terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Durante toda a minha vida tive frequentemente oportunidade de me ocupar de problemas de educação. Aprendi muito sobretudo em contacto com crianças difíceis, provenientes na sua maioria de famílias onde reinava a violência. Nesses lares as mulheres eram quase sempre vítimas da brutalidade dos maridos; estes eram geralmente alcoólicos e o seu comportamento marcava toda a vida familiar. Era esse o esquema típico de confrontação das crianças com um ambiente violento. Hoje em dia a violência deslocou-se, apoderando-se dos ecrãs de televisão. É aí que as crianças contemplam a violência dia após dia, durante horas. Devido a minha experiência, parece-me que atingimos um ponto muito importante, mesmo crucial. A televisão produz violência e introdu-la nos lares que, antes, não a conheciam.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009



If i told you things i did before,
told you how i used to be,
would you go along with someone like me?
If you knew my story word for word,
handled all of my history,
would you go along with someone like me ?

I did before and had my share,
it didn't lead nowhere.
I would go along with someone like you.
It doesn't matter what you did,
who you were hanging with.
We could stick around and see this night through.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Se a culpa for nossa, haverá a humilhação do pedido de desculpas, a humilhação mais profunda de fazer restituições onde for possível, e a humilhação mais profunda de todas que é confessar que as feridas que causamos levarão tempo para sarar e não podem facilmente ser esquecidas. Se, por outro lado, não fomos nós quem causou o mal, então talvez tenhamos de suportar o embaraço se reprovar ou repreender a outra pessoa, arriscando, assim, perder a sua amizade. Embora os seguidores de Jesus jamais tenham o direito de recusar perdão, muito menos fazer vingança, não nos é permitido baratear o perdão, oferecendo-o prematuramente onde não houver perdão.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009




When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O princípio que se aplica à família, aplica-se também à família da igreja. Ambos os tipos de família precisam de disciplina, e pela mesma razão. Entretanto, hoje é rara a disciplina na igreja, e onde ela é exercida, muitas vezes é inabilmente administrada As igrejas têm a tendência de oscilar entre a severidade extrema, que excomunga os membros pelas ofensas mais triviais, e a frouxidão extrema, que jamais nem mesmo admoesta os ofensores. O Novo Testamento, porém, oferece instruções claras acerca da disciplina, por um lado sua necessidade por causa da santidade da igreja, e por outro, seu propósito construtivo, a saber, se possível, ganhar e restaurar o membro ofensor.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O amor genuíno também se enraivece, sendo hostil a tudo o que, nos filhos, se opõe ao seu bem maior. A justiça sem misericórdia é por demais severa, e a misericórdia sem a justiça é por demais leniente. Além do mais, os filhos sabem disso automaticamente. Possuem um sentido inato de ambas as coisas. Se fizerem algo que sabem ser errado, também sabem que merecem a punição, e tanto desejam quanto esperam recebê-la. Sabem também de imediato se o castigo está sendo oferecido sem amor ou contrariamente à justiça. Os dois clamores mais pungentes de um filho são ‘Ninguém me ama’ e: ‘Não é justo’. O sentido de amor e justiça dos filhos vem de Deus, que os fez à sua imagem, e que se revelou como amor santo na cruz.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado; e já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como a filhos: Filho meu, não desprezes a correcção do Senhor, nem te desanimes quando por ele és repreendido; pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além disto, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e os olhávamos com respeito; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e viveremos? Pois aqueles por pouco tempo nos corrigiam como bem lhes parecia, mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

The one great insight about St. Thomas himself, which comes to us from the history of St. Thomas in Babylonia and Índia, is that he was a fearless evangelist and a great builder of churches. Those people in the modern world who would accept Christianity but would reject the church (i.e. assembly or local congregation) as the central human instrument in the strategy of God have divorced themselves from Apostolic tradition. Were the Apostles to return to earth today, they would have little time for those who imagine there can be a churchless Christanity. Such “Christianity”, if we even dare call it that, is incapable of survival.
If we would have Christianity survive, our first loyalty must be to the One whom St. Thomas called ”My Lord and my God”, and secondly to the only divinely ordained institution on earth, the local assembly or congragation oh His peolple.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009



When I was young, it seemed that life was so wonderful,
a miracle, oh it was beautiful, magical.
And all the birds in the trees, well they'd be singing so happily,
joyfully, playfully watching me.
But then they send me away to teach me how to be sensible,
logical, responsible, practical.
And they showed me a world where I could be so dependable,
clinical, intellectual, cynical.

There are times when all the world's asleep,
the questions run too deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.

Now watch what you say or they'll be calling you a radical,
liberal, fanatical, criminal.
Won't you sign up your name, we'd like to feel you're
acceptable, respectable, presentable, a vegetable!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Hoje fiz a barba com Colgate Triple Action. Não posso dizer que tenha desgostado: a pouca espuma que o pincel produziu e o consequente atrito acrescido da lâmina sobre a pele gordurosa e borbulhenta foi compensado pelo cheiro a Hálito Fresco que deito da cara e do pescoço (sim, também faço a barba no pescoço), o que sempre dá para disfarçar o ar carregado de aromas de peixe-espada-preto grelhado que desde ontem ventilo da boca. Faz lembrar aquela vez em que, estando atrasado para um jogo de futebol (no qual era peça essencial, mais ou menos como o João Alves é para o Sporting) confundi o Tatum-verde pelo Dystron da minha tia. Também não posso dizer que tenha desgostado: a higiene vaginal que se produziu na minha cavidade oral deu o golpe de misericordia no abcesso que me atacou o primeiro pré-molar esquerdo do maxilar superior depois de ter andado quase uma semana com uma espinha de sardinha enfiada entre a gengiva e o dente. Já lavei o chão com Florestal, já adubei uma planta com Benurons. Mas creio que ter substituido um vidro (que previamente apedrejara) utilizando massa de folar para o cimentar ao seu devido local terá sido o momento alto da minha carreira de desadaptado. Quando meia hora depois o vidro caiu e novamente se estilhaçou - depois de o cão da vizinha ter comido a massa açucarada que o segurava - iniciei uma investigação que culminou na sentença unânime por parte da familia de que eu precisava de tratamento, embora admitissem as minhas qualidades para detective. Não tenho uma vida fácil.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lembrem-se, portanto, os cristãos, de que se deixarmo-nos apanhar na armadilha contra a qual venho avisando, o que teremos feito é entre outras coisas, pormo-nos na posição em que, na realidade, estaremos enunciando em terminologia evangélica simplesmente o que o incrédulo está dizendo com os seus próprios termos. A fim de nos defrontarmos com o homem moderno em perspectiva correcta e em bases justas, forçoso nos é remover a dicotomia. Necessário se faz ouvir a Escritura a falar a real verdade tanto a respeito do próprio Deus como da área em que a Bíblia tange a história e o cosmos. É isto que os nossos predecessores na Reforma apreenderam de maneira tão cabal.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tem, pois, o Cristianismo a oportunidade de falar claramente quanto ao facto de que a resposta que oferece encerra exactamente aquilo de que se desesperou o homem moderno – a unidade do pensamento. É uma resposta una, que abarca a vida como um todo. É verdade que o homem terá de renunciar a seu arraigado racionalismo, entretanto, com base no que se pode discutir, tem ele plena possibilidade de recobrar a racionalidade. Pode-se perceber, agora, porque insisti com tanta ênfase, anteriormente, na diferença entre racionalismo e racionalidade. Esta perdeu-a o homem moderno. Pode, porém, reavê-la mercê de uma resposta unificada à vida com base no que se abre à verificação e à discussão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A viúva de um membro dum grupo de profetas foi ter com Eliseu e disse: “O meu marido, teu servo, morreu. Como sabes, ele era fiel ao Senhor. Agora, veio um credor que quer levar os meus dois filhos como escravos.” Eliseu disse-lhe: “Que posso eu fazer? Diz-me o que tens em casa.” Ela respondeu-lhe: “A tua serva só tem uma garrafa de azeite.” Então Eliseu disse-lhe: “Vai ter com os teus vizinhos e pede-lhe emprestadas vasilhas vazias em grande quantidade. Depois, metes-te em casa com os teus filhos, trancas a porta e enches de azeite as vasilhas, pondo-as de parte, à medida que as fores enchendo.”
A mulher foi-se embora dali, entrou em casa com os filhos e trancou a porta; os filhos então iam-lhe passando as vasilhas e ela ia-as enchendo. Quando estavam as vasilhas todas cheias, ela disse a um dos filhos: “Traz-me mais uma vasilha!” Ele respondeu que não havia mais vasilhas. E, nesse momento, o azeite deixou de correr.
A mulher foi contar tudo ao profeta Eliseu, que lhe disse: “Agora vais vender esse azeite para pagares a tua dívida. O dinheiro que sobrar será suficiente para viveres, tu e os teus filhos.”

