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A mostrar mensagens com a etiqueta *Autor - C. S. Lewis

Um cientismo popular ainda não tinha sido criado

In our age I think it would be fair to say that the ease with which a scientific theory assumes the dignity and rigidity of fact varies inversely with the individual’s scientific education. In discussion with wholly uneducated audiences I have sometimes found matter which real scientists would regard as highly speculative more firmly believed than many things within our real knowledge; the popular imago of the Cave Man ranked as hard fact, and the life of Caeser or Napoleon as doubtful rumour. We must not, however, hastily assume that the situation was quite the same in the Middle Ages. The mass media which have in our time created a popular scientism, a caricature of the true sciences, did not exist. The ignorant were more aware of their ignorance then that now.  The Discarded Image  Página 17  C. S. Lewis  1964 dC  Editora: Cambridge University Press

Entrincheirados pelo pior do que os outros dizem

In any fairly large and talkative community such as a university, there is always the danger that those who think alike should gravitate together into 'coteries' where they will henceforth encounter opposition only in the emasculated form of rumor that the outsiders say thus and thus. The absent are easily refuted, complacent dogmatism thrives, and differences of opinion are embittered by group hostility. Each group hears not the best, but the worst, that the other groups can say. C. S. Lewis

Divisões que trazem conforto

Quanto ao meu intenso empenho em nunca ter qualquer contacto com os Eldila , não estou bem certo de poder fazer os leitores compreendê-lo. Era algo mais que um prudente desejo de evitar criaturas diferentes da nossa espécie, muito poderosas e muito inteligentes. A verdade é que tudo o que ouvir a respeito deles levava a ligar duas coisas que a mente de cada um de nós têm tendência a manter separadas, e essa ligação produzia um certo choque. Temos tendência a pensar acerca de inteligências não humanas em duas categorias distintas, que rotulamos respectivamente «científicas» e «sobrenaturais». Numa certa disposição de espírito, pensamos nos marcianos do Sr. Wells (muito pouco parecidos com os verdadeiros naturais de Malacandra, diga-se de passagem) ou nos seus selenitas. Noutra disposição de espírito totalmente diferente, divagamos sobre a possibilidade de existirem anjos, fantasmas, fadas e coisas assim. Mas no preciso momento em que somos obrigados a reconhecer uma criatura de qualquer...

Papel da dor

Filme: Shadowlands

Estar contactável nos anos 30

Os seus pensamento foram interompidos pela abertura da porta. Devine entrou, sozinho, trazendo consigo um tabuleiro com uma garrafa de uísque, copos e um cifão. - Weston anda ver se encontras alguma coisa para comer – disse, pousando o tabuleiro no chão, ao lado da cadeira onde Ransom se encontrava sentado, e principiando a abrir a garrafa. Ransom, que, na verdade, se sentia bastante sequioso, reparou que o seu anfitrião era uma das tais pessoas irritantes que se esquecem de utilizar as mãos ao mesmo tempo de falam. Devine, que começara a tirar a prata que cobria a rolha com a ponta do saca-rolhas, parou de repente para perguntar: - Como é que veio parar a estar zona selvagem do país? - Ando a dar uma volta pelas redondezas – respondeu Ransom. - A noite passada dormi em Stoke Underwood e estava a pensar ficar esta noite em Nadderby. Como eles não me deram hospitalidade, resolvi seguir para Sterk. - Santo Deus! - exclamou Devine, mantendo a rolha no interior da garrafa. - Fazes is...

Contactar pela primeira vez com uma nova arte

A qualquer homem, ao contactar pela primeira vez com uma nova arte, depara-se-lhe, a certa altura, algo que, erguendo a ponta do véu que esconde o mistério, revela, numa explosão de maravilha que o posterior entendimento total quase nunca chega a igualar, um lampejo das imensas possibilidades que lhe são inerentes. Para Ransom, esse momento ocorreu naquela altura, no que dizia respeito à sua compreensão das canções malacandrianas. De início reparou que o ritmo utilizado tinha por base a influência de um sangue diferente do nosso, de um coração que batia mais depressa e de uma temperatura interna mais elevada. O conhecimento que tinha das criaturas, e o amor que entretanto desenvolvera em relação a elas, fez que começasse a ouvi-las tal como cantavam. As primeiras estrofes do canto fúnebre, cantadas em notas baixas, acordando nele a sensação de grandes massas que se moviam a velocidades inconcebíveis, de gigantes dançando, de mágoas eternamente dissipadas por algo que desconhecia mas de...

