quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Por vezes, Senhor, somos tentados a dizer que se queríeis que nos comportássemos como os lírios do campo poderíeis ter-nos conferido uma organição mais semelhante à deles. Mas essa é, suponho, a vossa grande experiência. Ou não. Não uma experiência, posto que não necessitais de descobrir como as coisas são. Antes a vossa grande empresa. Criar um organismo que é também espírito. Criar esse terrível oxímoro, um 'animal espiritual'. Tomar um pobre primata, um bruto todo ele cheio de terminações nervosas, uma criatura com um estômago que exige que o encham, um animal reprodutor que anseia por acasalar, e dizer-lhe 'Vá, anda com isso. Torna-te um deus.'

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 130

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

De um lado a união mística. Do outro lado, a ressurreição da carne. Não consigo atingir um fantasma de imagem, uma fórmula ou mesmo um sentimento que as combine. Mas a realidade, como nos é dado compreender, consegue. A realidade, uma vez mais a iconoclasta. O Paraíso resolverá os nossos problemas mas não, penso eu, apresentando-nos subtis reconciliações entre todas as nossas noções aparentemente contraditórias. As noções ser-nos-ão todas violentamente retiradas debaixo dos pés. E veremos que afinal nunca houve qualquer problema. E, mais que uma vez, essa impressão que eu não sei descrever senão como o som de um riso no escuro. A sensação de que algo de esmagadora simplicidade é a verdadeira resposta.

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 128

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Quando coloco estas questões perante Deus, fico sem resposta. Mas um tipo muito particular de 'sem resposta'. Não é a porta fechada. É antes como um olhar fixo sobre mim, silencioso, mas de modo algum desapiedado. Como se Ele abanasse a cabeça, não para recusar mas para ponderar a questão. Como 'Acalma-te, criança, tu não entendes'.

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 125

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estarei eu, por exemplo, a desviar-me sub-repticiamente para o lado de Deus por saber que, se existe uma estrada que conduza a H., tem de passar por Ele? Mas, claro, sei perfeitamente que ele não pode ser usado como estrada nenhuma. Se nos aproximamos d'Ele não como o destino mas como a estrada, não como o fim mas como os meios, não estamos realmente a aproximar-nos d'Ele de maneira nenhuma.

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
página 123

sábado, 10 de novembro de 2012

Eu nem sequer gosto de escrever. Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Went out on a limb
Gone too far
I broke down at the side of the road
Stranded at the outskirts and sun's creepin' up

Baby's in the backseat
Still fast asleep
Dreamin' of better days
I don't want to call you but you're all I have to turn to

What do you say
When it's all gone away
Baby I didn't mean to hurt you
The truth spoke in whispers will tear you apart
No matter how hard you resist it
It never rains when you want it to

You humble me lord
Humble me lord
I'm on my knees empty
You humble me lord
You humble me lord
So please please please forgive me

Baby teresa, she's got your eyes
I see you all the time
When she asks about her daddy
I never know what to say

 Heard you kicked the bottle
And helped to build the church
You carry an honest wage
Is it true you have someone keeping you company

sexta-feira, 26 de outubro de 2012


A maior prova da nossa fraqueza nos dias de hoje é que não há nada de espantoso ou misterioso acerca de nós. A Igreja foi desvendada – a evidência segura da sua derrocada. Temos pouco que não possa ser explanado pela psicologia ou pelas estatísticas. Na Igreja primitiva eles juntavam-se no pórtico de Salomão, e era tão imensa a sensação da presença de Deus que “nenhum homem ousava juntar-se a eles”. O mundo via fogo naquela sarça e retirava-se com temor; mas ninguém tem medo de cinzas. Hoje ousam achegar-se tanto quanto desejam. Até dão uma palmada amigável nas costas da noiva de Cristo e têm atitudes duma familiaridade grosseira. Se queremos mais uma vez impressionar os descrentes com o temor saudável do sobrenatural, precisamos de recuperar a dignidade do Espírito Santo; precisamos de conhecer de novo algo do mistério que inspira um deslumbramento que envolve as pessoas e as Igrejas quando estão cheias do poder de Deus.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Crombie disse que os teístas acreditam num mistério que excede a experiência, apesar de ele próprio detectar traços deste mistério na mesma. Além do mais, disse, os teístas defendem que a expressão da sua crença exige o uso de uma linguagem governada por regras paradoxais. Crombie observou que só podemos compreender enunciados religiosos se compreendermos as três proposições seguintes: os teístas acreditam que Deus é um ser transcendente e que as afirmações acercam de Deus se aplicam a Deus e não ao mundo; os teístas acreditam que Deus é transcendente e que, portanto, é algo que está para além da nossa compreensão; os teístas acreditam que sendo Deus um mistério, e posto que para atrair a atenção dos outros temos de falar de modo inteligível, apenas podemos falar Dele através de imagens. Os enunciados teológicos são imagens humanas de verdade divinas que podem unicamente ser expressas em parábolas.

Original: There Is a God
Deus Não Existe
Editora Alêtheia
página 52

sexta-feira, 19 de outubro de 2012



Se te mostras,
eu também me mostro a ti
Não tenho a beleza
que vejo em ti

Se me encantas
eu também te encanto a ti
não tens a tristeza
que se vê em mim

se te mostras,
eu também me mostro a ti
eu também me mostro a ti
Baby, vamos ter de nos juntar
vamos ter de nos casar para sempre

e eu quero ser o teu super-herói
roubar um pedaço de céu para ti

Se me esperas
eu também espero por ti
não tenho onde ir
sem ser contigo

se me admiras
eu também te admiro a ti
por tudo aquilo
que tu significas

se me adoras,
eu também te adoro a ti
eu também te adoro a ti

Baby, eu já dependo de ti
tu és super especial para mim

e eu não vou esquecer-te nunca mais
tu deixaste os teus sinais
em mim

terça-feira, 16 de outubro de 2012

É que uma esposa perfeita contém tantas pessoas em si. O que não era H. para mim? Era minha filha e minha mãe minha pupila e minha mestra, minha súbdita e mina soberana. E sempre, reunindo todas essas numa, o meu fiel camarada, amigo, companheiro de bordo, irmão de armas. Minha amante, sim. Mas, ao mesmo tempo, tudo aquilo que qualquer amigo masculino (e tenho-os bons) alguma vez foi para mim. Talvez mais. Se nunca nos tivéssemos apaixonado nem por isso teríamos deixado de andar sempre juntos e dado origem a um escândalo. Era isso que eu pretendia significar quando, certa vez, a gabei pelas suas "virtudes masculinas". Mas ela logo pôs fim ao cumprimento, perguntando-me se me agradaria ser gabado pelas minhas virtudes femininas. Foi um bom contra-ataque, minha querida. (...) E a ti, tanto como a mim, agradava-te que existisse esse aspecto. E agradava-te que eu soubesse reconhecê-lo. 
Salomão chama à ua noite "Irmã". Poderia uma mulher ser plenamente uma esposa se, por um momento, numa particular disposição, um homem não se sentisse inclinado a chamar-lhe Irmão?