II Reis 4

sábado, 28 de novembro de 2009

O que a apocalipse faz, de acordo com o seu género literário, é erguer a cortina que oculta o mundo invisível da realidade espiritual e mostrar o que se está a passar nos bastidores. O conflito entre a igreja e o mundo é visto como não mais que uma expressão no palco público de concurso invisível entre Cristo e Satanás, o Cordeiro e o Dragão.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

É compreensível que as pessoas que tiveram uma forte dos de religião manipuladora, controladora, opressiva, ou entediante procurem uma espiritualidade "pura". Mas jamais vão encontrá-la. Houve muitos empreendimentos, em nossa longa história cristã, de pessoas que tentaram criar o que imaginavam ser uma espiritualidade não contaminada. Sempre acabavam criando algo pior que aquilo que rejeitavam. Sempre acabavam como mais uma variação da velha espiritualidade-faça-a-sua-própria - muito de ego, pouquíssimo de Deus. Espiritualidade do ego. Estamos sendo atacados por essa epidemia atualmente.
(...)
Na verdade, agradou-me mais o modo com que você lidou com isso nos dois últimos anos: um envolvimento de boa vontade, mas discreto, nos assuntos religiosos da congregação, contudo manteve o entusiasmo e um apetite insaciável pela Palavra de Deus e pelo Espírito em meio a um amplo espectro de circunstâncias e experiências, e com uma variedade surpreendente de pessoas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

“- Para trás! Deixem o princípe ganhar prestígio.
(…)
A princípio Peter pensou que se tratava de um urso, mas depois viu que se assemelhava mais a um lobo-d’alsácia, embora fosse demasiado grande para ser um cão. Foi então que compreendeu que se tratava de um lobo –um lobo de pé nas patas traseiras, com as patas da frente apoiadas ao tronco da árvore, a rosnar de dentes arreganhados e com o pêlo do dorso todo eriçado. Susan não conseguira subir mais do que o segundo ramo e tinha uma das pernas penduradas, de modo que um pé se encontrava apenas a uns centímetros dos dentes arreganhados. Peter perguntou-se porque não subiria ela mais, ou, pelo menos, porque não se agarraria melhor, até perceber que a irmã estava prestes a desmaiar e que, se desmaiasse, caía.
Peter não era muito corajoso e, na verdade, estava a ficar agoniado. Mas isso não interferia no que tinha de fazer.”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009



Dizem que não há mulher feia.
Também não há má poesia,
que a Natureza tudo premeia.
Não há menina que nasça gentia
nem palavra que nasça alheia.
De quem critica está a vida cheia
e criticar é que é vida vazia

Mas cá para mim
isso são só desculpas
de quem mal se depila,
o buço e o soneto,
o alexandrino e a axila.

Mas cá para mim
isso são só desculpas
para quem tão mal se andraja
com calças largas de homem
a escrever coisas de gaja.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Há um sentido em que podemos dizer que, como cristãos, todos temos uma posição alta e uma posição baixa. Paulo diz que Cristo «nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus», mas também diz que «temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos». É muito importante que cada um de nós se lembre destes dois factos e aprenda a considerar-se como lixo quando é tentado à auto-satisfação e como uma pessoa já sentada no céu quando é tentado ao auto-desprezo.
Mas não deixemos de ver as coisas duma maneira humana e material também. Há ricos e pobres na sociedade humana e não deixamos de os ver. Em muitos contextos, por força da opinião que pesa sobre eles, os pobres ainda tendem a desprezar-se e os ricos quase invariavelmente a sentir-se satisfeitos consigo próprios. Só por conhecer o evangelho é que podemos ter uma perspectiva correcta e ver o que somos de facto. Lembramo-nos do «lixo» que todos somos em termos de qualquer possibilidade de confiar em vantagens materiais ou sociais para a salvação. Lembramo-nos também da nossa posição no céu que para os crentes é a suprema realidade. E então a perspectiva materialista já perde o seu valor. E estamos a meditar sobre a realidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quando Robert Kalley chegou à Madeira, em 1839, nessa ilha secularmente católica, com 140 sacerdotes da Igreja de Roma, havia apenas oitenta Bíblias. Três anos depois, havia mais de três mil livros religiosos em português, editados em Londres – entre Bíblias, evangelhos e alguns dos livros do Antigo Testamento.
Nesta história feita como se fosse de pedrinhas encaixadas, não é menor essa outra coincidência de terem nascido, em 1809, e no Reino Unido, duas crianças com destinos notáveis, inicialmente paralelos e tão divergentes depois. Robert Kalley e Charles Darwin: ambos estudaram Medicina, tornaram-se embarcadiços como cirurgiões de navio, andaram pelo mundo e regressaram à Grã-Bretanha.
Entretanto, aconteceu-lhes uma revolução nas crenças. Charles, que se tornara clérigo, apaixonou-se pela ciência e o seu principal livro, Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural, iria desacreditar, como nenhum outro, a verdade da Bíblia. Robert, que se afastou da religião da infância para voltar a ela com ganas de ovelha que reencontra o redil, seria o difusor da Bíblia por um mundo vasto e inexplorado, o da língua portuguesa.
A sua acção na Madeira foi classificada, por contemporâneos e correligionários, como “o facto maior das Missões Protestantes Modernas”. Talvez um exagero mas, em todo o caso, Kalley foi protagonista da primeira grande evangelização protestante em Portugal. Além disso, viria a ser também o primeiro missionário protestante do Brasil, onde é considerado o fundador de duas importantes igrejas, a Evangélica Congregacional e a Cristã Evangélica.
O Império Britânico homenageia só os que directamente o serviram, pela conquista ou pela glória nas Artes, Letras ou Ciências. Por isso, tanto David Livingstone como Charles Darwin repousam no panteão imperial, na Abadia de Westminster. Respeitadora, a Grã-Bretanha não se mete por searas alheias, deixa a Deus o que é exclusivamente de Deus e, em 1888, Robert Reid Kalley, foi discretamente enterrado no Dean Cemetery, em Edimburgo.


It's not a habit, it's cool
I feel alive
If you don't have it your onthe other side
I'm not an addict (maybe that's a lie).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009



No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one’s laughing at God
When they’re starving or freezing or so very poor

No one laughs at God
When the doctor calls after some routine tests
No one’s laughing at God
When it’s gotten real late
And their kid’s not back from the party yet

No one laughs at God
When their airplane start to uncontrollably shake
No one’s laughing at God
When they see the one they love, hand in hand with someone else
And they hope that they’re mistaken

No one laughs at God
When the cops knock on their door
And they say we got some bad news, sir
No one’s laughing at God
When there’s a famine or fire or flood

But God can be funny
At a cocktail party when listening to a good God-themed joke, or
Or when the crazies say He hates us
And they get so red in the head you think they’re ‘bout to choke
God can be funny,
When told he’ll give you money if you just pray the right way
And when presented like a genie who does magic like Houdini
Or grants wishes like Jiminy Cricket and Santa Claus
God can be so hilarious

No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one’s laughing at God
When they’ve lost all they’ve got
And they don’t know what for

No one’s laughing at God
We’re all laughing with God

Ninguém se ri de Deus num hospital
Ninguém se ri de Deus numa guerra
Ninguém está a rir-se de Deus
enquanto está esfomeada, enregelada ou muito pobre

Ninguém se ri de Deus
Quando o médico nos chama depois de fazer análises de rotina
Ninguém está a rir-se de Deus
Quando já é muito tarde
E os filhos ainda não voltaram da festa

Ninguém se ri de Deus
Quando o avião começa a tremer descontroladamente
Ninguém está a rir-se de Deus
Quando vê a pessoa que ama de mão dada com outra pessoa
e espera que esteja enganado

Ninguém se ri de Deus
Quando um polícia bate à porta
E diz que temos más notícias, senhor
Ninguém está a rir-se de Deus
Quando há fome, incêndios ou cheias

