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Mensagens

The Weight of Glory - 9

(...) E agora reparem no que está a acontecer. Se eu tivesse rejeitado a imagem escritural e autoritativa de glória, e ficado obstinadamente bloqueado no desejo vago que, no início, era a minha única pista para o Céu, poderia não ter encontrado de todo a ligação entre esse desejo e a promessa cristã. Mas agora, tendo seguido nos textos sagrados o que parecia ser confuso e repelente, descubro, para minha grande surpresa, olhando para trás, que a ligação é claríssima. Glória, aquela pela qual o Cristianismo me ensina a esperar, satisfaz afinal o meu desejo original e, na verdade, revela um elemento desse desejo em que eu não tinha reparado. Ao deixar de considerar, por um momento, o meu próprio querer, comecei a perceber melhor o que eu realmente queria. Quando tentei, há alguns minutos atrás, descrever os nossos anseios espirituais, acabei por omitir uma das suas características mais curiosas. Geralmente reparamos nela assim que a visão esmorece, que música termina, ou que a paisagem...

Causas de uma adesão religiosa nominal

Também devo dizer que, com uma vulgarização de escolas evangélicas, também ocorre um fenómeno que é uma adesão religiosa nominal dentro do próprio protestantismo. No Brasil é possível ser “batista” e ser uma treta de crente. Em Portugal, a rigor, também é, mas é mais improvável. Os batistas no Brasil são assim uma espécie de evangélicos respeitados (provavelmente como os presbiterianos) e deu para sentir que, apesar de amar a minha denominação, no Brasil ela cheira-me aqui e ali a um tipo de superficialidade que em Portugal gostamos de apontar aos católicos.

The Weight of Glory - 8

(...) Não estou a esquecer-me do quanto este desejo tão inocente é parodiado nas nossas ambições humanas, ou no quão rapidamente, na minha experiência, o legítimo prazer de agradar aqueles a quem era meu dever agradar se transforme no veneno mortal da auto-admiração. Mas acho que conseguia detectar um instante – um curto, curto instante – antes disto acontecer, durante o qual a satisfação de ter agradado aqueles a quem acertadamente amei, e acertadamente temi, era pura. E isto é suficiente para pensarmos sobre o que pode acontecer quando a alma redimida, para além de toda a esperança, e de quase toda a crença, descobre por fim que agradou Aquele para o qual ela foi criada para agradar. Então, não haverá espaço para vaidade. Será libertada da miserável ilusão de que foi pelo seu esforço. Sem qualquer mancha daquilo a que agora chamamos auto-aprovação, ela irá alegrar-se inocentemente naquilo que Deus a criou para ser, e a ocasião que curará o seu velho complexo de inferioridade para s...

The Weight of Glory - 7

(...)  De seguida, viro-me para a ideia de glória. Não há forma de escapar ao facto de que esta ideia é bastante proeminente no Novo Testamente e nos primeiros escritos cristãos. Salvação está constantemente associada a palmeiras, coroas, roupões brancos, tronos e esplendor como o do sol e das estrelas. Tudo isto não me causa nenhum apelo imediato, e a esse respeito, imagino que eu seja um típico moderno. Glória sugere-me duas ideias, das quais uma parece-me perversa, e a outra ridícula. Para mim, glória significa ou fama ou luminosidade. Em relação à primeira, como ser famoso significa ser mais conhecido do que as outras pessoas, vejo o desejo pela fama como uma paixão competitiva, e como tal, mais do Inferno do que do Céu. Em relação à segunda, quem é que deseja tornar-se numa espécie de lâmpada eléctrica viva? Quando comecei a debruçar-me sobre este assunto fiquei bastante surpreendido por deparar-me com cristãos tão diferentes quanto Milton , Johnson e Tomás de Aquin...

The Weight of Glory - 6

(..) As promessas das Ecrituras podem ser reduzidas, por alto, a cinco ênfases. É prometido, em primeiro lugar, que estaremos com Cristo; em segundo, que seremos como Ele; em terceiro, com uma enorme riqueza de imagens, que teremos "glória"; em quarto, que seremos, em certo sentido, alimentados ou banqueteados ou entretidos; e finalmente, que teremos algum tipo de cargo oficial – governar cidades, julgar anjos, ser pilares do templo de Deus. A primeira pergunta que faço acerca destas promessas é: "porquê qualquer uma delas excepto a primeira?" Pode alguma coisa ser acrescentada à concepção de estar com Cristo? Porque deve ser verdade que, como diz um velho escritor, quem tem Deus e tudo o resto não tem mais do que aquele que tem apenas Deus. Penso que a resposta jaz uma vez mais na natureza dos símbolos. Porque embora possamos não reparar à primeira vista, ainda assim é verdade que qualquer concepção de estar com Cristo que qualquer um de nós possa agora formar nã...