Original: A Grief Observed
Editora Grifo 
páginas 88-90

domingo, 7 de outubro de 2012

Verdadeiramente bom é Deus para com Israel,
para com os limpos de coração.

Quanto a mim, os meus pés quase se desviaram;
pouco faltou para que escorregassem os meus passos.
Pois eu tinha inveja dos soberbos,
ao ver a prosperidade dos ímpios.

Porque não há apertos na sua morte,
mas firme está a sua força.
Não se acham em trabalhos como outra gente,
nem são afligidos como outros homens.

Pelo que a soberba os cerca como um colar;
vestem-se de violência como de um adorno.
Os olhos deles estão inchados de gordura:
superabundam as imaginações do seu coração.

São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão;
falam arrogantemente.
Erguem a sua boca contra os céus,
e a sua língua percorre a terra.

Pelo que o seu povo volta aqui,
e águas de copo cheio se lhes espremem.
E dizem: Como o sabe Deus?
ou, há conhecimento no Altíssimo?

Eis que estes são ímpios; e todavia estão sempre em segurança,
e se lhes aumentam as riquezas.
Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração
e lavado as minhas mãos na inocência.
Pois todo o dia tenho tenho sido afligido,
e castigado a cada manhã.

Salmos 73:1-14

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Ó profundidade das riquezas,
tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!
Quão insondáveis são os seus juízos,
e quão inexcrutáveis os seus caminhos!

Porque, quem compreendeu o intento do Senhor?
Ou quem foi seu conselheiro?
Ou quem lhe deu primeiro a ele,
para que lhe seja recompensado?

Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas;
glória, pois, a ele, eternamente. Amén.

Romanos 11:33-36

sexta-feira, 28 de setembro de 2012



Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
Your mama's gone away and your daddy's gonna stay
Didn't leave nobody but the baby

Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
Everybody's gone in the cotton and the corn
Didn't leave nobody but the baby

You're sweet little babe
You're sweet little babe
Honey in the rock and the sugar don't stop
Gonna' bring a bottle to the baby

Don't you weep pretty babe
Don't you weep pretty babe
She's long gone with her red shoes on
Gonna' need another lovin' baby

Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
You and me and the Devil makes three
Don't need no other lovin' baby

Go to sleep you little babe
Go to sleep you little babe
Come and lay your bones on the alabaster stones
And be my ever-lovin' baby

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Um dos atletas mais interessantes que entrevistei foi o Reverendo William Ashley (Billy) Sunday, o jogador de basebol de segunda divisão que se tornou no evangelista mais estrondoso da Cristandade. (…) Na tarde em que o vi, estava deitado no seu quarto no Salisbury Hotel a reunir forças para o sermão da pregação à antiga maneira que pensava fazer nessa noite na Igreja Baptista do Calvário
(…)
«É verdade», disse o Sr. Sunday. «Outra visita foi Mickey Welch, que há muitos anos foi lançador do New York Giants. Na verdade verdadinha, ele deixou de jogar em 1892. Joguei contra ele muitas vezes. Trouxe à baila a história de uma vez em que eu estava inscrito para uma corrida contra Arlie Latham, o homem mais rápido da equipa de St. Louis. Eu era o mais rápido da equipa de Chicago, claro. Bem, mas entretanto eu tinha-me convertido na Missão Pacific Garden, em Chicago. Por isso fiquei desanimadíssimo, como cristão praticante que sou, quando ouvi dizer que a corrida se ia fazer numa tarde de domingo. Fui ter com o meu empresário e disse-lhe: “Eu converti-me e não posso participar numa corrida ao domingo.” E diz ele: “Não podes, o tanas. Pus todo o meu dinheiro nessa corrida, e se tu não ganhas vou ter que comer bolas de neve ao pequeno-almoço o Inverno todo.” E então eu respondi: “O Senhor não ia gostar se eu corresse ao domingo.” Bem, o empresário olhou para mim e disse: “ Vais para diante e fazes a corrida e resolves as coisas com o Senhor mais tarde.»
O evangelista riu-se a bandeiras despregadas. Ria-se tanto que até a cama abanava. A Srª Sunday ria-se também.
«E então», disse o Sr. Sunday, «fiz a corrida e ganhei.»   

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O que é tremendo é que um Deus de perfeita bondade pouco menos terrível seria, neste contexto, que um Sádico Cósmico. Quanto mais acreditamos que Deus fere apenas para curar, menos podemos acreditar que sirva de alguma coisa rogar-Lhe brandura. Um homem cruel podia ser comprado, podia cansar-se de tão vil prazer, podia ter um ataque temporário de piedade, como os alcoólicos têm ataques de sobriedade. Mas suponhamos que estamos perante um cirurgião cujas intenções são as melhores possíveis. Quanto mais bondoso e consciencioso for, tanto mais inexoravelmente continuará a cortar. Se ele cedesse aos nossos rogos, se parasse antes de a operação estar acabada, toda a dor sofrida até esse ponto teria sido inútil. Mas será crível que tais extremos de tortura nos sejam necessários? Bem, a escolha é nossa. As torturas acontecem. Se são desnecessárias, então Deus não existe ou é um Deus cruel. Se existe um Deus de bondade, então essas torturas são necessárias. Porque nenhum Ser, ainda que moderadamente bom, poderia de modo algum infligi-las ou permiti-las se o não fossem. 
Seja como for, é o nosso quinhão. 
Que pretendem a pessoas dizer quando afirmam "Não tenho medo de Deus porque sei que Ele é bom?" Será que nunca foram sequer ao dentista?

Original: A Grief Observed
Editora Grifo
páginas 79-81

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

No dia em que terminei de escrever a minha tese de doutorado, enviei o manuscrito para um colega. E pedi uma opinião sincera. Três dias volvidos, ele respondeu: "Você vai ser fuzilado pela banca". O problema estava na qualidade do texto. A tese estava bem escrita. Pior: bem escrita e totalmente compreensível. Eu tinha cometido uma heresia nas ciências sociais: escrever uma tese de doutorado com o propósito honesto de ser lido e compreendido. Sugestão dele para evitar o desastre: reescrever o texto e transformar cada parágrafo em paralelepípedo. Lembro essa história agora por dois motivos. Primeiro, porque Barton Swaim escreve na "Weekly Standard" sobre a qualidade da prosa acadêmica. Qualidade atroz, entenda-se. Por que motivo a fauna universitária faz um esforço tão tortuoso para ser tortuosa? Swaim arrisca três hipóteses. Para começar, as humanidades vivem o complexo de inferioridade que as atormenta desde o século 18, quando as ciências naturais deram o seu salto cosmológico. A impenetrabilidade dos textos humanísticos é uma forma de simular "profundidade". Depois, existe o problema das influências. Das más influências. O aluno escreve mal porque o supervisor e os seus pares escrevem pior. E porque as revistas da especialidade só publicam esses horrores. Por fim, a hipótese mais provável: a obscuridade obscurece. Quando nada temos de relevante para dizer, só há uma forma de esconder o vazio: com a babugem das palavras.

domingo, 2 de setembro de 2012

Eis que vêm os dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. Andarão errantes de mar a mar, e do norte até o oriente; correrão por toda parte, buscando a palavra do Senhor, e não a acharão.
 
