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A mostrar mensagens com a etiqueta *Obra - Vorazmente Teu
O importante é dirigir-lhe a malevolência para os seus próximos imediatos, a quem ele encontra diariamente, e estender-lhe a benevolência, numa remota circunferência, a pessoas que ele não conhece. A malevolência torna-se assim totalmente real e a benevolência largamente imaginária.
Os resultados de um ódio tão fantasioso são frequentemente muito desapontadores e, sob este ponto de vista, os ingleses são, entre todos os humanos, os mais lamechas. São criaturas dessa desgraçada espécie que em voz alta proclama não haver tortura suficientemente má para os seus inimigos e logo oferecem chá e cigarros ao primeiro piloto alemão ferido que lhes apareça na porta das traseiras.
A verdade é que me descuidei, por simples distracção, e disse que o Inimigo ama realmente os humanos. Isto, claro, é uma impossibilidade. Ele é um ser, eles são distintos d’Ele. O bem deles não pode ser o Seu. Tudo o que diz sobre o Amor deve ser disfarce de qualquer outra coisa.
Não há nada como a incerteza e a ansiedade para barricar o espírito humano contra o Inimigo. Ele quer que os homens se preocupem com o que fazem; a nossa tarefa é mantê-los a pensar no que irá acontecer-lhes.
Não permitas pois que alguma emoção passageira te distraia da tua verdadeira missão – minar-lhe a fé e evitar a formação de virtudes. Na tua próxima carta, sem falta, faz-me o relato completo das reacções do paciente à guerra, a fim de podermos considerar se tens mais a ganhar transformando-o num grande patriota ou num ardente pacifista.
Ainda que uma determinada linha de pensamento possa ser desviada de modo a terminar em nosso favor”, verás que estiveste a fortalecer no teu paciente o hábito fatal de prestar atenção a questões universais, ao mesmo tempo que o desvias da corrente das experiências sensoriais imediatas. Mas a tua tarefa consiste em fixar-lhe a atenção nessa corrente. Ensina-o a chamar-lhe «vida real» e não lhe dês azo a que se pergunte o que pretende significar com o termo “real”.
O problema com a argumentação é que transpõe toda a luta para o terreno do próprio Inimigo. Também Ele pode argumentar. Ao passo que, com o tipo de propaganda realmente prática que sugiro, há já séculos que se vem a provar que Ele é grandemente inferior ao Nosso Pai que está nos Infernos. Pelo simples facto de argumentares, despertas a razão do paciente. E, uma vez desperta, quem poderá prever os resultados?
O teu homem foi habituado, desde rapazinho, a ter uma dúzia de filosofias incompatíveis entre si a dançarem-lhe dentro da cabeça. Ele não pensa em doutrina como essencialmente “verdadeiras” ou “falsas”, mas antes como “académicas” ou “práticas”, “ultrapassadas” ou “actuais”, “convencionais” ou “revolucionárias”. Frases feitas, não a discussão, são os teus melhores aliados para o manter avesso à Igreja.