belezas desconhecidas. O movimento do isolamento à solidão, no entanto, é o início de qualquer vida espiritual, pois é o movimento dos sentidos inquietos até ao espírito de em repouso, dos anseios exteriores à busca interior, do apego temoroso ao jogo sem medo.
Numa época de forte ênfase na sensibilidade interpessoal, na qual somos incentivados a explorar nossa capacidade comunicativa e a experimentar várias formas de contacto físico, mental e emocional, muitas vezes somos tentados a acreditar que o sentimento de solidão e tristeza é apenas um sinal de falta de abertura. Às vezes, isso é verdade, e muitos trabalhos de sensibilidade contribuem bastante para alargar a extensão das interacções humanas. Mas a verdadeira abertura para o outro significa também um verdadeiro fechamento, pois apenas quem mantém um segredo pode em segurança partilhar o seu conhecimento. Quando não protegemos com grandes cuidados o nosso mistério interior, não somos capazes de formar uma comunidade. É esse mistério interior que nos atrai uns para os outros e nos permite criar amizades e relações amorosas duradouras. Uma relação íntima não exige apenas abertura mútua, mas também atracção respeitosa e mútua da singularidade de cada um.