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A mostrar mensagens com a etiqueta 2009 dC

Coexistência com o inaceitável

Na opinião do crítico, estava efectivamente implícito! E voltou a elogiar a pujança criativa do realizador, a beleza das imagens, lentas, impregnadas de inquietação poética, misteriosas como os arpejos de uma harpa sem cordas; a rudeza da montagem que talvez se pudesse definir como neo-nouvelle vague ; e sobretudo a parcimónia do diálogo, admiravelmente reduzido ao essencial, atingindo o silêncio absoluto no violento clímax emocional que se despoletava na sequência da decapitação do sedutor, à porta do apartamente de Picadilly Circus: um choque inesperado e brutal de duas classes e duas culturas! - Mas eu não vi nada disso... - balbuciei, já um pouco aterrado com a minha eventual deficiência na observação de todas essas subtilezas... - É o que está im... im... implícito na sequência do u... u... urinol! - finalizou o crítico. Acatei com artificioso respeito a argumentação técnica do especialista, conquanto continuasse a achar, de mim para mim, que se tratava de um filme hediondo...

Diferenças entre as religiões inglesa e portuguesa

Foi com viva emoção que assisti pela primeira vez a uma cerimónia religiosa na abadia de Westminster. Encantou-me a distinção natural, a sóbria elegância do vestuário, a dignidade daqueles fiéis que, de pé, afinadíssimos, entoavam: «Aleluia! Aleluia!...», e não pude evitar uma expressão escarninha, mista de ironia, sarcasmo e até algum nojo, ao pensar nos formigames de andrajos, de pústulas, de aleijões, que se arrastam pelas estradas lusitanas, mesclando-se em massas híbridas e descomunais de povaréu lamuriento, conclaves mundiais de moléstias e pedinchice, no charnequenho lugar da Cova da Iria!... Nem a honrosa presença de altíssimos dignatários da diplomacia mundial, de governantes ilustres, de prestigiadas individualidades da vida civil e militar, das mais imponentes e paramentadas figuras da hierarquia clerical, do próprio Papa, que também já por lá andou a suportar, com assinalável estoicismo, capaz de se infectar, a proximidade promíscua do magote insalubre, a escutar e mesmo ...

Uma ordem chocante - 2

Levenson argumenta que só podemos entender a ordem de Deus a Abraão tendo em conta esse pano de fundo cultural. A Bíblia afirma, repetidas vezes, que, devido ao pecado dos israelitas, a vida dos seus primogénitos estará automaticamente perdida, embora possa ser resgatada através de sacrifícios regulares (Êxodo 22:28; 34:19-20) ou, enter os levitas, do serviço ao tabernáculo (Números 3:40-41), ou ainda através do pagamento de um resgate ao tabernáculo e aos sacerdotes (Êxodo 3:46-48). Quando Deus submeteu o Egipto a juízo, por ter escravizado os israelitas, o seu último castigo consistiu em matar os seus primogénitos. A vida dos seus primogénitos estava perdida, devido aos pecados das suas famílias e da nação. Porquê? O filho primogénito era a família. Por isso, quando Deus disse aos israelitas que a vida do primogénito lhe pertencia, a menos que fosse resgatada, estava a dizer, da forma mais viva possível, naquelas culturas, que cada família da terra tinha uma dívida para com a justiça...