The Weight of Glory - 5

(...)  Façam eles como quiserem, nós continuamos conscientes de um desejo que nenhuma felicidade natural satisfará. Mas há alguma razão para supor que a realidade oferece qualquer possibilidade de o satisfazer? "Nem estar com fome prova que temos o pão". Mas penso que pode ser salientado que isto é não perceber o que importa. A fome física de um homem não prova que ele vá ter algum pão; ele poderá morrer de fome numa jangada no Atlântico. Mas seguramente que a fome de um homem prova que ele provém de uma raça que repara o seu corpo quando come e habita um mundo onde existem substâncias comestíveis. Da mesma maneira, embora não acredite (quem me dera acreditar) que o meu desejo pelo Paraíso prove que eu vá desfrutar dele, penso que é uma indicação razoavelmente boa de que existe, e que alguns homens para lá irão. Um homem pode amar uma mulher e não conquistá-la; mas seria muito estranho se o fenómeno a que chamamos "apaixonar" ocorresse num mundo assexuado. Então...

The Weight of Glory - 4

(...) Ao falar deste desejo pelo nosso país distante , que encontramos em nós até mesmo agora, sinto uma certa timidez. Estou praticamente a cometer uma indecência. Estou a tentar dilacerar o segredo inconsolável em cada um de vocês – o segredo que magoa tanto que se vingam dele a chamar-lhe nomes como Nostalgia, Romantismo ou Adolescência; também o segredo que nos atravessa com tanta doçura que, numa conversa mais íntima, a sua menção torna-se iminente, sentimo-nos encavacados e fingimos que nos rimos de nós próprios; o segredo que não conseguimos esconder e que não conseguimos contar, embora desejemos fazer ambos. Não conseguimos contá-lo porque é o desejo por algo que nunca realmente surgiu na nossa experiência. Não conseguimos escondê-lo porque a nossa experiência está constantemente a sugeri-lo, e traímo-nos como amantes ao ouvir a referência a um certo nome. O nosso expediente mais vulgar é chamar-lhe Beleza e comportar-mo-nos se isso resolvesse o assunto. O expediente de Word...

The Weight of Glory - 3

(...) O cristão, em relação ao Céu, está praticamente na mesma posição que o miúdo da escola. Aqueles que alcançaram a vida eterna na visão de Deus sem dúvida que sabem muito bem que não não é nenhum suborno, mas sim a consumação da sua vida terrena de discipulado; mas nós que ainda não a alcançámos não o podemos saber da mesma maneira, e não podemos sequer começar a saber, a não ser por continuar a obedecer e encontrar a recompensa inicial da nossa obediência na nossa capacidade crescente de desejar a derradeira recompensa. Na mesma proporção que o nosso desejo aumenta, o nosso medo de que seja um desejar mercenário diminuirá, até que finalmente o reconheçamos como sendo absurdo. Mas provavelmente isto não acontecerá, para a maioria de nós, de um dia para o outro; a poesia substitui a gramática, o Evangelho substitui a Lei, e o desejo transforma a obediência, tão gradualmente quanto a maré eleva um navio encalhado.  Mas há mais uma importante semelhança entre nós e o miúdo da ...

Velhas histórias que tornam o herói vulgar e a história extraordinária

The view that fairy tales cannot really have happened, though crazy, is common. The man I speak of disbelieved in fairy tales in an even more amazing and perverted sense. He actually thought that fairy tales ought not to be told to children. That is (like a belief in slavery or annexation) one of those intellectual errors which lie very near to ordinary mortal sins. There are some refusals which, though they may be done what is called conscientiously, yet carry so much of their whole horror in the very act of them, that a man must in doing them not only harden but slightly corrupt his heart…  … Folk-lore means that the soul is sane, but that the universe is wild and full of marvels. Realism means that the world is dull and full of routine, but that the soul is sick and screaming. The problem of the fairy tale is—what will a healthy man do with a fantastic world? The problem of the modern novel is—what will a madman do with a dull world? In the fairy tales the cosmos goes mad; but...

