sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Portugal vive empenhado em pagar direitos de autor a cavalheiros que escrevem uns livros vagamente parecidos com romances, e a senhoras que – se vivessem noutra época – resolveriam o problema com uma ida mais frequente ao confessionário. A minha sobrinha Maria Luísa, a quem contei o achado, pensa que sou um machista empedernido e uma alma penada sem sensibilidade. Ela comove-se facilmente com poetas que desarrumam o dicionário e são considerados humanistas e homens de letras; (...)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Anger is always an attack on the brother's life, for it refuses to let him live and aims at his destruction. Jesus will not accept the common distinction between roghteous indignation and unjustifiable anger. The disciple must be entirely innocent of anger, because anger is an offense against both God and his neighbour. Every iddle word which we think so little of betrays our lack of respect for our neighbour, and shows that we place ourselves on a pinnacle above him and value our own lives higher than his. The angry word is a blow struck at our brother, a stab at his heart: it seeks to hit, to hurt and to destroy. A deliberate insult is even worse, for we are then openly disgracing our brother in the eyes of the world, and causing other to despise him. With our hearts burning with hatred, we ssek to annihilate his moral and material existence. We are passing judgement on him, and that is urder. And the murderer will himself be judged.
Não saberia explicar porquê, mas sentia-me novamente um homem forte, recuperado das minhas depressões, pronto a enfrentar a vida e os seus problemas com aquele vigor que sempre me caracterizou.
Junto ao tronco de uma árvore, urinei sobre a neve: derreti-a toda!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ao lembrar aos cristãos de que a sua salvação depende da morte e ressurreição de Cristo, Marcos vinculou inextrincavelmente a fé cristã à realidade de acontecimentos históricos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Concílio denuncia muito correctamente como um dos erros mais graves da nossa época o «divórcio entre a fé que muitos professam e a sua vida secular». Afirma que o cristão que negligencia os seus deveres temporais, negligencia os seus deveres para com o seu próximo e mesmo para com Deus, e põe em perigo a sua salvação eterna. Os cristãos deviam antes regozijar-se porque podem seguir o exemplo de Cristo, que trabalhou como operário.

Segundo Concílio do Vaticano

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O importante é dirigir-lhe a malevolência para os seus próximos imediatos, a quem ele encontra diariamente, e estender-lhe a benevolência, numa remota circunferência, a pessoas que ele não conhece. A malevolência torna-se assim totalmente real e a benevolência largamente imaginária.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pois é inegável que, ao falarmos de um ser em comparação ao qual não se pode pensar noutro maior, nós compreendemos o sentido destas palavras, ainda que o objecto significado não nos seja inteiramente inacessível. Gaunilo assemelha-se a um homem que afirma não poder perceber a luz do dia por ser incapaz fixar directamente o sol.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

An expert is one who knows more and more about less and less until he knows absolutely everything about nothing.


Acredito que depois de morto serei solto
para isso não tenho que ser bom,
Tenho que ser sério.
Não contabilizo as boas acções
Palavra de escuteiro.
Sem contas de cabeça vou marchar pelo Império.
As leis da estoicidade ligam a sirene.
Pedem que abrande o riso
Tenho que ser sério.
E ao
mandarem-me encostar
Não tiram a mão do coldre;
Deixo o carro e vou marchar pelo Império.
O caminho é estreito demais para o meu ego
Mas para me tornar numa criança
Tenho que ser sério.
Não é a estrada que se alarga,
Sou eu que me apequeno.
A passo de bebé eu vou marchar pelo Império.
Ser imperialista é coisa tida do passado;
Pra me mostrar tão certamente errado
Tenho que ser sério.
E ao queimarem-me a bandeira
Seguram o facho.
Com orgulho inflamado vou marchar pelo Império.
Faço o bem que quero e o mal que não quero não faço.
Estava a brincar com a verdade
E tenho que ser sério.
A mão à palmatória e à geada
Para ter coração quente.
Sem estrada congelada vou marchar pelo império.
Sei mais da eternidade que do amanhã,
Mas para um futuro risonho
Tenho que ser sério.
Pedir a mão pra não perder o pé
E saber pedir perdão.
Com a carga aliviada vou marchar pelo Império.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A psicose permeia até mesmo a nossa mitologia. O herói moderno é o jovem pobre que se torna rico em vez do ideal franciscano ou budista do jovem rico que voluntariamente se torna pobre.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Our science and our technology are based on the belief that an understanding of nature implies domination of nature by man. I use the word man here because I am talking about a very important connection between the mechanistic worldview in science and the patriarchal value system, the male tendency of wanting to control everything. In the history of Western science and philosophy this connection is personified by Francis Bacon who, in the seventeenth century, advocated the new empirical method of science in passionate and often outright vicious terms. Nature has to be ‘hounded in her wanderings,’ wrote Bacon, ‘bound into service’ and made a ‘slave’. She is to be ‘put in constraint,’ and the aim of the scientists is to ‘torture nature’s secrets from her’.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sou discípulo de Kant. Ele diz que há três questões fundamentais: o que posso saber, o que devo fazer, o que me é lícito esperar. E achou que a primeira depende da ciência. As más catequeses tiveram sempre a mania de misturar essa questão com a apologética. Kant achava que não, eu também.
Uma coisa é tentar compreender o universo. Para isso há a física e a biologia. Se quero saber se houve ou não big bang, se a vida evoluiu ou não, não pergunto à Bíblia, não pergunto à Igreja, que não tem competências nessa matéria.
A segunda questão é o que devo fazer, como se deve viver para se ser Homem. Pergunto à história, às culturas, às religiões. A terceira pergunta é o que me é lícito esperar, qual o sentido de fundo disto tudo. Aí, encontro a questão de Deus.
Em suma, questões relativas a como é feito este mundo são da ciência. O sentido da vida diz respeito à religião, à filosofia, às culturas. Nós aprendemos com todas as culturas. Eu, em particular, aprendi e acreditei em Jesus Cristo.
The Cartesian paradigm was based on a belief in the certainty of scientific knowledge, which had been clearly stated by Descartes. In the new paradigm it is recognized that all scientific concepts and theories are limited and approximate. Science can never provide any complete and definitive understanding. Scientists do not deal with truth (in the sense of a precise correspondence between the description and the described phenomena); they deal with limited and approximated descriptions of reality.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