Uma ordem chocante - 1

Muitos leitores, ao longo dos tempos, têm levantado objecções compreensíveis a este relato. Têm interpretado a «moral» desta história como significando que fazer coisas cruéis e violentas é bom, desde que se acredite que essa é a vontade de Deus. Nunca ninguém falou de forma tão expressiva acerca deste assunto como Søren Kierkegaard, cujo livro Temor e Tremor se baseia na história de Abraão e Isaac. A conclusão derradeira de Kierkegaard é a de que a fé é irracional e absurda. Abraão pensou que aquela ordem não fazia sentido nenhum, contradizendo tudo o mais que Deus alguma vez dissera, mas obedeceu a essa ordem. Será que aquela ordem parecera completamente irracional a Abraão? A interpretação feita por Kierkegaard deste episódio não toma em conta o significado do filho primogénito, segundo o pensamento e simbolismo judeus. Jon Levenson, erudito judeu, professor em Harvard, escreveu A morte e a ressurreição do filho amado . Nesse volume, ele recorda-nos que as culturas antigas não era...
São de veludo as palavras  Daquele que finge que ama  Ao desengano levo a vida  A sorte a mim já não me chama Vida tão só  Vida tão estranha  Meu coração tão maltratado  Já nem chorar  Me traz consolo  Resta-me só um triste fado  A gente vive na mentira  Já não dá conta do que sente  Antes sozinha toda a vida  Que ter um coração que mente
Um caso eloquente na nossa época é do Nelson Mandela. Impelido por uma poderosa vaga, com a auréola do prestígio que lhe conferiam os seus longos anos de detenção, estava na posição do chefe da orquestra. Os olhos dos seus compatriotas estavam virados para ele, para as suas expressões, para os seus gestos. Se tivesse deixado falar a sua amargura, acertado contas com os seus carrascos, punido todos os que tinham apoiado ou tolerado o apartheid, ninguém poderia censurá-lo por isso. Se tivesse querido permanecer na presidência da República até ao seu último fôlego e governar como autocrata, ninguém poderia impedi-lo de o fazer. Mas ele teve o cuidado de dar, muito explicitamente, sinais muito diferentes. Não se contentou em perdoar aqueles que o tinham perseguido, quis mesmo visitar a viúva do antigo primeiro-ministro Verwoerd, um dos artífices da segregação, para lhe dizer que o passado era já o passado e que ela também tinha o seu lugar na nova África do Sul. A mensagem era clara: eu, ...
Tanta gente sente medo de mudar Temendo que a aparência perca o seu lugar E ao tentar mexer com parecidos há em nós É breve o silêncio até que se erga uma voz O professor ou do senhor doutor Nunca se chega a entender a totalidade E o prazer de não saber vem só com a alta idade Quem diz tudo saber não merece o benefício Nem mesmo o homem que se ocupa de um só ofício A consonância veste a ignorância Vou andando Sem dizer adeus Bem-vinda próxima paragem Ai Jesus que lá vou eu Nunca mais me vão ver aqui Se perguntarem diz que já morri A pior raça é a de quem vive atrás da coerência Vê na verdade matemática e no céu ciência Ser tão pouco agora como já se era antes É fruto da coerência em certos bons estudantes Se é p'ra mentir, é p'ra mentir E ter coragem de mudar é saber enfrentar Que quando formos para outro lado não vamos voltar Ter o sorriso pronto para a qualquer momento Saber que faltámos ao tal grande acontecimento Se é p'ra mudar, é p'ra perder Vou andando Sem d...
"Viveu sempre sossegado cada amor em cada lado mas ele mesmo até morrer vá-se lá saber o que sentia todo o dia até anoitecer (e o que ele ouvia) viveu sempre em todo o lado com seus dons de namorado sempre sempre a envelhecer vá-se lá dizer o que fazia todo o dia até amanhecer (e o que ele ouvia) é bom ter má fama dá para ter vazia a cama e nesta solidão de Kant ser tido um grande amante é bom ter de fundo o que anda pelas bocas do mundo e quem quiser acreditar ao menos não vem cá espreitar sobra-me tempo para cantar Fez de tudo até calçado mas seu jeito de empregado só deixava perceber para quem queria ver de cada dia uma alegria para desaparecer (e o que ele ouvia) dez de tudo de empregado só não fez do seu passado um segredo para esconder já não vai vencer mas respondia para se defender (e o que ele ouvia) é bom ter má fama dá para ter a cama vazia e nesta solidão de Kant ser tido um grande amante é bom ter de fundo o que anda pelas bocas do mundo e quem quiser acreditar ao men...
A new day, a new dawn - a new creation. Just as the first infinitesimal part of a second at the beginning of the universe was a unique and unrepeated moment, so the resurrection of Jesus, Saviour, Lord and God, was the first, unique, unprecedented, without parallel moment when God's promised new creation began. For without the resurrection, the cross is a defeat; there is no forgiveness, no salvation, no new life and no hope beyond death. But thanks be to God! He gives us the victory through our Lord Jesus Christ. (...) Meanwhile, what are the implications for everyday life? Tom Wright again: 'Because the early Christians believed that "resurrection" had begun with Jesus, and would be completed in the great final resurrection on the last day, they believed that God had called them to work with him, in the power of the Spirit, to anticipate the final resurrection, in personal and political life, in mission and holiness' (57). Those who belong to Jesus are calle...