The Weight of Glory - 2

(...) Não devemos ficar atrapalhados quando descrentes dizem que esta promessa de recompensa torna a vida cristã numa vida mercenária. Existem diferentes tipos de recompensa. Há a recompensa que não tem nenhuma ligação natural com as coisas que fazes para a ganhar, e é bastante distinta dos desejos que deviam acompanhar essas coisas que fizeste. Dinheiro não é a recompensa natural do amor; é por isso que chamamos a um homem "mercenário" se ele casar com uma mulher apenas tendo em vista o seu dinheiro. Mas o casamento é a recompensa própria para um verdadeiro amante ("lover", "amador", pessoa que ama), e ele não é mercenário por o desejar. Um general que combata bem para conseguir um título nobiliárquico é mercenário; um general que combata pela vitória não é, sendo a victória a recompensa apropriada para o combate, tal como o casamento é a recompensa adequada para o amor. As recompensas apropriadas não estão meramente anexadas à actividade pela qual são ...

The Weight of Glory - 1

Se perguntássemos a vinte bons homens dos dias de hoje qual é que eles pensavam ser a mais elevada das virtudes, dezanove responderiam "altruísmo/abnegação" (em inglês, "unselfinshness", que se poderia traduzir directamente por "desegoísmo"). Mas se perguntássemos à maioria dos grandes cristãos de antigamente, responderiam "amor". Repararam no que aconteceu? Um termo negativo foi substituído por um positivo, e isto é de uma importância maior do que meramente filológica. O ideal negativo do "altruísmo" ("desegoísmo") transporta consigo a sugestão não de conseguir primariamente coisas boas para os outros, mas de prescindirmos delas para nós próprios, como se o importante fosse a nossa abstinência, e não a felicidade dos outros. Não penso que isto seja a virtude cristã do "amor". O Novo Testamento tem muito a dizer sobre auto-negação, mas não auto-negação como um fim em si mesmo. É-nos dito para negarmos a nós mesmo...

Vendo no falso o verdadeiro e exigindo dos outros a mesma mentira

Comecei então a falar em voz alta e sem medo, apesar dos risos do mundo, porque, fosse como fosse, aqueles risos eram bondosos e não maldosos. Todas as minhas conversas decorriam nos serões, principalmente na companhia das senhoras, que gostavam muito de me ouvir e obrigavam também os homens a ouvir-me. Toda a gente se ria na minha cara: «Mas como é possível eu ser culpado por todos? Eu posso ser culpado, por exemplo, por si?» Eu respondia-lhes: «Como podem os senhores compreender isso se todo o mundo, desde há muito, tomou por outro caminho, vendo no falso o verdadeiro e exigindo dos outros a mesma mentira? Como vêem, eu procedi uma vez na vida com sinceridade e logo me tornei para todos uma espécie de maluquinho religioso: embora simpatizem comigo, não deixam de se rir de mim». dados biográficos de Zóssima  Volume I página 363 Editorial Presença

Prontos a derramar o nosso sangue pela honra sem nada saber sobre a honra

Passei muito tempo em São Petersburgo, na escola de cadetes, quase oito anos, e aquela nova educação adormeceu em mim muitas das sensações infantis, embora não me esquecesse de nada. Ganhei hábitos e mesmo opiniões novos que me transformaram numa criatura quase selvagem, cruel e absurda. Adquiri o brilho da cortesia e das maneiras mundanas, juntamente com a língua francesa, mas todos nós, incluindo eu, considerávamos os soldados que nos serviam na escola como animais. Aliás, eu era a este respeito o pior de todos, porque era o mais susceptível de todos os meus colegas. Quando acabámos o curso e nos tornámos oficiais estávamos prontos a derramar o nosso sangue pela honra do nosso regimento, mas nenhum de nós sabia nada sobre a verdadeira honra, nenhum de nós sabia o que isso significava e, se soubesse, rir-se-ia da honra. Quase nos orgulhávamos das nossas bebedeiras, fanfarronices e comportamentos desordeiros. Não diria que não prestávamos: toda aquela juventude era gente boa, mas que s...

