terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Durante toda a minha vida tive frequentemente oportunidade de me ocupar de problemas de educação. Aprendi muito sobretudo em contacto com crianças difíceis, provenientes na sua maioria de famílias onde reinava a violência. Nesses lares as mulheres eram quase sempre vítimas da brutalidade dos maridos; estes eram geralmente alcoólicos e o seu comportamento marcava toda a vida familiar. Era esse o esquema típico de confrontação das crianças com um ambiente violento. Hoje em dia a violência deslocou-se, apoderando-se dos ecrãs de televisão. É aí que as crianças contemplam a violência dia após dia, durante horas. Devido a minha experiência, parece-me que atingimos um ponto muito importante, mesmo crucial. A televisão produz violência e introdu-la nos lares que, antes, não a conheciam.

2 comentários:

Tiago Franco disse...

Simples e directo. Às vezes não entendo como é que podem tentar contestar o facto "A televisão produz violência e introdu-la nos lares que, antes, não a conheciam".

Mas agora, o que fazer com isso é que não sei... Tentar afastar as crianças da violência da televisão ou tentar ensiná-las a lidar com a violência da televisão? Eu prefiro a segunda, pelo menos, porque por agora, é impossível uma criança não se deparar com cenários violentos, nem que seja na escola.

Pedro Leal disse...

Pois, o que fazer é uma das interrogações dolorosas dos pais de hoje (falo por mim). Temos sempre o recurso ao acompanhamento (usualmente escasso) e ao exemplo de vida. Mas, seja como for, custa sempre ver as violências que a televisão despeja casa adentro.