segunda-feira, 7 de maio de 2012




You choose, you chose
Poetry over prose

 A map is more unreal
Than where you've been
Or how you feel
 And it's impossible to tell
 How important something was
 And what you might have missed out on
 And how it might have changed it all
De certo modo, entendo muito bem porque algumas pessoas não querem saber de Teologia. Lembro-me de uma vez, quando fazia uma palestra na Força Aérea, que um velho e experiente oficial levantou-se e disse "Não sei para que serve todo esse palavreado. Mas saiba que também sou um homem religioso. Sei que existe um Deus. Eu senti-O quando estava sozinho, no deserto, à noite. Senti o grande mistério. E essa é a razão porque não acredito em todos esses seus pequenos dogmas e fórmulas sobre Deus. Para quem se encontrou com o ser verdadeiro, tais coisas se parecem tão mesquinhas, pedantes e irreais!"

Ora, num certo sentido concordo inteiramente com essa pessoa. Creio que provavelmente ele tenha tido uma experiência real com Deus no deserto. E ao voltar-se dessa experiência para as crenças cristãs, penso que ele se voltava de algo real para menos real. Assim, também, quem estiver na praia, olhando para o Oceano Atlântico, e depois ir em busca de um mapa do Atlântico, também ser estará voltando de algo real para algo menos real: das ondas do mar para um pedaço de papel colorido. Mas aí é que está. O mapa é reconhecidamento só papel colorido, mas há duas coisas que devemos lembrar a este respeito. Em primeiro lugar, ele baseia-se no que centenas e milhares de pessoas descobriram navegando no Atlântico de verdade. Nesse sentido, possui atrás de si milhares de experiências tão reais como a da praia; apenas que, enquanto que a da praia é apenas uma vista rápida, individuale e isolada, o mapa reúne todas aquelas experiências. Em segundo lugar, para quem quer ir a algum lado, o mapa é totalmente necessário. Para quem esteja interessado apena em dar passeios na praia, a visão de todo o cenário, com os próprios olhos, é muito mais agradável do que ver um mapa. Mas este será de muito mais valia do que passeios na praia para quem queira ir a outro continente.

A Teologia é como o mapa. Só estudar e reflectir sobre as doutrinas cristãs, e ficar nisso, é menos real e menos emocionante do que aconteceu com o meu amigo no deserto. As doutrinas não são Deus; são apenas uma espécie de mapa. Mas esse mapa baseia-se na experiência de um grande número de pessoa que estavam realmente em contacto com Deus; experiências que, quando comparadas com quaisquer emoções ou sentimentos devotos que nós mesmos possamos ter, tornam tais emoções muito elementares e até mesmo confusos. Em segundo lugar, quem deseja ir mais longe, precisa de fazer uso do mapa. Como se vê, o que aconteceu àquele homem no deserto pode ter sido real e, sem dúvida, empolgante; mas, e daí? Essa experiência não o levou a nada. Esta é a razão pela qual uma vaga religião, esse negócio de sentir Deus na Natureza, e assim por diante, é tão atractiva. É só emoção, sem nenhuma acção; é como olhar as ondas, na praia. Mas não chegaremos a outro continente estudando o Oceano Atlântico dessa forma, assim como não obteremos a vida eterna se ficarmos simplesmente sentindo a presença de Deus nas flores ou na música. Em iremos a parte alguma só olhando os mapas, sem irmos para o mar. Tão pouco estaremos muito a salvo se entrarmos no mar sem um mapa.

Por outras palavras, a Teologia é algo bem prático, principalmente agora. Antigamente, quando o nível de educação era bastante baixo, quando não se discutiam tais assuntos, talvez fosse possível viver com algumas poucas ideias simples sobre Deus. Mas agora não é assim. Toda a gente lê; toda a gente participa em debates. Consequentemente, não dar atenção à teologia não significa não ter ideias acerca de Deus. Significa ter muitas ideias erradas, más, confusas, superadas. Com efeito, uma grande número de ideias acerca de Deus que hoje passam por novidades são simplesmente ideias que os verdadeiros teólogos consideraram séculos atrás, e rejeitaram. Crer na religião popular moderna é um retrocesso; é como pensar que a Terra é plana.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Ainda no mesmo dia, um veleiro francês com o vento a bombordo, rumo a Caiena, apareceu de longe, bem inclinado pelo vento. Estava a cair rapidamente para sotavento. O Spray também estava inclinado, e estava a puxar as velas para assegurar uma boa distância da praia com o vento a estibordo, pois durante a noite uma ondulação pesada fizera-o aproximar-se demasiado da costa, e agora eu estava a pensar em implorar uma mudança do vento. Eu gozara o meu quinhão de brisas favoráveis sobre os grandes oceanos, e perguntei a mim próprio se seria correcto mudar o vento todo para as minhas velas enquanto o francês estava a ir no sentido contrário. Uma corrente de frente, com a qual ele lutava, juntamente com um vento escasso, eram suficientemente maus, por isso eu só podia dizer, dentro de mim, “Senhor, deixai ficar as coisas como estão, mas não ajudes mais o francês por agora, porque o que seria bom para ele arruinar-me-ia!”
Lembrei-me de que quando era rapaz ouvia um comandante dizer muitas vezes que em resposta a uma oração dele o vento mudou de sudeste para noroeste, satisfazendo-o por inteiro. Era um bom homem, mas será que isto glorificava o Arquitecto – o Soberano dos ventos e das ondas? Além disso, lembro-me que não se tratava de um vento alísio, mas sim de um dos variáveis que mudam quando lhe pedimos, se o fizermos durante tempo suficiente. Mais uma vez, o irmão deste homem talvez não fosse no sentido oposto, ele próprio satisfeito com um vento favorável, o que fazia toda a diferença do mundo.1

1 O Bispo de Melbourne recusou-se a guardar um dia de oração para que chovesse, recomendando ao seu povo que economizasse água na estação das chuvas. De modo semelhante, um navegador economiza o vento, mantendo uma garantia de barlavento onde for praticável.