Mentir a si próprio

O principal é o senhor não mentir a si próprio. Quem mente a si mesmo e ouve as suas próprias mentiras chega a um ponto tal que já não distingue qualquer verdade em si nem à sua volta, deixando por isso de respeitar a si mesmo e aos outros. Ora, sem respeito por todos, o senhor deixa de amar e, para se divertir e distrair, sem amor, entrega-se às paixões e às volúpias grosseiras, atinge um estádio animalesco nos seus vícios, e tudo isso provém de estar a mentir permanentemente a si próprio e aos outros. Quem mente a si mesmo também será o primeiro a ofender-se. É que, às vezes, é muito agradável ficar ofendido, não é verdade? A pessoa sabe bem que ninguém a ofendeu, que inventou a sua ofensa e que mentiu para enfeitá-la, que exagerou para criar todo o cenário, que se agarrou a uma palavrinha e fez de uma ervilha uma montanha... a própria pessoa sabe isso e, mesmo assim, apressa-se a ficar ofendida, a ficar ofendida até ao prazer, até sentir um grande deleite e, a partir daqui, chega at...

Everybody's gotta learn sometime

Change your heart Look around you Change your heart It will astound you I need your lovin' Like the sunshine Everybody's gotta learn sometime Muda o teu coração Olha à tua volta Muda o teu coração Vai surpreender-te Eu preciso do teu amor Como do brilho do sol Toda a gente acaba por ter de aprender.

Bons dias

Fazes no dia que nasce A manhã mais bonita A brisa fresca da tarde A noite menos fria Eu não sei se tu sabes Mas fizeste o meu dia também Esse bom dia que dás  é outro dia que nasce É acordar mais bonita Trabalhar com vontade É estar no dia com pica É passar com a vida  e desejar-te um bom dia também Um bom dia para ti Não que apenas passa não que pesa e castiga Não que esqueças mais tarde Mas o dia em que me digas Ao ouvido baixinho  ai tu fizeste o meu dia também tão bom também Faz também o dia de alguém Faz também o dia de alguém Faz também o dia de alguém Faz também o dia de alguém Fazes no dia que nasce A manhã mais bonita A brisa fresca da tarde A noite menos fria Eu não sei se tu sabes Mas fizeste o meu dia também Um bom dia para ti E para o estranho que passa Para aquele que se esquiva Para quem se embaraça  e se cala na vida Mesmo que não o diga Ai tu fizeste o meu dia também tão bom também Faz também o dia d...

Medo de mim

Quando me queres incluir e me pões a dormir num bairro qualquer por aí E a lição de bem-estar é não incomodar quem veja incómodo em mim Por mais passos que eu dê mesmo sem querer irei sempre bater ou esbarrar contra ti É teu o meu espaço e p´lo teu embaraço pelas portas d´aço eu já percebi: Tens medo de mim Tens medo de mim Tens medo de mim Quando me vens revistar só porque dou ar de não ser daqui nem dali E para me proteger impões um poder que não olha a meios pró fim Todo o gesto que eu faça é vil ameaça que anulas e esmagas e vejo assim que a força que empregas é injusta e cega não vê em quem acerta e acertas em mim Tens medo de mim Tens medo de mim Tens medo de mim Quando me culpas e prendes tudo porque entendes que isso é melhor para mim Eu, mesmo inocente, sou sempre diferente porque não sou igual a ti Agora, não entendo, porquê este medo brutal e tão extremo que a ninguém faz crer que estou na cadeia porque a tua cartei...

A administrar como mordomos

Quantas vezes, ao participarmos em alguma ajuda a uma instituição de caridade, não teremos agido como se estivéssemos a dar alguma coisa nossa cultivando todas as expectativas de sermos considerados abnegados e generosos? Isso aconteceu quando estávamos apenas a administrar, como mordomos, parte daquilo que o verdadeiro Dono nos confiou para os propósitos que tem em mente. A prova de que não é desta forma que nos vemos a nós próprios é o sentimento que nos invade quando alguém se esquece de nos agradecer, agradecendo só (!) a Deus. Lucros da Fé página 128 Alan Pallister 2016 dC Editora: Dikaion