The Weight of Glory - 13

(...) Entretanto, a cruz vem antes da coroa e amanhã é segunda-feira de manhã. Abriu uma fenda nas muralhas impiedosas do mundo, e somos convidados a seguir o nosso Capitão lá para dentro. Segui-Lo é, obviamente, o ponto essencial. E assim sendo, poderá ser perguntado sobre qual a aplicação prática destas especulações com que nos temos presenteado. Consigo lembrar-me de pelo menos uma aplicação. É possível que cada um pense demasiado na sua potencial glória na próxima vida; é mais dificilmente possível que se pense o mesmo com demasiada frequencia ou profundidade em relação ao seu próximo. A carga, ou o peso, ou o fardo da glória do meu próximo deve ser depositada nas minhas costas, uma carga tão pesada que só a humildade pode carregá-la, e as costas dos orgulhosos cederão. É uma coisa séria viver numa sociedade de possíveis deuses e deusas, lembrar que a pessoa mais aborrecida e desinteressante com que possas ter falado, um dia poderá ser uma criatura que, se a visses agora, sentir-...

The Weight of Glory - 12

(...) E quando lá chegarmos, além da Natureza, comeremos da árvore da vida. De momento, somos renascidos em Cristo, o espírito em nós vive directamente em Deus; mas a mente, e ainda mais o corpo, recebe vida d'Ele através de mil subtracções – através dos nossos antepassados, através da nossa comida, através dos elementos. Os resultados débeis e distantes dessas energias que o êxtase criativo de Deus implantou na matéria quando Ele fez os mundos são o que agora chamamos de prazeres físicos; e mesmo que filtrados, eles são demasiado para o que conseguimos lidar actualmente. Como seria provar na fonte aquele regato do qual até estas coisas menores se mostram intoxicantes. Ainda assim, creio eu, isso é o que jaz diante de nós. O homem completo é feito para beber alegria da fonte da alegria. Como disse Santo Agostinho, o êxtase da alma salva "fluirá" para o corpo glorificado. À luz dos nossos apetites actuais especializados e depravados, não conseguimos imaginar esta torrens...

The Weight of Glory - 11

(...) E isto traz-me para o outro sentido para glória – glória enquanto brilho, esplendor, luminosidade. Devemos brilhar como o sol, a Estrela Vespertina ser-nos-á oferecida . Penso que comecei a perceber o que isso significa. Por um lado, claro, Deus já nos ofereceu a Estrela Verpertina: uma pessoa pode sair e desfrutar da oferta por muitas belas manhãs, se se levantar cedo o suficiente. Mas o que é que, poderão perguntar, nós queremos? Ah, mas nós queremos muito mais do que isso – algo a que os livros de estética pouco se dedicam. Mas os poetas e as mitologias sabem tudo sobre o assunto. Não queremos apenas ver a beleza, embora, sabe Deus, até esse seja um prémio suficiente. Queremos outra coisa, que dificilmente pode ser exprimida por palavras – estar unidos com a beleza que vemos, passar para ela, recebê-la em nós, banharmo-nos nela, tornarmo-nos parte dela. É por isso que povoámos o ar, a terra e a água com deuses e deusas, e ninfas e elfos – que, embora nós não possamos, no ent...

The Weight of Glory - 10

(...) Talvez pareça um tanto rude descrever glória enquanto o facto de Deus "reparar" em nós. Mas esta é praticamente a linguagem do Novo Testamento. Paulo promete àqueles que amem Deus, não como nós esperaríamos, que conhecerão Deus, mas que serão conhecidos por Ele . É uma estranha promessa. Então Deus não conhece todas as coisas a toda a hora? No entanto, ressoa terrivelmente noutra passagem do Novo Testamento. Nela somos avisados que poderá acontecer a qualquer um de nós quando nos apresentarmos finalmente diante de Deus ouvir a palavras implacáveis: " Nunca te conheci. Aparta-te de mim ". Em certo sentido, tão obscuro para o intelecto quanto insuportável para os sentimentos, tanto podemos ser banidos da presença d'Aquele que está presente em todo lado, como apagados do conhecimento d'Aquele que conhece tudo. Nós podemos ser completa e absolutamente deixados de fora – repelidos, exilados, alienados, final e inexprimivelmente ignorados. Por outro lado, ...

The Weight of Glory - 9

(...) E agora reparem no que está a acontecer. Se eu tivesse rejeitado a imagem escritural e autoritativa de glória, e ficado obstinadamente bloqueado no desejo vago que, no início, era a minha única pista para o Céu, poderia não ter encontrado de todo a ligação entre esse desejo e a promessa cristã. Mas agora, tendo seguido nos textos sagrados o que parecia ser confuso e repelente, descubro, para minha grande surpresa, olhando para trás, que a ligação é claríssima. Glória, aquela pela qual o Cristianismo me ensina a esperar, satisfaz afinal o meu desejo original e, na verdade, revela um elemento desse desejo em que eu não tinha reparado. Ao deixar de considerar, por um momento, o meu próprio querer, comecei a perceber melhor o que eu realmente queria. Quando tentei, há alguns minutos atrás, descrever os nossos anseios espirituais, acabei por omitir uma das suas características mais curiosas. Geralmente reparamos nela assim que a visão esmorece, que música termina, ou que a paisagem...

