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A mostrar mensagens com a etiqueta 2005 dC

Definições de fé

Comecemos por olhar para a sua definição de fé, questionando a origem desta. A fé «significa confiança cega na ausência de evidências ou mesmo apesar delas». Como pode alguém aceitar esta definição tão ridícula? Na sua «Prece para a minha Filha», Dawkins apresenta um ponto importante que também aqui é muito relevante:  «A próxima vez que alguém te afirmar que algo é verdade, deves responder-lhe: "E em que evidências se baseia isso?" E se não te apresentarem uma boa resposta, espero que penses muito bem antes de acreditares no que te foi dito.»  Que evidências existem para que alguém - e não me estou a referir às pessoas religiosas – possa definir a fé desta maneira absurda?  A verdade é que Dawkins não apresenta nenhuma prova em favor desta definição, que afinal pouco ou nada tem a ver com o sentido religioso (ou qualquer outro sentido) do mundo. Não oferece indícios de que é uma opinião representativa da opinião religiosa. Não cita em seu apoio nenhuma autoridade n...

Agostinho e a interpretação do Génesis

Agostinho de Hipona (354-430) foi o teólogo mais influente da sua era, tendo tido especial relevância na exploração da relação entre a interpretação bíblica e a ciência. Agostinho sublinhou a importância de serem respeitadas as conclusões da ciência na exegese bíblica. No seu comentário ao Génesis, Agostinho assinalou que certas passagens estavam genuinamente abertas a diferentes interpretações. Como tal, era importante permitir que os desenvolvimentos científicos posteriores pudessem contribuir para a escolha do modo mais apropriado de interpretar uma determinada passagem. «Em relação aos assuntos muitos obscuros e que se situam para lá da nossa visão, encontramos nas  escrituras sagradas passagens que podem ser interpretadas de maneiras muito diferentes sem prejuízo para a fé que recebemos. Nesses casos, não nos devemos precitipar e escolher uma posição definitiva que possa ser justamente posta em causa pelo posterior progresso, caso contrário nós também seremos postos em causa....

Reacção cristã dos contemporâneos de William Paley

Vários outros autores discordaram de Paley com base em argumentos teológicos, e não demoraram muito a apresentar essas discordâncias. Antes do aparecimentos da nova teoria de Darwin, já uma opinião teológica bem informada cada vez mais forte tinha exigido o abandono ou uma revisão profunda das ideias de Paley. Em 1852, John Henry Newman foi convidado a proferir uma série de palestras em Dublin sobre «a ideia de universidade». O tema permitiu-lhe explorar a relação entre o cristianismo e as ciências, especialmente a «teologia física» de William Paley. Newman usou um tom mordaz ao referir-se à perspectiva de Paley, apelidando-a de «falso evangelho». No seu entender, longe de significar um avanço nas perspectivas mais modestas adoptadas pela Igreja nos seus primórdios, tratava-se de uma degradação dessas ideias. Podemos resumir as críticas de Newman numa única frase: «A questão foi deslocada e excessivamente desenvolvida e, em consequência, quase só tem servido de instrumento contra o c...

Perspectiva limitada ou expandida dos religiosos?

Dawkins sugere que a perspectiva religiosa sobre o mundo deixa de parte algo fundamental. Depois de ter lido Decompondo o Arco-íris continuo sem saber a que é que ele se refere. A leitura cristã do mundo não nega nada do que as ciências naturais nos dizem, à excepção do dogma naturalista de que a realidade se limita àquilo que é passível de ser conhecido por meio das ciências naturais. Se existe alguma diferença, ela encontra-se no facto de o compromisso cristão com o mundo natural acrescentar uma riqueza que me parece estar ausente da visão de Dawkins, e que oferece um motivo adicional para o estudo da natureza. Foi João Calvino (1509-1564) quem comentou o quanto invejava aqueles que estudavam fisiologia e astronomia, pois podiam ter um envolvimento directo com as maravilhas da Criação de Deus. Estava a explicar que o Deus invísivel e intangível podia ser entendido através do estudo das maravilhas da natureza. A grande diferença entre a ciência e a religião talvez se situe, não no...

