quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não vejo as sobrancelhas desgrenhadas nem a barba vermelha de Reuben Lance há 35 anos, mas em determinado momento elas se tornaram um símbolo para mim das características essenciais da direcção espiritual: inicialmente assustadoras, mas depois graciosamente acolhedoras, uma rejeição dos estereótipos e clichés espirituais, um desprezo às beatitudes penteadas e aos devocionalismos barbeados e, acima de tudo, um companheirismo despretensioso (às vezes tímido e sempre comum) na descoberta cautelosa da extravagância ardente de Pentecostes e Patmos.
Já compreendemos que a tentação por prazer significa para o cristão mais sofrimento do que prazer. A tentação sempre inclui renúncia ao prazer e, portanto, sofrimento. A tentação do sofrimento implica o desejo de libertação do sofrimento e, portanto, prazer. Assim, a tentação carnal por prazer ou sofrimento são, em princípio, uma e a mesma coisa.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Jesus foi entregue conforme o plano previsto na sabedoria de Deus, e vocês mataram-no, crucificando-o por meio de homens pagãos. Porém, Deus ressuscitou-o, livrando-o do poder da morte, porque não era possível que ele fosse dominado pela morte.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

What, then, is this duty which for each one of us is the very essence of our perfection? It is twofold: a general obligation which God imposes on all mankind; and specific obligations which he prescribes for each individual. God involves each one in different circumstances in which to carry out our purpose. He binds us to his love and influences our purpose so that it may become the object of his grace, showing his mercy by asking from each one no more than he is able to give.
Porque se amotinam as gentes, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes, juntos, se mancomunam contra o Senhor e contra o seu ungido dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá, o Senhor zombará deles.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Se se pode fazer uma crítica à década de sessenta, não é a de que o protesto não tivesse sentido, mas a de que não era suficientemente profundo, no sentido de que não estava enraizado na solidão do coração. Quando apenas a cabeça e as mãos trabalham juntas, logo ficamos dependentes dos resultados da nossa acção e tendemos a desistir quando ele não se materializa. Na solidão do coração, podemos ouvir verdadeiramente as dores do mundo, pois ali podemos reconhecê-las não como dores estranhas, mas como nossas. Ali podemos ver aquilo que é mais universal é mais pessoal, e que nada que é humano nos é estranho. Ali podemos sentir que a cruel realidade da história sem dúvida é a realidade do coração humano, inclusive o nosso, e que o protesto exige primeiramente uma confissão da nossa participação na condição humana. Ali podemos responder.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Viver junto com nossos amigos é uma alegria excepcional, mas nossas vidas serão tristes se isso se tornar o objectivo de nossos esforços. Uma equipa harmoniosa, que trabalha em unidade de coração e mente, é um dom dos céus, mas se nosso senso de valor depender dessa situação, seremos pessoas tristes. É com receber cartas de amigos, mas devemos saber viver felizes sem elas. Uma visita é um presente valioso, mas não devemos cair na tentação do mau humor se não houver nenhuma. Telefonemas, “só para dizer olá”, enchem-nos de gratidão, mas quando os esperamos, como uma naeira necessária de sedar nosso medo de sermos deixados de lado, tornamo-nos vítimas fáceis de nossas auto-recriminações. Estamos sempre procurando uma comunidade à qual nos sintamos integrados, mas é importante compreender que estar junto num lugar, numa casa, numa cidade ou num país é apenas secundário para a satisfação de nosso desejo legítimo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"(...) My daughter, she has no use for night runners. You know, her first language is not Luo. Not even Swahili. It is english. When I listen to her talk with her friends, it sounds like gibberish to me. They take bits and pieces of everything - English, Swahili, German, Luo. Sometimes, I get fed up with this. Learn to speak one language properly, I tell them." Rukia laughed to herself. "But I am beggining to resign myself - there's nothing really to do. They live in a mixed-up world. It's just as well, I suppose. In the end, I'm less interested in a daughter who's authentically African than one who is authentically herself."
It was getting late; we thanked Rukia for her hospitality and went on our way. But her words would stay with me, bringing into focus my own lingering questions.
O estudo comparativo das religiões é muito interessante, pois mostra a humanidade em busca de Deus, e os diferentes resultados de tal busca. A Bíblia, contudo, não nos apresenta a humanidade em busca de Deus. Mostra algo muito mais surpreendente e radical: Deus em busca da humanidade. Deus ama-nos supremamente, e nós rejeitamo-Lo.
Não me retrato de coisa alguma, a não ser que me convençam pela Escritura ou por meio de argumentos irrefutáveis. É claro como a luz que do dia que tanto papas como concílios têm algumas vezes errado. A minha consciência tem que submeter-se à Palavra de Deus; proceder contra a consciência é ímpio e perigoso; portanto, não posso nem quero retratar-me. Assim Deus me ajude. Amém.