Amós 8:11-12

quinta-feira, 30 de agosto de 2012


Saudações do seu irmão em Cristo, Youcef Nadarkhani.
Estas palavras foram escritas para todos aqueles que estão preocupados com minha situação atual.
Primeiro, eu gostaria de informar a todos os meus amados irmãos e irmãs que estou em perfeita saúde, tanto física quanto espiritual. Estou tentando olhar para esses dias com outros olhos. Tento considerá-los como dias de exame e julgamento de minha fé. Creio ser em dias assim que torna-se mais difícil provar lealdade e sinceridade a Deus. Estou tentando fazer o melhor ao meu alcance para ficar bem utilizando os mandamentos que aprendi com Deus.
É claro que o desejo da minha carne é que esse tempo termine logo, mas tenho rendido meu espírito à vontade de Deus.
Eu não sou uma pessoa política nem sei sobre a cumplicidade política. Sei apenas que há muitas coisas em comum  em diferentes culturas, bem como diferenças gritantes. Essas diferenças podem gerar sérias críticas à minha atual situação e meu posicionamento diante disso. Muitas dessas críticas podem ser duras, aumentando assim nossos problemas.
De vez em quando sou informado sobre as notícias que estão se espalhando na mídia sobre mim. Sei do apoio de várias igrejas e políticos famosos que pedem minha libertação. Soube também de campanhas e atividades de direitos humanos protestando contra a pena de morte aplicada a mim. Eu acredito que tudo isso pode ser muito útil a fim de que eu possa alcançar liberdade.
Quero, de todo coração, agradecer a todos aqueles estão tentando atingir esse objetivo. Mas, infelizmente, também soube de protestos desordeiros, cheio de tumultos. Preciso deixar claro minha discordância nesse sentido. Peço que não usem meu nome para promoverem esses tumultos.
Eu tento ser humilde e obediente àqueles que estão no poder. Obediência as autoridades que Deus constitui em meu país. Oro para que eles aprendem a governar  segundo a vontade de Deus. Assim, eu tenho certeza de estar obedecendo a Palavra de Deus.
Como eu, muitos dos que estão presos, também tentam ser pessoas de testemunho e exemplo. Sei que as autoridades não tem nehuma queixa quanto ao nosso comportamento e isso expressa Cristo em nós.  Até mesmo quando tiram nosso direito de defesa, nos calamos e deixamos que o poder de Deus se manifeste em nossas vidas.
Peço a todos os amados que orem por mim. No final espero que a minha liberdade seja alcançada.
Que a graça de Deus e a misericórdia estejam com vocês agora e para sempre. Amém.
Youcef Nadarkhani

domingo, 26 de agosto de 2012

E peço isto: que o vosso amor abunde mais e mais, em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum, até ao dia em Cristo, cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.

Filipenses 1:9-11

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Israeli archaeologists recently discovered a coin, dating from the 11th century before Christ. It depicted "a man with long hair fighting a large animal with a feline tail." Ring any Old Testament bells?The coin was found near the Sorek River, which was the border between the ancient Israelite and Philistine territories 3,100 years ago. Sound vaguely familiar? The archaeologists thought so, too. While Shlomo Bunimovitz and Zvi Lederman of Tel Aviv University don't claim that the figure depicted on the coin is proof that Samson actually existed, they do see the coin as proof that stories about a Samson-like man existed independently of the Bible.


Stated differently, the story of Samson was not the literary invention of a sixth-century B.C. scribe living in Babylon, as has commonly been assumed by mainstream biblical scholarship.Bunimovitz and Lederman made another interesting discovery: the Philistine side of the river was littered with pig bones, while there were none on the Israelite side. Bunimovitz told the Israeli newspaper Haaretz that "these details add a legendary air to the social process in which the two hostile groups honed their separate identities . . ."

I suppose that's one way to put it. Another would be to see it as evidence of the Israelites' sense of being set apart from their pagan neighbors.
 
The findings at Sorek are only the latest in a series of archaeological discoveries that are changing the way modern historians look at biblical narratives. It's becoming more difficult for them to maintain that the narratives are pious fictions invented long after the era being depicted. The most famous of these discoveries is the 1994 discovery of a stele in Tel Dan bearing an inscription that contained the words "House of David." It was the first extra-biblical evidence of the Davidic dynasty. Prior to the discovery, many scholars doubted that David ever existed, much less founded a dynasty. The discovery was so out-of-line with expectations that more than a few insisted it must be a forgery. 
 
Today, it is clear to even the most skeptical scholar that-surprise!-there really was a David who founded a ruling dynasty. That dynasty included his son, Solomon, and evidence of Solomon's building projects described in Second Samuel have been found by archaeologists as well. 
 
 The Christian Post
20 de Agosto de 2012

Arqueólogos israelitas descobriram recentemente uma moeda, datada do século 11 antes de Cristo. Esta moeda tem representado "um homem com cabelo comprido a lutar com um animal com uma cauda felina". Faz lembrar qualquer coisa do Velho Testamento? A moeda foi encontrada perto do Rio Sorek, que constituía a fronteira entre os antigos territórios Israelitas e Filisteus, 3.100 ano atrás. Soa a algo vagamente familiar? Os arqueólogos também pensaram o mesmo. Embora Shlomo Bunimovitz e Zvi Lederman da Universidade de Tel Aviv não defendam que a figura refresentada na moeda seja uma prova de que Sansão tenha realmente exisitdo, eles vêem a moeda como uma prova de que as histórias sobre um homem parecido com Sansão circulavam independentemente da Bíblia.

Ou dito de outra forma, a história de Sansão não foi uma invenção literária de um escriba exilado na Babilónia no século 6 antes de Cristo, como habitualmente é assumido pelas principais correntes de académicos bíblicos. Bunimovitz e Lederman fizeram outra descoberta interessante: o lado Filisteu do rio estava cheio de ossos de porco, mas não havia nenhum do lado Israelita. Bunimovitz disse ao jornal Israelita Haaretz que "estes detalhes dão um ar lendário ao processo social no qual dois grupos hostis agudizavam as suas identidades separadas..."

Suponho que essa seja uma forma de por a coisas. Outra forma será ver isto como uma evidência do sentido dos Israelitas de povo separado dos seus vizinhos pagãos.

As descobertas no Sorek são apenas as mais recentes numa série de achados arqueológicos que estão a mudar a maneira como os historiadores modernos olham para as narrativas bíblicas. Está a tornar-se-lhes mais difícil manter que as narrativas são ficções religiosas inventadas muito depois do tempo em que se passavam. O mais famoso destes achados é a descoberta, em 1994, de uma laje em Tel Dan, onde constava uma inscrição com as palavras "Casa de David". Foi a primeira evidência extra-bíblica da dinastia Davídica. Antes desta descoberta, muitos académicos duvidavam que David tivesse sequer existido, quanto mais fundado uma dinastia. A descoberta foi tão inesperada que uma boa parte deles insistiu que devia ser uma fraude.