That which can be destroyed by the truth should be.
A ciência pode, se o quiser, tornar possível aos nossos netos uma vida equilibrada, dando-lhes o saber, o auto-domínio e os elementos que engendram a harmonia e não a luta. De momento, ela ensina os nossos filhos a destruírem-se mutuamente, porque muitos homens de ciência sacrificam o futuro da humanidade à sua prosperidade imediata. Mas essa fase será ultrapassada mal os homens saibam dominar as suas paixões como conseguem dominar as forças do mundo exterior. Então, teremos finalmente conquistado a nossa liberdade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mas, ainda assim, tendes toda a certeza de que o homem se habituará infalivelmente quando desaparecerem por completo alguns hábitos velhos e maus e quando o senso comum e a ciência reeducarem por completo e orientarem por norma a natureza humana. Tendes a certeza de que, então, o homem também deixará de enganar-se voluntariamente e, por assim dizer, não desejará naturalmente desunir a sua vontade dos seus interesses normais. Mais ainda: então, dizem os senhores, a própria ciência ensinará ao homem (embora, a meu ver, isso seja um luxo) que, na realidade, ele não tem vontade nem capricho, nem os teve nunca, e mais não é do que uma espécie de tecla de piano ou pistão do órgão; e que além disso, há no mundo leis da natureza, logo, tudo o que o homem faz não é feito por sua vontade, mas espontaneamente, pelas leis da natureza. Por conseguinte, basta descobrir essas leis da natureza, e o homem nem responsável será pelos seus procedimentos, e ser-lhe-á muito mais fácil sobreviver.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"A vida é uma colecção de saudades"

Ricardo Gondim
Although their theories are leading to a world view which is similar to that of the mystics, it is striking how little this has affected the attitudes of most scientists. In mysticism, knowledge cannot be separated from a certain way of life which becomes its living manifestation. To acquire mystical knowledge means to undergo a transformation; one could even say that the knowledge is the transformation.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmão estiverem nus, e tiverem falta de alimento quotidiano, e se algum de vós lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos, e lhe não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim, também, a fé se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um Deus; fazes bem: também os demónios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ele não era feito para a paz, não podia crer nela. O Céu era uma simples palavra; o Inferno, uma coisa em que podia acreditar. Um cérebro só é capaz daquilo que pode conceber, e não pode conceber aquilo que nunca experimentou: as suas células eram formadas pelo pátio de recreio cimentado da escola, pelo fogão apagado e o homem a agonizar na sala de espera de St. Pancras, pela sua cama no Frank e pela cama paterna. Um terrível sentimento se agitava no seu íntimo: por que não tivera ele a sua oportunidade como os outros, por que não lhe fora dado vislumbrar o Céu, ainda que fosse apenas uma nesga entre as paredes de Brighton?...

domingo, 11 de janeiro de 2009

In any case I was twenty, when environment plays tricks, and my portholes were fogged by illusion. I just floated around in a capsule of self-absorption, sealed in my own private weather.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Ana Arkadievna lia e compreendia o que lia, mas o desejo que ela própria tinha de viver era grande de mais para se interessar pela vida dos outros. Se a heroína do romance cuidava de um doente, Ana tinha desejos de andar em passos leves pelo quarto do enfermo; se um membro do Parlamento pronunciava um discurso, ela própria desejaria tê-lo pronunciado; se lady Mary cavalgava atrás da sua matilha, irritando a nora e a todos assombrando com a sua audácia, Ana ambicionava ser ela própria a galopar. Mas nada tinha que fazer! E lá ia revolvendo nas mãos a espátula de cortar papel e prosseguindo na leitura.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

“Acontece que a "sensibilidade" e o lado "emocional" da vida são coisas para consumo moderado, como os medicamentos, e que a sua prescrição deve ser consagrada para uso íntimo e estritamente pessoal. Ao ver as montanhas do meu Minho que espera o Inverno, ou a praia de Moledo que escurece com a visão da ínsua, eu não começo a cismar. Simplesmente, fico com frio. E agasalho-me.”