Mas Deus pode ser engraçado
Numa festa a ouvir piadas sobre Deus bem humoradas
ou quando os maluquinhos dizem Ele nos detesta
e ficam com a cara tão vermelha que pensamos que estão prestes a sufocar
Deus pode ser engraçado
Quando nos dizem que Ele dá dinheiro se orarmos da maneira certa
e se for apresentado como um génio qua faz magia como o Houdini
ou que concede desejos como o Jiminy Cricket ou o Pai Natal
Deus pode ser hilariante

Ninguém se ri de Deus num hospital
Ninguém se ri de Deus numa guerra
Ninguém está a rir-se de Deus
quando perde tudo o que tem
e não sabe em nome de quê

Ninguém está a rir-se de Deus
Estamos todos a rir com Deus

sábado, 24 de outubro de 2009

Shukhov continuou calmamente a fumar observando o seu excitado companheiro.
- Aliosha – disse ele, retirando o braço e soprando o fumo para a cara do baptista. – Não sou contra Deus, compreende bem isso. Acredito em Deus, não duvides. Porém, não creio no Paraíso nem no Inferno. Porque nos tomas tu por patetas e nos enches os ouvidos com essas histórias do Paraíso e do Inferno? É isso que não me agrada.
Voltou-se, deixando cair, com cuidado a cinza do cigarro entre a tarimba e a janela, a fim de não sujar o leito do capitão. Mergulhou nos seus pensamentos e deixou de ouvir os murmúrios de Aliosha.
- Bem – disse para concluir -, por muito que ores não conseguirás encurtar a tua pena. Tens que cumpri-la do princípio ao fim, de uma maneira ou outra.
- Oh, também não se deve orar por isso – retorquiu Aliosha, horrorizado. – Porque desejas a tua liberdade? Em liberdade, o teu último resíduo de fé será sufocado pelas cizânias. Deves regozijar-te por te encontrares na prisão. Aqui tens mais tempo para pensar na tua alma. Como escreve o apóstolo Paulo: “Porquê todos estas lágrimas? Porque estás a tentar enfraquecer o meu ânimo? Pela minha parte, estou pronto não só a devotar-me ao Senhor como a morrer em Seu nome.”
Shukhov fixou os olhos no tecto, silenciosamente. Agora já não sabia se queria ou não a liberdade. A princípio, desejara-a abertamente. Todas as noites contara os dias da sua pena – quantos tinham passado, quantos ainda faltavam vir. Mas, por fim, aborrecera-se de os contar. E então tornou-se-lhe claro que a homens como ele jamais seria permitido voltar a casa – esperava-o apenas o exílio. E não sabia se a sua vida seria melhor lá fora – onde? - que no campo.
Para si, a liberdade significava apenas uma coisa: o lar. Mas não permitiriam que a ele regressasse.
Aliosha não enganava. A sua voz e os seus olhos afirmavam, sem dúvida alguma, que ele se sentia feliz na prisão.
- Compreendes, Aliosha – explicou Shukhov -, para ti tudo está muito certo. Jesus Cristo desejou que fosses lançado numa prisão, e aqui estás – por amor a Ele. Mas porque motivo estou eu aqui? Por não estarmos preparados para a guerra de 1941? Por isso? Mas que culpa tenho eu?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009


If you wanna be my friend
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...
And what do you know
It happened again

A friend is not a means
You utilize to get somewhere
Somehow I didn't notice
friendship is an end
What do you know
It happened again

How come no-one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference
I guess it's up to me now
Should I take that risk or just smile?

What do you know
It happened again
What do you know


Se quiseres ser meu amigo
queres que nos demos bem
Por favor, não esperes que eu
Deixe sempre as coisas na mesma
Esta observação que estou a fazer
pode facilmente ser entendida
como uma atitude cínica
Mas um de nós percebeu mal
E quem diria
Aconteceu outra vez


Um amigo não é um meio
que se utiliza para chegar a algum lado
por alguma razão, não tinha reparado
a amizade é um fim
e quem diria
aconteceu outra vez


Como é que nunca ninguém me disse
que ao longo da história
as pessoas mais sozinhas
foram aquelas que disseram sempre a verdade
aquelas que fizeram a diferença
ao aguentar a indiferença
Agora é comigo
Devo tomar esse risco, ou simplesmente sorrir?

E quem diria
Aconteceu outra vez
E quem diria

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vós ainda não considerastes a gravidade do pecado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

- Mas, Ivan Denisovich, tu não oras com fervor. E é por isso que as tuas súplicas ficam sem resposta. Não deves deixar de dizer outras orações. Se tens fé autêntica, diz a uma montanha que se mova. E ela mover-se-á…
Shukov sorriu e enrolou outro cigarro. Depois pediu lume ao estoniano.
- Deixa-te de conversas, Aliosha. Nunca vi uma montanha mover-se. Bem, para ser franco, afirmo-te que nunca na minha vida vi uma montanha. Mas tu que oraste no Cáucaso com todo essa seita de baptistas a que pertences, viste alguma vez uma única que fosse, uma montanha mover-se?
Os pobres… Tudo o que faziam era orar a Deus. E que lucravam com isso? Apanhavam vinte e cinco anos, pois essa era a pena reservada actualmente a todos. Vinte cinco anos!
- Oh, nós não oramos por isso, Ivan Denisovich – volveu Aliosha com veemência.
De Bíblia na mão, aproximou-se mais de Shukov, até ficarem face a face.
- A única coisa deste mundo pela qual Deus nos ordenou que orássemos, Ivan Denisovich, é o pão nosso de cada dia. “Dai-nos o pão nosso de cada dia.”
- A nossa ração, queres tu dizer? - perguntou Shukhov.
Mas Aliosha não cedeu. Falando agora mais com os olhos do que com a língua, colocou a mão sobre o braço de Shukhov e disse:
- Ivan Denisovich, não deves orar com o objectivo de receberes encomendas ou obter uma sopa suplementar. Não, meu irmão. As coisas a que o homem dá mais valor são vis aos olhos do Senhor. Devemos orar pelas coisas do espírito, de maneira a que o senhor Jesus arranque resíduos do mal do nosso coração…

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Wayfaring Stranger

Eu sou apenas uma estrangeira de passagem
A viajar por este mundo de mágoa;
E não há doença, sofrimento ou perigo
Na terra brilhante que é o meu destino.

Eu vou lá para ver o meu Pai,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.

Sei que se vão juntar nuvens escuras à minha volta,
Sei que o meu caminho é árduo e a pique;
E há campos belíssimos mesmo à minha frente,
Onde os redimidos de Deus guardam vigília.

Eu vou lá para ver o meu Pai,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.


Eu vou lá para ver a minha Mãe,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.

Quero pôr essa coroa de glória,
Quando chegar a casa nessa terra boa;
Quero proclamar a história da salvação,
Em coro com os que foram lavados pelo sangue,

Eu vou lá para ver o meu Salvador,
Eu vou lá para me deixar de andar à deriva;
Eu vou atravessar o Jordão,
Eu vou atravessá-lo para ir para casa.

(texto original aqui; youtube aqui)

sábado, 10 de outubro de 2009

Vão ser bombardeados com esta pergunta: porquê "Declaration Of Dependence" para título do álbum?

[risos] Sim, essa é a pergunta que ouvimos mais vezes, independentemente do título ter ou não relevância. Parece que há uma série de perguntas que todos os jornalistas fazem e essa é uma delas.
Mas neste caso o título parece ter significado relevante. A ideia de "dependência" pode ter conotação negativa, mas também pode ser encarado como algo saudável. Por exemplo, como definidor de limites.

Sim, absolutamente, mas a maior parte das pessoas tem medo da dependência. Durante muitos anos, acontecia-me isso.

Como se fosse algo que lhe limitasse os movimentos?

Exacto. Quando muitas vezes é ao contrário. Podemos depender de uma série de coisas - de pessoas, por exemplo - e isso ser estruturador. No sentido em que sabemos que elas estão lá sempre, aconteça o que acontecer. É essa consciência que nos pode permitir, precisamente, ter espaço para sermos mais livres.
Como classificaria a sua relação com Eirik?