The Weight of Glory - 8

(...) Não estou a esquecer-me do quanto este desejo tão inocente é parodiado nas nossas ambições humanas, ou no quão rapidamente, na minha experiência, o legítimo prazer de agradar aqueles a quem era meu dever agradar se transforme no veneno mortal da auto-admiração. Mas acho que conseguia detectar um instante – um curto, curto instante – antes disto acontecer, durante o qual a satisfação de ter agradado aqueles a quem acertadamente amei, e acertadamente temi, era pura. E isto é suficiente para pensarmos sobre o que pode acontecer quando a alma redimida, para além de toda a esperança, e de quase toda a crença, descobre por fim que agradou Aquele para o qual ela foi criada para agradar. Então, não haverá espaço para vaidade. Será libertada da miserável ilusão de que foi pelo seu esforço. Sem qualquer mancha daquilo a que agora chamamos auto-aprovação, ela irá alegrar-se inocentemente naquilo que Deus a criou para ser, e a ocasião que curará o seu velho complexo de inferioridade para s...

The Weight of Glory - 7

(...)  De seguida, viro-me para a ideia de glória. Não há forma de escapar ao facto de que esta ideia é bastante proeminente no Novo Testamente e nos primeiros escritos cristãos. Salvação está constantemente associada a palmeiras, coroas, roupões brancos, tronos e esplendor como o do sol e das estrelas. Tudo isto não me causa nenhum apelo imediato, e a esse respeito, imagino que eu seja um típico moderno. Glória sugere-me duas ideias, das quais uma parece-me perversa, e a outra ridícula. Para mim, glória significa ou fama ou luminosidade. Em relação à primeira, como ser famoso significa ser mais conhecido do que as outras pessoas, vejo o desejo pela fama como uma paixão competitiva, e como tal, mais do Inferno do que do Céu. Em relação à segunda, quem é que deseja tornar-se numa espécie de lâmpada eléctrica viva? Quando comecei a debruçar-me sobre este assunto fiquei bastante surpreendido por deparar-me com cristãos tão diferentes quanto Milton , Johnson e Tomás de Aquin...

The Weight of Glory - 6

(..) As promessas das Ecrituras podem ser reduzidas, por alto, a cinco ênfases. É prometido, em primeiro lugar, que estaremos com Cristo; em segundo, que seremos como Ele; em terceiro, com uma enorme riqueza de imagens, que teremos "glória"; em quarto, que seremos, em certo sentido, alimentados ou banqueteados ou entretidos; e finalmente, que teremos algum tipo de cargo oficial – governar cidades, julgar anjos, ser pilares do templo de Deus. A primeira pergunta que faço acerca destas promessas é: "porquê qualquer uma delas excepto a primeira?" Pode alguma coisa ser acrescentada à concepção de estar com Cristo? Porque deve ser verdade que, como diz um velho escritor, quem tem Deus e tudo o resto não tem mais do que aquele que tem apenas Deus. Penso que a resposta jaz uma vez mais na natureza dos símbolos. Porque embora possamos não reparar à primeira vista, ainda assim é verdade que qualquer concepção de estar com Cristo que qualquer um de nós possa agora formar nã...

The Weight of Glory - 5

(...)  Façam eles como quiserem, nós continuamos conscientes de um desejo que nenhuma felicidade natural satisfará. Mas há alguma razão para supor que a realidade oferece qualquer possibilidade de o satisfazer? "Nem estar com fome prova que temos o pão". Mas penso que pode ser salientado que isto é não perceber o que importa. A fome física de um homem não prova que ele vá ter algum pão; ele poderá morrer de fome numa jangada no Atlântico. Mas seguramente que a fome de um homem prova que ele provém de uma raça que repara o seu corpo quando come e habita um mundo onde existem substâncias comestíveis. Da mesma maneira, embora não acredite (quem me dera acreditar) que o meu desejo pelo Paraíso prove que eu vá desfrutar dele, penso que é uma indicação razoavelmente boa de que existe, e que alguns homens para lá irão. Um homem pode amar uma mulher e não conquistá-la; mas seria muito estranho se o fenómeno a que chamamos "apaixonar" ocorresse num mundo assexuado. Então...

