Até mesmo por si só, uma palavra, um aglomerado de sons podem desencadear uma excitação sufocante (o célebre faire catleya de Proust). A imagem desdobra-se no interior do som. A masturbação tem, assim, a sua gramática muda. Dentro desta privacidade, contudo, nos recessos do mais íntimo, intervém instâncias públicas. O vocabulário erótico e sexual dos media , a gíria amorosa do cinema e da televisão, as vagas declaratórias da publicidade e no mercado de massa, estilizam, moldam segundo convenções o ritmo, o andamento, as componentes discursivas de milhões de parceiros sexuais. No mundo desenvolvido, com a sua pornografia corrosiva, são inumeráveis os amantes, particularmente entre os jovens, que «programam» o seu modo de fazer amor, façam-no conscientemente ou não, em termos semióticos pré-estabelecidos. O que deveria ser o mais espontaneamente anárquico, o mais individualmente revelador e inventivo dos encontros humanos, seguem em muito larga medida um guião . A última liberdade, a au...
"Examinai tudo. Retende o bem", I Tessalonicenses 5:21