Hoje, é razoável mesmo para o académico mais céptico que, surpresa!, existiu realmente um David, que fundou uma dinastia real. Esta dinastia incluiu o seu filho, Salomão, e também já foram descobertos por arqueólogos indícios dos seus projectos de construção conforme descritos em Segunda de Samuel.

Algumas das descobertas vão para além da história e mostram o sentido de Israel do que significava ser o povo escolhido por Deus. Sítios datados antes do Exílio estão cheios de ídolos cananeus, evidência da apostasia que os profetas denunciavam e avisavam que levaria à desgraça. No entanto, não foi encontrado um único ídolo em sítios datados depois do Exílio. Claramente, os Judeus que regressaram do Exílio finalmente aprenderam verdadeiramente que "o Senhor nosso Deus é o único". Estas descobertas são entusiasmantes não apenas porque "provem" que o Cristianismo seja verdadeiro - há uma razão e chama-se "fé" - mas porque o Cristianismo, bem como o seu parente Judaísmo, fazem reivindicações históricas.

domingo, 19 de agosto de 2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

- Em segundo lugar - disse Caspian -, quero saber porque haveis permitido que se desenvolvesse esse abominável e desnaturado tráfico de escravos, contrário aos antigos usos e costumes destes domínios.
- É necessários e inevitável. Asseguro-vos que constitui uma parte essencial do desenvolvimento económico das ilhas. A nossa prosperidade actual depende dele.
- Que necessidade tendes de escravos?
- Para exportar, Majestade. São quase todos para vender aos Calormenitas; e temos outros mercados. Somos um grande entreposto comercial.
- Por outras palavras - prosseguiu Caspian -, não precisais deles. Dizei-me para que servem, a não ser para encher de dinheiro os bolsos de indivíduos da laia de Pug?
- A juventude de Vossa Majestade - disse Gumpas com um sorriso paternal - impede que possais compreender o problema económico em questão. Tenho estatísticas, tenho gráficos, tenho...
- Por muito jovem que seja, creio perceber tanto de tráfico de escravos como Vossa Senhoria. E não vejo que traga para as ilhas carne, pão, cerveja, vinho, madeira, couves, livros, instrumentos musicais, cavalos, armaduras, nem seja o que for de valioso. Mas, seja como for, tem de acabar.
- Mas isso era fazer os ponteiros do relógio andarem para trás - disse o governador sobressaltado. - Tendes alguma ideia do que é o progresso, o desenvolvimento?
- Já os vi em embrião. Em Nárnia chamamos-lhe corrupção. Esse tráfico tem de acabar.
- Não posso tomar as responsabilidade de uma medida dessas - retorquiu Gumpas.
- Muito bem. Então demito-vos do vosso cargo. Aproximai-vos, Sr. Bern. - E antes que Gumpas percebesse o que se passava, Bern estava ajoelhado com as mãos entre as mãos do rei, a prestar juramento de que iria governar as Ilhas Solitárias de acordo com os antigos usos e costumes, direitos e leis de Nárnia. - Acho que já tivémos suficientes governadores - prosseguiu Caspian, que nomeou Bern duque das Ilhas Solítárias. - Quanto a vós, senhor - disse a Gumpas -, perdoo-vos a vossa dívida do tributo. Porém, antes do meio-dia de amanhã, vós e os vossos companheiros deveis estar fora do castelo, que é agora a residência do duque.
- Isso está tudo muito bem - disse um dos secretários de Gumpas -, mas agora é melhor deixarmo-nos de conversas e passarmos aos aspectos práticos. A questão que se põe é que...
- A questão - disse o duque - é saber se não serão precisas umas boas chicotadas para partirdes.
Quando tudo ficou resolvido, Caspian mandou buscar cavalos.

O Caminheiro da Alvorada
Editora Gradiva
páginas 54-55

domingo, 12 de agosto de 2012

(...) muitos há, dos quais muitas vezes voz disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar, também, a si todas as coisas.

Filipenses 3:18-21

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

In sum, there is no hard evidence to support the received wisdom that a wide range of behaviours that we associate with particular genders are actually biologically predetermined. The implication of this is that we need to look very hard indeed at how we reinforce stereotypes that diminish the potential of the boys and girls and the men and women around us.

You may not think this is relevant in the church but ask yourself this: when a girl between the age of 5 and 12 comes up to you in the coffee lounge after the service, what are most adults, whether male or female, likely to say to them after a general greeting and inquiry as to how they are? Let me tell you, because I've watched myself, and I've watched scores of people talk to my daughter and I've asked lots of adults. The answer almost always relates to something she's wearing or some aspect of her appearance. 'That's a pretty top.' Or, 'I like the way you've done your hair.' Well, in an appearance-obsessed world, it is important to affirm a girl's beauty but if the first comments that most of our young girls receive from virtually every Christian adult they meet is about their appearance, what message are they getting? Answer: exactly the same one they get from the world - what matters is what you wear and what you look like. How conformed to the world we may be. We need some new questions.


Ou seja, não há prova sólidas a apoiar o senso comum de que uma grande variedade de comportamentos que associamos a um género particular sejam determinados biologicamente. A implicação disto é que precisamos de ver muito cuidadosamente como é que temos reforçado estereótipos que diminuem o potencial de rapazes e raparigas, e de homens e mulheres.
Podes pensar que isto não é relevante na tua igreja, mas pergunta a ti mesmo: quando uma rapariga com idade entre 5 e 12 anos cruza-se contigo a seguir ao culto, o que é que é mais provável que a maior parte dos adultos, quer sejam homens ou mulheres, perguntem depois de perguntar "como é que estás"? Deixa-me dizer, porque já o observei, e vi montes de pessoas a falar com a minha filha, e já perguntei a muitos adultos. A resposta é que quase sempre é alguma coisa relacionada com o que ela tem vestido, ou algum pormenor da sua aparência. 'Tens um top muito giro', ou, 'Gosto desse penteado'. Num mundo obcecado com a aparência, é importante afirmar a beleza de uma rapariga, mas se os primeiros comentários que a maior parte das nossas jovens recebe de praticamente todos os cristãos adultos com quem se cruzam é sobre a aparência, que messagem estarão elas a receber? Resposta: exactamente a mesma que estão a receber do mundo - que o que importa é o que usas e o que pareces. Quão conformados com o mundo poderemos nós estar. Precisamos de arranjar perguntas novas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


No fim de contas, mais tarde ou mais cedo, quase todas religiões americanas transformam-se num Evangelho da Prosperidade. A manhã de Natal é o Sábado Americano, e idealmente, duraria o ano todo. O surpreendente é que este evangelho da prosperidade é a única crença americana que nunca vai morrer, mesmo quando as suas promessas parecem ter sido frustradas. Em quase todas as outras democracias ocidentais, o último rebentamento da bolha levantou dúvidas sobre o sistema que as faz inchar. Aqui, as pessoas que se encontram em posições de poder são as que querem encher bolhas ainda maiores, que continuam a acreditar nelas mesmo depois de rebentar, e que fazem da sua perfeição uma crença tão reluzente, segura e infalível, que poderia ter sido escrita por anjos em tábuas de ouro maciço.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

É comum ouvirmos crentes a mostrarem a sua preocupação em conhecer a vontade do Senhor. Querem saber que curso devem estudar, que casa devem comprar, com quem devem casar... dentro da vontade de Deus.

