Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta *Assunto - Pensar
A estupidez humana não cessa de me espantar. Leio na imprensa do dia que uma associação "humanista" da Grã-Bretanha lançou em Londres uma campanha pública para defender a provável inexistência de Deus. A ideia foi escrever nos ônibus da cidade duas frases de arrasadora profundidade filosófica: "Deus provavelmente não existe. Por isso, deixa de te preocupar e aproveita a vida". A tese espanta, não apenas pela infantilidade que a define --mas pela natureza ilógica que a contamina. Se Deus não existe, haverá necessariamente motivos para celebrar? Os mais radicais "philosophes" do século 18 concordariam que sim. O próprio projeto iluminista, na sua crítica à instituição religiosa como autoritária e obscurantista, defendia que a libertação dos Homens passava pela libertação do divino. Nem todos os "philosophes" eram ateus, é certo: Rousseau ou Diderot, impenitentes "deístas", não são comparáveis a La Mettrie ou Helvétius. Mas o iluminismo c...
"- Lógica! - Exclamou o profesor, mais para si do que para os garotos. - Porque não ensinam Lógica nas nossas escolas? Só há três possibilidades. Ou a vossa irmã anda a mentir, ou está louca, ou está a dizer a verdade. Vocês sabem que ela não mente, e é óbvio que não está louca. Então por agora, e a menos que surjam outros indícios em contrário, temos de partir do princípio de que ela está a dizer a verdade. Susan olhou-o com toda a atenção e, pela expressão do seu rosto, teve a certeza de que ele não estava a troçar deles. - Mas como poderia iso ser verdade, professor? - perguntou Peter? - Porque dizes isso? - Bem, por um lado, se fosse real, porque não encontraram todas as pessoas esse país de cada vez que vãoao guarda-fatos? Quero dizer, não havia lá nada quando nós olhámos; e a Lucy também confirmou que, de facto, não havia. - Que tem isso a ver com o assunto? - Bem, professor, quando as coisas são reais, existem sempre - explicou Peter. - Existem? - perguntou o profess...
- Como sabem que a história da vossa irmã não é verdadeira? - Mas... - começou Susan a dizer, e depois interrompeu-se. Pela cara do professor, via-se que ele falava muito a sério. Seguidamente recompôs-se e prosseguiu: - Mas o Edmund disse que só tinham estado a fingir. - Isso é um aspecto da questão em que vale a pena reflectir com todo o cuidado. Por exemplo... Desculpem estar a fazer perguntas... Mas, segundo a vossa experiência, qual dos vossos dois irmãos é de maior confiança? Quero dizer, qual deles é mais sincero? - Isso é que é esquisito, professor. Até agora teríamos dito sempre que era a Lucy - respondeu Peter. - E qual é a tua opinião, minha querida? - perguntou o professor, virando-se para Susan. - De uma maneira geral, diria o mesmo que o Peter, mas toda a história acerca do bosque e do fauno não pode ser verdade. - Isso é que eu já não sei - respondeu o professor. - Mas chamar mentirosa a alguém a quem sempre consideraram sincera é uma coisa muito grave; mesmo muito...
Mas se razões sociais estão por detrás do que algumas pessoas crêem, então elas explicam tanto o ateísmo como outros credos. Paul Vitz, um conhecido psicólogo cristão, foi criado no meio cristão. Depois, aos 18 anos abandonou tudo e tornou-se ateu. Com 38 anos, já professor de psicologia, fez uma investigação séria do cristianismo, chegou à conclusão de que era verdadeiro e entregou a sua vida a Cristo. Agora declara que as suas razões para a adopção do atéismo eram «superficiais, irracionais e, em grande parte, sem integridade intelectual e moral.» Ele tinha feito essa opção para ganhar as boas graças dos amigos.
O facto de ainda reter estas ideias hoje, e de elas se terem tornado progressivamente inseparáveis até se entrelaçarem e fundido umas nas outras – tudo isto fortalece a minha feliz certeza de que, longe de emergirem como fenómenos isolados, aleatórios ou esporádicos, estas ideias cresceram de uma raiz comum, de uma vontade fundamental de conhecimento, de uma vontade que vai buscar os imperativos às profundezas e fala uma linguagem cada vez mais específica e exige respostas cada vez mais específicas. Pois nada mais convém a um filósofo. Não temos o direito a qualquer acto isolado: não temos o direito de cometer erros isolados e a descoberta de verdades isoladas está-nos igualmente vedada. Antes, os nossos pensamentos, os nossos valores, os nossos sim e não saem de nós com a mesma necessidade com que uma árvore dá os seus frutos - relacionados e ligados uns aos outros e prova de uma vontade única, de uma saúde única, de uma terra única, de um sol único.
Ainda que uma determinada linha de pensamento possa ser desviada de modo a terminar em nosso favor”, verás que estiveste a fortalecer no teu paciente o hábito fatal de prestar atenção a questões universais, ao mesmo tempo que o desvias da corrente das experiências sensoriais imediatas. Mas a tua tarefa consiste em fixar-lhe a atenção nessa corrente. Ensina-o a chamar-lhe «vida real» e não lhe dês azo a que se pergunte o que pretende significar com o termo “real”.
O problema com a argumentação é que transpõe toda a luta para o terreno do próprio Inimigo. Também Ele pode argumentar. Ao passo que, com o tipo de propaganda realmente prática que sugiro, há já séculos que se vem a provar que Ele é grandemente inferior ao Nosso Pai que está nos Infernos. Pelo simples facto de argumentares, despertas a razão do paciente. E, uma vez desperta, quem poderá prever os resultados?