É como se fôssemos irmãos. Vivemos muitas coisas juntos e depois de muitos anos a discutir sobre as mais diversas coisas permitimo-nos ser autênticos um com o outro e isso é fantástico. Fomos pacientes um com o outro e agora compreendemo-nos muito bem. E isso acontece mesmo se nem sempre concordamos e temos visões muito diferentes sobre a realidade.

Desde o primeiro álbum que se criou a ideia que você era mais aventureiro e ele o mais estável. Revê-se no retrato?

Não é tão simples. Sou aventureiro, mas passo o tempo a sonhar com estabilidade. Ele tem essa estabilidade, uma mulher e um filho lindos, mas também deseja a aventura... [risos].

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Precisely because old selfish, wordly, unloving, fearful, proud selves have died with Christ, and a new trusting, loving, heaven-bent, hope-filled self has come into being – precisely because of his inner death and new life, we are able to take risks, and suffer the pain, and even die without despair but full of hope.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Jean Vanier, the founder of the L'Arche communities for mentally handicapped people, often explains with a simple illustration his approach to those who live at L'Arche. He will cup his hands lightly and say, "Suppose I have a wounded bird in my hands. What would happen if I closed my hands completely?" The response is immediate: "Why, the bird will be crushed and die." "Well then, what would happen if I opened my hands completely?" "Oh, no, then the bird try to fly away, and it will fall and die." Vanier smiles and says, "The right place is like my cupped hand, neither totally open nor totally closed. It is the space where growth can take place".

 The Prayer of Rest

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Thou hast done great things for us, Lord,
Whereof our souls are glad;
Before we tasted of Thy love
Our hearts were ever sad:
But gloom and grief are passed and gone,
Henceforth we long to see
The wanderers brought to know Thy name,
And trust alone in Thee.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Todavia, a primeira coisa que se deve dizer acerca do evangelho bíblico da reconciliação é que ele tem início na reconciliação com Deus, e continua com uma comunidade reconciliada com Cristo. Reconciliação não é um termo usado pela Bíblia no sentido de "encontrar paz consigo mesmo", embora ela insista em que somente através da perda de nós mesmos em amor a Deus e ao próximo é que verdadeiramente nos encontramos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Este estranho capitão era muitas vezes motivo de chacota por parte dos outros, que não conseguiam compreender um homem que orava, lia a Bíblia e escrevia cartas à mulher. “Eles pensam que não tenho uma noção certa da vida”, escreveu numa daquelas cartas, “e eu tenho a certeza que são eles que não a têm. Dizem que sou melancólico; e eu digo-lhes que estão loucos. Dizem que sou escravo de uma mulher, o que nego; mas posso provar que alguns deles são meros escravos de uma centena delas. Estranham o meu humor; eu compadeço-me do deles. Não têm a mínima ideia de felicidade”. Sobre esta última parte John sentia-se satisfeito porque, confessou, teria vergonha se tais homens, que “se contentavam com uma bebedeira ou com o sorriso de uma prostituta”, pudessem compreender a sua alegria.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

The Christian artist: God's agent in recreation.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

'faith is the courage to face into our illusions and allow ourselves to be disillusioned about them, the courage to walk through our disillusions and dispel them'

The Christian conception of disillusionment is deeply conditioned by courage. Facing up to our thinly veiled stories about reality is not easy, but it is our calling. Faith means we do not flinch in the face of disillusionment, papering over the cracks with other myths, but choose to live in the face of truth. The call to 'live with unveiled faces' (2 Corinthians 3:18) defines not only our approach to God, but also our approach to the world and ourselves. Faith is, we must acknowledge, often more uncomfortable than comforting.

sábado, 26 de setembro de 2009

When Holy Scripture speaks of God, it does not permit us to let our attention or thoughts wander at random... When Holy Scripture speaks of God, it concentrates our attention and thoughts upon one single point and what is to be known at that point.... If we ask further concerning the one point upon which, according to Scripture, our attention and thoughts should and must be concentrated, then from first to last the Bible directs us to the name of Jesus Christ.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Quem Jesus é torna-se conhecido na sua acção salvadora." Melanchthon
"A importância do credo 'Jesus é Senhor' não é só que Jesus é divino mas que Deus é semelhante a Cristo." Arthur Michael Ramsey


“I need another place
Will there be peace?
I need another world
This one's nearly gone

Still have too many dreams
Never seen the light
I need another world
A place where I can go

I'm gonna miss the sea
I'm gonna miss the snow
I'm gonna miss the bees
I'll miss the things that grow
I'm gonna miss the trees
I'm gonna miss the sound
I'll miss the animals
I'm gonna miss you all

I'm gonna miss the birds
Singing all this songs
Been kissing this so long

Another world”

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Já se disse que coincidências acontecem com todo mundo, mas parecem acontecer mais freqüentemente com cristãos. Como nós estávamos acostumados a tomar nossas decisões mais ou menos segundo o bom senso, trabalhando a partir de princípios gerais e baseando-nos fortemente no conselho de bons amigos e líderes respeitados, o show foi bom enquanto durou. Mais tarde nós viemos a entender que existe uma diferença vital entre a promessa de Deus de nos guiar e a nossa consciência que ele o está fazendo - duas coisas bem diferentes uma da outra.
Nós vivemos actualmente com algumas idéias provisórias que parecem se encaixar bem com o que a Bíblia ensina, e que nos ajudam bastante a compreender o significado das pontas soltas que vamos descobrindo depois de acharmos que havíamos amarrado tudo bonitinho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Foi ele apenas homem? Se assim for, como poderia um ser humano substituir a outros seres humanos? Então, foi ele apenas Deus, com a aparência de homem, mas na realidade não sendo o homem que aparentava? Se assim for, como poderia ele representar a humanidade? Além do mais, como poderia ele ter morrido? Nesse caso, devemos pensar em Cristo não como apenas homem nem como apenas Deus, mas antes, como o único Deus-homem que, por causa da sua pessoa singularmente constituída, foi singularmente qualificado para mediar entre Deus e os homens? Nossas respostas a estas questões determinarão se o conceito de expiação substitutiva é racional, moral, plausível, aceitável, e acima de tudo, bíblico.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

É nesse contexto de levar o pecado que se percebe a possibilidade de alguém mais sofrer a penalidade do erro do pecador. Por exemplo, Moisés disse aos israelitas que os seus filhos teriam de vagar pelo deserto, levando sobre si as “vossas iniquidades” (Números 14:34); se um homem casado falhasse em anular um voto insensato ou um voto feito pela esposa, então (estava escrito) “responderá pelas obrigações dela”; repito, depois da destruição de Jerusalém em 586 a.C., o restante que permaneceu nas ruínas disse: “Nossos pais pecaram, e já não existem; nós é que levamos o castigo das suas iniquidades” (Lamentações 5:7).
Esses são exemplos de levar o pecado involuntário e vicário. Em todos os casos, pessoas inocentes se encontraram sofrendo as consequências da culpa de outros.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

- Se o pai não quer sair de Lisboa, eu vou levar os meus filhos e a minha mãe! – declarou friamente.
- Daqui não sai ninguém, a não ser tu. Eu é que mando! Pois eu é que sou o rei!
D. Pedro pôs-se a gritar, vermelho de fúria, gaguejando:
- Se ficas em Lisboa, não tarda que o rei seja eu, pois o mais certo é morrerem todos de peste!
- Deus só fere com a peste os verdadeiros pecadores! Eu tenho a minha consciência limpa, ouviste? Se tu não tens, é lá contigo. Só morrem os pecadores!
- Ai é? Ai é? Então como é que o pai explica que mo… mo… morram criancinhas de colo? Pecaram dentro da barriga da mãe? Foi?
- Foi, sim.
A Ana e o João ficaram pasmados com aquela resposta absurda. Seriam todos doidos varridos?
Mas o rei explicou-se:
- Os filhos pagam o que os pais fizeram. Se Deus castiga criancinhas de colo, Ele lá sabe porquê…
- Mas que parvoíce de conversa – suspirou a Ana. – Se calhar, deviam ir todos embora enquanto é tempo.
- Ora! – respondeu-lhe o João. – Também não é assim. Uns fogem de Lisboa, outros fogem para Lisboa. A peste espalhou-se por todo o lado, não foi? De certo modo, o rei tem razão. Só morre quem tem de morrer. As pessoas bem tentam, mas não podem é fugir ao seu destino.

domingo, 20 de setembro de 2009

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala para sala
As casa que que fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com morte como as pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessi as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

quinta-feira, 17 de setembro de 2009



My face is finished, my body's gone.
And I can't help but think standin' up here in all this applause and gazin' down at all the young and the beautiful.
With their questioning eyes.
That I must above all things love myself.