Doutrinas que dizem respeito à vida diária

William Law foi um escritor e místico inglês do século 18 que publicou uma obra informativa sobre John Wesley e o movimento de plantação da Igreja Metodista. Ele fez esta observação há muitos anos, o que atingiu na cara os seus contemporâneos, assim como provavelmente ainda acontece actualmente: "É muito interessante que não haja em todo o Evangelho uma só ordem sobre adoração em público; e talvez esta seja a tarefa menos reforçada de toda a Escritura. A presença de frequentadores nunca é mencionada no Novo Testamento, ao passo que religião ou devoção que deve governar as acções comuns da nossa vida é encontrada em quase todos os versículos da Escritura. Nosso abençoado Senhor e os seus discípulos estão honestamente ocupados com doutrinas que dizem respeito à vida diária". página 69 Editorial Habacuc Original: Organic Church

Sentado em volta do fogo com um grupo de amigos chegados

Nada trazia maior alegria a Lewis do que ficar sentado em volta do fogo com um grupo de amigos chegados, engajados numa boa discussão, ou empreender longos passeios com eles através dos campos de Inglaterra. "Eu passo as horas mais felizes da minha vida", escreveu Lewis, "com três ou quatro velhos amigos, em traje amarrotados; caminhando com eles ou reunidos em pequenos bares – ou qualquer outro lugar - , sentados até altas horas em algum alojamento da faculdade para discutir bobagem, poesia, teologia, metafísica, regados a cerveja, chá e cachimbos. Não há som que eu aprecisasse mais do que o de... risos". Numa outra carta ao seu amigo Greeves, Lewis escreve: "a amizade é o maior dos bens terrenos. Certamente trata-se da principal forma de felicidade da minha vida. Se tivesse de dar algum conselho a um jovem sobre o lugar onde deve morar, eu acho que diria 'sacrifique quase tudo para viver onde seja possível estar perto dos seus amigos'. Eu sei que ten...
Jesus, filho de Ananias, foi um santo homem do campo, que se meteu em problemas com a autoridade durante a Festa dos Tabernáculos, em 62 d.C. Josefo regista que este Jesus, andando rua acima, rua abaixo, dia após dia, declarava publicamente, e em voz alta, que Jerusalém e o santuário estavam amaldiçoados: "Uma voz vinda de leste, uma voz vinda de oeste, uma voz que vem com os quatro ventos; uma voz contra Jerusalém e o santuário, uma voz contra o noivo e a noiva, uma voz contra o povo! Estas agoirentas palavras proféticas, que fazem lembrar Jeremias, capítulo 7, deram origem a distúrbios, pelo que os magistrados judeu prenderam Jesus e deram-lhe uma valente sova para o pôr na linha. Não fez qualquer diferença; Jesus continuou com a gritaria. Temendo que pudesse ser um inspirado de Deus – Josefo acreditava que sim -, os magistrados, em vez de recorrerem a mais atitudes drásticas para o calarem, entregaram-no ao governador romano Albino. Este ordenou que lhe dessem outro açoitament...
Para os discípulos, que tinham perdido toda a coragem e desaparecido após a detenção do seu Mestre a prova prática de que Jesus não continuava morto e enterrado, mas sim entre eles e intervindo através deles, era a persistência do carisma na Igreja primitiva. Reapareceu primeiramente com a manifestação do Espírito no Pentecostes e, mais tarde, na restauração da cura e do exorcismo efectivo feita, em nome de Jesus, pelos apóstolos. O Jesus que os dotara de tais poderes taumatúrgicos não estava morto. Ele estava vivo e activo nos, e através dos, discípulos da Igreja. Foi com a ajuda do assim ressuscitado Jesus que prosseguiram a sua missão carismática.
Helping the kids out of their coats But wait the babies haven't been born oh oh oh Unpacking the bags and setting up And planting lilacs and buttercups oh oh oh But in the meantime I've got it hard Second floor living without a yard It may be years until the day My dreams will match up with my pay Old dirt road (mushaboom) Knee deep snow (mushaboom) Watching the fire as we grow (mushaboom) Old I got a man to stick it out And make a home from a rented house oh oh oh And we'll collect the moments one by one I guess that's how the future's done oh oh oh How many acres how much light Tucked in the woods and out of sight Talk to the neighbours and tip my cap On a little road barely on the map Old dirt road Rambling rose (mushaboom) Watching the fire as we grow (mushaboom) Well I'm sold ...