The Weight of Glory - 4

(...) Ao falar deste desejo pelo nosso país distante , que encontramos em nós até mesmo agora, sinto uma certa timidez. Estou praticamente a cometer uma indecência. Estou a tentar dilacerar o segredo inconsolável em cada um de vocês – o segredo que magoa tanto que se vingam dele a chamar-lhe nomes como Nostalgia, Romantismo ou Adolescência; também o segredo que nos atravessa com tanta doçura que, numa conversa mais íntima, a sua menção torna-se iminente, sentimo-nos encavacados e fingimos que nos rimos de nós próprios; o segredo que não conseguimos esconder e que não conseguimos contar, embora desejemos fazer ambos. Não conseguimos contá-lo porque é o desejo por algo que nunca realmente surgiu na nossa experiência. Não conseguimos escondê-lo porque a nossa experiência está constantemente a sugeri-lo, e traímo-nos como amantes ao ouvir a referência a um certo nome. O nosso expediente mais vulgar é chamar-lhe Beleza e comportar-mo-nos se isso resolvesse o assunto. O expediente de Word...

The Weight of Glory - 3

(...) O cristão, em relação ao Céu, está praticamente na mesma posição que o miúdo da escola. Aqueles que alcançaram a vida eterna na visão de Deus sem dúvida que sabem muito bem que não não é nenhum suborno, mas sim a consumação da sua vida terrena de discipulado; mas nós que ainda não a alcançámos não o podemos saber da mesma maneira, e não podemos sequer começar a saber, a não ser por continuar a obedecer e encontrar a recompensa inicial da nossa obediência na nossa capacidade crescente de desejar a derradeira recompensa. Na mesma proporção que o nosso desejo aumenta, o nosso medo de que seja um desejar mercenário diminuirá, até que finalmente o reconheçamos como sendo absurdo. Mas provavelmente isto não acontecerá, para a maioria de nós, de um dia para o outro; a poesia substitui a gramática, o Evangelho substitui a Lei, e o desejo transforma a obediência, tão gradualmente quanto a maré eleva um navio encalhado.  Mas há mais uma importante semelhança entre nós e o miúdo da ...

The Weight of Glory - 2

(...) Não devemos ficar atrapalhados quando descrentes dizem que esta promessa de recompensa torna a vida cristã numa vida mercenária. Existem diferentes tipos de recompensa. Há a recompensa que não tem nenhuma ligação natural com as coisas que fazes para a ganhar, e é bastante distinta dos desejos que deviam acompanhar essas coisas que fizeste. Dinheiro não é a recompensa natural do amor; é por isso que chamamos a um homem "mercenário" se ele casar com uma mulher apenas tendo em vista o seu dinheiro. Mas o casamento é a recompensa própria para um verdadeiro amante ("lover", "amador", pessoa que ama), e ele não é mercenário por o desejar. Um general que combata bem para conseguir um título nobiliárquico é mercenário; um general que combata pela vitória não é, sendo a victória a recompensa apropriada para o combate, tal como o casamento é a recompensa adequada para o amor. As recompensas apropriadas não estão meramente anexadas à actividade pela qual são ...

The Weight of Glory - 1

Se perguntássemos a vinte bons homens dos dias de hoje qual é que eles pensavam ser a mais elevada das virtudes, dezanove responderiam "altruísmo/abnegação" (em inglês, "unselfinshness", que se poderia traduzir directamente por "desegoísmo"). Mas se perguntássemos à maioria dos grandes cristãos de antigamente, responderiam "amor". Repararam no que aconteceu? Um termo negativo foi substituído por um positivo, e isto é de uma importância maior do que meramente filológica. O ideal negativo do "altruísmo" ("desegoísmo") transporta consigo a sugestão não de conseguir primariamente coisas boas para os outros, mas de prescindirmos delas para nós próprios, como se o importante fosse a nossa abstinência, e não a felicidade dos outros. Não penso que isto seja a virtude cristã do "amor". O Novo Testamento tem muito a dizer sobre auto-negação, mas não auto-negação como um fim em si mesmo. É-nos dito para negarmos a nós mesmo...
Por vezes, Senhor, somos tentados a dizer que se queríeis que nos comportássemos como os lírios do campo poderíeis ter-nos conferido uma organição mais semelhante à deles. Mas essa é, suponho, a vossa grande experiência. Ou não. Não uma experiência, posto que não necessitais de descobrir como as coisas são. Antes a vossa grande empresa. Criar um organismo que é também espírito. Criar esse terrível oxímoro, um 'animal espiritual'. Tomar um pobre primata, um bruto todo ele cheio de terminações nervosas, uma criatura com um estômago que exige que o encham, um animal reprodutor que anseia por acasalar, e dizer-lhe 'Vá, anda com isso. Torna-te um deus.' Original: A Grief Observed Editora Grifo página 130