I saw a girl in the crowd,
I ran over I shouted out,
I asked if I could take her out,
But she said that she didn't want to.

I changed the sheets on my bed,
I combed the hairs across my head,
I sucked in my gut and still she said
That she just didn't want to.

I read her Eliot, read her Yeats,
I tried my best to stay up late,
I fixed the hinges on her gate,
But still she just never wanted to.

I bought her a dozen snow-white doves,
I did her dishes in rubber gloves,
I called her Honeybee, I called her Love,
But she just still didn't want to. She just never wants to.

I sent her every type of flower,
I played her guitar by the hour,
I patted her revolting little chihuahua,
But still she just didn't want to.

I wrote a song with a hundred lines,
I picked a bunch of dandelions,
I walked her through the trembling pines,
But she just even then didn't want to. She just never wants to.

I thought I'd try another tack,
I drank a litre of cognac,
I threw her down upon her back,
But she just lay up and said that she just didn't want to.

I thought I'd have another go,
I called her my little ho,
I felt like Marcel Marceau
must feel when she said that she just never wanted to. She just didn't want to.

I got the no pussy blues

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



I'm gettin tired of your shit
You don't never buy me nothin'
See everytime you come around
You got to bring Jim, James, Paul, and Tyrone
See why can't we be by ourselves, sometimes
See I've been having this on my mind
For a long time
I just want it to be
You and me
Like it used to be, baby
But ya don't know how to act
So matter of fact

I think ya better call tyrone
(call him)
And tell him come on, help you get your shit (come on, come on)

You need to call tyrone
(call him)
And tell him I said come on

Now everytime I ask you for a little cash
You say no and turn right around and ask me for some ass
Oh, well hold up
Listen partna
I ain't no cheap thrill
Cause miss Badu is always comin for real
And you know the deal

Everytime we go somewhere
I gotta reach down in my purse
To pay your way and your homeboys way
And sometimes your cousins way

They don't never have to pay
Don't have no cars
Hang around in bars
Try to hang around with stars
Like badu
I'm gonna tell you the truth
Showing groove
Or get the boot

I think ya better,
(call him)
And tell him come on
Help you get your shit

You need to call tyron
(call him)
But ya can't use my phone

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

“Sermos "curados" contra a nossa vontade, e curados de estados aos quais podemos não perceber como enfermidade, é sermos colocados no mesmo nível dos que ainda não atingiram a idade da razão e dos que jamais a atingirão; é sermos classificados como infantes, imbecis e animais domésticos. Mas sermos castigados, ainda que severamente, porque o merecemos, porque "não devíamos ter errado", é sermos tratados como uma pessoa humana criada à imagem de Deus.”

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


No thank you. No thank you. No thank you. No thank you!
I ain't about to to die like this!
I can't afford chemo like I can't afford a limo!
And besides, this shit is making me tired!
It's making me tired!
It's making me die!
You know I plan to retire some day,
And I'm-a gonna go out in style!
...Go out in style.
This shit it's making me tired!
It's making me tired!
It's making me die!
I'm-a gonna go out in style go out in style.
“Em seu famoso ensaio intitulado A Teoria Humanitária do Castigo C.S. Lewis lamenta a tendência moderna de abandonar a noção da justa retribuição e substitui-la por interesses humanitários tanto pelo criminoso (reforma) como pela sociedade como um todo (freio). Pois isso significa, argumenta ele, que cada infractor da lei "fica privado dos seus direitos como ser humano. Esta é a razão. A teoria humanitária remove do castigo o conceito do merecimento. Mas o conceito do merecimento é o único elo de ligação entre o castigo e a justiça. É somente na base do merecimento ou da falta dele que uma sentença pode ser justa ou injusta." Novamente, "quando paramos de considerar o que o criminoso merece e consideramos somente o que o pode curar ou deter a outros, tacitamente o retiramos por completo da esfera da justiça; em vez de uma pessoa, um indivíduo com direitos, agora temos um mero objecto, um paciente, um ‘caso’." Com que direito podemos usar a força a fim de impor o tratamento a um criminoso, ou a fim de curá-lo ou de proteger a sociedade, a menos que ele o mereça?”

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Acabou para mim aqui na terra o jugo da escravidão que pesava sobre enquanto sacerdote e católico. Como eu gostaria que os católicos e sobretudo os padres conhecessem o verdadeiro evangelho bíblico! Mas isto depende de Deus e a humildade de coração de outra parte não negando o meu trabalho evangelístico como a minha ardente oração por eles. Como Paulo orava pelos seus compatriotas segundo a carne! Ele orava pela sua salvação não porque eles não tinham zelo por Deus mas porque faziam aquilo não com entendimento, porquanto desconheciam a justiça de Deus e procuravam estabelecer a sua própria, não se sujeitando à que vem de Deus (Rm. 10: 1-3). Não é precisamente isto que acontece com os católicos? Não tenho a menor dúvida. Por isso, acho que é urgente levar a eles o verdadeiro evangelho bíblico. O pecador enquanto pensar que pelo seu esforço ou mérito é capaz de alcançar a sua própria salvação, nunca a alcançará (Rm. 3:20; Gl. 2:16, 3:10-11).

Mensagem Baptista nº209

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Guardemos isto: eleição, chamada, predestinação, seja qual for o nome que lhe apliquemos, é o único fundamento adequado para a vida cristã, e a única base possível para um povo de Deus. Não há outra base para a fé senão em Deus. Não está nos nossos humores flutuantes, nem mesmo nos nossos melhores momentos, mas “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor “ (I Cor. 1:9)
Isto é o que a eleição significa: não uma curiosidade vã ou especulativa acerca do número dos que se salvam ou se perdem, mas uma certeza cada vez mais firme de que “os dons de Deus são sem arrependimento” (Rom. 11:29), e de que “o Senhor conhece os que são Seus” (II Tim. 2.19).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Is it much to admit I need
A solid soul and the blood I bleed
With a little girl, and by my spouse
I only want a proper house

I don't care for fancy things
Or to take part in a precious race
And children cry for the one who has
A real big heart and a father's grace

I don't mean to seem like I care about material things like a social status
I just want four walls and adobe slabs for my girls

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

I believe that the black magic of witchcraft has been much more practical and much less poetical than the white magic of mythology. I fancy the garden of the witch has been kept much more carefully than the woodland of the nymph. I fancy the evil field has even been more fruitful than the good. To start with, some impulse, perhaps a sort of desperate impulse, drove men to the darker powers when dealing with practical problems. There was a sort of secret and perverse feeling that the darker powers would really do things; that they had no nonsense about them. And indeed that popular phase exactly expresses the point. The gods of mere mythology had a great deal of nonsense about them. They had a great deal of good nonsense about them; in the happy and hilarious sense in which we talk of the nonsense of Jabberwocky or the Land where Jumblies live. But the man consulting a demon felt as many a man has felt in consulting a detective, especially a private detective; that it was dirty work but the work would really be done. A man did not exactly go into the wood to meet a nymph; he rather went with the hope of meeting a nymph. It was an adventure rather than an assignation. But the devil really kept his appointments and even in one sense kept his promises; even if a man sometimes wished afterwards, like Macbeth, that he had broken them.