Tudo isto está certo. Mas algumas vezes, esquecemo-nos que a 'vontade de Deus', no sentido que esta frase tem na Bíblia, tem mais a ver com as nossas qualidades morais do que com as decisões concretas, sobre projectos de vida. Tem mais a ver com a pureza, a sobriedade e a integridade que nos devem caracterizar (ver, por exemplo, o Salmo 24:3-5) do que com o curso, a casa ou o casamento. Quando tratamos prioritariamente destas questões qualitativas, o Senhor encarrega-se de nos orientar nos outros aspectos também. Faz isto quando é realmente preciso, mesmo que nós às vezes achemos que o faz um pouco mais tarde do que gostaríamos! 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Oh thank you for your love
Thank you for your love
When all is falling in the seizure of pain
Oh thank you for your love

Thank you for your love
Thank you for your love
When I was lost in the darkness
Oh thank you for your love

I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh

Thank you

Thank you for your love
Thank you for your love
When my mind was broken into a thousand pieces
Oh thank you for your love

I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh
I want to thank you, oh

Thank you
I thank you

sexta-feira, 20 de julho de 2012


His embrace, a fortress
It fuels me
And places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone

If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over

He demands a closeness
We all have earned a lightness
Carry my joy on the left
Carry my pain on the right


O seu abraço, uma fortaleza
que me dá energia
e estabelece
um esqueleto de confiança
sob nós
osso por osso
pedra por pedra

Se te perguntares cuidadosa e pacientemente:
Quem é ele?
Quem é ele, que nunca de deixa ficar mal?
Quem é ele, que devolveu a tua coroa?
E os ornamentos andam por aí
agora vão ser distribuídos
vão ser distribuídos

Ele exige uma proximidade
Todos nós adquirimos uma ligeireza
Leva a minha alegria na mão esquerda
Leva a minha dor na mão direita

sexta-feira, 13 de julho de 2012



 I'm not afraid
Of anything in this world
There's nothing you can throw at me
That I haven't already heard
I'm just trying to find
A decent melody
A song that I can sing
In my own company

I never thought you were a fool
But darling, look at you. Ooh.
You gotta stand up straight, carry your own weight
'Cause tears are going nowhere baby

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And now you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it


I will not forsake
The colors that you bring
The nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted
By the light you brought to me
I listen through your ears
Through your eyes I can see

You are such a fool
To worry like you do.. Oh
I know it's tough
And you can never get enough
Of what you don't really need now
My, oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh love, look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh lord look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you cant get out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm 'til you discover how deep
I wasn't jumping, for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along this stony pass

It's just a moment
This time will pass

sexta-feira, 6 de julho de 2012


As I went down in the river to pray
Studying about that good old way
And who shall wear the starry crown
Good Lord, show me the way !

O sisters let's go down,
Let's go down, come on down,
O sisters let's go down,
Down in the river to pray.

O brothers let's go down,
Let's go down, come on down,
Come on brothers let's go down,
Down in the river to pray.

O fathers let's go down,
Let's go down, come on down,
O fathers let's go down,
Down in the river to pray.

O mothers let's go down,
Let's go down, don't you want to go down,
Come on mothers let's go down,
Down in the river to pray.

O sinners let's go down,
Let's go down, come on down,
O sinners let's go down,
Down in the river to pray.

quarta-feira, 4 de julho de 2012


terça-feira, 3 de julho de 2012



(...) a criação de arte verdadeiramente boa requer um grau de concentração, compromisso, dedicação e preocupação - de egoísmo, numa palavra - que mantém o artista distante, e que faz dele não exactamente um fora-da-lei, mas torna o próprio numa lei.
(...)

Dickens era um reformador social, um defensor dos pobres, um homem que usou do próprio dinheiro para contruir uma escola e um abrigo para prostitutas (mesmo que, como sugere a nova biografia escrita por Claire Tomalin, ele próprio fosse um cliente entusiasta das meninas da rua). A sua popularidade era tal que em meados do século XIX, era provavelmente a figura mais amada de Inglaterra, talvez até mais popular do que a Rainha.
Dickens teve uma infância infeliz e estava determinado a fazer melhor com os seus próprios filhos. E no entanto ele era, quando muito, um pai indiferente, desorientado e frequentemente negligente, e um marido ainda pior. O seu casamento com Catherine Hogarth foi provavelmente um erro desde o começo, e à medida que ela foi engordando e adoecendo (dez gravidezes não devem ter ajudado muito), ele foi ficando cada vez mais aborrecido e ressentido. O divórcio não era uma opção e por isso, baniu  sua mulher de casa e literalmente "escreveu-a" para fora da sua vida, anunciando falsamente na sua revista, Household Words (Palavras Domésticas), que ela era uma mãe negligente e que os filhos não a suportavam. Ao descrever este período das suas vidas, a sua filha Katie escreveu: "Nada pode superar a miséria e a infelicidade do nosso lar".
Simultaneamente, Dickens escrevia romances incomparáveis, fazia digressões como palestrante, encenava peças de teatro amador. Ele era um homem de uma energia tão prodigiosa que ao fim do dia, incapaz de adormecer, era capaz de caminhar mais de 30 km. Esta é a figura que viémos a adorar - o Dickens de um coração imenso, infinitamente criativo - e se não tivéssemos tido Great Expectations ou Little Dorrit, teríamos sentido as nossas vidas tristemente diminuídas.
Mas e se um dos seus filhos - digamos, o Edward, de 16 anos, que Dickens enviou para a Austrália e nunca mais o viu, por ele ser complicado e parecer pouco adequado para uma carreira em Londres - perguntasse a pergunta do filho de Hemingway: o que é que pensas ser mais importante, as histórias ou as pessoas? Por um pai mais compreensivo, provavelmente Edward abdicaria de Great Expectations, Little Dorrit e mais uns quantos. Valeria a pena? Edward gostaria de saber.
No entanto, para Dickens, essa não é uma pergunta que possa ser respondida. Ele não poderia não escrever, da mesma forma que não poderia não respirar. Ele estava sob o domínio da arte, e a crueldade da arte - da boa arte, pelo menos - é que requer dos seus praticantes que se mantenham embrulhados em si mesmos de uma forma que acaba por ser um pouco inumana.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Most drone strikes take place within conventional warfare. Hundreds of armed US UAVs – and a handful of British ones – now patrol the skies above Afghanistan. Satellite control direct from the US is near-instant, as the pilot and navigator sit in air-conditioned comfort at an ever-expanding network of air force bases. More US pilots are now being trained to fly drones than for conventional fighter and bomber jets. Little wonder that the sequel to Tony Scott’s Top Gun is likely to be set on a drone base, a world where “kids play war games” by day “and then they party all night”.


