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A mostrar mensagens de junho, 2019

Definições de fé

Comecemos por olhar para a sua definição de fé, questionando a origem desta. A fé «significa confiança cega na ausência de evidências ou mesmo apesar delas». Como pode alguém aceitar esta definição tão ridícula? Na sua «Prece para a minha Filha», Dawkins apresenta um ponto importante que também aqui é muito relevante:  «A próxima vez que alguém te afirmar que algo é verdade, deves responder-lhe: "E em que evidências se baseia isso?" E se não te apresentarem uma boa resposta, espero que penses muito bem antes de acreditares no que te foi dito.»  Que evidências existem para que alguém - e não me estou a referir às pessoas religiosas – possa definir a fé desta maneira absurda?  A verdade é que Dawkins não apresenta nenhuma prova em favor desta definição, que afinal pouco ou nada tem a ver com o sentido religioso (ou qualquer outro sentido) do mundo. Não oferece indícios de que é uma opinião representativa da opinião religiosa. Não cita em seu apoio nenhuma autoridade na ma

Agostinho e a interpretação do Génesis

Agostinho de Hipona (354-430) foi o teólogo mais influente da sua era, tendo tido especial relevância na exploração da relação entre a interpretação bíblica e a ciência. Agostinho sublinhou a importância de serem respeitadas as conclusões da ciência na exegese bíblica. No seu comentário ao Génesis, Agostinho assinalou que certas passagens estavam genuinamente abertas a diferentes interpretações. Como tal, era importante permitir que os desenvolvimentos científicos posteriores pudessem contribuir para a escolha do modo mais apropriado de interpretar uma determinada passagem. «Em relação aos assuntos muitos obscuros e que se situam para lá da nossa visão, encontramos nas  escrituras sagradas passagens que podem ser interpretadas de maneiras muito diferentes sem prejuízo para a fé que recebemos. Nesses casos, não nos devemos precitipar e escolher uma posição definitiva que possa ser justamente posta em causa pelo posterior progresso, caso contrário nós também seremos postos em causa. Não

Reacção cristã dos contemporâneos de William Paley

Vários outros autores discordaram de Paley com base em argumentos teológicos, e não demoraram muito a apresentar essas discordâncias. Antes do aparecimentos da nova teoria de Darwin, já uma opinião teológica bem informada cada vez mais forte tinha exigido o abandono ou uma revisão profunda das ideias de Paley. Em 1852, John Henry Newman foi convidado a proferir uma série de palestras em Dublin sobre «a ideia de universidade». O tema permitiu-lhe explorar a relação entre o cristianismo e as ciências, especialmente a «teologia física» de William Paley. Newman usou um tom mordaz ao referir-se à perspectiva de Paley, apelidando-a de «falso evangelho». No seu entender, longe de significar um avanço nas perspectivas mais modestas adoptadas pela Igreja nos seus primórdios, tratava-se de uma degradação dessas ideias. Podemos resumir as críticas de Newman numa única frase: «A questão foi deslocada e excessivamente desenvolvida e, em consequência, quase só tem servido de instrumento contra o c

Perspectiva limitada ou expandida dos religiosos?

Dawkins sugere que a perspectiva religiosa sobre o mundo deixa de parte algo fundamental. Depois de ter lido Decompondo o Arco-íris continuo sem saber a que é que ele se refere. A leitura cristã do mundo não nega nada do que as ciências naturais nos dizem, à excepção do dogma naturalista de que a realidade se limita àquilo que é passível de ser conhecido por meio das ciências naturais. Se existe alguma diferença, ela encontra-se no facto de o compromisso cristão com o mundo natural acrescentar uma riqueza que me parece estar ausente da visão de Dawkins, e que oferece um motivo adicional para o estudo da natureza. Foi João Calvino (1509-1564) quem comentou o quanto invejava aqueles que estudavam fisiologia e astronomia, pois podiam ter um envolvimento directo com as maravilhas da Criação de Deus. Estava a explicar que o Deus invísivel e intangível podia ser entendido através do estudo das maravilhas da natureza. A grande diferença entre a ciência e a religião talvez se situe, não no