Acredito que a magia negra da bruxaria sempre foi bastante mais prática e bem menos poética do que a magia branca da mitologia. Imagino o jardim da bruxa a receber muito mais cuidado do que o bosque da ninfa. Imagino o lado do mal a ser muito mais frutífero do que o do bem. Logo à partida, um impulso, talvez uma espécie de impulso desesperado, levou o homem aos poderes das trevas quando se deparava com problemas práticos. Havia uma espécie de sentimento secreto e perverso de que os poderes sombrios fariam as coisas acontecer efectivamente; de que não havia neles nada de absurdo. E de facto, aquela época mostra esta ideia. Os deuses da mera mitologia estavam cheios de absurdidade. Estavam cheios de absurdidade, da mesma forma alegre e hilariante que nos referimos ao absurdo do Jabberwocky ou da terra onde os Jumblies vivem. Mas o homem que vai consultar um demónio sente-se como alguém que vai ao detective, especialmente um detective privado; que tinha um trabalho sujo para fazer mas ele resolveu o problema efectivamente. Um homem não ia exactamente ao bosque ter com uma ninfa; ele ia na esperança de encontrar uma ninfa. Era mais uma aventura do que um encontro marcado. Mas o diabo mantinha realmente os seus compromissos e de certa forma, até mantinha as suas promessas, mesmo se o homem desejasse, afinal, como Macbeth, que ele as quebrasse.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías.
E disse o Espírito a Filipe: chega-te, e ajunta-te a esse carro. E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: entendes tu o que lês? E ele disse: como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. E o lugar da escritura que lia era este: foi levado como a ovelha para o matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua boca. Na sua humilhação, foi tirado o seu julgamento; e quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra.
E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta escritura, lhe anunciou a Jesus.
E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja baptizado? E disse Filipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o baptizou.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

(…) o pecado é uma qualidade implicitamente agressiva – uma crueldade, um ferimento, um afastamento de Deus e do restante da humanidade, uma alienação parcial, ou um acto de rebelião… O pecado possui uma qualidade voluntariosa, desafiadora ou desleal: alguém é desafiado ou ofendido ou magoado. Ignorar isto seria desonesto. Confessá-lo capacitar-nos-ia a fazer algo a seu respeito. Além do mais, o regresso do pecado inevitavelmente levaria ao reavivamento ou reafirmação da responsabilidade pessoal. De facto, a utilidade de reviver o pecado é que a responsabilidade seria reavivada com ele.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009


Surrender your crown on this blood-stained ground, take off your mask
He sees your deeds, He knows your needs even before you ask
How long can you falsify and deny what is real ?
How long can you hate yourself for the weakness you conceal ?
Of every earthly plan that be known to man, He is unconcerned
He's got plans of his own to set up His throne
When He return.

sábado, 8 de agosto de 2009

Eu não sou adepto do computador. Gosto de escrever à mão. Mas a Internet é uma maravilha extraordinariamente importante e interessante. Não sou daqueles escritores que acham que a Internet vai constituir um perigo para o livro, e tak. Aquela velha história. Acho que não. O livro é o livro. É um instrumento. Como o martelo, digamos. É evidente que o Black & Decker é mais rápido para fazer um furo mas o martelo não deixou de existir. E a tesoura também não. Nem a bicicleta.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

No cruel lenho pregado
grande exemplo a todos deu:
“Pai, nas Tuas mãos entrego
o meu espírito”. E morreu.

Houve trevas sobre a terra.
houve susto e confusão,
mas para todos que crerem
há gloriosa salvação.

O dito de Simeão
cumpriu-se em alegoria:
uma espada atravessou
o coração de Maria.

Pede José de Arimateia
o corpo do seu amigo.
Da cruz, a forca romana,
desceu para o jazigo.

Domingo, ao fim de três dias,
o Senhor ressuscitou:
foi Madalena a primeira
pessoa que lhe falou.

Quando O veio conhecer
esqueceu a sua pena;
mas Jesus lhe disse então:
“Não me bulas, Madalena.”

O Senhor, vencida a morte,
não podia ali ficar.
O anjo mandou Maria
a seus irmãos avisar.

Tal desespero sentiu
Judas, quando considerou
ter entregado o Messias
que a si mesmo enforcou.

Os Apóstolos, um dia
estavam orando a sós
quando Jesus apareceu
e diz: “Paz a todos vós.”

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dir-se-ia que esta concepção do Cristo “manso e meigo” poderia ser facilmente localizada; contudo, a experiência mostra que ela opera no subconsciente de muitas mentes cristãs, particularmente naqueles indivíduos cuja infância foi marcada por uma atitude sentimental em relação ao “Senhor Jesus”. As acções, e até os pensamentos, de tais pessoas são inibidos por uma concepção falsa de amor que as impede de usarem as suas faculdades críticas, de dizerem a verdade pura e simples e de encararem o próximo “naturalmente”, com receio de pecarem contra um deus de mansidão e brandura. Para os não cristãos, tais pessoas apresentam-se insinceras ou mesmo hipócritas, ao passo que o amor que elas tentam exibir pelos outros não passa, muitas vezes, de um patético arremedo do sentimento autêntico; porque, tal como outros sentimentalistas, o deus manso e meigo é, na realidade, cruel; e aqueles cujas vidas foram governadas por ele desde a infância nunca puderam desenvolver as suas verdadeiras personalidades. Forçados a serem “amorosos”, nunca puderam estar livres para amar.

terça-feira, 7 de julho de 2009


De noite, eu rondo a cidade,
a te procurar, sem encontrar.
No meio de olhares, espio
por todos os bares, você não está.
Volto prá casa abatida,
desencantada da vida,
o sonho alegria me dá,
nele você está.
Ah, se eu tivesse
quem bem me quisesse,
esse alguém me diria:
Desiste, esta busca é inútil,
eu não desistia.
Porém, com perfeita paciência,
volto a te buscar, sem encontrar,
bebendo com outras mulheres,
rolando um dadinho, jogando bilhar.
E nesse dia, então,
vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar
da Avenida São João.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Para as pessoas habituadas a viver no domínio do subjectivo, as diferenças de doutrina não importam. O fim deles é formar a síntese. Só assim, para mim, se explica que Karl Barth pudesse, como fez no Concílio Ecuménico, em Amesterdão, dizer certas verdades fortes sobre ritos católico-romanos, sem cessar, no entanto, de falar da Igreja romana como sendo uma Igreja autêntica. (…) Uma vez que se penetra do mundo subjectivo, sem princípio objectivo de autoridade, e sobretudo com a tal concepção de síntese, não se pode considerar as diferenças de ordem teológica de outra forma senão como um “patamar” permitindo atingir uma verdade superior. Assim temos direito de afirmar que na realidade estes homens montaram a mais hábil das contrafacções do Cristianismo verdadeiro. Eles encontram-se, certamente, ainda mais afastados de nós que a Igreja católica-romana e mesmo que os modernistas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Destruir saudosismos e idealismos

We must drink from the spring to quench our thirst; sipping only makes us more thirsty. Similarly, if we wish to think, write and live like prophets, the apostles and the saints, we must abandon ourselves, like them, to God's purpose for us.
O mystery of love! We imagine that miracles are over, and that all we can do now is to copy your works of old and repeat your ancient words! We do not see that your continuing operation is an everlasting source of fresh ideas, fresh suffering and action, of new prophets, patriarchs, apostles and saints who have no need to follow in each other's footsteps, but live in a continuing abandonment to your secret intentions.
(...)
We long for the opportunity to die for God, and to live heroically. To lose all, to die forsaken, to sacrifice ourselves for others; such notions enchant us. But I, heavenly Father, will worship and glorify your purpose, finding in it all the joy of martyrdom, self-sacrifice and duty to my neighbour. This is enough for me, and however your purpose may require me to live or die, I shall remain content. I love it for its own sake, apart from what it achieves, because it pervades, sanctifies and changes everything in me.
“(…) o conceito da substituição está no coração tanto do pecado quanto da salvação. Pois a essência do pecado é o homem substituindo-se a si mesmo por Deus, ao passo que a salvação é Deus substituindo-se a si mesmo pelo homem. O homem declara-se contra Deus e coloca-se onde Deus merece estar; Deus sacrifica-se a si mesmo pelo homem e coloca-se onde o homem merece estar. O homem reivindica prerrogativas que pertencem somente a Deus; Deus aceita penalidades que pertencem ao homem somente.”