Eles não respeitam as máscaras, mas julgam os seus segredos

Um dia, li uma frase de Karl Barth que compara os métodos do livro de Génesis com os romances de Dostoievski. Barth diz que ambos arrogantemente ignoram as apreciações e honras convencionais e aproximam-se das vidas de homens e mulheres cavando as profundezas de Deus nas suas supostas vidas convencionais. Dostoievski e Génesis não respeitam as máscaras de homens e mulheres, mas julgam seus segredos. Eles vêem além do que homens e mulheres aparentam ser e entendem o que eles são e o que eles não são. Eles vêem, nos termos de Paulo, sua justiça reconhecida como o divino "todavia", e não como o divino "portanto"; como perdão, e não como um permissão para o que eles acreditam ser. Original: Under the Unpredictable Plant Editora: United Press página 67

O personagem que haveria de criar para conseguir ser o artista que desejava ser

Nunca se viam de um modo definido as suas feições. Os seus olhos azuis, profundos, vivos e inquisitivos só apareciam fora do espaço público. David pensava agora que o amigo sempre parecera querer esconder-se. Tinha visto algumas fotografias suas de miúdo em que era possível prever no olhar esquivo, e no modo reservado do corpo, a pré-história do personagem que haveria de criar para conseguir ser o artista que desejava ser. Terra Fresca página 171 João Leal 2016 Editora: Quetzal

I believe

Hallelujah! I just found Jesus Swimming at the bottom of the bottle  I keep crawling out of He said You look familiar but I can't place your face I said You look like hell  and that we used to hang at my mother's request Hallelujah! I just found Jesus  Trying to save the world through the wet hands  and mouth of a girl She's convinced me to stay in for as long as  we both shall live (Or until one of us gets bored) Have I been saved? 'Cause I feel the same Dirty and tired Can I be saved without having shame or remorse  for what I don't believe? I offer up my humbled soul and my broken spirit  All those things that I can't control The intangible bullshit to you, my Lord I believe there is no white light Somebody's mistaken or somebody lied I believe there is only one truth  It resonates different in me and you  so don't try to sell me yours

Sobretudo a total ausência de magia

A criança que fui seguiu-me de desapontamento em desapontamento nesta primeira semana de trabalho. Pedra, lixo, silvedo e, sobretudo, a total ausência de magia. Nada remotamente relacionado com passagens secretas ou entradas para grutas ou divisões escondidas com a possibilidade de algum achado extraordinário. Sabia, evidentemente, que as lendas acerca da serra não podiam ser reais, mas sou incapaz de evitar sentir-me decepcionado. Terra Fresca página 13 João Leal 2016 dC Editora: Quetzal

The Voice of Istanbul

I've had at least thirty names on your own to Istanbul. Now they say I'm between the east and the west, an identity crises. I know there's enough for this nonsense. Take the labels off and just look at me. You won't need a guidebook. Like all cities, I have my own sense of time. I'm a labyrinth of layers that only makes sense without a compass. If you're hesitant, not sure which way to go as you walk about, follow one of my cats. They will lead you to places, introduce you to people, point out secrets they keep even from me. They, more than anyone, are the longest continuing residents of the city A challenge to those who see their future in my past, I'm an obstacle for those who see only the future. I see change with the patience of centuries. Look at my silhouette from the bridge on the Golden Horn. Time has not passed me by. It has protected me. I ask of you the same.

Strange fruit

  Southern trees bear strange fruit  Blood on the leaves and blood at the root  Black bodies swinging in the southern breeze  Strange fruit hanging from the poplar trees  Pastoral scene of the gallant south  The bulging eyes and the twisted mouth  Scent of magnolias, sweet and fresh  Then the sudden smell of burning flesh  Here is fruit for the crows to pluck  For the rain to gather, for the wind to suck  For the sun to rot, for the trees to drop  Here is a strange and bitter crop   As árvores do Sul carregadas de fruta estranha  Sangue nas folhas e sangue na raiz  Corpos negros a balançar na brisa do Sul  Fruta estranha pendurada nos choupos  Cena pastoral do Sul galante  Os olhos esbugalhados e a boca torcida  O cheiro das magnolias, doce e fresco  E o cheiro súbito de carne queimada  Eis aqui fruta para os corvos debicarem  Para a chuva juntar, para o vento sugar  P...