A Pergunta

O homem desce a avenida nocturna. Empunha um espada numa mão e leva o outro braço caído junto ao corpo. As luzes dos candeeiros reflectem-se fugazmente no metal da lâmina e tornam em espelhos as poças no chão alcatroado. O homem está cansado de não conseguir dormir. Na sua direcção vem uma rapariga envolvida em trapos e de cabeça coberta com um lenço andrajoso. É de madrugada e os dois são os únicos na avenida. Quando eles se cruzarem, ela vai notar a espada e depois vai notar que a espada está coberta de algo que parece sangue e pedaços de carne. E só quando ele a interpelar e lhe perguntar "Para onde foi o meu deus? Porque não me pode perdoar e voltar a receber?" ela notará que aquele homem enorme não é um homem mas sim um anjo, cujas asas se abrem lentamente sobre si. Da resposta que ela der virá o seu destino, que pode muito bem ser o de corpo despedaçado, como os que ficaram espalhados por ele nos passeios e becos da cidade nas horas que passaram desde que o Sol se pôs. ...

Os Olhos

Os Olhos Arrancavam-lhe as unhas, davam-lhe murros na cabeça, batiam-lhe com barras de ferro nas pernas, queimavam-lhe os testículos com cigarros, não o deixavam dormir há anos e então ele gritou "Pai, porque me abandonaste?", mas ele não era divino nem homem, por isso, sendo eterno, sofreu e deu urros até ao fim, até que um homem pegou na sua cabeça e, agarrando-lhe na nuca, esmagou a sua cara contra as paredes de pedras aguçadas, uma, duas, trinta vezes. A seguir já não gritou mais pela boca, tendo passado a gritar com os olhos, agora, para sempre, muito abertos como os de um cavalo enquanto é chicoteado até à morte. Blog: Transmissão Especial Autor: João Leal 2005 dC

O Velho Amado

Sentado na cadeira, olhando a Praça, ele lembra-se de quando era jovem. Nessa altura, o corpo ainda não o havia desprezado e calcorreava as montanhas em longas caminhadas de meditação. Como se sentia satisfeito com a sua força! Os seus braços eram capazes de erguer os troncos e de cavar a terra. Também o Inverno não lhe pesava como agora, em que tem de estar resguardado de tudo sob pena de que a morte lhe toque. Olha as pessoas que esperam que assome à janela, acenando. Sabe que um gesto e um sorriso seus são momentos inesquecíveis para aqueles que viajam tantos quilómetros só para o verem. Contarão aos filhos e aos netos e guardarão a sua imagem como uma esperança para depois da vida, como uma das coisas mais importantes que lhes aconteceu. Está sentado e a sua cabeça pende para cima do ombro. A baba cai-lhe do canto da boca, As suas mãos estão descontroladas e tremem além da sua vontade. Os pensamentos estão baralhados. É um prisioneiro de milhões de homens, do seu corpo e da deusa q...

O Anão

Mancava. A perna esquerda era mais curta da direita. O cabelo amarelo escuro, desgrenhado e eriçado. O seu corpo ondulante, em permanente desequilíbrio. Assobiava o anão enquanto passava pelo beco mais escuro da cidade. Da jaqueta verde pendia um relógio e, num dos bolso do casaco demasiado largo a dar-lhe pelos joelhos , podia-se adivinhar o volume de um livro ou caderno. A noite já ia alta e ele disse para si próprio que tinha de se despachar. Bateu a uma porta no local mais escuro, por detrás de um amontoado de caixotes do lixo. Um anjo abriu a porta e chamou outro com um rosnido. Seguiram os três e entraram na avenida onde os carros e os néons traziam uma espécie de vida à madrugada. Os anjos enormes, com os olhos irradiando uma luz vermelha, rosnavam baixinho, inquietos ao passarem pelas prostitutas e pregadores de esquina pregando o apocalipse iminente. O anão seguia, mancando, sempre a assobiar. Entraram num prédio de aspecto miserável onde se podia ler 'Hotel Bossa Nov...