perante o Imperador Carlos V

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mas se razões sociais estão por detrás do que algumas pessoas crêem, então elas explicam tanto o ateísmo como outros credos. Paul Vitz, um conhecido psicólogo cristão, foi criado no meio cristão. Depois, aos 18 anos abandonou tudo e tornou-se ateu. Com 38 anos, já professor de psicologia, fez uma investigação séria do cristianismo, chegou à conclusão de que era verdadeiro e entregou a sua vida a Cristo. Agora declara que as suas razões para a adopção do atéismo eram «superficiais, irracionais e, em grande parte, sem integridade intelectual e moral.» Ele tinha feito essa opção para ganhar as boas graças dos amigos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O temor de Deus é o princípio da sabedoria; têm bom entendimento todos os que cumprem os seus preceitos; o seu louvor subsiste para sempre.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O povo cantará na Igreja, caso esta reforma seja adoptada. Há séculos que o povo não canta ali. Nem tem compreendido as palavras latinas cantadas pelos padres. Agora, em vez de espectadores mudos, terão uma participação.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Os Puritanos tinham mais confiança na responsabilidade social individual do que nas agências governamentais e sociais. Para eles, a acção social eficaz começava com o indivíduo. Richard Greenham escreveu:

“Certamente que se os homens fossem cuidadosos em reformar-se a si mesmos primeiro, e depois às suas famílias, veriam as múltiplas bênçãos na nossa terra, sobre a igreja e a comunidade. Pois de pessoas particulares vêm famílias; de famílias, cidades; de cidades, províncias; e de províncias, regiões inteiras.”

Tal declaração é uma rejeição implícita da posição liberal moderna de que o modo de combater os males sociais é multiplicar agências sociais. Que as pessoas como indivíduos são decaídas os Puritanos sabiam tão bem como nós. Mas eles também sabiam que as instituições não escapavam aos efeitos da Queda e são, de facto, o produto de pessoas decaídas. M. M. Knappen resume a teoria Puritana quando escreve:

“Quando o Puritanismo é comparado aos modernos sistemas colectivistas, aparece o seu individualismo. Os pensadores do século dezasseis não depositavam fé no Estado como tal. A integridade de um sistema não salvaria ninguém. Integridade deve haver, mas também deve haver cooperação pessoal e responsabilidade individual.”

Os Puritanos eram igualmente individualistas na sua abordagem à ajuda financeira. Eles opunham-se à caridade indiscriminada e insistiam que ajuda fosse dada apenas àqueles em genuína necessidade. William Perkins pode ser considerado como típico quanto ao pensamento Puritano a respeito de mendigos e vagabundos. Perkins disse que eles “são (na maior parte) uma geração maldita”, “pragas e chatos” tanto para a igreja como para o Estado. “É a boa lei da nossa terra”, acrescentou ele, “agradável à lei de Deus, que ninguém deveria pedir, se é capaz de trabalhar”. A injunção de Paulo de que “se alguém não quiser trabalhar, não coma” (II Tessalonicenses 3:10) foi um dos textos mais frequentemente citados entre os Puritanos.

sábado, 9 de maio de 2009

“A televisão para mim foi uma coisa maravilhosa, porque pediram-me para fazer meia dúzia de programas e fiz mil e quarenta.”
“Uma das coisas que me perseguem é que uma vez ia numa manifestação do 25 de Abril e houve uma miúda qualquer que disse: “Pai, olha ali o pai da Pantera Cor-de-rosa”. Contei isto a muita gente e passou a ser badalado.”
“Quando vou na rua ainda há muita gente que me conhece, que fala comigo. E eu não desvio a conversa, alimento-a enquanto quiserem. Estou a o serviço do povo, foi sempre o meu lema.”