Para encaixar neste narrativa Galileu foi representado como um herói solitário

Galileo’s rise to immortality starts at the end of the 18th century. In this period, scientific biography started to become popular, and Galileo became a favourite subject, largely because of his persecution by the Catholic Church. This effect was immensely magnified by the largely mythical war between science and religion in the late 19th century, waged by two US-based scientist-historians, John William Draper and Andrew Dickson White. They wrote passionately about religion as an obstacle to the forces of progress, and advanced a self-congratulatory thesis in which Western civilisation had steadily emerged from the ignorance of the Dark Ages to the modern age of Enlightenment. This was an outgrowth of the broader rejection of the dominance of religious thought, which had emerged in Europe during the Enlightenment and had been enthusiastically adopted by influential American intellectual figures including Thomas Jefferson and Benjamin Franklin.  To fit into this narrative, Galile...

Tentação de ceder às exaltações da violência mais do que num frente-a-frente

Antes e depois de Sartre, foram numerosos os intelectuais, à esquerda ou à direita, que se enganaram com obstinação e enganaram o seu público! Mais uma vez, esqueceremos os impostores para não pensar senão nos espíritos sinceros. De onde vem uma tal propensão ao extremismo? Antes de abordar o essencial, há uma razão acessória que não se pode menosprezar: o intelectual exprime-se na maior parte das vezes por escrito, sem mais interlocutor que a página em branco. É então muito forte a tentação de ceder às exaltações da violência, muito mais do que num verdadeiro frente-a-frente.
Last year, I spearheaded a survey and interview research project on the experiences of scientists at field sites. Over sixty percent of the respondents had been sexually harassed, and twenty percent had been sexually assaulted. Sexual predation was only the beginning of what I and my colleagues uncovered: study respondents reported psychological and physical abuses, like being forced to work late into the day without being told when they could head back to camp, not being allowed to urinate, verbal threats and bullying, and being denied food. The majority of perpetrators are fellow scientists senior to the target of abuse, the target themselves usually a female graduate student. Since we started analyzing these data, I haven’t been able to read a single empirical science paper without wondering on whose backs, via whose exploitation, that research was conducted. When the payoff is millions of dollars of research money, New York Times coverage, Nobel Prizes or even just tenure, we ofte...

Triunfa a ideologia da pura performance técnica

É desconcertante observar como essa severidade “ideológica” se aplica a determinados filmes, enquanto As Cinquenta Sombras de Grey passa, entre os pingos da chuva, como se a única questão pertinente fosse a avaliação métrica das zonas de nudez com que podemos ser gratificados. É mesmo chocante que, num contexto em que tudo se “problematiza”, desde a justiça dos resultados do futebol até aos colarinhos sem gravata de Yanis Varoufakis, pouco ou nada se diga sobre o modo de encenação da personagem de Christian Grey. Porquê? Porque com ele, e através dele, triunfa a ideologia da pura performance técnica. Christian Grey ficará mesmo como a corporização de um conceito meramente instrumental das actividades humanas, incluindo o sexo, colocado, aliás, exactamente no mesmo plano simbólico da acumulação de riqueza. Ora, não parece que os valores mediáticos dominantes queiram discutir o triunfo desta ideologia anti-humanista. Perante o alarido circundante, podemos até supor que estão empenhados e...
A case in point: the popular Facebook page “I f*cking love science” posts quick-take variations on the “science of x” theme, mostly images and short descriptions of unfamiliar creatures like the pink fairy armadillo, or illustrated birthday wishes to famous scientists like Stephen Hawking. But as the science fiction writer John Skylar rightly insisted in a fiery takedown of the practice last year, most people don’t f*cking love science, they f*cking love photography—pretty images of fairy armadillos and renowned physicists. The pleasure derived from these pictures obviates the public’s need to understand how science actually gets done—slowly and methodically, with little acknowledgement and modest pay in unseen laboratories and research facilities.  The rhetoric of science has consequences. Things that have no particular relation to scientific practice must increasingly frame their work in scientific terms to earn any attention or support. The sociology of Internet use suddenly tr...
There are many strange coincidences in our world. The mass of the electron is 2000 times smaller than the mass of the proton. Why? The only known reason is that if it would change few times, life as we know it would be impossible. The masses of the proton and neutron almost coincide. Why? If one of their masses would change just a little, life as we know it would be impossible. The energy of empty space in our part of the universe is not zero, but a tiny number, more than a hundred orders of magnitude below the naive theoretical expectations. Why? The only known explanation is that we would be unable to live in the world with a much larger energy of vacuum. The relation between our properties and the properties of the world is called the anthropic principle. But if the universe were given to us in one copy, this relation would not help. We would need to speculate about the divine cause making the universe custom built for humans. Meanwhile, in the multiverse consisting of many differe...