quarta-feira, 17 de junho de 2009

(…) quando nós lemos as Escrituras, a maior parte das vezes apenas as lemos para nos informarmos ou instruirmos, para nos sentirmos edificados ou inspirados, ou – o que não é raro – tentando encontrar uma citação que apoie as nossas próprias ideias. O Livro Sagrado torna-se assim um livro entre outros livros, sendo muitas vezes utilizado só dessa forma, assim como Jesus se tornou um ser humano entre outros seres humanos, sendo muitas vezes tratado apenas como tal.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Jesus está no deserto e repousa. Então chega o diabo: “És tu o Filho de Deus, então diz às pedras que se tornem em pão. (…) Eis que não só tu passas fome mas milhões de pessoas morrem de fome. Eles são fracos e incapazes de entusiasmo por ti, por Deus, se não lhes deres, primeiro, o pão. Todos eles esperam num deus, estão ansiosos por um mensageiro de Deus que os ajude; mas o seu primeiro desejo é que lhes dêem de comer. Então sim, deixarão tudo e seguir-te-ão, a ti se apegarão, adorar-te-ão e endeusar-te-ão, caso consigas o que nenhum homem consegue. (…) Caso não o faças, eles odiar-te-ão, maldizer-te-ão, expulsar-te-ão, porque entendem que tu não os amas. Ao contrário, concluem que os odeias. Pois, se os amasses, ter-lhes-ias dado pão. Se és Filho de Deus, então manda que as pedras se tornem em pão e satisfaz a eles e a ti”.
Jesus reconhece nessa voz, que aparenta ser de amor intercedente, a voz do diabo. Foi um reconhecimento nunca antes visto. Ele repele o diabo: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”. Certamente poderia produzir pão, mas os homens o adorariam como aquele que lhes fornece pão e não como o Deus que também na fome, na privação, até mesmo na cruz e na morte, ainda é Deus. Não seria amor de Deus iludir o homem acerca do que Deus realmente é. Concerteza ganhar-se-iam milhões de corações. Mas para quem? Certamente para o deus do pão da felicidade, nunca, porém, para Deus, aquele que tem honra em si mesmo. Não aquele que é Deus até sob a cruz e na morte. Deus manifesta-se a si mesmo por si mesmo e jamais pelo pão.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A disciplina da vida espiritual, porém, não tem nada a ver com a disciplina do atletismo, do estudo académico ou da formação profissional, em que se alcança uma boa forma física, se adquirem novos conhecimentos ou se aprende a dominar uma nova aptidão. A disciplina do discípulo cristão não consiste em dominar nada, mas antes em deixar-se dominar pelo Espírito. A verdadeira disciplina cristã é o esforço humano de criar o espaço em que o Espírito de Cristo nos pode inserir na sua linhagem.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Junto ao recife não há tardes douradas. Quando, às duas horas, o Sol se inclinou por trás dele, uma sombra sussurrante espalhou-se pela praia. Os sicómoros agitavam-se sobre as rochas, depois mergulhavam e atravessavam a lagoa com as cabeças erguidas como pequeninos periscópios, deixando atrás de si esteiras ténues a espraiarem-se. Uma truta enorme mergulhou na lagoa. As melgas e os mosquitos, que evitam o sol, surgiram zumbindo por sobre a água. Todos os insectos amigos do sol, moscas, libelinhas, vespas, zângãos, regressaram a casa. E ao avançar da sombra pela praia, ao chamado da primeira codorniz, Mack e os rapazes despertaram. O aroma do cozinhado cortava o coração. Hazel meteu-lhe dentro uma folha de louro colhida da árvore que se erguia junto do rio. As cenouras também já lá estavam. O café, na sua lata própria, fervilhava docemente sobre a sua própria pedra, suficientemente acima da chama para não ferver demasiado. Mack acordou, pôs-se de pé, espreguiçou-se, dirigiu-se a cambalear até à lagoa, lavou a cara com as mãos em concha, tossiu, cuspiu, bochechou, bufou, apertou o cinto, coçou as pernas, penteou os cabelos com os dedos, bebeu um golo do jarro, arrotou e foi sentar-se junto à fogueira. – Caramba, isso cheira bem! – exclamou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

 Nós não somos chamados a tocar os pontos fortes das pessoas, mas na sua consciência da própria dor, não daquilo que elas têm sob controlo, mas ali onde se sentem amedrontadas e inseguras, não na sua autoconfiança e assertividade, mas naquilo em que se atrevem a duvidar e a levantar questões difíceis; em suma, não onde elas vivem na ilusão da imortalidade, mas naquilo em que estão dispostas a confrontar-se com a sua humanidade decaída, frágil e mortal. Como seguidores de Cristo, somos enviados ao mundo nus, vulneráveis e fracos, podendo assim alcançar os outros homens, nossos irmãos, na sua dor e agonia, e revelar-lhes o poder do amor de Deus, transmitindo-lhes o poder do Espírito de Deus.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Conhece o leitor o quadro de Holman Hunt, líder da Irmandade Rafaelita, intitulado “A Sombra da Morte”? ele representa o interior da carpintaria de Nazaré. Jesus, nu até à cintura, está em pé ao lado da serra. Seus olhos estão erguidos ao céu, e seu olhar é de dor ou de êxtase, ou de ambas as coisas. Seus braços também estão estendidos acima da cabeça. O sol da tarde, entrando pela porta aberta, lança, na parede atrás dele, uma sombra negra em forma de cruz. A prateleira de ferramentas tem a aparência de uma trave horizontal sobre a qual as suas mãos foram crucificadas. As próprias ferramentas lembram os fatídicos prego e martelo. Em primeiro plano, no lado esquerdo, uma mulher está ajoelhada entre as aspas de madeira. Suas mãos descansam no baú em que estão guardadas as ricas dádivas dos magos. Não podemos ver a face da mulher, pois ela encontra-se virada. Mas sabemos que é Maria. Ela parece sobressaltar-se com a sombra em forma de cruz que seu filho lança na parede. (…) Embora a ideia historicamente seja fictícia, é, contudo, teologicamente verdadeira. Desde a infância de Jesus, deveras desde o seu nascimento, a cruz lança uma sombra no seu futuro. Sua morte se encontrava no centro da sua missão. E a igreja sempre reconheceu essa realidade.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Contextualizando o sermão da montanha

All the wrath of God's people against him and his Word will fall on his disciples; his rejection will be theirs. The cross casts its shadow before Christ, the disciples, and the people - the stage is already set for the passion of Jesus and his Church.
No centro da nossa fé cristã encontra-se o mistério que Deus escolheu para revelar o mistério divino mediante a submissão sem reservas ao impulso descendente. Deus não só escolheu um povo insignificante para transmitir a Palavra da salvação ao longo dos séculos, não só escolheu um pequeno resto desse povo para cumprir as promessas divinas, não só escolheu uma humilde jovem de uma cidade desconhecida da Galileia para a tornar o templo da Palavra, mas também decidiu manifestar a plenitude do amor divino num homem cuja vida desembocou numa morte humilhante fora das muralhas da cidade.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Nós nunca chegaremos a conhecer a nossa verdadeira vocação na vida, a menos que estejamos dispostos a aceitar o apelo radical que o Evangelho nos faz. Ao longo dos últimos vinte séculos, muitos cristãos ouviram este apelo e responderam-lhe num espírito de verdadeira obediência. Uns tornaram-se eremitas do deserto, ao passo que outros se tornaram servos na cidade. Uns partiram para terras distantes como pregadores, professores e médicos, ao passo que outros ficaram onde estavam e formaram a sua família, trabalhando fielmente. Uns tornaram-se famosos, enquanto que outros continuaram a ser desconhecidos. Embora as suas respostas revelem uma diversidade extraordinária, todos estes cristãos aceitaram o apelo de seguir a Cristo sem condescendências.