A maior parte dos ataques de drones ocorre no contexto da guerra convencional. Centenas de UAV's americanos armados - e uma mão cheia de britânicos - patrulham actualmente os céus do Afeganistão. O controlo directo por satélite a partir dos Estados Unidos é quase instantâneo, em que o piloto e o navegador estão sentados confortavelmente numa sala com ar condicionado, numa rede de bases da força aérea cada vez mais numerosa. Actualmente há mais pilotos americanos a serem treinados para pilotar drones do que para caças e bombardeiros convencionais. Não admira que a sequela de Top Gun, de Tony Scott, será desenrolada provavelmente numa base de drones, num mundo onde "miúdos jogam jogos de guerra" durante o dia "e fazem festa a noite toda".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
The Minnesota researchers tracked down every pair they could find—and measured traits related to almost every aspect of life: health, cognition, personality, happiness, career, creativity, politics, religion, sex and much more. The Minnesota study reveals genetic effects on virtually every trait. The breakdown between nature, nurture and everything else varies from trait to trait. But Ms. Segal emphasizes the uniformity of the results—the consistent power of genes, the limited influence of parenting.
The Minnesota study's IQ results hit a nerve years before their publication in 1990, overshadowing other controversies that might have been. Many of its findings are bipartisan shockers. Take religion, which almost everyone attributes to "socialization." Separated-twin data show that religiosity has a strong genetic component, especially in the long run: "Parents had less influence than they thought over their children's religious activities and interests as they approached adolescence and adulthood." The key caveat: While genes have a big effect on how religious you are, upbringing has a big effect on the brand of religion you accept. Identical separated sisters Debbie and Sharon "both liked the rituals and formality of religious services and holidays," even though Debbie was a Jew and Sharon was a Christian.

Os investigadores do Minnesota procuraram todos os pares de gémeos que conseguiram encontrar, e mediram características relacionadas com quase todos os aspectos da vida: saude, inteligência, personalidade, felicidade, carreira, creatividade, política, religião, sexo e muito mais. O estudo Minnesota revela a influência da genética em virtualmente todas as características. A diferença entre atributos naturais, educação e tudo o resto varia de característica para característica. Mas a Sra. Segal enfatiza a uniformidade dos resultados - o poder consistente dos genes, e a influência limitada da educação paternal.
Algumas descobertas são fáceis de aceitar: como todos estavam à espera, gémeos idênticos criados separadamente são virtualmente da mesma altura em adultos. Algumas descobertas parecem óbvias, afinal de contas: os genes, e não a educação, têm um efeito significativo em características da personalidade como ambição, optimismo, agressividade e tradicionalismo. Outras descobertas serão sempre motivo de indignação: o QI de gémeos idênticos separados são quase tão parecidos como as suas alturas. Críticos da investigação da inteligência frequentemente elevam a importância do treino em detrimento do talento natural, mas o teste de três dias dos gémeos Minnesota às capacidades motoras mostraram até que ponto o que beneficíamos do treino poderá ser já de si um talento natural.

Os resultados do QI do estudo Minnesota "atingiram um nervo" anos antes da sua publicação em 1990, abafando outras potenciais controvérsias. Muitos dos seus resultados chocam sensibilidades opostas. Veja-se o caso da religião, que quase toda a gente atribui à "socialização". Dados sobre gémeos separados mostram que a religiosidade tem uma forte componente genética, especialmente a longo prazo: "Os pais tiveram menos influência do que pensavam ter nas actividades e interesses religiosos dos filhos, à medida que atingiam a adolescência e a maioridade. A ideia chave: enquanto que os genes têm uma forte influência no quão religioso tu és, a educação tem um forte efeito no tipo de religião que aceitas. As gémeas idênticas separadas Debbie e Sharon "gostavam ambas dos rituais e da formalidade dos serviço religiosos e dos acampamentos", mesmo que Debbie se tenha tornado judia e Sharon se tenha tornado cristã.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Unlike most humans, however, individual animals generally cannot be classified as gay or straight: an animal that engages in a same-sex flirtation or partnership does not necessarily shun heterosexual encounters. Rather many species seem to have ingrained homosexual tendencies that are a regular part of their society. That is, there are probably no strictly gay critters, just bisexual ones. “Animals don’t do sexual identity. They just do sex,” says sociologist Eric Anderson of the University of Bath in England.


(artigo completo aqui)

Ao contrário da maior parte dos humanos, contudo, os indivíduos animais geralmente não podem ser classificados como gays ou heteros: um animal que se envolve em flirts ou em parcerias com indivíduos do mesmo sexo não evita necessariamente relacionamentos heterossexuais. Em vez disso, muitas espécies parecem ter enraízadas tendências homossexuais que são um elemento natural das suas sociedades. Ou seja, provavelmente não há criaturas estritamente gay, apenas há bissexuais. "Animais não têm identidade sexual. Eles simplesmente fazem sexo", diz o sociólogo Eric Anderson, da Universidade de Bath, na Inglaterra.
(...)
Estas observações sugerem a algumas pessoas que a bissexualidade é o estado natural entre os animais, talvez até mesmo o Homo sapiens, apesar das fronteiras de orientação sexual que a maioria das pessoas dão por garantidas. "[nos humanos] as categorias de gay e hetero são contruções socias", dis Anderson.
(...)
Ainda para mais, a homossexualidade entre as espécies, incluindo os pinguins, parece ser bem mais frequente em cativeiro do que no estado selvagem. O cativeiro, dizem os cientistas, poderá trazer ao de cima comportamentos gay, em parte por causa da escassez de parceiros do sexo oposto. Acrescente-se ainda que um ambiente limitado aumenta os níveis de stress dos animais, o que cria uma maior ansiedade para aliviar o stress. Algumas destas influências poderão encorajar aquilo a que alguns investigadores denominam "homossexualidade situacional" em humanos que se encontrem em ambientes predominantemente com indivíduos do mesmo sexo, tais como prisões ou equipas desportivas.
(...)
Investigadores esperam que certos melhoramentos [nas jaulas do zoológico] possam afectar o comportamento dos animais, tornando o ambiente mais parecido com o do estado selvagem. Um sinal possível das condições mais hospitaleiras poderá ser uma incidência de homossexualidade mais em linha com os valores dos animais da mesma espécie em estado selvagem. No entanto, algumas pessoas contestam a ideia de que os guardas do Zoo devam prevenir ou desencorajar o comportamento homossexual entre os animais à sua responsabilidade.