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinquenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que ali estão? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio, de modo que o justo seja como o ímpio; esteja isto longe de ti. Não fará justiça o juiz de toda a terra? Então disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, pouparei o lugar todo por causa deles.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

The actions of the Taoist sage thus arise out of his intuitive wisdom, spontaneously and in harmony with his environment. He does not need to force himself, or anything around him, but merely adapts his actions to the movements of the Tao. In the words of Huai Nan Tzu, ‘Those who follow the natural order flow in the current of the Tao’.

Infelizmente

[...]O que todo o mundo tem visto é que os palestinianos parecem incapazes de governar-se a si próprios: primeiro, foi o enriquecimento dos governantes à custa da ajuda internacional; depois, a progressiva deriva de violência interna que culminou na guerra civil entre a Fatah e o Hamas e na separação entre Gaza e a Margem Ocidental. Hoje, Gaza pouco mais é do que um território submetido à tirania de um grupo terrorista que diariamente organiza acções violentas contra o Estado vizinho. Nestas circunstâncias, como pode esperar-se que Israel desmantele os colonatos, devolva mais territórios, desista do Muro e aceite que as autoridades palestinianas adquiram mais poderes? Hoje, o mundo sente pelos palestinianos pena, mas não respeito. Oxalá me engane, mas suspeito que, para eles, chegou mesmo o fim da história.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Os bons sentimentos não nos libertarão. Experiências extáticas não nos libertarão. Estar “inebriado com Jesus” não nos libertará. Sem o conhecimento da verdade, não seremos libertos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso tudo naquele que me fortalece.

Filipenses 4:12-13

domingo, 4 de janeiro de 2009

1871?

O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

“Os resultados de um ódio tão fantasioso são frequentemente muito desapontadores e, sob este ponto de vista, os ingleses são, entre todos os humanos, os mais lamechas. São criaturas dessa desgraçada espécie que em voz alta proclama não haver tortura suficientemente má para os seus inimigos e logo oferecem chá e cigarros ao primeiro piloto alemão ferido que lhes apareça na porta das traseiras.”

The 'gentle answer' discussion


It would help me (and might help others) if were to crystallise my position on the matter of Christian polemics. Partly, the debate has revealed that there is a consensus at a theoretical level, and that what we are discussing is a matter of discernment or wisdom. What's my big problem?
  • (...)
  • an apologetic issue - I really think we forget how aggressive rhetoric and polemics from the pulpit is a big turn off for a large numbers of people. Politicians now know this, and even Tony Abbott (an Australian politician) is trying to be more winsome.
  • a foothold for the devil - so many of the NT lists of sins include things like quarreling, dissension, strife and discord and what have you. As a hotheaded young man, hearing preachers regularly denounce other versions of Christianity fed the self-righteousness and pride of my heart. I think it has taken me some years to repent of this. I don't think I was a very unusual young man - and so it is pastorally unwise to encourage this tendency, I feel. I wouldn't go so far as to say it is like passing Playboy around a group of young men, but... it certainly is encouraging in them a temptation that lies close at hand.
  • a matter of integrity - the use of hyperbole and extreme rhetoric is effective. It gets people thinking. It can blow apart people's frameworks. But the line between hyperbole and outright dishonesty is quite a blurry one, isn't it? Saying one thing in public and yet conceding that things aren't so simple in private leaves me scratching my head: was the rhetorical effect really worth the perjury? Shouldn't we eschew the rhetorical tricks of politics and advertising?
  • educationally unwise - in the short term, the use of extreme language can be convincing, even overwhelming. It can be transforming. But it doesn't help people to encounter the world in a mature and wise way, because the world is complex and difficult, and people need a depth of wisdom to live in it by God's spirit. Also, when people find that things aren't as it was explained to them they experience a great sense of dissonance, and lose trust in the original speaker.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

As Augustine once explained it to his parishioners, "We are talking about God; so why are you surprised if you cannot grasp it? I mean, if you can grasp it, it isn’t God. Let us rather make a devout confession of ignorance, instead of a brash profession of knowledge." Evangelicals would do well to be reminded of such sanctified ignorance when it comes to denouncing open theism. We all would do well to take seriously the incarnational operation of language. Retrieving a sense of analogy is to confess that "in the beginning was metaphor."