A estupidez humana não cessa de me espantar. Leio na imprensa do dia que uma associação "humanista" da Grã-Bretanha lançou em Londres uma campanha pública para defender a provável inexistência de Deus. A ideia foi escrever nos ônibus da cidade duas frases de arrasadora profundidade filosófica: "Deus provavelmente não existe. Por isso, deixa de te preocupar e aproveita a vida". A tese espanta, não apenas pela infantilidade que a define --mas pela natureza ilógica que a contamina. Se Deus não existe, haverá necessariamente motivos para celebrar? Os mais radicais "philosophes" do século 18 concordariam que sim. O próprio projeto iluminista, na sua crítica à instituição religiosa como autoritária e obscurantista, defendia que a libertação dos Homens passava pela libertação do divino. Nem todos os "philosophes" eram ateus, é certo: Rousseau ou Diderot, impenitentes "deístas", não são comparáveis a La Mettrie ou Helvétius. Mas o iluminismo c...
Reconheço que é necessário mudar coisas no mundo – mas sei, pela história dos últimos duzentos ou trezentos anos, que as mudanças bruscas e as revoluções não apenas relembram a triste condição do género humano como se limitaram a substituir uma tirania por outra. E não sou um escolho no meio do “progresso moral” da sociedade; não me incomoda o casamento entre homossexuais, apenas peço que não se transforme em regra essa novidade. Um conservador encolhe os ombros. Vê o movimento dos astros e considera, com largueza, que há coisas que não pode mudar e pronto.
Dizem que não há mulher feia. Também não há má poesia, que a Natureza tudo premeia. Não há menina que nasça gentia nem palavra que nasça alheia. De quem critica está a vida cheia e criticar é que é vida vazia Mas cá para mim isso são só desculpas de quem mal se depila, o buço e o soneto, o alexandrino e a axila. Mas cá para mim isso são só desculpas para quem tão mal se andraja com calças largas de homem a escrever coisas de gaja.
No one laughs at God in a hospital No one laughs at God in a war No one’s laughing at God When they’re starving or freezing or so very poor No one laughs at God When the doctor calls after some routine tests No one’s laughing at God When it’s gotten real late And their kid’s not back from the party yet No one laughs at God When their airplane start to uncontrollably shake No one’s laughing at God When they see the one they love, hand in hand with someone else And they hope that they’re mistaken No one laughs at God When the cops knock on their door And they say we got some bad news, sir No one’s laughing at God When there’s a famine or fire or flood But God can be funny At a cocktail party when listening to a good God-themed joke, or Or when the crazies say He hates us And they get so red in the head you think they’re ‘bout to choke God can be funny, When told he’ll give you money if you just pray the right way And when presented like a genie who does ...
Vão ser bombardeados com esta pergunta: porquê "Declaration Of Dependence" para título do álbum? [risos] Sim, essa é a pergunta que ouvimos mais vezes, independentemente do título ter ou não relevância. Parece que há uma série de perguntas que todos os jornalistas fazem e essa é uma delas. Mas neste caso o título parece ter significado relevante. A ideia de "dependência" pode ter conotação negativa, mas também pode ser encarado como algo saudável. Por exemplo, como definidor de limites. Sim, absolutamente, mas a maior parte das pessoas tem medo da dependência. Durante muitos anos, acontecia-me isso. Como se fosse algo que lhe limitasse os movimentos? Exacto. Quando muitas vezes é ao contrário. Podemos depender de uma série de coisas - de pessoas, por exemplo - e isso ser estruturador. No sentido em que sabemos que elas estão lá sempre, aconteça o que acontecer. É essa consciência que nos pode permitir, precisamente, ter espaço para sermos mais livres. Como classifi...
Se não existe amor completamente seguro nem sexo completamente seguro, como é que podemos achar que na amizade estamos defendidos contra todas as incertezas? Conhecem este lugar-comum: deposito todas as esperanças nos meus amigos. Será verdade? Só mesmo se acreditarmos que a amizade é um bem acima do amor e do sexo. É uma tese possível, vulgarizada por quem enfatiza o carácter desinteressado da amizade por oposição ao lado compulsivo do amor e do sexo. E no entanto, se as coisas fossem assim tão claras, não seria razoável que toda a gente buscasse mais a amizade do que o amor e o sexo? Não seria então normal que as nossas dependências na amizade fossem mais inadiáveis e obrigatórias do que as nossas dependências amorosas e sexuais? Como sabemos, não é isso que acontece; ou acontece bastante menos do que o inverso. Estamos dispostos a tudo ou a quase tudo por amor e sexo; pela amizade, só o que não for desmanchar os outros dois. A amizade é sempre tudo o que resta.
Acabou para mim aqui na terra o jugo da escravidão que pesava sobre enquanto sacerdote e católico. Como eu gostaria que os católicos e sobretudo os padres conhecessem o verdadeiro evangelho bíblico! Mas isto depende de Deus e a humildade de coração de outra parte não negando o meu trabalho evangelístico como a minha ardente oração por eles. Como Paulo orava pelos seus compatriotas segundo a carne! Ele orava pela sua salvação não porque eles não tinham zelo por Deus mas porque faziam aquilo não com entendimento, porquanto desconheciam a justiça de Deus e procuravam estabelecer a sua própria, não se sujeitando à que vem de Deus (Rm. 10: 1-3). Não é precisamente isto que acontece com os católicos? Não tenho a menor dúvida. Por isso, acho que é urgente levar a eles o verdadeiro evangelho bíblico. O pecador enquanto pensar que pelo seu esforço ou mérito é capaz de alcançar a sua própria salvação, nunca a alcançará (Rm. 3:20; Gl. 2:16, 3:10-11). Mensagem Baptista nº209
Ela quer um «príncipe» (cito) mas não abdica de um sistema republicano. Acontece, minha querida, que os novos príncipes não são «escolhidos» por uma pessoa: são eleitos pelo maior número.
“Não queiramos ser como o mundo gostaria que fossemos, procuremos a nossa identidade no seguimento de Jesus Cristo, na fidelidade à Igreja e na santa liberdade dos filhos de Deus.”