E se o cativeiro pode propiciar o que parece ser um nível anormalmente alto de actividade homossexual em algumas espécies animais, ambientes predominantemente de humanos do mesmo sexo poderão trazer ao de cima tendências normais que outros ambientes tendem a suprimir. Ou seja, alguns especialistas defendem que os humanos, como outros animais, são naturalmente bissexuais. "Devíamos denominar os humanos de bissexuais porque a ideia de homossexualidade exclusiva não descreve bem a condição das pessoas", diz Roughgarden. "A homossexualidade está misturada com heterossexualidade através das culturas e da história". 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eu sou filho, tanto como esses rapazes, de uma cultura imensamente marcada pela língua inglesa - e gosto muito. Mas é suposto haver uma certa distância entre aquilo que nos entra pelos ouvidos e aquilo que nos sai pela boca. É certo que há casos de portugueses a tocar com americanos, formando bandas transatlânticas, mas essas são excepções: o resto é mesmo pessoal da Brandoa a fingir que é de Bristol. E isso é bem mais grave, e mais sintomático da falência do português, do que o abate das consoantes mudas. Porque, das duas uma: ou se reduz uma canção à sua melodia, o que já por si diz muito da decadência das palavras, ou então não se percebe como é que um artista português, para se expressar publicamente, deixa de fora a língua que usa na rua, nas conversas de amigos, nas declarações de amor.

segunda-feira, 25 de junho de 2012



The irony, however, is that now that we have at last achieved abundance, the habits bred into us by capitalism have left us incapable of enjoying it properly. The Devil, it seems, has claimed his reward. Can we evade this fate? Perhaps, but only if we can retrieve from centuries of neglect and distortion the idea of a good life, a life sufficient unto itself. Here we must draw on the rich storehouse of premodern wisdom, Occidental and Oriental.



Comecemos por ponderar as razões do falhanço da profecia de Keynes. Porque é que, apesar da surpreendente precisão das suas previsões de crescimento, a maior parte de nós, passados cem anos, ainda trabalha tão arduamente como quando escreveu o seu ensaio futurista? A resposta é que uma economia de mercado-livre tanto dá aos empregados o poder de escolher tempos e condições de trabalho, como inflama a nossa tendência inata para o consumo competitivo e em função do estatuto social. Keynes estava bastante consciente dos males do capitalismo mas assumiu que eles desvanecer-se-iam assim que a sua tarefa na produção de riqueza fosse completada. Ele não anteviu que estes males poderiam enraizar-se, obscurecendo o ideal que inicialmente deviam servir.


Keynes não estava sozinho na ideia de que motivações más em si mesmas poderiam ainda assim ser úteis. John Stuart Mill, Karl Marx, Herbert Marcuse - até Adam Smith em momentos mais arrojados - todos eles atribuiam a estas motivações um papel positivo enquanto agentes do progresso histórico. Em linguagem mitológica, a civilização ocidental fez tréguas com o Diabo, em troca de recursos de conhecimento, poder e prazer até então inimagináveis. Isto, como é óbvio, é o grande tema da lenda de Fausto, imortalizada por Goethe.


A ironia, no entanto, é que agora que por fim alcançámos a abundância, os hábitos cultivados em nós pelo capitalismo deixaram-nos incapazes de a disfrutar adequadamente. Aparentemente, o Diabo reivindicou o seu pagamento. Podemos escapar a este destino? Talvez, mas só se formos capazes de nos retractar de séculos em que negligenciámos e distorcemos o conceito de boa vida, da vida suficiente em si mesma. Aqui, temos de nos virar para a riqueza da sabedoria pre-moderna, Ocidental e Oriental.

sexta-feira, 22 de junho de 2012



Linguagens como o Wintu, uma língua nativa da California, ou o Siletz Dee-ni, do Oregon, ou o Amurdak, uma língua Aborígene do noroeste australiano, já só são faladas por duas ou três pessoas, fluentes ou semi-fluentes. Os derradeiros conhecedores da língua, sem ninguém com quem falar, numa existência de uma solidão inexprimível.
(...)
Falar o Aka - ou qualquer outra língua - implica mergulhar na sua personalidade e nos seus conceitos. "Vejo o mundo através das lentes desta linguagem", diz o Padre Vijay D'Souza, que estava responsável pela escola Jesuíta em Palizi na altura da minha visita. Quando veio para Palizi em 1999 e começou a falar o Aka, a linguagem transformou-o. "Muda a tua forma de pensar, a tua cosmovisão".
(...)
Palizi está distante da penetrante cultura americana, pelo que foi uma surpresa para os dois linguistas quando os adolescentes atiraram-se a uma canção de rap ao estilo de Los Angeles, com os movimentos das mãos e da cabeça ao estilo gang, numa entrega perfeita a uma arte de rua americana, mas com um requinte: estavam a cantar o rap em Aka. "E os linguistas ficaram desanimados?", perguntei eu. "Bem pelo contrário", disse-me Harrison. "Estes miúdos eram fluentes em Indi e Inglês, mas escolheram cantar o rap numa língua que têm em comum com apenas uns milhares de pessoas. A convivência e absorção linguística pode funcionar nos dois sentidos; por vezes, até no sentido de a língua com menos expressão agir de forma imperalista. "A única coisa que é ncessária para o renascimento de um língua, "disse-me um dia o Padre D'Souza, "é o orgulho".

quinta-feira, 21 de junho de 2012

The philosopher Allan Bloom didn't much care for the effect that music had on his students. He believed that they used music to counterfeit experience, in particular to fabricate joy. He said that music—rock music especially—reproduced in listeners the feelings of triumph that come from completing a great work of art or doing a heroic deed or making a conceptual breakthrough in science or philosophy—or even finding the true love of one's life. Students, Bloom said, found in rock music a way to fabricate those emotions, and then they often took the logical next step and asked themselves, implicitly, Why bother going further? Why should one actually do the deed and put in all the work leading up to it, when one can have the reward simply by putting on some music or showing up at a concert?

Bloom compared the Dionysian experience of rock music to the experience of drugs: He seems to have had hallucinogens in mind. After a heavy dose of LSD, in which the world becomes a wondrous kaleidoscope of sound and sight and even thought, what can everyday experience possibly offer? It manifests itself as a gray world of sameness and routine, nothing like the Wonderland one has recently left. People who have dabbled with psychedelics often trudge through wearisome lives that never quite meet their expectations.


O filósofo Allan Bloom não se importou muito com o efeito que a música tinha nos seus alunos. Ele acreditava que eles usavam a música para simular experiências, em particular para produzir alegria. Ele dizia que a música - especialmente a música rock - reproduzia nos ouvintes a sensação de triunfo de quem terminou uma grande obra de arte, ou fez algo de heróico, ou fez uma descoberta revolucionária na área da ciência ou da filosofia - ou até de alguém que encontrou o amor verdadeiro. Os estudantes, dizia Bloom, encontravam na música rock uma maneira de fabricar essas emoções, e frequentemente faziam a si mesmos, implicitamente, a pergunta óbvia "Para quê ralar-me em ir mais além? Porque devo eu fazer realmente a tarefa e passar pelo esforço que ela envolve, quando posso chegar à recompensa simplesmente ligando o rádio ou indo a um concerto?"