Entrevistado por João Paulo Boléo e Jorge Magalhães,

sexta-feira, 8 de maio de 2009

(…) a receptividade é apenas um lado da hospitalidade. O outro lado igualmente importante é o confronto. Ser receptivo ao estranho não significa de maneira nenhuma que devamos ser “ninguéns” neutros. A verdadeira receptividade exige confronto, pois o espaço só pode ser acolhedor quando existem claras, e fronteiras são limites entre os quais definimos a nossa posição. O confronto é o resultado da presença articulada, a presença dentro dos limites, do anfitrião para o hóspede, pela qual esse oferece como ponto de orientação e quadro de referência. Não estamos sendo hospitaleiros quando deixamos os estranhos em nossa casa para que a usem como quiserem. Uma casa vazia não é hospitaleira. De facto, logo se torna uma casa assombrada, fazendo o estranho sentir-se desconfortável. Em vez de perder os medos, o hóspede fica ansioso, suspeita de qualquer ruído vindo do sótão ou do porão. Para sermos realmente hospitaleiros, devemos não apenas receber os estranhos, mas também confrontá-los com uma presença não ambígua, não nos escondendo sob a neutralidade, mostrando nossas ideias, opiniões e estilo de vida de forma clara e distinta.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Condemnation
Tried
Here on the stand
With the book in my hand
And truth on my side

Accusations
Lies
Hand me my sentence
I'll show no repentance
I'll suffer with pride

If for honesty
You want apologies
I don't sympathize

If for kindness
You substitute blindness
Please open your eyes

Condemnation
Why
Because my duty
Was always to beauty
And that was my crime

Feel elation
High
To know I can trust this
Fix of injustice
Time after time

If you see purity
As immaturity
Well it's no surprise

If for kindness
You substitute blindness
Please open your eyes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Não restam nenhumas dúvidas de que a mudança de métodos e de tácticas não significa uma mudança dês princípios básicos comunistas e isto foi cinicamente claro nas declarações de Kravchenko: «O comissário Missonov apresentou a justificação para a mudança da nossa táctica na seguinte declaração: A nossa nova política para com a religião será valiosa para enfrentar a propaganda anti-soviética dos católicos romanos, dos luteranos e de outros grupos religiosos… por outro lado, temos uma oportunidade de aproximar a Igreja Ortodoxa noutros países da Rússia e fazer de Moscovo a terceira Roma… Não vos preocupeis se a próxima geração será religiosa... é evidente que um jovem com tendências religiosas não pode ter a esperança de fazer carreira. Nós podemos mais do que os sacerdotes.»

terça-feira, 5 de maio de 2009

O reverendo I. S. Prokanoff disse na Aliança Baptista Mundial, em 1911, referindo-se aos movimentos dos baptistas e dos cristãos evangélicos no seu país: «Infelizmente, nós não podemos actualmente contar com grandes números, pelo contrário, estes não são nada empolgantes. Não podemos falar de milhares de conversões num dia, nem de reavivamentos extraordinários; não há fogo, não há tempestade, nem terramoto. O nosso, é um crescimento natural, vagaroso, mas firme.»

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Pergunta

O homem desce a avenida nocturna. Empunha um espada numa mão e leva o outro braço caído junto ao corpo. As luzes dos candeeiros reflectem-se fugazmente no metal da lâmina e tornam em espelhos as poças no chão alcatroado. O homem está cansado de não conseguir dormir. Na sua direcção vem uma rapariga envolvida em trapos e de cabeça coberta com um lenço andrajoso. É de madrugada e os dois são os únicos na avenida. Quando eles se cruzarem, ela vai notar a espada e depois vai notar que a espada está coberta de algo que parece sangue e pedaços de carne. E só quando ele a interpelar e lhe perguntar "Para onde foi o meu deus? Porque não me pode perdoar e voltar a receber?" ela notará que aquele homem enorme não é um homem mas sim um anjo, cujas asas se abrem lentamente sobre si. Da resposta que ela der virá o seu destino, que pode muito bem ser o de corpo despedaçado, como os que ficaram espalhados por ele nos passeios e becos da cidade nas horas que passaram desde que o Sol se pôs.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

É necessário tempo e paciência para fazer o pequeno e estranho sentir-se em casa, e é realista dizer que os pais precisam de aprender a amar os seus filhos. Às vezes, um pai ou uma mãe é honesto e livre o suficiente para dizer que viu o novo bebé como um estranho, sem sentir qualquer afeição especial, não porque a criança não fosse desejada, mas porque o amor não é uma reacção automática; nasce de uma relação que precisa de crescer a aprofundar-se. Pode-se até dizer que o amor entre pais e filhos desenvolve-se e amadurece até ao ponto em que eles podem alcançar um ao outro e descobrir-se como semelhantes; que têm muito a compartilhar e cujas diferenças em relação a idade, talentos e comportamento são menos importantes do que sua humanidade comum.