Shukhov continuou calmamente a fumar observando o seu excitado companheiro. - Aliosha – disse ele, retirando o braço e soprando o fumo para a cara do baptista. – Não sou contra Deus, compreende bem isso. Acredito em Deus, não duvides. Porém, não creio no Paraíso nem no Inferno. Porque nos tomas tu por patetas e nos enches os ouvidos com essas histórias do Paraíso e do Inferno? É isso que não me agrada. Voltou-se, deixando cair, com cuidado a cinza do cigarro entre a tarimba e a janela, a fim de não sujar o leito do capitão. Mergulhou nos seus pensamentos e deixou de ouvir os murmúrios de Aliosha. - Bem – disse para concluir -, por muito que ores não conseguirás encurtar a tua pena. Tens que cumpri-la do princípio ao fim, de uma maneira ou outra. - Oh, também não se deve orar por isso – retorquiu Aliosha, horrorizado. – Porque desejas a tua liberdade? Em liberdade, o teu último resíduo de fé será sufocado pelas cizânias. Deves regozijar-te por te encontrares na prisão. Aqui tens mais t...
"Examinai tudo. Retende o bem", I Tessalonicenses 5:21