Bloom comparou a experiência Dionisíaca da música rock à experiência das drogas. Ele devia devia ter em mente os alucinogéneos. Depois de uma dose de LSD, em que o mundo se torna noummaravilhoso caleidoscópio de sons e imagens, e até de pensamentos, o que é que a experiência do dia-a-dia nos pode oferecer? Ele manifesta-se como um mundo cinzento de monotonia e rotina, nada que se compare ao Mundo das Maravilhas que se acaba de deixar. As pessoas que se envolveram com drogas psicadélicas frequentemente arrastam-se através de vidas aborrecidas que nunca chegam a satisfazer as suas expectativas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Nada trazia maior alegria a Lewis do que ficar sentado em volta do fogo com um grupo de amigos chegados, engajados numa boa discussão, ou empreender longos passeios com eles através dos campos de Inglaterra. "Eu passo as horas mais felizes da minha vida", escreveu Lewis, "com três ou quatro velhos amigos, em traje amarrotados; caminhando com eles ou reunidos em pequenos bares – ou qualquer outro lugar - , sentados até altas horas em algum alojamento da faculdade para discutir bobagem, poesia, teologia, metafísica, regados a cerveja, chá e cachimbos. Não há som que eu aprecisasse mais do que o de... risos". Numa outra carta ao seu amigo Greeves, Lewis escreve: "a amizade é o maior dos bens terrenos. Certamente trata-se da principal forma de felicidade da minha vida. Se tivesse de dar algum conselho a um jovem sobre o lugar onde deve morar, eu acho que diria 'sacrifique quase tudo para viver onde seja possível estar perto dos seus amigos'. Eu sei que tenho muita sorte em relação a isso".

segunda-feira, 7 de maio de 2012




You choose, you chose
Poetry over prose

 A map is more unreal
Than where you've been
Or how you feel
 And it's impossible to tell
 How important something was
 And what you might have missed out on
 And how it might have changed it all
De certo modo, entendo muito bem porque algumas pessoas não querem saber de Teologia. Lembro-me de uma vez, quando fazia uma palestra na Força Aérea, que um velho e experiente oficial levantou-se e disse "Não sei para que serve todo esse palavreado. Mas saiba que também sou um homem religioso. Sei que existe um Deus. Eu senti-O quando estava sozinho, no deserto, à noite. Senti o grande mistério. E essa é a razão porque não acredito em todos esses seus pequenos dogmas e fórmulas sobre Deus. Para quem se encontrou com o ser verdadeiro, tais coisas se parecem tão mesquinhas, pedantes e irreais!"

Ora, num certo sentido concordo inteiramente com essa pessoa. Creio que provavelmente ele tenha tido uma experiência real com Deus no deserto. E ao voltar-se dessa experiência para as crenças cristãs, penso que ele se voltava de algo real para menos real. Assim, também, quem estiver na praia, olhando para o Oceano Atlântico, e depois ir em busca de um mapa do Atlântico, também ser estará voltando de algo real para algo menos real: das ondas do mar para um pedaço de papel colorido. Mas aí é que está. O mapa é reconhecidamento só papel colorido, mas há duas coisas que devemos lembrar a este respeito. Em primeiro lugar, ele baseia-se no que centenas e milhares de pessoas descobriram navegando no Atlântico de verdade. Nesse sentido, possui atrás de si milhares de experiências tão reais como a da praia; apenas que, enquanto que a da praia é apenas uma vista rápida, individuale e isolada, o mapa reúne todas aquelas experiências. Em segundo lugar, para quem quer ir a algum lado, o mapa é totalmente necessário. Para quem esteja interessado apena em dar passeios na praia, a visão de todo o cenário, com os próprios olhos, é muito mais agradável do que ver um mapa. Mas este será de muito mais valia do que passeios na praia para quem queira ir a outro continente.

A Teologia é como o mapa. Só estudar e reflectir sobre as doutrinas cristãs, e ficar nisso, é menos real e menos emocionante do que aconteceu com o meu amigo no deserto. As doutrinas não são Deus; são apenas uma espécie de mapa. Mas esse mapa baseia-se na experiência de um grande número de pessoa que estavam realmente em contacto com Deus; experiências que, quando comparadas com quaisquer emoções ou sentimentos devotos que nós mesmos possamos ter, tornam tais emoções muito elementares e até mesmo confusos. Em segundo lugar, quem deseja ir mais longe, precisa de fazer uso do mapa. Como se vê, o que aconteceu àquele homem no deserto pode ter sido real e, sem dúvida, empolgante; mas, e daí? Essa experiência não o levou a nada. Esta é a razão pela qual uma vaga religião, esse negócio de sentir Deus na Natureza, e assim por diante, é tão atractiva. É só emoção, sem nenhuma acção; é como olhar as ondas, na praia. Mas não chegaremos a outro continente estudando o Oceano Atlântico dessa forma, assim como não obteremos a vida eterna se ficarmos simplesmente sentindo a presença de Deus nas flores ou na música. Em iremos a parte alguma só olhando os mapas, sem irmos para o mar. Tão pouco estaremos muito a salvo se entrarmos no mar sem um mapa.

Por outras palavras, a Teologia é algo bem prático, principalmente agora. Antigamente, quando o nível de educação era bastante baixo, quando não se discutiam tais assuntos, talvez fosse possível viver com algumas poucas ideias simples sobre Deus. Mas agora não é assim. Toda a gente lê; toda a gente participa em debates. Consequentemente, não dar atenção à teologia não significa não ter ideias acerca de Deus. Significa ter muitas ideias erradas, más, confusas, superadas. Com efeito, uma grande número de ideias acerca de Deus que hoje passam por novidades são simplesmente ideias que os verdadeiros teólogos consideraram séculos atrás, e rejeitaram. Crer na religião popular moderna é um retrocesso; é como pensar que a Terra é plana.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Ainda no mesmo dia, um veleiro francês com o vento a bombordo, rumo a Caiena, apareceu de longe, bem inclinado pelo vento. Estava a cair rapidamente para sotavento. O Spray também estava inclinado, e estava a puxar as velas para assegurar uma boa distância da praia com o vento a estibordo, pois durante a noite uma ondulação pesada fizera-o aproximar-se demasiado da costa, e agora eu estava a pensar em implorar uma mudança do vento. Eu gozara o meu quinhão de brisas favoráveis sobre os grandes oceanos, e perguntei a mim próprio se seria correcto mudar o vento todo para as minhas velas enquanto o francês estava a ir no sentido contrário. Uma corrente de frente, com a qual ele lutava, juntamente com um vento escasso, eram suficientemente maus, por isso eu só podia dizer, dentro de mim, “Senhor, deixai ficar as coisas como estão, mas não ajudes mais o francês por agora, porque o que seria bom para ele arruinar-me-ia!”
Lembrei-me de que quando era rapaz ouvia um comandante dizer muitas vezes que em resposta a uma oração dele o vento mudou de sudeste para noroeste, satisfazendo-o por inteiro. Era um bom homem, mas será que isto glorificava o Arquitecto – o Soberano dos ventos e das ondas? Além disso, lembro-me que não se tratava de um vento alísio, mas sim de um dos variáveis que mudam quando lhe pedimos, se o fizermos durante tempo suficiente. Mais uma vez, o irmão deste homem talvez não fosse no sentido oposto, ele próprio satisfeito com um vento favorável, o que fazia toda a diferença do mundo.1

1 O Bispo de Melbourne recusou-se a guardar um dia de oração para que chovesse, recomendando ao seu povo que economizasse água na estação das chuvas. De modo semelhante, um navegador economiza o vento, mantendo uma garantia de barlavento onde for praticável.