terça-feira, 2 de junho de 2009



Our first legacy is the image of God. Superimposed upon it – but not obliterating it – is the legacy of sin. But, as Milton goes on to remind us, the victory of sin could continue only:
‘till one greater Man
Restore us and regain the blissful seat’.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sometimes, it is enough simply to take notice of such things, and allow them to speak to us, as deep calls to deep. 'Consider the lilies of the field,' said Jesus (Matthew 6:28). He didn't say this just to illustrate the important point, 'Do not worry'; but because it is a crucial spiritual discipline in itself: to observe, and contemplate, the way the natural world simply 'is'.
A guerra e a pena de morte, ambas são questões debatidas que sempre deixaram perplexas as consciências de cristãos sensíveis. E sempre houve cristãos a favor ou contra esta ou aquela posição. O que sempre se torna necessário frisar pelos cristãos envolvidos nesses debates é que, se o conceito de ‘guerra justa’ é defensável e se a retenção da pena de morte é justificável, a vida humana não é uma coisa insignificante e facilmente descartável, mas exactamente o oposto, isto é, ela é preciosa por ser a vida de uma criatura feita à imagem de Deus. Aqueles que lutam pela abolição da pena de morte com base no facto de a vida humana (a do homicida) não poder ser tirada, esquecem-se do valor da vida da vítima do homicida: ‘se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem à sua imagem’. E aqueles que lutam pelo pacifismo incondicional, esquecem que, embora a mutilação e a morte indiscriminada dos civis seja totalmente indefensável, Deus deu à sociedade (quer ao Estado, ou por extensão, a alguma organização internacional) o direito e a responsabilidade de punir os malfeitores. Menciono estas coisas agora, não porque as complexas questões envolvidas na guerra e na pena de morte possam ser aqui resolvidas, mas para argumentar que não podem ser resolvidas através de um apelo simplista ao mandamento Não Matarás.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não vejo as sobrancelhas desgrenhadas nem a barba vermelha de Reuben Lance há 35 anos, mas em determinado momento elas se tornaram um símbolo para mim das características essenciais da direcção espiritual: inicialmente assustadoras, mas depois graciosamente acolhedoras, uma rejeição dos estereótipos e clichés espirituais, um desprezo às beatitudes penteadas e aos devocionalismos barbeados e, acima de tudo, um companheirismo despretensioso (às vezes tímido e sempre comum) na descoberta cautelosa da extravagância ardente de Pentecostes e Patmos.
Já compreendemos que a tentação por prazer significa para o cristão mais sofrimento do que prazer. A tentação sempre inclui renúncia ao prazer e, portanto, sofrimento. A tentação do sofrimento implica o desejo de libertação do sofrimento e, portanto, prazer. Assim, a tentação carnal por prazer ou sofrimento são, em princípio, uma e a mesma coisa.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Jesus foi entregue conforme o plano previsto na sabedoria de Deus, e vocês mataram-no, crucificando-o por meio de homens pagãos. Porém, Deus ressuscitou-o, livrando-o do poder da morte, porque não era possível que ele fosse dominado pela morte.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

What, then, is this duty which for each one of us is the very essence of our perfection? It is twofold: a general obligation which God imposes on all mankind; and specific obligations which he prescribes for each individual. God involves each one in different circumstances in which to carry out our purpose. He binds us to his love and influences our purpose so that it may become the object of his grace, showing his mercy by asking from each one no more than he is able to give.
Porque se amotinam as gentes, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes, juntos, se mancomunam contra o Senhor e contra o seu ungido dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá, o Senhor zombará deles.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Se se pode fazer uma crítica à década de sessenta, não é a de que o protesto não tivesse sentido, mas a de que não era suficientemente profundo, no sentido de que não estava enraizado na solidão do coração. Quando apenas a cabeça e as mãos trabalham juntas, logo ficamos dependentes dos resultados da nossa acção e tendemos a desistir quando ele não se materializa. Na solidão do coração, podemos ouvir verdadeiramente as dores do mundo, pois ali podemos reconhecê-las não como dores estranhas, mas como nossas. Ali podemos ver aquilo que é mais universal é mais pessoal, e que nada que é humano nos é estranho. Ali podemos sentir que a cruel realidade da história sem dúvida é a realidade do coração humano, inclusive o nosso, e que o protesto exige primeiramente uma confissão da nossa participação na condição humana. Ali podemos responder.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Viver junto com nossos amigos é uma alegria excepcional, mas nossas vidas serão tristes se isso se tornar o objectivo de nossos esforços. Uma equipa harmoniosa, que trabalha em unidade de coração e mente, é um dom dos céus, mas se nosso senso de valor depender dessa situação, seremos pessoas tristes. É com receber cartas de amigos, mas devemos saber viver felizes sem elas. Uma visita é um presente valioso, mas não devemos cair na tentação do mau humor se não houver nenhuma. Telefonemas, “só para dizer olá”, enchem-nos de gratidão, mas quando os esperamos, como uma naeira necessária de sedar nosso medo de sermos deixados de lado, tornamo-nos vítimas fáceis de nossas auto-recriminações. Estamos sempre procurando uma comunidade à qual nos sintamos integrados, mas é importante compreender que estar junto num lugar, numa casa, numa cidade ou num país é apenas secundário para a satisfação de nosso desejo legítimo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"(...) My daughter, she has no use for night runners. You know, her first language is not Luo. Not even Swahili. It is english. When I listen to her talk with her friends, it sounds like gibberish to me. They take bits and pieces of everything - English, Swahili, German, Luo. Sometimes, I get fed up with this. Learn to speak one language properly, I tell them." Rukia laughed to herself. "But I am beggining to resign myself - there's nothing really to do. They live in a mixed-up world. It's just as well, I suppose. In the end, I'm less interested in a daughter who's authentically African than one who is authentically herself."
It was getting late; we thanked Rukia for her hospitality and went on our way. But her words would stay with me, bringing into focus my own lingering questions.
O estudo comparativo das religiões é muito interessante, pois mostra a humanidade em busca de Deus, e os diferentes resultados de tal busca. A Bíblia, contudo, não nos apresenta a humanidade em busca de Deus. Mostra algo muito mais surpreendente e radical: Deus em busca da humanidade. Deus ama-nos supremamente, e nós rejeitamo-Lo.
Não me retrato de coisa alguma, a não ser que me convençam pela Escritura ou por meio de argumentos irrefutáveis. É claro como a luz que do dia que tanto papas como concílios têm algumas vezes errado. A minha consciência tem que submeter-se à Palavra de Deus; proceder contra a consciência é ímpio e perigoso; portanto, não posso nem quero retratar-me. Assim Deus me ajude. Amém.

perante o Imperador Carlos V

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mas se razões sociais estão por detrás do que algumas pessoas crêem, então elas explicam tanto o ateísmo como outros credos. Paul Vitz, um conhecido psicólogo cristão, foi criado no meio cristão. Depois, aos 18 anos abandonou tudo e tornou-se ateu. Com 38 anos, já professor de psicologia, fez uma investigação séria do cristianismo, chegou à conclusão de que era verdadeiro e entregou a sua vida a Cristo. Agora declara que as suas razões para a adopção do atéismo eram «superficiais, irracionais e, em grande parte, sem integridade intelectual e moral.» Ele tinha feito essa opção para ganhar as boas graças dos amigos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O temor de Deus é o princípio da sabedoria; têm bom entendimento todos os que cumprem os seus preceitos; o seu louvor subsiste para sempre.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O povo cantará na Igreja, caso esta reforma seja adoptada. Há séculos que o povo não canta ali. Nem tem compreendido as palavras latinas cantadas pelos padres. Agora, em vez de espectadores mudos, terão uma participação.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Os Puritanos tinham mais confiança na responsabilidade social individual do que nas agências governamentais e sociais. Para eles, a acção social eficaz começava com o indivíduo. Richard Greenham escreveu:

“Certamente que se os homens fossem cuidadosos em reformar-se a si mesmos primeiro, e depois às suas famílias, veriam as múltiplas bênçãos na nossa terra, sobre a igreja e a comunidade. Pois de pessoas particulares vêm famílias; de famílias, cidades; de cidades, províncias; e de províncias, regiões inteiras.”

Tal declaração é uma rejeição implícita da posição liberal moderna de que o modo de combater os males sociais é multiplicar agências sociais. Que as pessoas como indivíduos são decaídas os Puritanos sabiam tão bem como nós. Mas eles também sabiam que as instituições não escapavam aos efeitos da Queda e são, de facto, o produto de pessoas decaídas. M. M. Knappen resume a teoria Puritana quando escreve:

“Quando o Puritanismo é comparado aos modernos sistemas colectivistas, aparece o seu individualismo. Os pensadores do século dezasseis não depositavam fé no Estado como tal. A integridade de um sistema não salvaria ninguém. Integridade deve haver, mas também deve haver cooperação pessoal e responsabilidade individual.”

Os Puritanos eram igualmente individualistas na sua abordagem à ajuda financeira. Eles opunham-se à caridade indiscriminada e insistiam que ajuda fosse dada apenas àqueles em genuína necessidade. William Perkins pode ser considerado como típico quanto ao pensamento Puritano a respeito de mendigos e vagabundos. Perkins disse que eles “são (na maior parte) uma geração maldita”, “pragas e chatos” tanto para a igreja como para o Estado. “É a boa lei da nossa terra”, acrescentou ele, “agradável à lei de Deus, que ninguém deveria pedir, se é capaz de trabalhar”. A injunção de Paulo de que “se alguém não quiser trabalhar, não coma” (II Tessalonicenses 3:10) foi um dos textos mais frequentemente citados entre os Puritanos.